segunda-feira, 14 de maio de 2007

Um amigo na estante

A pilha de livros que tinha numa mesinha atrás da minha mesa foi desmontada hoje. Como se fosse um castelo, as paredes compostas por livros jurídicos em português, inglês, espanhol e italiano, desapareceram. Os livros retornaram à sua morada na minha biblioteca. Todos manuseados, folheados e com inscrições à lápis nas bordas das páginas.

Faz alguns anos que comecei a rabiscar meus livros. Sempre à lápis. Pequenos comentários que lanço para lembrar de um ou outro trecho. Ficam silenciosos aguardando que os retire da prateleira e recorra à sua iluminação. Eles estão sempre prontos a ajudar no trabalho profissional ou a trazer uma palavra de alegria, de consolo, de incentivo.

São bons amigos. Não considero os livros seres inanimados. Eles têm vida. Carregam um pouco da vida do autor e modificam a vida do leitor. Sou muito ciumento com meus livros. Certa vez tive uma briga feia com um advogado do escritório pois ele achava que podia levar meus livros para cima e para baixo sem pedir autorização. O cara teve um chilique, mas preferi manter a companhia dos livros a aguentar um ataque de histeria de um bobo.

Não se engane quem acha que os livros não falam. Eles falam sim. Eles retrucam e algumas vezes nos mostram nossos erros, nossas falhas, nossos medos. Ultimamente deposito neles os meus momentos de lazer e reflexão. São eles que me ajudam a caminhar e a continuar, ainda que haja uma pedra no meio da caminho. Com eles, mais esta pedra imprevista será superada.

3 comentários:

Fabiola disse...

OS MEUS LIVROS SÃO TODOS RABISCADOS

Edna Federico disse...

Com certeza os livros falam e também tenho mania de marcar coisas que me chamam atenção.
Sou muito cuidadosa com minhas coisas e não gosto de emprestar.

vento sem direção disse...

eu empresto mas não pra qq pessoa