sexta-feira, 4 de maio de 2007

Crônica: Uma noite qualquer


A noite me dá coragem. Na quietude, na solidão, banhado pelas estrelas consigo mergulhar no íntimo de minha alma. Deixo aflorar sentimentos e desejos, raivas, vinganças, alegrias e tristezas. Não penso só coisas boas. Sou humano e quantas vezes me vi tentado a implementar planos maquiavélicos que, ao raiar do sol, revelavam toda uma maldade que não tenho. Mas as coisas boas, ganham vigor com o nascer do dia. Nestas horas percebo a minha covardia diante da realidade que surge novamente. A luz do dia revela a minha impotência, meu medo. Medo que não tinha na calada da noite, quando tudo parecia possível.


A noite dispara meu coração que viaja para o lado da pessoa querida. A noite eletrifica minha razão que projeta a imagem de alguém especial. Coração e pensamento, num esforço de corporificar o desejo, de trazer-te para o meu lado, de ter-te nos meus braços num longo e infindável abraço. Quão intruso é meu desejo que fica paralisado, horas na noite, contemplando o infinito na escuridão, diante da lua que sorri. Não, a lua não sorri. É o teu sorriso que se desenha na bela lua a me encantar e acompanhar no devaneio silencioso.


Feitiço noturno qual canto da sereia, mas mais bela, mais morena, mais cândida, mais tudo...

2 comentários:

Edna disse...

Bonita crônica!
A noite realmente nos faz pensar em várias coisas, nem sempre agradáveis. Mas quando amanhece, alguns planos se desmancham e dai temos que esperar novamente a noite para refazê-los.
Tomei a liberdade de linkar seu blog no meu, para um acesso mais rápido, mas se não gostar posso tirar.

Fernanda disse...

Noite, noite, suspiro...é onde tudo se intensifica, né? A dor parece aumentar, a saudade é mais presente, a desilusão machuca mais.
Gosto da noite, mas algumas vezes preferia que ela passasse mais depressa...