sexta-feira, 6 de julho de 2007

Coincidências...ou não.



"As coincidências me perseguiam; coisas há muito tempo esquecidas voltavam de súbito à minha mente; objetos perdidos há anos ressurgiam sem mais nem menos."

(John Banville. O Mar. Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 2007, p. 84)


O trecho é curto e levou-me refletir sobre as coincidências que acontecem em nossas vidas. Aquelas coisas inexplicáveis - por vezes óbvias, por vezes surpreendentes - que permeiam nossa rotina, nosso vida diuturna. Do ponto de vista meramente racional, frio, estes eventos não passam de mero fruto do acaso, da combinação de possibilidades matemáticas prováveis e que ocorrem num determinado momento do espaço e do tempo. O cérebro pode até tentar explicar estes eventos, mas muitos deles não tem uma explicação lógica. Simplesmente acontecem.


Pergunto-me se simplesmente ocorrem ou se há uma maior percepção nossa sobre certos acontecimentos que nos permitem reuni-los, como peças de um quebra cabeça, para formar algo lógico e vislumbrar uma figura maior.


Nos últimos anos mudei de opinião. Não acredito que as coisas acontecem simplesmente por acaso. Elas têm um sentido, uma razão de ser, ainda que não sejamos capazes de compreendê-las ou justificá-las. Por exemplo: por que conhecemos certa pessoa e ficamos amigos? Por que há pessoas que depois de um tempo desaparecem de nossas vidas sem deixar rastro? Por que uma música, que não ouvíamos há anos, toca num momento e nos faz lembrar de alguém e isto muda nosso humor, nosso dia?


Talvez haja uma pré-disposição para notarmos certos detalhes ao longo dia, notar estas coincidências. Vejo-as como pontos luminosos, como detalhes que nos induzem a sonhar e escapar - ainda que momentaneamente - da labuta, dos nossos problemas e simplesmente sonhar. São coisas pequenas, detalhes, que passariam despercebidas sem um olhar mais atento. Um olhar que não seja meramente racional, mas sim emocional, afetivo.


Gosto de descobrir estas coincidências, estes pontos luminosos no dia, que fazem sorrir e lembrar de pessoas queridas.

4 comentários:

Edna Federico disse...

Também não acredito em acaso.
Tudo tem sua hora, seu momento certo e com a pessoa certa.

Alice disse...

Oi Renato! Finalmente consegui aumentar meus links no blog e consegui ser justa com alguns companheiros blogueiros. Vc era um que eu já estava em falta. Seu link tá lá no Borbulhantes agora! beijos, Alice

Fernanda disse...

Também não creio em coincidências.
Acontecem coisas que não sei explicar...por que gostamos dessa e não daquela pessoa?
Por que fazemos certas coisas em um momento e não no outro?
Sei lá...mistérios da vida.

disse...

Já acreditei mais em coincidências! Pra ser mais específica, em significados especiais para cada uma delas.
Acho que hoje estou mais cética...
Beijos,