segunda-feira, 11 de junho de 2007

Crônica: Carta a uma amiga

(Jan Vermeer - Mulher lendo carta)


Luis sentou-se diante da tela do computador, num final de dia, e resolveu redigir um email a uma amiga.

Querida amiga,

Sinto que preciso te dizer algumas coisas neste teu aniversário. Coisas estas guardadas dentro de mim e que borbulham no meu interior prontas para ganhar vida. Redescobri a poesia da vida com você. Seu jeito, seu olhar, sua voz, seu sorriso, seu carisma mudaram minha vida de uma forma tão delicada, sutilmente feminina, carinhosa. Naturalmente você me fez perceber as coisas, sem imposições, simplesmente sendo você. E quando me dava conta, uma implicância já havia desaparecido, um momento que passaria despercebido marcou-me de forma inesquecível, um simples encontro para um café cravou na minha alma um sentimento novo.

Você trouxe música de volta aos meus dias, adivinhando meus gostos, falando com palavras em forma de canções. Música que me faz sorrir e leva meu pensamento a viajar para junto de ti.

Sim, minha amiga, você é a culpada por tudo isto. Somente coisas boas que sem você não teriam acontecido.

A magia da amizade transforma até os corações mais gelados, mais frios, mais indiferentes. E esta magia faz acender no coração empedernido o calor da brasa. A pedra se torna fonte de vida e de luz. O coração se transmuda em algo divino, compartilhando do amor maior.

Minha amiga, sou-lhe eternamente grato e eternamente endividado por terdes feito tudo isto por mim, ainda que sem querer, ainda que sem notar.

Sei que não detenho a mesma magia, que não sou capaz de estampar um eterno sorriso no teu rosto, mas sempre vou tentar, pois uma amiga como você é muito valiosa. Feliz Aniversário.

Um beijo carinhoso,


Releu a mensagem. Achou-a muito intensa, muito sincera. Desistiu de mandá-la. Marcou o texto e apagou a mensagem. Começou de novo e escreveu algo que pensava ser mais condizente com seu estilo.


Querida amiga,
Feliz Aniversário. Parabéns e muitas felicidades.
Um beijo do seu amigo.

11 comentários:

Coca disse...

Pena que ele não mandou a mensagem. Devia ter mandado... ;)

Abrir a alma sempre é bom, embora perigosíssimo... Mas, vale a pena correr o risco e se estrepar algumas vezes. Eu sempre faço a opção suicida até certo ponto( é...devia até procurar saber o porquê disto!), e posso te dizer com certeza, a gente se estrepa mesmo com fé!

Hum... talvez reercrever a carta tenha sido mais sábio...

Edna Federico disse...

Difícil decisão...transformar amizade em algo mais, é sempre complicado e geralmente não dá certo.

Lila Rose disse...

Muitas vezes por medo de sermos transparentes perdemos a chance de encontrar a felicidade: CORAGEM, HOMEM!!! Bisous e uma ótima semana!

Fernanda disse...

Bonita crônica.
Eu enviaria o e-mail completo, mandaria carta, torpedo, sinal de fumaça, msg via tambor, anúncio no jornal, ligaria, rs.
Sou assim...intensa, sincera e como disse a outra leitora, corro os riscos da vida.
Afinal, de que vale a vida sem correr riscos?
A gente sofre, fica vulnerável, nem sempre se dá bem, mas nunca fica com aquela sensação de que poderia ter feito, ter falado, ter vivido, ter amado e não se permitiu.
Tudo tem um limite, mas às vezes deixamos que o limite seja muito curto...é bom soltar um pouco a corda.

Fabiola disse...

Quando estamos abertos as coisas florescem de uma maneira mais natural né?

Coca disse...

Esqueci de deixar os parabéns pela escolha da ilustração - Veermer é muito especial.

Acho que nossos gostos em comum vão além da mesma skin do blog...

Morena disse...

Amar bonito, é ser sincero... pra mim a amizade é uma das mais bonitas formas de amor. Algum dia, de alguma maneira, essas palavras chegarão até ela, mesmo que transmutadas em ações. Beijocas,

Kátia Barros

Renato Bueloni Ferreira disse...

Li todos os comentários e não sei bem o que comentar de volta. Apenas para deixar registrado que leio todos e adoro os comentários.
Obrigado a todas!

loicinha disse...

Li a crônica,na minha opinião as pessoas têm medo de mostrar seus sentimentos,pois há um temor de mostrarem-se frágeis,bobagem,pois o mundo necessita de afetos,de palavras carinhosas que torne o mundo mais florido.Gosto de expor meus sentimentos tenho uma personalidade muito forte mas ao mesmo tempo tenho minhas afetividades que faço questão de demonstra-las

Maíra da Fonseca Ramos disse...

Também acho que deveria ter mandado a mensagem original... E na vida fazemos tanto isso, não é mesmo?

Renato Bueloni Ferreira disse...

Relendo a crônica e os comentários deixados - na sua maioria por mulheres - vejo uma corrente majoritária a favor de mandar a carta.
Concordo com vc, Maíra, na vida hesitamos e deixamos de fazer muitas coisas. Mas com o passar dos anos, aprendi a não deixar passar. Afinal, pode não haver amanhã!