quinta-feira, 17 de maio de 2007

Poesia: Pablo Neruda

Uma pausa na correria e deixo-os com Pablo Neruda. Mais um soneto dos Cem Sonetos de Amor, que tão bem retrata como se fala mesmo no silêncio.


15

Gosto de ti quando calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, e a minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem voado de ti
E parece que um beijo te fechara a boca.

Como todas as coisas estão cheias da minha alma
Emerges das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com a minha alma,
E pareces com a palavra melancolia.

Gosto de ti quando te calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.

Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
Claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longínquo e singelo.

Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesse morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E estou alegre, alegre de que não seja verdade.

(Antologia Poética. 14a. ed. bilíngue, trad. Eliane Zagury. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1996, p. 44-5).

2 comentários:

Fabiola disse...

hum amo neruda!!!!
mas ainda não postei um!!!

mas hoje tinha que falar do bife

vento sem direção disse...

ah, que pausa gostosa também para quem lê.