segunda-feira, 2 de julho de 2007

Educação e Barbárie

Semana passada dois episódios de agressão gratuita perpetrada por jovens de classe média contra pessoas em pontos de ônibus no Rio de Janeiro novamente chocaram o país. Não vou aqui defender aumento de pena para delinquentes, nem falar sobre violência no Rio de Janeiro. O problema não é do Rio de Janeiro, nem de um sistema penal ineficaz, nem a redução da maioridade penal. O problema é de toda a sociedade brasileira, principalmente dos pais destes delinquentes.



Sim, sou da opinião de que os pais tem uma parcela significativa de responsabilidade pela conduta dos filhos. Não adianta culpar o governo ou o Estado, mas devemos fazer uma avaliação de nossa responsabilidade pessoal pelos acontecimentos que traduzem um total desrespeito pelo ser humano como ser humano, ou seja, não importa a classe social, a raça ou religião. O que importa é que se trata de uma pessoa, um ser humano igual a cada um de nós que merece respeito e dignidade.


Estes eventos não são novidade. O leitor irá se lembrar de um caso em Brasília em que jovens atearam fogo num índio e outro caso em que atearam fogo num mendigo. Ou casos em São Paulo de agressão a um garçom que bebia num bar na Rua da Consolação, após ter saído do trabalho, e que foi esfaqueado e morreu. O problema ocorre em todo o Brasil. O problema revela um câncer social: a falta de preocupação dos pais com a educação e formação dos filhos.


A maior herança que os pais podem passar aos filhos são os valores pessoais. Trata-se de formar a criança e o jovem. Formar significa moldar o caráter e criar as bases para que o jovem, depois de adulto atue como um ser responsável diante da liberdade que tem. Isto significa escolher bem escola dos nossos filhos, os ambientes que frequentam e os amigos com que andam.


É preciso impor limites, é preciso premiar os que agem com responsabilidade e punir os filhos que ultrapassam os limites e agem de forma desordenada. Educar dá trabalho e muitos pais não querem ter este trabalho, e depois, sofrerão as consequências do descaso. Sofrerão vendo os filhos sofrerem, ou vendo os filhos presos, ou vendo os filhos envolvidos em acidentes que poderiam ser evitados.


Talvez estivesse na hora de punir os pais pela negilgência e omissão na educação dos filhos. Talvez os pais pudessem ser punidos com penas alternativas como serviço comunitário ou doação de cestas básicas. Nunca é tarde demais para corrigir erros. O maior erro é achar que não se pode fazer nada.

6 comentários:

Edna Federico disse...

Renato, concordo com você em tudo!
Também acho que o problema começa em casa, na falta de orientação e limite.
Até estou preparando também um post sobre isso...quem sabe se todo mundo começar a falar sobre isso, as pessoas tomam uma providência.

ainda não sei disse...

concordo 200%, sem tirar nem por

Fabiola disse...

Não sei ainda se foi/é problema de geração. Mas o fato é que poucas crianças hoje em dia tem limites.
Sei o quanto é difícil criar/educar, mas não é possivel desistir é?
Uma boa coisa a ser estudada essa omissão dos pais

ana b. disse...

concordo em gênero, número e grau!
se eu pego um filho meu fazendo uma coisa dessas, eu sou a primeira a puni-lo!!!!
aliás, eu não admito um comportamento desses num filho meu!! e tenho certeza q eles não fariam nada parecido, pq nossa vigilância é constante, nosso relacionamento é próximo, nossos valores são razoáveis!
não é q a gente seja arrogante, prepotente, nem nada do gênero...
mas a gente sabe da responsabilidade q é criar um filho, e assume, e está consciente disso!
eles podem até tropeçar de vez em qdo, pq ninguém é perfeito, claro, mas se um dia acontecesse algo parecido com essas tragédias na minha casa, provocado por um dos meus filhos, podem me punir tb, pq EU falhei, sim, vou precisar admitir...
complicado, né?...

Patrícia H. disse...

Como sou recém-formada em Letras, a primeira coisa que me apareceu como trabalho foi dar aulas em uma escola pública aqui em Curitiba. Aulas à noite, pra ensino médio. Eu esperava, portanto, encontrar pessoas mais interessadas em estudar, com educação ou, no mínimo, respeito pelo próximo.
Mas o que vi nas salas de aula me levaram a desistir completamente do ofício - só tenho 24 anos, e sim, tenho vontade de mudar o mundo, mas definitivamente não estou disposta a passar pelas humilhações por que os professores passam. No segundo dia de aula, já tinha aluno me mandando calar a boca!!! Eu não estudei pra isso...
A culpa de td o caos em que a sociedade está mergulhada agora é, obviamente, de quem a projetou no passado. Pais que não impõem mais nenhum limite aos filhos não são mais excessão, são regra.
Estamos em pleno funcionamento da fantástica fábrica de pequenos monstros.

Fernanda disse...

Você já percebeu que entra ano, sai ano e esse assunto está sempre em pauta?
Ningém faz nada e ficamos reféns da violência!
É um problema mundial? Sim, mas não há como negar que me sinto mais segura andando nas ruas de outros países, infelizmente.
Quanto a limites, concordo com tudo que você disse...é algo que deve ser de dentro pra fora, ou seja, começar em casa, educando os filhos desde pequenos.