segunda-feira, 5 de março de 2007

Escrever: uma forma de terapia.

Desde que comecei a escrever este blog, tenho visitado vários blogs. Geralmente blogs de poesia e literatura, mas tenho parado e lido muitos blogs pessoais. Lugares onde as pessoas abrem sua intimidade e falam de problemas pessoais, dúvidas, questionamentos, reflexões. Percebi algo: os problemas e angústias das pessoas são muito semelhantes!

Marcelo Rubens Paiva, em sua crônica no Estadão de sábado, que trata de separações, conduz o personagem a escrever como auto-terapia. O personagem tenta escrever poesia, mas não sai da primeira linha de seu poema.

Interessante que os blogueiros fazem exatamente isto. Escrevem para fazer auto-terapia. Incluo-me entre estes blogueiros. Sempre escrevi como forma de auto-conhecimento, como forma de terapia. Às vezes, o que vou escrever é antes falado em voz alta. Num final de tarde, como agora, quando o silêncio é meu único companheiro e ouvinte. Sinto que falar sozinho, em voz alta, ajuda a dar forma ao texto. E a escrita, ajuda a dar razão – ou não – às idéias e às coisas que se passam na minha cabeça.

No último post, citei um texto de Drummond em que ele fala da literatura como uma das grandes consolações da vida. Escrever acaba sendo uma forma de consolar a alma, de ouvir o íntimo. E as pessoas têm feito isto através de blogs.

Confesso que não tenho coragem de abrir a alma como muitos fazem em blogs. Coloco no blog um pouco do que penso, mas sem expor muito da intimidade. Isto fica reservado. Acho que é uma forma de se preservar.

O interessante disto tudo é que quando surgiu o email, falavam que o ser humano ia deixar de escrever. Ocorreu o inverso. O ser humano, hoje, escreve muito mais. E divulga o que escreve e pensa. A privacidade e a intimidade ficam mais expostas. Talvez possamos, lendo o que se passa com os outros, entendermos que não somos loucos, nem diferentes. Somos todos humanos, com preocupações iguais, com sentimentos semelhantes, com angústias e aflições.

Continuo escrevendo e continuarei a escrever. Algumas coisas divido com os mais próximos. Outras deixo guardadas. Talvez se percam quando um vírus atacar meu computador, mas me ajudaram a entender melhor a vida.

3 comentários:

Cassab disse...

Renato:
Eu tenho a mesma impressão que vc!!!
É incrivel como podemos conhecer as pessoas, ou parte delas, pelo seu blog.
Quando eu li...de imediato lembrei de uma amiga. Nós participamos de uma uma lista de grupo juntas, moramos perto, temos filhas da mesma idade e gostos parecido!!
Fui a festa das filhas dela e tal ,mas foi atraves do blog que realmente passei a conhecer melhor seus gostos.
Pensei que poderiamos passar a vida nos encontrando em reuniões, frequentar as mesmas festas, mas que se não fosse o blog, jamais saberia dos seus gostos!!!1
Isso é o nosso INACREDITAVEL MUNDO NOVO!

Renato Bueloni Ferreira disse...

Fabiola,
Subscrevo o seu comentário. As coisas que escrevemos vem do nosso interior, sem meias palavras ou medo do que vão pensar. Este mundo digital, ao invés de afastar as pessoas da vida social, permite que as conheçamos por dentro, pelas palavras que escrevem.

Anônimo disse...

Obrigado por intiresnuyu iformatsiyu