segunda-feira, 6 de abril de 2020
Microconto
- Boa noite! Sonhe comigo! - escreveu na mensagem do celular.
- Não preciso dormir para sonhar contigo. Basta-me o tempo.
sexta-feira, 20 de dezembro de 2019
Memória: Cemitério
instagram: @rbueloni Cemitério Gethsêmani no início da primavera, setembro 2019 |
MEMÓRIA: CEMITÉRIO
terça-feira, 26 de fevereiro de 2019
quarta-feira, 28 de março de 2018
Saudade futura
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
Barquinhos
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| instagram @missuniversoproprio |
sexta-feira, 16 de maio de 2014
Desassossego
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| imagem: instagram @rbueloni |
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Microconto: Medusa
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| Medusa, de Glen Vause (2004) |
MEDUSA
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Frases rabiscadas
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Poesia: SAUDADE
SAUDADE
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Poesia: DESPERTAR

DESPERTAR
Beleza esfumaçada
Na aurora rósea
Nas cores da manhã
No primeiro pensamento que me acomete
ao despertar do sono
Do sonho em que me visitaste
Do delírio noturno onde tudo é possível.
E não tenho controle
E não tenho medo
E as palavras saltam de minha boca
Lançadas no etéreo
Carregadas por um redemoinho de vento
Sussurradas ao longe de teus ouvidos
Recebidas com o apelo da alma.
Respondes com um sorriso
Bálsamo que inflama a brasa do meu ser
Pedra preciosa que não pode ser garimpada
Nem roubada
Nem fabricada pelo engenho humano.
Sorriso que só o sentimento produz
O mais puro sentimento
Gratuito e divino
Mágico e inebriante
Sentimento inexplicável,
Sentimento insuperável!
RLBF - 21 outubro 2008.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Saudade
"A saudade existe no coração, sem necessidade de recordações externas."
Machado de Assis
(Migalhas de Machado de Assis. São Paulo: Migalhas, 2008).
"Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!"
Carlos Drummond de Andrade
("Confidência do Itabirano". Antologia Poética. 26ª. Ed. Rio de Janeiro : Record, 1991).
"Eu próprio, ao refletir sobre os percalços do ano-velho, vejo agora neles a provocação que nos faz amar a vida com outra intensidade. Os calhaus do caminho ficaram para trás. Nossa vida nada mais é do que a transformação do dia de hoje em dia de ontem, enquanto esperamos o dia de amanhã. O que é bom lembrar também se chama saudade."
Josué Montello
(Diário da Noite Iluminada. Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1994, p. 214)
A memória, intangível, silenciosa, guarda, como uma caixinha de joias, os detalhes de tantos momentos vividos, imaginados, sentidos. Fundem-se emoções, realidade, sonhos, vibrações, alegrias, lágrimas e tristezas. Cria-se algo novo, fruto desta mistura de dádivas, que percorre o corpo até o coração. Este, órgão tão potente, estremece diante da saudade e precipita o anseio pelo reencontro.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Crônica: Mentiras

Desculpem, ia fugindo do assunto. A mentira não ia fazer mal; ia apenas evitar constrangimento, ia passar despercebida. Poderia me martirizar e mentir. Não preciso expor a verdade. Dizem que a verdade dói. Não sei, será? Poderia mentir e dizer que gosto de um dia sem sol, daqueles bem nublados e garoentos, com um ventinho frio que congela até os ossos. Poderia mentir e dizer que gosto do ruído da cidade com todos os tons e timbres de buzinas, freadas e xingamentos. Poderia mentir que adoro café fraco e frio. Poderia mentir que o dia de trabalho não foi cansativo. Poderia mentir que uma noite de lua nova é tão agradável quanto uma noite de lua cheia. Poderia mentir que a brisa do mar num final de tarde não me faz falta nenhuma. Poderia mentir que não senti sua falta hoje. Ou em qualquer outro dia que não nos falamos. Poderia mentir e dizer que não sinto saudades, que estou acima deste sentimento.
Poderia dizer que queria escrever em prosa, mas seria mentira. Tentei versos. As palavras indisciplinadas rasgaram o verso do papel, revoltando-se com a minha inabilidade em manuseá-las. Agruparam-se, reorganizaram-se e veio a prosa fruto da minha fraqueza e incapacidade. Isto é verdade.
Poderia mentir. Não seria aceitável? Não vale a pena. O silêncio guarda a verdade, acalenta-a, abraça-a. Não vou mentir. A verdade é conhecida, ainda que não dita ou que dita por fragmentos. A verdade brota no interior. A verdade alegra. A verdade estampa sorrisos e provoca arrepios. Bons ou maus.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Um pouco de Cecília Meirelles

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Crônica: Copo d´água

COPO D´ÁGUA
Pôs-se de pé e rumou para a cozinha, tateando no escuro, em silêncio, os pés descalços saboreando as tábuas do chão que guardavam o calor do dia. Tinha descoberto o prazer de andar descalço, ou melhor, redescoberto. Ao chegar em casa, dispensava chinelo ou qualquer calçado: preferia ficar com os pés a acariciar o solo. Coisa de criança poderia dizer alguém, mas ele não se importava. Rejuvenescia com este simples gesto, despia-se dos trajes talares, deixava de lado a fantasia e o personagem que encenava na vida profissional. Ultimamente vinha se questionando, revendo idéias e preconceitos. Aos 32 anos, reavaliava o sucesso profissional, reavaliava a falsidade e a malícia que o cercavam em seu ambiente de trabalho que mais parecia uma floresta tropical, com feras e índios, com caçadores inescrupulosos e senhores que melhor se situariam em uma corte européia do tempo do imperador.
Abriu a geladeira e buscou a garrafa de água gelada. Tomou no gargalo, afinal estava sozinho em casa. Ninguém ia saber, ninguém iria recriminá-lo. A água gelada desceu por sua garganta aliviando o calor da madrugada abafada. Vários goles. Sua língua percorreu os lábios enxugando-os, num movimento instintivo. Deixou a garrafa de lado e ergueu a mão, encostando-a nos lábios cerrados, frios e úmidos. Um arrepio percorreu-lhe a espinha, um sentimento de saudade tomou-lhe todo o ser.
Imóvel, no escuro completo da noite, foi acometido de algo estranho. Saudade de algo que nunca tivera, que nunca provara, que nunca recebera, que nunca ganhara. Um nó formou-se no peito e os dedos deslizaram pelos lábios, como se fosse ela a tocar seus lábios. Podia sentir o gosto – ainda que imaginário -, podia vê-la diante de si, como naquela foto em que sorria de lado com o rosto virado como que o convidando a ir a ela. Podia sentir o toque da mão dela acariciando a sua mão. A pele sedosa e suave, delicada, sempre mais fria que a dele. O olhar com um brilho todo dela. Era saudade que jorrava e aumentava o desejo de tê-la perto. Era saudade de um beijo que nunca recebera. Incontrolável anseio por um beijo que nunca provara. Ainda.
domingo, 9 de dezembro de 2007
Poesia: SAUDOSO
Hoje acordei saudoso
Saudoso da minha infância
Saudoso dos tempos das paixões efêmeras
Paixões que se sucediam com as horas
E adormeciam com o pôr do sol
Hoje acordei saudoso
Saudoso de amores passados
Saudoso de sentimentos antigos
Sentimentos que aqueciam a alma
E embalavam os sonhos
Hoje acordei saudoso
Saudoso da ingenuidade
Saudoso de sonhar
Devaneios nos quais esperava
E a esperança nutria a seiva da vida,
E a vida era a esperança.
(24 de março de 2007)
terça-feira, 2 de outubro de 2007
Crônica: Brisa

Ela permanecia imóvel, olhos fixos no mar, alheia ao ruído da Avenida Atlântica. A água de coco refrescava-lhe numa tarde quente de primavera. O pensamento longe tinha na saudade o conforto. Queria Pedro ao lado dela, naquele quiosque, naquela tarde, no meio do expediente, como fizera algumas vezes. Escapavam do trabalho para conversar e rir. Lembrou-se de quando ele percebeu a discreta cicatriz sobre a sobrancelha direita, um pequeno risquinho, quase imperceptível, mas que ele notara. Ele notava tudo. Não dizia tudo para não parecer paranóico, mas ela sabia que ele notava tudo. O silêncio, o olhar, o sorriso, os gestos. Ao rememorar estes fatos, alegrou-se, sorriu. Com a brisa do mar, afastou-se a saudade.
segunda-feira, 28 de maio de 2007
Crônica: Tarde no Café

Passeavam pela calçada, ou melhor, desfilavam mulheres com sacolas, com cachorrinhos embonecados, com óculos escuros largos sobre a face, com amigas a falar e a gargalhar alto. Uma fauna de mulheres ricas, de peruas, de patricinhas, de todas as tribos urbanas e cosmopolitas. Umas medindo as outras de cima abaixo. Grifes caras e famosas e outras nem tanto. Uma variedade de roupas e estilos, de tamanhos e de rostos, de aromas de perfumes caros e de cores. Tudo se mesclava numa tela impressionista, sem precisão, como um emaranhado de sons, aromas e formas.
Pedro fitava-as discretamente, de relance. Começou pelos pés. Admirou-se com a variedade de sapatos, sandálias, unhas, pés que por ali passavam. Achava defeito em todos. Simpatizou com alguns. Mas algo incomodava-lhe.
Distraiu-se então com os rostos. Reparou nos cabelos, alguns longos, outros curtos, presos, soltos, loiros, ruivos e castanhos. Cortes variados, visuais esquisitos, outros elegantes, outros mais simples. “Qual o mais bonito”, perguntava-se. “Qual a forma da beleza?” Uma beleza abstrata rondava sua mente e não se materializava diante dele naquela tarde. Pensou em Platão e no mundo das idéias. “Seria a beleza perfeita algo inatingível, algo invisível, algo que somente pode ser criado em nossas mentes? Haveria um molde perfeito?” O molde de beleza de Pedro estava silente, escondido em seu inconsciente.
Continuou a observar de forma incessante a procura de algo que sabia existir, que sabia estar presente dentro de si ou no mundo exterior. Sentiu-se criando um Frankesntein feminino. Juntava partes e pedaços de mulheres, misturava estilos e roupas, mas nada lhe apaziguava o espírito. Inquieto não desistia em sua busca.
Estava ali há mais de uma hora e meia, quando uma moça perguntou-lhe se queria mais alguma coisa. Despertou do transe ao ouvir a indagação. Olhou-a e o reflexo da luz sobre um ponto brilhante que repousava sobre o nariz da funcionária alvejou-o como um raio. “Por isso encontrava defeito em todas as mulheres!”, disse a si mesmo. “Você é e sempre será única. Não há substituta, não há outra igual a você. Nunca serei indiferente ao seu nome. Sempre que o ouvir, lembrarei de ti. Sempre!” O pequeno piercing acima da narina esquerda havia trazido Pedro de volta à realidade. Pediu mais um café e sorriu. Encontrara o que buscava.
sexta-feira, 11 de maio de 2007
Crônica: Cores da Manhã

Passos rápidos e ritmo acelerado foi cruzando rostos e pessoas, na maioria idosos que também aproveitavam o clima fresco da manhã. Quantos rostos e quantas pessoas cruzava diariamente? Quantas histórias não contadas? Quantas vidas com seus problemas pessoais e dúvidas? Quantas pessoas com angústias e alegrias? Será que alguém passava pelas mesmas aflições que ela? Quantos eram felizes? Quantos simplesmente passavam pela vida como um barco à deriva, sem rumo, sem direção, apenas existindo? Tudo aquilo embaralhava-se nos seus pensamentos. Carol estava perdida e sabia disto. Por que ele, exatamente ele, num momento e ao acaso havia mexido com ela? Por que agora e não antes? Por quê? As perguntas se repetiam e ela nem reparava na trilha sonora que brotava de seu ipod.
Buscava no ar fresco da manhã, num ímpeto, que todo aquele mistério se desfizesse. Tinha medo de tomar certas decisões e isto a afligia. A incerteza do futuro deixava-a intranqüila. Seria tudo isto apenas uma noite deveras longa ou criações fantasiosas de sua mente criativa? Ela não sabia a resposta.
Ao cruzar a Siqueira Campos, reparou na escultura do Tenente Siqueira Campos. Tantas vezes já havia feito aquele trajeto sem se atentar àquela escultura. Quase uma foto congelada no tempo. O artista havia captado o momento em que o Tenente era alvejado e levado deste mundo. A plasticidade do corpo imóvel, os braços estendidos para trás, os joelhos dobrados projetando o corpo para a frente, a expressão de dor. Num momento, a vida desapareceu daquele homem. Vida breve.
Aqueles segundos de contemplação deram-lhe um senso de brevidade, um senso de que o tempo não é eterno, e não seria eterna sua angústia. Apenas uma travessia e logo o sol voltaria a aparecer, numa nova manhã radiante. Mas tinha pressa, queria voltar a sorrir. Queria voltar a sentir seu coração bater com força e vibração, queria deixar de lado o passado que lhe pesava e arrastava-se.
Seus olhos marejaram. Sentiu saudade de Roberto. Apenas 2 semanas haviam transcorrido desde aquele encontro, mas estava certa de que havia sido o último. Não tinha coragem de ouvir seu coração. Não tinha coragem de enfrentar o passado e criar para si um novo futuro. Deixaria o destino levá-la, por onde o destino quisesse.
quinta-feira, 26 de abril de 2007
Crônica: Devaneio de final de tarde

Recostou-se na parede, meio de lado e sorriu. Sua alma transbordava de alegria. Uma alegria interior misturada com saudade, relembrando palavras que ela havia lhe dito. Sentia como se a abraçasse, sentia-a junto dele, envolta por seus braços que a consolavam e lhe davam segurança. Um simples abraço que a distância impedia. A certeza de que os pensamentos se cruzavam no espaço etéreo inundou-o com uma profunda tranqüilidade.
“Saudade Edu!” ela havia escrito. Pensou em ligar. Pegar o telefone e simplesmente perguntar como havia sido seu dia, ouvir sua voz por alguns minutos, ouvir seu riso ou quem sabe fazê-la rir um pouco, mesmo cansada no final de dia. “Mas o que vou dizer? O que vou falar? O que vou perguntar? Será que ela está ocupada? Será que ela vai gostar? Será que não vou ser chato?”.
Aquelas idéias metralharam sua cabeça rapidamente, num instante.
- Ah, deixa pra lá! – disse em voz alta. – Ela sabe que estou pensando nela. Quem sabe amanhã eu ligo.
Naquele instante tocou o telefone. “Será?”, disse a si mesmo. Do outro lado da linha era um cliente, e rapidamente o mundo dos sonhos evaporou e Eduardo voltou à realidade.



