sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Dicas da Dani: Paula Toller

Paula Toller, vocalista do Kid Abelha, lança seu segundo álbum solo. Só Nós é o novo trabalha que traz a sua bela voz com músicas em português e inglês. São 14 faixas inéditas, divididas entre autorais e composições de Caio Márcio e Coringa, Dado Villa-Lobos, Nenung (Darma Lovers), Kevin Johansen, Paul Ralphes, Donavon Frankenreiter e Jesse Harris, autor de "Don´t Know Why, de Norah Jones.

Destaques para "Meu Amor se Mudou pra Lua", "Um Primeiro Beijo" e "Você Me Ganhou de Presente". As músicas em inglês também ressaltam o timbre de voz de Paula Toller, com destaque para "Glass". Posso ser suspeito, pois sou fã do Kid Abelha desde a época de adolescente - e minha filha já puxou o pai e adora também -, mas este álbum está sensacional. Todas as músicas são excelentes.

Músicas suaves e letras trabalhadas. Ótima pedida para ouvir em boa companhia ou simplesmente relaxar no final do dia e deixar os pensamentos voarem. O primeiro vídeo traz um trecho de cada uma das 14 faixas do CD. O segundo vídeo (na verdade áudio) traz o hit Meu amor se mudou pra lua.




Poder e maturidade

Um tema tem sido recorrente em discussões pessoais, artigos de revistas e grupos de amigos. Talvez pela idade média do grupo, que está na faixa dos 35 anos, talvez porque a maturidade é algo que deixamos de temer e desfrutamos com alegria.

Maturidade Feliz foi a reportagem de capa da Revista Vida Simples do mês de agosto de 2007, mas o enfoque era sobre o envelhecimento e como encará-lo de forma feliz. Aqui quero tratar da indispensável maturidade para o exercício de cargos públicos e de cargos que envolvam poder.

Esta semana o Promotor Thales Schoedl foi mantido no cargo pelo Órgão Especial do Ministério Público do Estado de São Paulo. Thales Schoedl é acusado de matar um rapaz e de tentar matar outro. Thales disparou 12 tiros nos dois rapazes que, conforme alegado na defesa do promotor, partiram para cima dele e ameaçaram sua namorada. A notícia completa pode ser lida no Estadão. Se Thales é culpado ou não, a justiça dirá.

A questão é: será que os critérios são adequados para admissão de juízes e promotores em concursos públicos? Eu acho que não e defendo esta posição há muitos anos.

Antes da reforma de legislação, bastava ser bacharel em direito para disputar um concurso público para juiz ou promotor. Agora, é preciso comprovar 3 anos de experiência profissional e ter no mínimo 25 anos. Acho pouco, muito pouco!

Um jovem de 25 anos não tem - na grande maioria dos casos - maturidade para ocupar o cargo. E maturidade não vem só com a idade, mas com a experiência de vida, que deve ser complementada com experiência profissional. "Encostar a barriga no balcão", para usar um jargão de advogados militantes, ensina muita coisa. Ensina a lidar com o público, ensina a entender o andamento - quando anda - do processo, ensina a diversidade de casos que se apresentam na vida real, e não somente nos livros.


O candidato a concurso público se forma em direito e mergulha num cursinho, que por vezes dura 2 ou 3 anos. Até que finalmente conquista o almejado cargo, porém o candidato só tem conhecimento acadêmico.

Recentemente uma ex-estagiária minha foi empossada no cargo de Promotora de Justiça. Batalhou 4 anos estudando, mas ela trabalhou 3 anos comigo. O amadurecimento foi notório ao longo deste período, mas ela mesma se julgava inexperiente ao se formar. O tempo de estudo permitiu-lhe amadurecer mais ainda e tenho certeza de que ela tem maturidade e responsabilidade para o cargo que conquistou.

Não estou generalizando, mas continuo a achar que a idade mínima para estes concursos seria de 28 anos com a exigência de 5 anos de experiência profissional depois de formado, ou seja, não seriam contados os anos de estágio profissional.

Quanto ao mérito da decisão do Órgão Especial do Ministério Público, entendo-a lastimável. Fica uma mácula nesta instituição tão honrada.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Crônica: Pássaro


PÁSSARO


Desceram do táxi na frente do hotel. Trocaram algumas palavras, despediram-se com um longo abraço e um beijo no rosto. Ele acompanhou-a por uns 50 metros até a Siqueira Campos, quando repetiram o gesto de despedida. Partiu e ela atravessou a rua com o olhar seguindo-a.

Voltou ao hotel, inebriado, com a alma aquecida. Sentia que podia voar como um pássaro sobre a orla de Copacabana. Sentou-se na varanda do 15º. andar do prédio e releu o email que lhe havia enviado. “Será que ela o lerá hoje ainda?” – pensou. Era pouco depois das 20 horas. Todo o encontro, toda a conversa estava viva na sua mente. Cada sorriso, cada gesto, cada toque, cada palavra. Tudo fresco e maduro na memória. Pensou nas coisas que queria dizer e não disse, pensou no beijo que queria dar e não dera....mas tudo aquilo era pequeno diante da profunda alegria que o tomava.

O ponto alto do encontro foi o presente que lhe dera. O sorriso ao abrir o pacotinho contendo os brincos....ao colocá-los....tudo aquilo o fazia flutuar.

Fitava o infinito, congelado, mas ardendo por dentro um fogo prazeroso. Estava feliz, sereno, com um riso incontido. Um adolescente que acabava de desfrutar de uma companhia única, um delírio acordado, arrebatado por aquela mulher.

Não tinha ao certo quanto tempo ficou ali sentado, mas o olhar estava fixo no pequeno trecho de esquina entre a Domingos Ferreira e a Siqueira Campos, que avistava do último andar do prédio. Queria vê-la de novo, só mais um pouquinho, mais uma vez, ainda que por poucos segundos. Esperou e ela surgiu. Caminhava cansada, pois já passava das 21 horas. A visão durou pouco, mas deu um novo choque de oxitocina no seu corpo, um choque de prazer e alegria, um choque de encantamento.

Sonhou ser um pássaro e voar por sobre sua cabeça. Ou um anjo da guarda para caminhar do seu lado. Um pássaro era melhor. Pequeno, discreto, invisível, para seguir seus passos até sua casa. Pousar na janela e contemplar aquela mulher que havia aparecido em sua vida e transformado seus dias e noites. Silencioso e imperceptível. Vê-la tirar os sapatos. Vê-la beijar o filho. Vê-la cansada, mas sempre bela. Vê-la lendo o email. Vê-la reagindo. Vê-la sorrindo. Vê-la levemente sem graça.

O toque do celular despertou-o do devaneio e com ele a mensagem esperada. Ela havia lido o email e ele voltou para as nuvens, voando, novamente, como um pássaro.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Vale a pena ler de novo


A Edna, do Pensamento Nosso, me indicou ao Movimento entre Blogs – Vale a pena ler de novo.


Vamos às regras:


1. Qualquer blog convocado pode participar.

2. O blogueiro que participar deve escolher um de seus textos (de sua autoria) que você mais gostou (sabe? aquele que quando você acabou de postar você disse para si mesmo: eu estou inspirado hoje!), e então republicá-lo, podendo trocar foto, modificá-lo de algum jeito.

3 - Escrever a frase: ‘Movimento – Vale a pena ler de novo’ no final do texto, só para identificar como participante juntamente a essas regras.

4 - Convoque mais 5 blogs para esse movimento colocando os links deles no seu post republicado.

5 - Se você foi convocado mais de uma vez, se quiser, republique mais algum que você goste. Criado pelo blog: A ótica de um míope.


Já pensava em fazer uma retrospectiva com os posts mais lidos nas diversas categorias deste blog, mas vou ficar com uma crônica que escrevi e que teve a receptividade que queria. Despertou um sorriso - talvez mais de um - e isto é uma recompensa para quem escreve.


TARDE NO CAFÉ


No meio de uma tarde de sábado, ao final de verão, Pedro cuidadosamente escolheu uma mesa perto da calçada, num simpático café da Rua Oscar Freire. Queria ver gente. Observar as pessoas. Analisar. Distrair-se com as divertidas figuras do coração do luxo e da elegância paulistana. Pediu um café puro e um pão de queijo. Deixou o livro recém-adquirido sobre a mesa, cruzou as pernas e preguiçosamente deixou seu olhar passear.


Passeavam pela calçada, ou melhor, desfilavam mulheres com sacolas, com cachorrinhos embonecados, com óculos escuros largos sobre a face, com amigas a falar e a gargalhar alto. Uma fauna de mulheres ricas, de peruas, de patricinhas, de todas as tribos urbanas e cosmopolitas. Umas medindo as outras de cima abaixo. Grifes caras e famosas e outras nem tanto. Uma variedade de roupas e estilos, de tamanhos e de rostos, de aromas de perfumes caros e de cores. Tudo se mesclava numa tela impressionista, sem precisão, como um emaranhado de sons, aromas e formas.


Pedro fitava-as discretamente, de relance. Começou pelos pés. Admirou-se com a variedade de sapatos, sandálias, unhas, pés que por ali passavam. Achava defeito em todos. Simpatizou com alguns. Mas algo incomodava-lhe.


Distraiu-se então com os rostos. Reparou nos cabelos, alguns longos, outros curtos, presos, soltos, loiros, ruivos e castanhos. Cortes variados, visuais esquisitos, outros elegantes, outros mais simples. “Qual o mais bonito”, perguntava-se. “Qual a forma ideal da beleza?” Uma beleza abstrata rondava sua mente e não se materializava diante dele naquela tarde. Lembrou-se de Platão e de seu mundo das idéias. “Seria a beleza perfeita algo inatingível, algo invisível, algo que somente pode ser criado em nossas mentes? Haveria um molde perfeito?” O molde de beleza de Pedro estava silente, escondido em seu inconsciente.


Continuou a observar de forma incessante a procura de algo que sabia existir, que sabia estar presente dentro de si ou no mundo exterior. Sentiu-se criando um Frankesntein feminino. Juntava partes e pedaços de mulheres, misturava estilos e roupas, mas nada lhe apaziguava o espírito. Inquieto não desistia em sua busca.


Estava ali há mais de uma hora e meia, quando uma moça perguntou-lhe se queria mais alguma coisa. Despertou do transe ao ouvir a indagação. Olhou-a e o reflexo da luz sobre um ponto brilhante que repousava sobre o nariz da funcionária alvejou-o como um raio. “Por isso encontrava defeito em todas as mulheres!”, disse a si mesmo. “Você é e sempre será única. Não há substituta, não há outra igual a você. Nunca serei indiferente ao seu nome. Sempre que o ouvir, lembrarei de ti. Sempre!” O pequeno piercing acima da narina esquerda havia trazido Pedro de volta à realidade. Pediu mais um café e sorriu. Encontrara o que buscava e o que buscava, ainda que distante fisicamente, não abandonava seus pensamentos em nenhum instante. Ela era presença constante e companheira incomparável.



* * * * * *


Agora às indicações para continuar o movimento:











Não estou sumido!

Alguns podem achar que estava sumido, mas com a mudança e a infinidade de caixas que ainda se amontoam na minha sala somado aos prazos e compromissos, hoje vou conseguir respirar e voltar a postar.

Não estou sumido, só uma pausa ocasionada pela vida profissional!

Mais tarde eu volto!

domingo, 26 de agosto de 2007

O Caso dos Boxeadores Cubanos

Antes que me acusem de mentiroso ou parcial, vou citar uma fonte que tem uma coluna num jornal de grande circulação. Já tratei do assunto dos boxeadores cubanos neste blog em dois posts: Tempos Estranhos e Ainda o caso dos cubanos. No primeiro argumentei juridicamente de que a conduta do Governo Brasileiro infrigia o direito vigente no Brasil. No segundo, transcrevi o comentário de uma leitora e discordei de sua posição acerca da "liberdade" que existe em Cuba.

Pois bem, ontem Dora Kramer (volto com ela de novo) escreveu no jornal Estado de São Paulo (25 de agosto de 2007, p. A6):

"Prisão perpétua

A decisão do governo de Cuba de proibir os pugilistas Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara de prosseguir em suas carreiras de atletas e de sair pelo resto de suas vidas do país é a prova mais evidente de que os dois não retornaram à ilha de Fidel Castro por vontade própria.
A conta dessa deportação - combinada pelas autoridades brasileiras com o governo cubano, conforme atestou o chanceler Felipe Pérez Roque - fica espetada no histórico de retrocessos pautados pelo privilégio das afinidades ideológicas do governo Lula em detrimento dos princípios que norteiam questões de Estado no Brasil."

Apenas para provocar a reflexão: historicamente o Brasil rejeita pedidos de extradição para países onde sejam condenados à pena de morte ou à prisão perpétua, pois ambas são consideradas inconstitucionais no Brasil. Ressalte-se que nos casos de extradição, o extraditando já condenado em seu país pela prática de um crime. É o caso do mega traficante Abadía, que continua preso no Brasil na Polícia Federal.

No caso de deportação, não há condenação por crime, mas entrada irregular no Brasil. Não se tem notícia de uma deportação tão rápida como ocorreu no caso dos cubanos.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Ventos de Agosto


Passei o dia todo esvaziando caixas e mais caixas de livros, papéis, pastas, enfim toda aquela parafernália típica de escritório. Depois de enviar alguns emails, este é meu primeiro post no escritório novo, na Av. 9 de Julho em São Paulo. Agora tenho uma janelinha com vista para o Túnel da Av. 9 de Julho e a Praça Alexandre Gusmão, que fica perto do Parque Trianon, uma ilha verde que fica encravada na região da Av. Paulista.


Enquanto os funcionários da empresa transportadora empacotavam os livros - e de certa forma emcaixotavam memórias boas e ruins daquele escritório na Av. Paulista - vislumbrei que as minhas grandes mudanças profissionais ocorrem em agosto.


No dia 13 de agosto de 1993, uma sexta-feira 13, fui despedido do escritório em que trabalhava. Era estagiário e fui comunicado naquele dia que não seria efetivado. Senti raiva, senti-me ludibriado e enganado, enfim degustei o sabor de ser demitido, uma experiência nada agradável. Anos mais tarde, encontrei o sócio do escritório - que continuou sendo admirado por mim e com quem sempre tive um ótimo relacionamento - e disse-lhe que a melhor coisa que me aconteceu foi ter sido despedido. A despedida deu impulso a uma nova fase profissional e numa área específica que tanto gosto que é direito bancário e mercado de capitais.


Agora, num dia 23 de agosto, 14 anos depois novos ventos sopram, de novo em agosto, e eu lanço meu barquinho à vela ao mar, para aproveitar os ventos e navegar, navegar e explorar novos mares e territórios.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Poesia: VAGANDO


VAGANDO


Pode parecer que silencio

Que estou ausente

Que sentes-me ausente

Meu âmago te quer

Meu sorriso te procura

Meu pensamento te busca

Não há espaço para almas

Não há tempo para o espírito

Tudo permanece

Sintonizado em uníssono

Corações e lábios

Ritmados ao som dos ventos

Palavras que viajam

E trazem o calor

E inebriam meu corpo

Flutuando pelo espaço

Em busca de ti

Em busca de ti.


(RLBF - 29 jan 07)

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

A campanha do 3

Coluna da Dora Kramer, ontem no Estadão (p. A-6):

"Campanha do 3

O presidented da agência de publicidade Master, Antônio Freitas, responsável pela campanha institucional do Banco do Brasil que adota como emblema o número '3' e suscita a desconfiança de que seja propaganda subliminar em favor de um terceiro mandato para o presidente Lula, envia e-mail a título de esclarecimento.
Segundo ele, a campanha não tem esse fim nem pode ser qualificada de 'ineficaz' por causa do hermetismo da mensagem resultante da soma dos algarismos 2 e 1 da Agenda 21 sobre o desenvolvimento sustentável.
O objetivo é contribuir com o tema e conseguir o engajamento da poplução. 'Daí a sugestão para a adoção de três atitudes positivas no dia-a-dia dos brasileiros, em favor da sustentabilidade, mostrando que cada um de nós pode ser um agente transformador do futuro', diz Antônio Freitas.
De acordo com o publicitário, ao longo da campanha serão apresentados casos e exemplos em que, 'com a intervenção do Banco do Brasil', muitas situações foram e estão sendo mudadase em todo país."

Sei que podia estar viajando com o post do misterioso 3, como bem comentou a Fabiola, mas não sou o único que desconfiou. O Senador Heráclito Fortes também levantou o tema no Senado e deixou o Senador Eduardo Suplicy todo embaralhado ao tentar explicar a campanha do Banco do Brasil.

Se a mensagem é tão clara, por que não explicitar isto na propaganda?

Pelo que li, a campanha custou R$ 10 milhões.

Para mim, esta novela ainda não acabou.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

O Castelo


O episódio de sábado do seriado Mothern (21:30 na GNT) teve uma passagem com a qual me identifiquei. Uma das personagens vê a filha montar um castelo de blocos de madeira igualzinho ao da caixa. Depois que a mãe olha o castelo, a filha, num único gesto, destrói o castelo diante de uma mãe estupefata. A filha calmamente explica que vai construir um outro diferente. Estou assim, destruindo um castelo para montar um novo.


Nesta semana mudo-me de escritório. Algo simples e corriqueiro e que dá muito trabalho. Boa hora para uma faxina e jogar coisas foras. Estou neste endereço na Av. Paulista desde 1999. Sinto uma nostalgia e vou sentir falta de caminhar pela Paulista todos os dias, uma avenida que me inspirou e inspira. Quantas vezes, ao caminhar pela Paulista imerso nos meus devaneios, encontro alguém que tem quem me segurar ou gritar para que repare na pessoa. E vou sair bem na hora em que vão reformar as calçadas.


Enfim, chegou a hora de desmontar o castelo e começar a construir um novo, em novo endereço, com novo sócio e novos trabalhos. Parece que a vida é assim, um constante construir e reconstruir de castelos. Demorei a me desapegar do castelo e criar coragem para a mudança, mas vamos em frente. As salas e os cantos do escritório vão ficar na lembrança das fotos, como a aconchegante biblioteca que ilustra este post.


Gostei da imagem do castelo e acho que ela se aplica a muitas outras coisas na vida, mas isto é outro assunto.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

O misterioso 3

Reparem numa estranha propaganda do Banco do Brasil que diz basicamente: "Fique com o 3". O número aparece na propaganda, totalmente sem nexo com a mensagem e fora de contexto.

Pensei cá com meus botões e vou chutar (porque já estou sentindo patrulhamento neste blog - vide os comentários ao post Calaram o Jabor!) : isto é propaganda subliminar.

Vejam só. O Banco do Brasil é o maior banco do país e seu número é 1 (para efeitos de indicação para remessas de dinheiro todos os bancos têm um número que lhes é atribuído pelo Banco Central). Por que falar de 3?

Comentei com algumas pessoas sobre a propaganda e ninguém me deu uma resposta que sanasse minha dúvida, mas acharam estranho. Aqui vai meu chute - ou simples dedução com uma visão ao longe: é a propaganda do terceiro mandato do Lula! Subliminar, silenciosa no melhor estilo Goebbels.

Talvez alguns riam e achem que estou louco, mas vou escrever antes e depois veremos se estou errado.

E antes que reclamem, eu sou democrático e respeito posições e opiniões diversas da minha, mas acho que o Lula pretende sim se perpetuar no poder. E EU SOU CONTRA!!!!

Crônica: Beijo Vazio

O Beijo - Klimt




Havia algo de estranho naquele beijo. Parecia oco, vazio. Vai ver que era isto que chamavam de beijo técnico, pensou Aninha. Os lábios se uniram, mas foram só os lábios, algo mecânico, talvez ele nem tivesse fechado os olhos. Ele estava longe, não havia aquela união transcendental, pelo menos Aninha não sentira isto. Era um sentimento inusitado. Burocrático, sim esta era a palavra que procurava. Ele beijou-a como se batesse um carimbo em uma repartição pública no final de dia, com a mão já cansada, apenas cumprindo a rotina e com um olho fixo no relógio, contando os minutos para bater o cartão e zarpar pela porta para tomar aquela cervejinha com os amigos no bar da esquina.





Sentiu-se mal ao pensar desta forma, mas era a realidade. Dura, fria e cruel. Mas era a realidade. Aquele beijo era o prenúncio do fim, a apoteose do vazio, da distância que se instalara entre eles, sorrateira como a noite, foi-se achegando, enevoando o que era luz, alongando as sombras até que a escuridão recobrisse tudo. O coração de Aninha murchou e seus lábios continuaram a tocar os lábios de Antonio. Beijava-o com um gosto de saudade, nutria aquele momento pois temia que não se repetisse. Nova pontada no coração e os arrepios haviam desaparecido. Parecia que aquele beijo já durava demais, se bem que não contava os minutos ou segundos. Era uma encenação despida de carinho. Ficou incomodada e desfez o abraço e desfez o beijo.





Desvencilhou-se dos braços de Antonio e olhou-o nos olhos. Não havia brilho, não havia mais a intensidade do olhar penetrante. O silêncio era a revelação do presságio. Ele permaneceu mudo, apenas sorrindo. Ela sorriu de volta, mas apenas externamente, forçando os músculos da face para não demonstrar o que sentia internamente. Emudecida, levantou-se do sofá e foi dormir.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

20 anos sem Drummond

(Drummond no Posto 6 em Copacabana)


Carlos Drummond de Andrade faleceu em 17 de agosto de 1987 deixando uma das obras poéticas mais profícuas e admiradas. O poeta do cotidiano, o poeta que via no cotidiano poesia, angústia e questionamento existencial. Um poeta que transcende o comum para elevá-lo ao plano de indagação espiritual do homem contemporâneo.





Poesia que é aparentemente simples, mas revela-se um claro enigma. Poesia para ser degustada com vagar e tempo. Poesia para ser lida e relida e ela sempre nos trará algo de novo.





Descobri Drummond na época da faculdade, período de questionamentos, levemente depressivo, em que um jovem estudante se depara com a implementação de seus sonhos e percebe que muitos sonhos não se realizarão, vendo-se frustrado. O poeta acompanhou-me naqueles anos e permaneceu adormecido até pouco tempo atrás, quando voltei a mergulhar no seu universo. Um universo rico e delicado, um universo profundo e sensível, um universo belo e acessível.




Em artigo publicado no Caderno de Fim de Semana do Jornal Valor Econômico, José Castello sintetiza a poesia de Drummond: "O anonimato, contra todas as idéias de consagração e de mito, que sustenta a imagem do poeta como a de um homem que faz o que não escolheu e existe apesar do que escreve. A distância que separa o poeta de seus leitores, o que comprova o caráter mágico da poesia, estranha carta sem destinatário e que, apesar disso, seduz os que a lêem. As ilusões, enfim, que cercam a figura do poeta, a quem são atribuídos valores que, no entender de Drummond, não lhe dizem respeito e glórias que ele não fez por merecer". (3, 4 e 5 de agosto de 2007, p. 16)




Fica aqui minha homenagem e lembrança desta data e do grande poeta.




E agora, Luis?

Amanhã, completar-se-á 20 anos da morte do poeta Carlos Drummond de Andrade. Enquanto amanhã não chega, os mercados financeiros sofrem um verdadeiro abalo, talvez prenúncio de uma crise. E, com o perdão do poeta, roubo-lhe o verso para refletir.

E agora, Luis?
O dólar subiu
A economia tremeu
A instabilidade instalou-se
Os anos de prosperidade tranquila se foram

E agora, Luis?
O que fazer?
O Mantega está perdido
O Meirelles não fala
E você - como sempre - não sabia de nada.

Bom, presidente Lula, agora é a hora de mostrar se V. Exa. sabe governar. A resposta eu já sei, mas torço para estar errado.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Trabalho e emprego


No dia 11 de agosto, comemorou-se 180 anos da instalação da primeira faculdade de Direito no Brasil. Por decreto de D. Pedro I, foram criados 2 cursos de ciências jurídicas no Brasil: um em São Paulo e outro em Olinda. A Faculdade de Direito do Largo São Francisco iniciou suas atividades primeiro e é o curso jurídico mais antigo do Brasil.


Estudei na São Francisco durante 12 anos, sendo 5 anos na graduação e 7 de pós-graduação, e toda vez que passo por aquele pátio com suas arcadas, uma nostalgia me domina. Há algo de especial naquela faculdade. Ela é especial para mim pois ali descobri a minha grande paixão que é advogar. Sou um advogado apaixonado pelo que faço, mesmo com todos os problemas da profissão, das frustrações nas derrotas em causas judiciais, em conflitos com clientes. No final das contas, adoro meu trabalho.


Digo tudo isto por que nota-se hoje que muitas pessoas não trabalham, mas simplesmente procuram um emprego. Querem ter hora para entrar, hora para sair, hora para almoçar e a certeza de salário no final do mês. Acho que isto tem nome: mediocridade ou falta de paixão. Da mesma forma que há pessoas que simplesmente passam sem deixar rastro, há profissionais que simplesmente batem cartão.

Ao conversar com uma amiga, que acabara de voltar de férias, reparei que as pessoas dedicadas e esforçadas por fazerem bem feito o seu trabalho são cada vez mais raras. Estes profissionais são jóias raras, espécies em extinção. Pessoas que trabalham e trabalham com amor e dedicação, que se sacrificam por fazer com esmero as tarefas que lhe são atribuídas - ainda que não gostem do que tem que fazer -, são pessoas que marcam e contagiam o ambiente à sua volta. Estes profissionais puxam o ambiente para cima e elevam a motivação de seus colegas de trabalho. E muitas vezes estes profissionais não são reconhecidos ou elogiados por chefes e superiores, e um elogio sincero é uma ótima forma de incrementar a motivação.

Esta é a grande diferença entre trabalho e emprego. No primeiro, crescemos e nos desenvolvemos, aprendendo o valor do sacrifício e da dedicação. No emprego, cumpre-se apenas o necessário para garantir o salário e evitar a dispensa. As tarefas podem ser semelhantes, mas a atitude interior é muito diferente.

Bom trabalho a todos!

CPMF: mais informações

Complementando o post anterior, incluo o link para um abaixo assinado contra a CPMF, que já tem mais de 750.000 assinaturas.

Este site contém o endereço de email de todos os deputados e senadores. É só copiar e colar.

Transcrevo o manifesto organizado por várias entidades de classe:

"Manifesto da Sociedade Brasileira contra a Manutenção da CPMF

A rigor, 1996 foi o primeiro ano de pleno funcionamento de uma nova moeda, o Real, implantada dois anos antes. O Plano Econômico do Governo Fernando Henrique, que havia banido a inércia inflacionária e estabilizado a moeda, alcançava 75% de aprovação nas pesquisas de opinião pública em todo o Brasil.

Sob a euforia da sociedade com um novo tempo de economia forte e sinais de retomada do crescimento, surgiu a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), para salvar a saúde pública, então passando por sucessivos escândalos.

O Sistema Único de Saúde (SUS) estava em xeque, vivendo grandes tragédias: mortes por contaminação em hemodiálise em Pernambuco; vacinas causando vítimas em São Paulo; idosos maltratados no Rio de Janeiro; bebês mortos em UTI’s no Ceará e no Espírito Santo. Algo precisava ser feito, e não havia recursos.

Mais uma vez, a solidariedade e a generosidade do povo brasileiro assimilaram a CPMF, um novo custo direto. A CPMF era apenas provisória. Mas, o tempo passou e lá se vão 11 anos desde a sua criação. No ano seguinte ao do surgimento da contribuição, a carga tributária brasileira foi quase de 27% do PIB. Já em 2006, havia crescido e atingido 33,7% do PIB. Ou seja, uma década depois do surgimento da CPMF estamos pagando cerca de mais sete pontos percentuais de impostos sobre o PIB. E não se recebe esse montante, nem de longe, em serviços do Governo.

O cidadão brasileiro — além de arcar com uma das maiores cargas tributárias do planeta —, ainda precisa pagar por segurança, saúde, escola e outros benefícios privados para sobreviver. O Governo não se preocupa em gerir responsavelmente a coisa pública, em cortar ou diminuir gastos que, como os impostos, continuam subindo a cada ano. A CPMF, que era provisória, continua sendo prorrogada, agora sem “justo” motivo. Estamos sob a ameaça de que se torne definitiva na contramão do que a sociedade pretende —, que é ser desonerada para diminuir o Custo Brasil, aumentar a competitividade, abaixar preços, gerar novos empregos.

Reduzir impostos é possível, como demonstra o estudo desenvolvido pela Fiesp anexo a este manifesto de inúmeras entidades da sociedade civil brasileira — uma forma de contribuir para a conscientização da importância dessa salutar medida. Sem sacrificar qualquer um dos projetos sociais do Governo, é possível cortar gastos públicos e eliminar a suposta necessidade de prorrogação da CPMF. Reduzindo a taxa de juros, por exemplo, teríamos outra medida do governo capaz de gerar substantiva economia aos cofres públicos, sem falar de maior crescimento no PIB.

Assim, todas as entidades abaixo que, unidas na sua grande representatividade, subscrevem este manifesto, exigem do Governo Federal o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) no seu prazo, bem como, a não prorrogação ou criação de um novo tributo que a substitua. Para o bem do Brasil.
São Paulo, 9 de maio de 2007."

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Diga NÃO à CPMF

A CPMF acabará no final deste ano se o Congresso Nacional não editar uma emenda constitucional prorrogando a sua vigência.

É hora de bradar contra este imposto que de nada serviu - ou melhor, serviu para encher os cofres do governo sem a devida contrapartida.

Escrevam para os deputados e senadores, critiquem, reclamem, façam valer a sua cidadania. O site do Senado e da Câmara dos Deputados têm os emails dos nossos representantes.

Cansei de ser esfolado!

domingo, 12 de agosto de 2007

Ser Pai

A paternidade não é louvada como a maternidade. A mãe nunca esquece um filho, enquanto há pais que renegam sua prole, rejeitam o dependente e desaparecem. Não há dúvida que o dia das mães é mais comemorado que o dia dos pais. Não me sinto menosprezado ou inferiorizado por este fato. As mães têm uma participação mais direta e sacrificada no processo de acompanhamento do filho. Mas hoje é dia dos pais e eu sou um deles, então não vou deixar a data passar em branco.

Comecei a entender um pouco da paternidade quando minha filha nasceu. Numa madrugada de 20 de maio, ela veio ao mundo. Ao avistá-la pela primeira vez no berçário, meus olhos marejaram e percebi que ser pai é aprender a se emocionar. Emoção que brota quando se ganha um beijo, um sorriso, um abraço.

Ser pai é ouvir com atenção as estórias e casos dos filhos. Fico maravilhado na criatividade com que criam suas estorinhas e já são eles que me entretem antes de dormir. Deixamos que a imaginação viaje para lugares distantes, e nosso personagem habitual, o Miguel, cada vez se envolve em novas aventuras.

Ser pai é estar presente nas festas da escola, nas reuniões com os professores, nos momentos que são importantes para os filhos - e não aqueles que nós julgamos ser importantes. Ser pai é deixar o jornal de lado para sentar-se no chão e montar um quebra-cabeça, vestir uma boneca, examinar um animal de pelúcia para ver se não está doente.

Ser pai é deixar o coração derreter pelas pequenas criaturas que estão no mundo por nossa causa. Não os vejo como perpetuação de um suposto legado, mas de uma contribuição para pessoas independentes.

Ser pai é dar exemplo, a ensinar a sorrir nas horas mais difíceis, a dividir e compartilhar com os outros os nossos talentos e dons.

Ser pai é assumir uma responsabilidade dada por Deus e compartilhar na obra da criação. A nossa contribuição é pequena, mas fundamental.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Fernando Pessoa : Segue o teu Destino



SEGUE O TEU DESTINO


Segue o teu destino,

Rega as tuas plantas,

Ama as tuas rosas.

O resto é a sombra

De árvores alheias.


A realidade

Sempre é mais ou menos

Do que nós queremos.

Só nós somos sempre

Iguais a nós-próprios.


Suave é viver só.

Grande e nobre é sempre

Viver simplesmente.

Deixa a dora nas aras

Como ex-voto aos deuses.


Vê de longe a vida.

Nunca a interrogues.

Ela nada pode

Dizer-te. A resposta

Está além dos deuses.


Mas serenamente

Imita o Olimpo

No teu coração.

Os deuses são deuses

Porque não se pensam.


(Quando fui outro. Rio de Janeiro : Objetiva, 2006, p. 71)


O primeiro verso convida-nos a cuidar do nosso "jardim" interior, a cuidar de si e seguir o caminho do destino, o caminho traçado e que podemos traçar e alterar. E depois, afirma o poeta, "a realidade/ é sempre mais ou menos/ do que nós queremos".


Somos eternos insatisfeitos, querendo mudar para mais ou para menos, querendo que as coisas fossem diferentes, querendo que coisas se transformassem num passe de mágica, que o tempo andasse mais rápido - ou mais devagar, que um amor durasse eternamente, que os dias de sol não fossem tão quentes ou os dias de chuvas tão frios. A lista seria infindável.


Somos eternos insatisfeitos, material e espiritualmente, sempre buscando algo, sempre caminhado pela vida. Vê de longe a vida. Porém, não permitamos que a vida nos conduza, que sejamos meros pacientes. Precisamos ser atores, maestros, regentes da sinfonia da vida, tão bela e tão misteriosa.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Dicas da Dani: Mutya Buena

Voltemos com um pouco de boa música. A novidade é Mutya Buena.

Mutya, como é apelidade, é uma cantora e compositora inglesa. Filha de um pai filipino e de uma mãe irlandesa. Mutya Buena, como é conhecida profissionalmente, ficou conhecida no mundo da música por ter feito parte durante 7 anos da banda pop inglesa Sugababes, até ter saido em 2005, deixando suas duas companheiras Keisha Buchanan e Heidi Range no início da divulgação do novo CD da banda que já havia alcançado o 1º lugar com o single "Push The Button". Mutya foi substituida semanas depois pela cantora Amelle Berrabah.

Mutya fechou um contrato com a gravadora Island Records e lançou o seu primeiro CD solo em junho de 2007, entitulado "Real Girl". O seu primeiro single solo, também entitulado "Real Girl", chegou até o 2º lugar no Reino Unido.

O site da cantora tem trechos das músicas do primeiro CD. Música dançante e upbeat, para melhorar o clima e levantar o astral. Vale a pena conferir!

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Ainda o caso dos cubanos

Uma leitora deixou o seguinte comentário sobre o caso dos cubanos que foram deportados:

"Savana said...
Recentemente, recebi um relato de viagem de um amigo que foi à Cuba e, despido de qualquer sentimento revolucionário, descreveu suas impressões acerca do país, sobretudo na relação governo-população.Ele decidiu não ficar em hotéis ou resorts... Preferiu o contato direto com os cubanos... Hospedou-se, por fim, em quartos alugados nas casas de família. Viajou o país de ponta-a-ponta. Escolheu os transportes locais aos reservados para turisas... Conversou com eles.. Alimentou-se com a mesma comida, à mesma mesa... Enfim, sentiu um pouco da realidade daquele povo.Não sobraram dúvidas quando de seu retorno: o embargo sofrido por eles é avassalador! Se não possuem aço ou ferro para reformar as casas e melhorar os ônibus, é porque não podem importar... Se oferecem melhores estruturas para os turistas em termos de locomoção e acomodações, é porque precisam de dinheiro para movimentar a economia.Acho que Cuba deve ser mais que um país a ser conhecido... Deve ser um "método" a ser estudado... Até que ponto seria seu desenvolvimento se não ocorresse o embargue econômico?

***Não acredito que a população seja presa.. Impedida de circular em outros países.. Acho (e daí vem o fenômeno do "achismo") que ela (a população) é condicionada a viver do modo imposto pelo governo; que é diferente de ser obrigada a viver naquele lugar!

Em 2009 estarei realizando uma viagem até lá... Aguardo, ansiadamente por esse momento! Espero conseguir sentir um pouco a realidade em que eles vivem e daí tirar experiências p/minha própria vida.Tudo de bom!(Quanto aos atletas, desconfio da imprensa... Como dependemos muito dos jornalistas, tenho cá minhas dúvidas quanto a veracidade do informado.
)"

Agora respondo e concordo com a excelente comparação feita pela Simone, no caso do traficante que foi preso.

Em Cuba funciona assim: se você quiser um visto para viajar para fora da ilha de Fidel, você pode pedir o visto. Se o visto lhe for negado, então você passará a ser investigado e seguido. A negativa do visto equivale a suspeita de traição da pátria, algo grave em Cuba e punível com a pena de morte.

O embargo econômico não é o único culpado pela situação de Cuba. O Governo é o culpado pela situação de Cuba. Por que não há eleições diretas em Cuba? Por que não há imprensa livre em Cuba? Por que o Sr. Fidel Castro não distribui sua riqueza pessoal com o povo cubano?

Escrevo isto não por achismo, por informação obtida com pessoas que já estiveram lá, que conhecem o regime, inclusive alguns que fugiram de Cuba na época da Revolução. Cuba é um regime ditatorial, autoritário e criminoso. Condicionar um ser humano, como você escreve, equivale a reduzir o ser humano a um mero animal, despindo-lhe das suas liberdades fundamentais.

Pessoalmente, acho que há muitos lugares mais interessantes para conhecer antes de ir para Cuba.

E por fim, uma pergunta que não quer calar: por onde anda o Senador Eduardo Suplicy, que tanto defende os direitos humanos? Por que ele não intercedeu em favor dos 2 boxeadores cubanos?

Cada um decida por si próprio. Eu já decidi e conheço esta laia há muitos anos. Eles não me enganam!

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Tempos Estranhos

Durante os Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro, dois boxeadores cubanos abandonaram a delegação cubana e decidiram se exilar no Brasil. Fidel Castro, irado, chamou-os de traidores da pátria e da revolução. Os boxeadores buscavam algo chamado liberdade, termo desconhecido de Fidel e seus companheiros.

Estranhamente, os dois boxeadores foram presos pela Polícia Federal, e num prazo de 48 horas foram deportados para Cuba. Provavelmente encontram-se agora numa masmorra, esquecidos, sem direito de defesa, sem gozar da almejada liberdade, talvez até submetidos a torturas e com o risco de serem condenados à morte.

O que diz a legislação brasileira a este respeito? Vistos para ingresso no país são concedidos por prazo não superior a 90 dias (art. 12 da Lei 6.815/80). Os estrangeiros, portanto, estavam em situação regular no país.

A deportação só é aplicável em casos de entrada ou ingresso irregular no país (art. 57 da Lei 6.815/80). Se os estrangeiros entraram regularmente no país para participar da competição esportiva - o que é óbvio - não poderiam ser deportados. E mais, a deportação não precisa ser feita para o país de procedência do estrangeiro, pois o estrangeiro pode solicitar a deportação para um terceiros país.

Este é o Estado de Direito em que vivemos. Esta é a visão de liberdade e de respeito que o governo deste país pratica.

Tempos estranhos estes, mas eu não vou ficar calado!

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Poesia: INCERTO CAMINHO



INCERTO CAMINHO


Passos lépidos conduziam-me

O caminho traçado

Rumo planejado

Olhar altivo e levemente arrogante

Não vi o buraco

E um tropeço arremessou-me.

Mergulhei em queda livre

Faltou-me o chão, a segurança

A firmeza do sonho esvanecida

Voando sem ver o fundo

No escuro da incerteza.

A pedra no caminho

Invisível, tirou-me do pedestal

Alçou-me nas profundezas

Da terra e da alma.

Desnorteado, perdido, cansado

Procuro forças para escalar as paredes

Do poço fundo em que me encontro

E contornar as surpresas da vida

As incertezas do caminho de cada dia

Que rasgou planos

E mudou a rota desta minha nau.

Por onde irei?

O que farei?

Humildemente espero, com paciência

Que o tempo me diga e me socorra

Nesta aventura incerta da vida.


(RLBF - maio 07)

domingo, 5 de agosto de 2007

Cores gris

O título deste post fará muitos lembrarem de uma música do Djavan. Nesta manhã cinzenta em São Paulo, consegui arrumar tempo para finalmente colocar no papel algo que vem amadurecendo na minha cabeça: a forma como as cores afetam nossa sensibilidade.

Durante toda a primeira parte de O Mar, de John Banville, há uma predominância de tons de cinza, nas suas mais variadas tonalidades e matizes, por ora metálico, por ora opaco, mas sempre cinza. Somente percebi isto depois da metade do romance, e então comecei a grifar e sublinhar todas as vezes que Banville se referia a cor ou quando utilizava cor na descrição de alguma situação. A razão desta utilização magistral da cor no romance somente se esclarece quando atingimos a parte final do romance e as peças do quebra-cabeça se encaixam, revelando a linda foto da vida.

Na parte final do romance, surgem tons de azul, alguns rosáceos, arroxeados, mas sempre cores frias. O simbolismo parece revelar um período de transição da vida, uma passagem de um momento de dor para um momento de renovação e recomeço. Faz-se a luz no final do túnel!

As cores e suas tonalidades podem nos permitir momentos de prazer silencioso. Na última sexta, retornava de uma reunião na fábrica de um cliente em São Bernardo do Campo. Deixei a fábrica pouco antes das 18 horas e um lindo entardecer descia sobre São Paulo. Voltando pela Imigrantes - rodovia que liga a Região do ABC à Capital - notei o céu azul, com algumas poucas nuvens. Eram cirrus, sopradas, de uma leveza única, que pareciam areia jogada sobre uma tela anil. Leves pinceladas brancas sobre a tela do pintor celeste. Aos poucos o branco foi sucedido pelo rosa claro e depois mais escuro. Um espetáculo gratuito, silencioso, para quem quisesse olhar e apreciar. Preferi contemplar o espetáculo ao invés de me irritar com o congestionamento.

Estas cores se repetem em nossas vidas. De tons cinzas, negros ou da ausência de cores, sucedem-se momentos de cores vivas e alegres. Tudo é uma questão de tempo, tudo é uma questão de enfrentar os problemas e seguir em frente, caminhando sempre.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Crônica: Quadro desbotado

(Edvard Munch - Melancolia)



QUADRO DESBOTADO



Recostado no batente da porta, no quarto escuro, deixou-se perder nos pensamentos, sozinho, deliciando-se com o silêncio. Ele não queria voltar à sala e dar seqüência a mais uma discussão com Mariana no final do dia. Esta era uma das razões que tanto ansiava pelo domingo à noite, pelo fim do descanso semanal. Nas noites que antecediam o começo da semana, dormia mal, um sono irrequieto, ansioso para retornar ao trabalho e fugir do ambiente pesado. A crise se agravara e mesmo tentando ser divertido, mesmo tentando minimizar os problemas, sucumbia. Suas forças estavam sendo exauridas por todas aquelas situações, algumas banais, outras mais sérias, mas nada que não pudesse ser contornado.

Desfalecia diante da insistência de Mariana em perpetuar conversas que não levavam a lugar nenhum, que não apresentavam soluções ou propostas de melhoria no relacionamento. Discutiam a relação quase todas as noites, e isto o esgotava, drenava lentamente a seiva da alegria. Talvez abordasse tudo de forma muito profissional, seca, mas era o jeito dele. A filha começara a notar o ambiente tenso e conflituoso que se instalara naquela casa, que aos poucos deixava de ser um lar acolhedor e passara a ser apenas uma residência, um local onde pessoas moravam, comiam e dormiam. O afeto foi evaporando. Pedro fugia dos carinhos, fugia das tentativas de enlace das mãos. Não conseguia ser duplo: ouvir silenciosamente as agressões e agir como se nada estivesse acontecendo. Deixava-se ficar longe, ausente, evitando ao máximo o conflito. Seus esforços caiam na vala comum da mesmice e tudo era em vão. Quando tentava ser invisível era notado, e quando queria – ou precisava – ser notado, passava despercebido.


As cores vivas da vida haviam desbotado, perderam a vibração que contagiava e alegrava aquela casa, como um quadro velho, empoeirado, jogado num canto escuro de um depósito de museu.


quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Impressões sobre O Mar, de John Banville

Terminei de ler O Mar, de John Banville, por estes dias.

No site da Livraria Cultura, há uma sinopse do livro e a transcrição de uma crítica de Vinicius Jatobá publicada no jornal O Estado de São Paulo. Ao invés de resumir a trama, vou deixar minhas impressões do livro e comentar alguns trechos em outros posts.

Banville narra a estória de Max Morden e sua viagem a uma cidade litorânea na Inglaterra onde costumava passar as férias de verão. Naquela cidadezinha, conhece a família Grace: os gêmeos Myles e Chloe, os pais Carlo e Connie, e a governanta Rose. O relacionamento de Max com os Grace mostra um período de descobertas variadas, típicas da fase de crescimento do mundo infantil para o mundo adolescente. Uma mistura de sentimentos, de experiências, de vivências se desenrolam.

Em paralelo, Max conta de seu convívio com a mulher, Anna e de seu relacionamento com a filha.

A narrativa oscila entre o presente e o passado, dando uma impressão de lentidão, de que estória não caminha, mas que apenas momentos desconexos são lançados no papel. É preciso persistir na leitura para descobrir o porquê desta forma narrativa. Nas páginas finais, descobre-se aonde Banville quer chegar e tudo se clareia.

Tive a nítida impressão de que a narrativa reflete a memória esfumaçada, enevoada. Fatos e eventos são lembrados - por vezes com muitos detalhes, por vezes com detalhes confusos - de formas variadas, mas estas peças do quebra-cabeça somente se encaixam no final do livro. Talvez o livro retrate um emaranhado de peças que precisam ser encaixadas, descortinando a figura final somente no epílogo. É uma linda metáfora da vida e da transitoriedade da vida.


A morte e a dor da perda são presenças constantes no livro, razão pela qual Max volta à cidadezinha de veraneio. Tenta reconciliar-se com o passado, entender o que aconteceu e como sua vida mudou nestes anos. Max precisa reencontrar-se para seguir em frente e perceber que a vida é um constante caminhar.

Não é um livro que flui com facilidade e tive uma certa dificuldade em caminhar pelas primeiras 100 páginas, mas fiquei contente de ter chegado ao final. É um livro que somente se aprecia quando se termina, um livro que faz pensar, um livro para ser degustado. Banville tem uma prosa muito delicada. Por vezes os detalhes parecem cansativos, mas na figura macro, estes detalhes fazem muito sentido e permitem ao leitor inserir-se no mundo de Max Morden.

Minha impressão final é que é um livro para ser degustado, com calma, com paciência. Não é um best-seller, mas uma deliciosa obra para quem busca um livro que incite a reflexão.