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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Pobre debate




O primeiro debate do segundo turno das eleições presidenciais foi realizado pela Band. Mais do mesmo e menos do que importa. 

"No meu governo a educação é prioridade... O Pronatec... A inflação está sob controle... O aeroporto de Claudio..." 

"A inflação está pesando no bolso do brasileiro... O Paulo Roberto Costa não foi demitido da Petrobrás.... A corrupção... A senhora está sendo leviana..."

O debate foi reduzido a uma sequência de frases e slogans elaborados por marketeiros, programas enlatados (Mais Médicos, Minha Casa, minha vida, Pronatec, Belo Monte, Transposição do São Franscisco...) sem qualquer discussão de projeto de Brasil, de conceito de Estado, de visão de longo prazo.

Pergunto ao leitor, quais eram os temas dos debates de 2010? Dilma alardeava que resolveria o problema da violência vigiando as fronteiras com VANTs (veículos aéreos não tripulados), que o Bolsa Família seria ampliado, que não haveria privatizações, que o trem bala Rio-SP estaria pronto antes da Copa e por aí vai. Ninguém lembra da maioria destas coisas e muitas delas se exauriram quando Dilma foi eleita. A função era o efeito eleitoral apenas. Mentiras, ou melhor, "programas" criados para mostrar que o governo agiria e tudo se transformaria num país de mil maravilhas, algo como a propaganda do PT.

Eleição no Brasil é sinônimo de slogan e frases de efeito para enganar o eleitor. O brasileiro não se preocupa em pensar o país, em discutir o futuro, em definir prioridades e planejamento.

Tomemos um exemplo: o BNDES deve financiar projetos fora do país? E se o recebedor dos recursos for empresa brasileira? Para que tipo de projeto - humanitário, de infraestrutura? E se o recebedor de recursos for companhia aberta e com fácil acesso ao mercado de capitais, deve haver financiamento? Deve-se privilegiar as pequenas e médias empresas? 

Pessoalmente, responderia que a política de financiamento do BNDES deveria estar inserida numa política de comércio exterior ampla e deveria se coadunar com a política externa brasileira. Qual o papel do Brasil no mundo? A quem devemos nos alinhar? Quais blocos econômicos? Nossa influência deve ser regional ou global? Qual o futuro dos BRICS?

Qual o papel do Estado no Brasil? A reforma política deve reduzir o número de deputados e senadores? Deve haver reeleição? Os cargos públicos comissionados devem ser extintos? Deve haver limite para aumento de despesas pelo Governo Federal?

E caberia ainda discutir educação, saúde, infraestrutura, segurança, saneamento básico, transporte e mobilidade urbana, previdência, mercado de trabalho e legislação trabalhista, tributação.

Nenhuma destas questões foi respondida ou discutida no debate. Elas não ganham voto e não são compreendidas pelo eleitor comum. Dilma, por exemplo, quer dialogar com Estado Islâmico. A grande maioria das pessoas não têm a menor ideia do que seja o Estado Islâmico.

A crítica vale para os dois candidatos. A culpa é dos partidos que esvaziou o conteúdo do debate ao delegar as campanhas para marketeiros que não se preocupam com o país, mas apenas em ganhar a eleição.

A continuar assim, nosso debate será pobre. Pobre de nós eleitores.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O poste e as eleições




Eis o molusco e sua criatura, o poste - ou talvez a "posta", declinando o gênero como ela tanto gosta, mas "posta" (feminino de poste) tem um proximidade sonora muito grande uma palavra de baixo calão iniciada com a letra "b". A expressão seria uma afirmação sintética do nível de governo realizado por esta senhora.


Quando Lula lançou Dilma Rousseff como sua candidata à presidência da república, o humilde molusco se vangloriou afirmando que seu governo tinha sido tão bom, que ele era tão idolatrado, que poderia indicar um poste para seu lugar que o poste ganharia. Fez isto com Dilma. Fez isto com Fernando Haddad. Agora, parece que o eleitor que foi iludido começou a pensar e percebeu que a enganação acabou, que poste pode até governar, mas uma hora a exigência por competência aparece.

O Brasil vive hoje uma grave crise econômica, ética e de credibilidade. Nossa política externa é capenga, sem objetivos claros, com alinhamentos retrógrados a países que não respeitam as liberdades e os direitos humanos mais básicos. Recentemente, Dilma Rousseff manifestou sua simpatia pelo Estado Islâmico na ONU, o que indica claramente a trajetória e o rumo de nossa política externa.

Durante o governo Dilma, perdemos a força do crescimento econômico em parte por culpa de um ministro da fazenda incompetente, de um Banco Central refém dos melindres da presidente e do aparalhemanto maciço das empresas estatais, que foram reduzidas a supridoras de caixa do PT. A Petrobras foi saqueada, os Correios roubados.

Assisti a todos os debates e o discurso de Dilma só engana quem não pensa, não observa o país, quem não lê. Ela mente de forma descarada, tenta enganar e iludir. Dilma é um estelionato eleitoral! Seu partido parte da ideia de que uma mentira repetida mil vezes se torna verdade, e quem lapidou esta frase foi Goebbels, o chefe de comunicação de Adolf Hitler, na Alemanha nazista.

Não consigo conceber que uma pessoa de boa-fé e honesta vote em Dilma. Até tentei, mas não consigo. Minha capacidade intelectual não alcança a mesquinhez de pensamento petista. Não consigo ter respeito pela opinião de alguém que manifesta seu voto em Dilma Rousseff. Poste serve para iluminar, mas este poste nem iluminar consegue!

Domingo teremos a chance de varrer esta quadrilha que governa o país para bem longe. Ainda é tempo de salvar o Brasil, mas é preciso votar conscientemente, pensando na importância do voto. Vote consciente! Seu voto tem consequências!


domingo, 28 de julho de 2013

Dilma, o poste e o criador


Por algum tempo deixei de comentar sobre política neste blog, mas ultimamente a quantidade de sandices e barbaridades cometidas por "nossos" governantes me obrigam a escrever. Afinal, foi a política que levou este blog a ser citado em uma dissertação de mestrado na área de comunicação. Mas parei de escrever sobre política, pois sentia-me órfão - ainda sinto-me órfão - de representantes que pareciam totalmente desligados da vontade do eleitor. 

Na última eleição de Lula em 2008, fui votar com nariz de palhaço. Este sentimento continua a existir em mim, mas não desanimo. Agora é preciso voltar a criticar e atacar e permear minhas experiências literárias com questões políticas. 

Dilma soltou mais uma pérola: "Lula não vai voltar porque ele não saiu."(vide aqui).

A afirmação é  confissão de que ela nunca mandou, nunca governou, mas apenas cuida do Planalto, finge que governa e, como um boneco de ventríloquo, diz e faz o que o chefe manda. Lula na eleição disse que se ele escolhesse um poste, o poste seria eleito. O primeiro poste foi eleito. A declaração ofensiva a todos os eleitores brasileiros foi vista apenas como piada; para quem pensa um pouco, era a afirmação de que o eleitor brasileiro é um idiota, submisso, burro, manipulável e tantos outros adjetivos pejorativos. 

Antes de tudo, a declaração de Lula foi uma afronta à democracia e revelou o descaso com que Lula e seus companheiros de partido tem pelo sistema eleitoral e pelo regime democrático. O sistema só interessa a Lula e ao PT para mantê-los no poder.

Dilma, mantendo sua agenda negativa, que testa o piso de impopularidade a cada semana nas pesquisas de opinião pública, resolveu vetar o projeto de lei que acabava com a multa de 10% do FGTS imposta às empresas e confirmou que não vai reduzir o número de ministérios, afinal o chefe acha desnecessário. 

O poste - e talvez a presidente resolva também adequar o gênero do substantivo para que seja declinado baixando algum decreto que permita se escrever "a poste" - desfez-se da máscara de boa gestora, de administradora eficiente. Em termos políticos, todos sabiam que Dilma é inábil; em termos de gestão, agora todos estão se convencendo de sua incapacidade.

Dilma se diz indissociável de Lula. É a criatura afirmando ser mera corporificação do criador, numa daquelas comparações dilmísticas um tanto quanto incompreensíveis. Se ela é indissociável de Lula, então ela é o próprio Lula e Lula é Dilma. Filosoficamente, trata-se de uma besteira típica de gente com pouca escolaridade ou de quem não tem a menor ideia do que está falando.

Em termos políticos, poderíamos aceitar a hipótese. Se assim o for, então o fracasso de Dilma será o fracasso de Lula, afinal é ele quem manda e ela tenta executar.

Agora é preciso acordar o eleitor do Nordeste, pois do jeito que as coisas caminham, a eleição de 2014 poderá representar uma grande divisão do país.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Uma eleição sem graça

Masp - (c) Visão ao Longe


Sempre fui um eleitor altamente politizado, participativo, empolgado. Vejo e escuto o horário eleitoral, consulto os sites com os programas de governo e decido meu voto. Desde os tempos de faculdade ajo assim, se bem que naquela época a participação nas campanhas era muito mais efetiva. Nunca votei em branco ou nulo, pois considero tal conduta uma idiotice, uma omissão inescusável do cidadão. Apenas uma vez, no segundo turno da eleição presidencial de 1989, fiquei em dúvida e fui tentado a votar nulo. Votei em Collor, pois votar em Lula seria inimaginável - naquela época e mais ainda hoje.

Neste ano, porém, sinto uma mesmice impressionante, uma falta de criatividade e de propostas que possam realmente alterar alguma coisa na cidade de São Paulo.

Vejamos alguns exemplos:

1. Educação - todos falam em rever a progressão continuada e implementar a educação em tempo integral. Chalita, Haddad, Russomano, Serra e Paulinho defendem esta ideia. O que os candidatos entendem por educação em tempo integral. Haddad, em entrevista à Rádio Bandnews FM, disse que pela manhã os alunos terão o currículo normal e durante à tarde irão para passeios no parque, visitas a museus, "ocupação de espaços públicos" (seja lá o que isso quer dizer em linguagem petista), esporte, cultura e lazer. Chalita diz praticamente a mesma coisa, acrescentando artes, inglês e espanhol.

Em suma, o tempo integral signfica que as escolas serão um depósito de crianças no período da tarde. Acho isto grave considerando que Haddad foi ministro da Educação e Chalita foi secretário estadual de Educação. Não há proposta que reformule o ensino fundamental. Não há coragem na proposta dos candidatos. 

Ninguém fala em ampla reformulação do currículo com capacitação e treinamento de professores. Ninguém fala em ampliar o tempo de ensino das matérias básicas (português e matemática). Não adianta levar o aluno ao parque se ele não sabe ler e escrever corretamente. 

2. Saúde - novamente a coisa se repete: vamos construir mais hospitais e postos de atendimento, que agora se transformaram em siglas. Os candidatos só falam em AMA, AME, UPA etc. Adianta construir mais se não há médicos bem remunerados e com estrutura para atendimento?

3. Transporte - unanimidade neste ponto também: vamos construir mais corredores de ônibus. E daí? Isto vai resolver o problema? Quase todos mencionam mudanças ou ampliação do bilhete único, mas isto não afeta em nada a mobilidade e a melhora no transporte. Nenhum candidato falou em melhorias no sistema semafórico ou em invenstimentos na CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).

4. Segurança - a competência para tratar de segurança pública é dos estados, e não do município. Mesmo assim, quase todos propõem a reformulação e ampliação da guarda civil metropolitana para que atue como se fosse a polícia militar.

5. Emprego para o bairro - alguns candidatos em São Paulo vieram com esta ideia de levar o emprego para o bairro. Em outras palavras, criar incentivos para que empresas se instalem nos bairros, permitindo que o trabalhador more mais perto de onde trabalha. A ideia é boa e parece ser um pouco mais inovadora, mas ninguém fala como isto será feito. Isenção de impostos? Benefícios fiscais? 

No final das contas, a eleição para a Prefeitura de São Paulo ficou sem graça, sem propostas, sem debate sério. Lula tenta transformar a eleição em uma batalha para tentar conquistar um cargo para seu fantoche. Russomano desponta como a surpresa, mas já dá sinais de que não sabe debater, de que não tem plano de governo e nem propostas viáveis. Serra repete a conhecida ladainha de sempre, mas não inspira mais a confiança do passado. Chalita tem uma propaganda meiga, sensível, que talvez funcionasse para um cargo de deputado ou senador, mas não para um cargo executivo. Soninha continua fazendo a linha bicho grilo hipster, defendendo a bicicleta, com uma trilha sonora meio apocalíptica e fúnebre. E há os outros.

Infelizmente São Paulo está sendo mal tratada pelos candidatos que parecem não se preocupar com a cidade a ponto de não se debruçarem sobre seus problemas mais graves. Cabe ao eleitor decidir. 

No domingo, pense bem em que você vai votar. Mensaleiro já lhe enganou uma vez e vai tentar te enganar de novo. Não vote em mensaleiro ou em quem usurpa o dinheiro público em proveito próprio, vote em um candidato no qual você pode confiar.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Brasil abestado


Responda rápido: qual a função do Ministério da Pesca?

O leitor inteligente provavelmente responderá algo como desenvolver a indústria pesqueira no país, incentivar a aquicultura comercial, apoiar os pescadores no período do defeso ou outras épocas de proibição legal da pesca e por aí vai. 

Todas as respostas acima estão erradas. O Ministério da Pesca e da Aquicultura foi criado para servir de moeda de troca para conquistar apoio para o governo. Em outras palavras, é um belo cabide de emprego concebido pelo ex-presidente Lula. Ontem o cabide foi preenchido por um novo ocupante, o senador carioca Marcelo Crivella. Sua primeira declaração sobre a intimidade com o setor foi: "Não sei colocar minhoca em anzol." 

Crivella conhece bem a multiplicação dos pães e dos peixes, agora vai tentar realizar o milagre da multiplicação dos cargos públicos, algo que não é milagre nos últimos 9 anos de governo lulista.


*   *   *   *   * 

Continuando nosso tour pelo Brasil abestado, o atual ministro da Educação mostrou toda sua sensibilidade e vontade de trabalhar ao declarar perante o Senado que "o MEC não tem culpa de o Brasil ser tão grande e tão diverso." (a notícia inteira pode ser lida aqui e os comentários do Reinaldo Azevedo aqui

A desculpa esfarrapada de Mercadante não me surpreende. Ele é um daqueles pseudo intelectuais do PT que só se destacou porque a maioria dos seus companheiros não chegou ao ensino superior. Mercadante é um mestre em falar besteira. A frase é de uma estupidez inigualável e uma justificativa para não fazer nada, além de confissão de sua incapacidade para resolver o problema - ou ao menos tentar.

O MEC, sob a batuta de Fernando Haddad, reformulou a legislação do ensino superior no Brasil, com claro retrocesso e centralização. Os cursos de especialização indenpendentes com autorização da Secretaria de Ensino Superior foram proibidos. O MEC obriga agora os cursos de especialização a estarem vinculados a uma faculdade que ofereça cursos de graduação. A miopia é gritante. Graduação é muito diferente de especialização (pós-graduação lato sensu). Por trás desta suposta política democratizante, está um lobby de donos de faculdades fracas, verdadeiras indústrias de diplomas, mas que formam pessoas com nível fraco, basta ver os resultados dos exames da OAB.

Mercadante não tem política para educação, não conhece o setor e não tem proposta. Colocar tablet na mão de professor não resolve o problema. O problema é salário e capacitação para o professor. Professor motivado reflete na melhoria de desempenho dos alunos.

*   *   *   *   *

Por fim, o maior representante do Brasil abestado, o Deputado Federal Tiririca lançou-se como candidato à prefeitura de São Paulo. Preciso dizer algo!

Quero ver um debate entre Chalita, Tiririca, Fernando Haddad, Celso Russomano e Serra. Ah, ia me esquecendo, tem a Soninha também, mas ela vem de bicicleta.


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Um país dividido

A eleição passou. Este post ia ser escrito antes da eleição, mas não perdeu sua atualidade e tem um olhar retrospectivo. As urnas só confirmaram o que já imaginava e pode ser visualizado no post anterior, com o mapa eleitoral que correlaciona o voto com os indices de analfabetismo. Eis aí a representação visual do que aconteceu: o país votou dividido.

Na eleição de 2006, o ponto que mais me marcou foi a forma como Lula tentou dividir o país. Lula tentou rotular Alckmin como um representante dos ricos, do sul, da elite, dos inimigos dos pobres e oprimidos. O país votou dividido.

O mesmo script foi seguido nesta eleição, porém os ânimos se acirraram com a margem menos folgada de vitória e com uma candidata fabricada em laboratório, uma espécie de versão feminine de Celso Pitta.

Acho lemantável a divisão perpetrada por Lula e pelo PT. O responsável por este discurso separatista e de confronto maniqueísta foi Lula. FHC lembrou bem, em entrevista à Folha de São Paulo, que Lula “dinamitou pontes” em seu governo. Ao invés de unir o país em torno de um proposta, optou-se por dividir o país e instigar uma rivalidade desnecessária e nada positiva. Lula, do alto de sua popularidade, mandou ver e decretou guerra aos inimigos, sugeriu que era necessário "extirpar a oposição" e metralhou uma sucessão de destemperos agressivos e autoritários. 

A divisão do país ficou mais evidente quando o tema ganhou a internet com ofensas aos nordestinos e equivalente revide. Acho que as atitudes estão equivocadas e não se justificam, afinal somos todos brasileiros, somos todos filhos da mesma pátria. Chegou-se ao absurdo de se falar em “raça” nordestina, o que não existe.

Voltemos ao ponto objetivo: a divisão do país. Este mapa traz a votação dos candidatos por município, além de algumas outras análises visuais bem interessantes. 

Nota-se claramente que Dilma venceu de forma esmagadora no Nordeste e no Norte e nas faixas populacionais com menor índice de escolaridade. Serra foi vitorioso no Sul, no Centro-Oeste e no Sudeste, com exceção de Minas Gerais que votou em Dilma. No geral, a vitória foi de Dilma.

Outro aspecto que os números revelam é que Serra venceu na maioria dos municípios vencidos por Marina no 1o. turno, revelando uma nítida transferência de votos.

Há várias extrapolações possíveis e os números contribuem para várias análises. Uma delas demonstra que no Maranhão, Dilma venceu em todos os municípios. No Maranhão, 55% da população é beneficiária do Bolsa Família. O Estado é governado por uma mesma família há muitos anos, família esta que se aliou a Dilma. Um jornal maranhense trazia um artigo assinado pelo Senador José Sarney em que dizia que votar em Dilma era votar em Roseana.

O Bolsa Família é um programa assistencial positivo, porém é preciso questioná-lo. É benéfico dar o benefício por prazo indeterminado? Como auxiliar um beneficiário a sair do programa? Como educar as pessoas para que se capacitem para a vida profissional e saiam do programa? Estas perguntas não foram abordadas na campanha presidencial.

Aliás, poucos temas relevantes foram abordados por ambos os candidatos na reta final da campanha. Culpa de quem? Culpa de nós cidadãos e eleitores que não exigimos posturas mais claras.  Por exemplo: sabemos o que pensa Lula, mas o que pensa Dilma? Ela não falou o suficiente. Foi treinada para repetir um “programa” de governo vazio e generalista, mas que não explica como as questões serão enfrentadas.

Os candidatos prometeram realizar a reforma política, a reforma tributária, melhorar a infraestrutura, melhorar a segurança, melhorar a saúde, melhorar a educação.

As duas primeiras reformas são eternas promessas e se a reforma política tivesse sido levada a cabo, talvez Tiririca não tivesse sido eleito. Duvido que Dilma consiga realizar uma delas. E ainda tem a reforma previdenciária e o ajuste fiscal para diminuir o tamanho da máquina pública. Os desafios que Dilma vai enfrentar são grandes e, como cidadão, não sei o que ela pensa sobre estes temas.

Dilma assumirá com um país dividido. Terá uma maioria na Câmara e no Senado, porém, se o PMDB se revoltar, esta maioria se evapora. Esta divisão criará problemas para Dilma pois vislumbro que o cidadão saberá utilizar melhor os instrumentos de comunicação disponíveis e que foram palco de grandes embates nos meses que antecederam o pleito. Refiro-me à internet, especificamente ao Twitter, ao Facebook e ao Orkut. Ousaria dizer que o Twitter foi o grande vencedor desta eleição.

Política não deve ser assunto para cada dois anos; política deve ser acompanhada sempre. Utilize os canais disponíveis e cobre, fiscalize, escreva para seu deputado e senador, manifeste sua indignação e elogie os bons projetos. O email pode ser uma ótima forma de botar a boca no trombone.

Este blog continuará a importunar nossos dirigentes e a reclamar, quando for o caso. Se couberem elogios, estes também serão feitos. 

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Hélio Bicudo, a democracia e a liberdade



Desnecessário acrescentar qualquer comentário. A grandeza de espírito revela-se na atitude crítica de Hélio Bicudo. Ao invés de seguir cegamente um líder que atirou na lata do lixo a ideologia e seus princípios - se é que algum dia compreendeu esta expressão -, Hélio Bicudo saiu do PT por discordar do encampamento do Estado pela máquina partidária.

E termina sua fala com a afirmação: "Não precisamos de soberanos com pretensões paternas, mas de democratas convictos." Pense nisso na hora de votar.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Uma neófita na política

Deparei-me com este vídeo do debate dos candidatos a Governador do Distrito Federal. Em tempos de debates mornos e sem graça, este vale a pena ver.



Uma curiosidade: o Delegado Protógenes Queiroz (PC do B) só foi eleito graças ao votos obtidos por Tiririca na coligação. Eis a coerência e seriedade de Protógenes. No mesmo partido está Netinho de Paula, que ontem revelou todo seu bom humor e simpatia no CQC. Só não esmurrou o Rafinha Bastos porque ele é maior que o Netinho.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A voz das urnas

Sei que estou abusando da temática política neste blog, mas peço a paciência do leitor. Os temas literários retornarão em breve. Até que fui comedido nestes últimos dias, pois tinha pensado em escrever um longo texto prevendo o segundo turno. Tinha minhas razões que acabaram sendo expostas em conversas, mas não se transformaram em um texto organizado. Meus interlocutores sabem que acertei.

O eleitor jogou água no choppe e acabou com a festa da arrogância da líder nas pesquisas. O discurso de Dilma, após o encerramento da apuração, revela claramente que ela sentiu o golpe. Ela nunca havia disputado uma eleição e perder faz parte do jogo democrático. Visivelmente abatida, Dilma falou à imprensa mas não conseguiu esconder o desapontamento e o clima de velório. Veja o vídeo:



Aliás, Brasília é realmente uma cidade mística e estranha. Na mesma eleição, o Distrito Federal reuniu as condições climáticas perfeitas para a proliferação de fantoches políticos como nunca antes na história deste país. Weslian Roriz e Dilma Roussef são exemplos desta espécie nova espécie humana. Se Gepeto morasse em Brasília, não precisaria fazer um pedido à fada madrinha, bastaria contratar um bom marqueteiro e Pinóquio ganharia vida. E um bom cargo político.

Enquanto fiquei contente com a sapiência do eleitor paulista que recusou Netinho de Paula, não posso dizer o mesmo da eleição do Tiririca. Para não ficar tão isolado e envergonhado, o eleitor carioca elegeu Garotinho para a Câmara Federal. Agora teremos palhaço e plateia; ou vice-versa.

Conforme nossa previsão, Tirirca foi eleito. O Delegado Protógenes Queiroz também foi eleito. A Mulher Pera, apoiada por Eduardo Suplicy, teve a candidatura impugnada e ficou sem votos. Outros oportunistas que procuravam um emprego também não se elegeram, o que deixa um fio de esperança.

Algo que ficou muito claro com o mapa de votação para presidente foi a divisão do país. No Nordeste, 22% dos eleitores recebem o Bolsa-Família. O voto de cabresto ainda impera. Esta a razão para o sucesso de Dilma naquela região.

Por fim, eu daria qualquer coisa para estar no Palácio da Alvorada e ver a cara da Dilma e do Lula quando perceberam que haveria 2º. Turno. A “alegria” de Dilma contrastou com a “tristeza” de Marina Silva. Humildade faz bem e o eleitor deu um pouco de esperança para aqueles que acreditam no voto.


terça-feira, 28 de setembro de 2010

Bola de cristal eleitoral

Os eleitores de São Paulo, quero crer que por ingenuidade ou traquinagem, mas penso ser por burrice e ignorância, devem eleger Tiririca para Deputado Federal. Tudo indica que ele será um dos 5 candidatos mais votados. Assim como Enéas e Clodovil foram grandes puxadores de foto, Tiririca é um candidato fabricado em laboratório – assim como Dilma Roussef – e serve para tentar eleger alguns candidatos que não se (re) elegeriam, como Valdemar Costa Neto e José Genoíno. Torço para estar errado, mas minha bola de cristal, em temporada eleitoral, não costuma falhar.


O problema central é que o suposto voto de protesto em Tiririca nada mais é do que um voto em favor de pessoas que não tem escrúpulo com o uso do dinheiro público, não tem compromisso com o eleitor e sequer sabem o que é uma Constituição. São manipuláveis, venais e sem qualquer convicção política. Este tipo de candidato – há vários assim – não contribui para a melhoria do país e não valoriza a ética na política.


Há algum tempo este blog profetizou que Protógenes Queiroz, o ex-delegado da Polícia Federal responsável pela Operação Satiagraha que prendeu Daniel Dantas e outros, sairia candidato a Deputado Federal. Dito e feito. A vidência do blog funcionou, está lá no útlimo parágrafo deste post de 2 anos atrás. Acho que ele não se elege, mas é candidato pelo mesmo partido do Netinho de Paula (PC do B) e daí você, meu caro leitor, já pode tirar suas conclusões sobre a seriedade do partido.


Na mesma toada, e falando de Netinho de Paula, ele deve ser eleito Senador e pode deixar Marta Suplicy de fora. A esperança de alguns é que Aloysio Nunes consiga fazer uma boa atropelada na reta final e desbancar Marta. Os petistas estão assustados com a subida de Netinho de Paula e de Aloysio Nunes.


Se Netinho de Paula e Marta Suplicy forem eleitos, teremos 3 senadores representando São Paulo que poderiam nos finais de semana interpretar uma peça de Nelson Rodrigues. Eduardo Suplicy, ex-marido de Marta, tem mais 4 anos de mandato e completa o trio.

Os três são personagens rodriguianos. Marta é madame da sociedade que diz defender os pobres e oprimidos, uma feminista convicta e que faz dupla de chapa com um pagodeiro que tem em seu passado um histórico de agressões a mulheres – e repórteres. Eduardo Suplicy apenas assiste a tudo e se encanta pela Mulher Pera, sugerindo o voto nela. Tudo beira o surreal, mas daria uma excelente trama no melhor estilo do universo rodriguiano.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Os comentários e a réplica

No post anterior, dois comentários: uma questão e uma crítica. Adoro uma crítica, pois ela incita o debate e permite discutirmos um pouco mais o assunto.

Começo pela crítica de fabioliveirafabi. O perfil não está disponível e não o conheço, mas agradeço a crítica. Ele - ou ela - escreveu:

"O Netinho de Paula foi um bom vereador em São Paulo, quem acompanhou o trabalho dele sabe disso. E essa polêmica do show foi feita pelo o outro candidato, que caso ganhe a eleição, vai contratar um artista, ai sim entra Netinho, para fazer um show de comemoração..."


Discordo redondamente. Qual projeto importante o vereador Netinho de Paula apresentou? O que efetivamente fez o vereador? Pesquisei no site do candidato ao Senado e não há um projeto mencionado. Nada. Nem sequer se ele compareceu às sessões da Câmara Municipal. Netinho é vereador há 2 anos somente, não tem experiência política e não tem bagagem para representar o Estado de São Paulo. Isto, meu caro leitor, sem falar no passado de agressões à ex-mulher. De minha parte, um homem que não respeita uma mulher, não merece o voto de um cidadão consciente.

Quanto ao show, a sugestão dada pelo candidato do PT é ilegal. Netinho foi no embalo, no clima de "vale-tudo", tão típico do partido do governo que não respeita a legislação.

O segundo comentário, na verdade uma questão, foi deixado pela Isadora.

"Meu amigo, obrigada por compartilhar o post! Ontem no CQC, o Marco Luque fez um comentário sobre as restrições impostas aos programas humorísticos.



Pelo que entendi, ao cidadão comum não cabe nenhuma iniciativa, já que a mesma deve partir dos veículos de comunicação. É isso mesmo?"

Infelizmente é verdade. A legislação eleitoral atinge os meios de comunicação e os candidatos. Os cidadãos comuns podem se manifestar livremente. A internet, quer pelos blogs, quer pelas redes sociais, entra numa zona cinzenta e nebulosa. O fato é que mesmo por estes meios, há decisões judiciais censurando blogueiros, o que é um absurdo.

A liberdade de expressão, direito fundamental previsto na Constituição Brasileira, não é absoluta e ilimitada, mas a legislação eleitoral atual ultrapassou os limites do razoável e do adequado. Culpa de quem? Culpa dos deputados que aprovaram esta legislação draconiana, provavelmente temendo o que iria ser dito dos candidatos à reeleição.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Mais comédia política

Dilma sobre futebol e sua famosa saudação: - Oi!



Dilma sobre cultura e suas leituras de final de semana.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O cômico horário político

Quinta-feira passada estava parado no trânsito, cruzando a cidade no horário do rush, quando minha música foi interrompida no rádio pelo horário político obrigatório. Muitos defendem o financiamento público de campanhas políticas e o horário político obrigatório, que é um daqueles resquícios do regime militar - como A Hora do Brasil. Interessante que nenhum partido é contra o horário político, pois tem interesse na sua manutenção e no acesso gratuito aos meios de comunicação.

Voltemos ao ponto.

Era dia de horário político do PT. De forma descarada, Lula fez campanha antecipada para Dilma, o que é ilegal. O horário político mais parecia propaganda eleitoral. Vamos aguardar para ver como o TSE se manifestará a respeito.

Não desliguei o rádio pois toda vez que Lula resolve falar, tenho certeza de que darei boas risadas. O ponto alto da propaganda do PT foi a comparação feita por Lula onde comparou a trajetória de Dilma à trajetória de Nelson Mandela. Cai na gargalhada! A comparação é grotesca e de uma imbecilidade ímpar.    Trata-se de mais uma simplificação estúpida engendrada pelo redator do texto, ou talvez, pelo próprio presidente. Reinaldo Azevedo já começou a chamar a candidata do PT de Dilma Mandela.

Não sei se as classes populares compreenderam a comparação, mas os mais esclarecidos devem ter achado curiosa a analogia, para não dizer ridícula. 

De fato, o horário político é cômico.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Vai começar o show!

A campanha eleitoral está nas ruas. José Serra e Dilma Roussef se desimcompatibilizaram de seus cargos. Marina Silva também começa a montar sua campanha. Vai ser divertido.

Dilma Roussef nunca participou de uma eleição na vida, quer para cargo majoritário, quer para cargo executivo, ou até para um cargo no grêmio estudantil. Falta-lhe traquejo e carisma. Em poucos dias, soltou a primeira pérola: afirmou que é uma mulher de coragem, que não foge da luta e que por isso não fugiu do país na época da ditadura. Ela acusou os exilados políticos de covardes. Uma gafe tremenda.

Alguns correligionários correram para dizer que ela não disse o que disse. Mas ela disse sim. Nos dias de hoje, qualquer discurso é registrado ou filmado por celular ou relatado via twitter e demais formas de mídia. Não tem jeito, se falar besteira vamos ficar sabendo. E tenho a impressão de que vamos ouvir muitas besteiras nesta campanha.