terça-feira, 2 de outubro de 2007

Crônica: Brisa


BRISA


O vento brincou com seus cabelos, desarrumando-os e lançando uma mecha que lhe cobriu parte do rosto. Ela coçou o nariz duas vezes e puxou os cabelos para trás, prendendo-os num rabo-de-cavalo alto. O rosto livre dos fios aloirados e domesticados pelo elástico. Os longos cabelos presos revelavam toda a beleza do rosto sem maquiagem. O contorno do pescoço exposto com sua suave curva. Pedro gostava de apreciar as linhas que desciam de sua nuca e uniam-se aos ombros desnudos. Talvez fosse o tom da pele, talvez simplesmente fosse ela.

Ela permanecia imóvel, olhos fixos no mar, alheia ao ruído da Avenida Atlântica. A água de coco refrescava-lhe numa tarde quente de primavera. O pensamento longe tinha na saudade o conforto. Queria Pedro ao lado dela, naquele quiosque, naquela tarde, no meio do expediente, como fizera algumas vezes. Escapavam do trabalho para conversar e rir. Lembrou-se de quando ele percebeu a discreta cicatriz sobre a sobrancelha direita, um pequeno risquinho, quase imperceptível, mas que ele notara. Ele notava tudo. Não dizia tudo para não parecer paranóico, mas ela sabia que ele notava tudo. O silêncio, o olhar, o sorriso, os gestos. Ao rememorar estes fatos, alegrou-se, sorriu. Com a brisa do mar, afastou-se a saudade.

5 comentários:

disse...

Que a brisa leve a saudade pra longe...dela e de mim!
Beijos

Edna Federico disse...

Que crônica leve, gostosa, inspiradora...parabéns!

Edna Federico disse...

Ah, acabei de ler um post agora que acho que você, como advogado, se interessaria em comentar, riso.
É de um novo amigo blogueiro, que me visitou esses dias: http://jrbalestra.blogspot.com/

Fabiola disse...

Nossa AMEIIII
ai ai

Carol disse...

É tão gostoso sonhar e ficar pensando na pessoa que queremos bem...um pouquinho de saudade faz bem e só aumenta a vontade de voltar a pular nos braços da pessoa querida.
Lindo texto...me fez sonhar.