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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Novos atalhos para velhos caminhos

Foto: portaldotransito.com.br


Se queres bom conselho, pede-o ao homem velho.”

O ditado popular associa a velhice à sabedoria dos anos vividos, dos fatos presenciados, das músicas ouvidas, das transformações sentidas. O bom e lúcido idoso é um poço de bons conselhos, simples considerações sobre a longa estrada da vida percorrida.

Quando criança, passava horas ouvindo minha tia avó contar sobre a infância, sobre uma São Paulo querida e romântica, imaginada em branco e preto, em tempos de bondes puxados por mulas, por ruas de terra e depois de paralelepípedos, com meninas com fitas no cabelo, vestidos rodados, sapatinhos de verniz. Uma cidade provinciana, quase bucólica em alguns bairros, onde não existia telefone, televisão, congestionamento, poluição, ruído em excesso, mas que teimava em se movimentar, em crescer, em autoproclamar-se a locomotiva do Brasil. Non ducor, duco, reza o lema no brasão da velha freguesia erguida nos campos de Piratininga.

Ela não tinha medo da morte. Dizia, com serenidade, que esperava apenas a hora que fosse chamada para descansar. A vida tinha outra ritmo e não me lembro com que idade ela faleceu, apenas me lembro que chorei ao receber a notícia.

A sabedoria, por vezes, é afogada pela teimosia, por hábitos arraigados e que são difíceis de quebrar e de mudar. Reparei nestes dias que idosos insistem em atravessar a rua fora da faixa de pedestres. Uma senhora quase foi atropelada ao cruzar no meio dos carros na Brigadeiro Luis Antônio e ainda se arriscar quando o semáforo abriu no contra fluxo. Outro, ao invés de caminhar alguns passos, corta a rua em diagonal, sem olhar e força uma freada brusca.

Estariam estes idosos tomados de um empoderamento tão forte que os faz se sentir imbatíveis, inquebráveis, indestrutíveis? Será que acham que a legislação que os protege também obriga motoristas de veículos a dar preferência a todos os idosos em qualquer lugar da via pública? Ou será que estão cansados e querem apenas pegar um atalho?

Preste atenção quando trafegar pelas ruas de São Paulo e veja se estou exagerando. Com a velocidade máxima reduzida, fica mais fácil notar estas atitudes que geralmente passam despercebidas.


Tomar atalhos novos e deixar caminhos velhos, diz um outro ditado popular. Talvez seja um bom momento para os idosos abandonarem os atalhos velhos no meio das ruas e adotarem um caminho novo pela faixa de pedestre.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Feriados e a copa do mundo


O poste que governa São Paulo, Fernando Haddad,  tentou aprovar projeto para que a Câmara dos Vereadores aprovasse feriado na cidade de São Paulo no dia 23 de junho, dia em que haverá mais um jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo. Na última terça-feira, a cidade travou com recorde de congestionamento.

A Justiça Federal suspendeu o expediente durante todo do dia 23. A Justiça Estadual funcionará até às 12 horas, mesmo horário de funcionamento dos bancos e da maioria do comércio.

Sou contra este número excessivo de dias de folga e da falta de vontade de muitos em trabalhar. A seleção não empolga, mas parece que o brasileiro tem que assistir ao bendito jogo no conforto de seu lar. Sou do contra, sou chato. Acho um absurdo e uma estupidez se engalfinhar no trânsito de forma desesperada para chegar ao lar.

Na última terça, enquanto muitos se estressavam no trânsito e no transporte público, eu trabalhei até depois das 13 horas, fui almoçar com um amigo, assisti ao primeiro tempo do jogo de pé na calçada num bar e fui para casa no intervalo. Trânsito livre. Sem transtornos, sem confusão e com a sensação de que não perdi meu tempo como um bando de cordeirinhos que "têm que assisitir o jogo da seleção" ou então morrerão fulminados pela polícia dos traidores da pátria. Pessoalmente, acho que trabalhar honestamente é muito mais patriótico do que gastar metade do meu dia idolatrando jogadores que ganham milhões e que estão jogando para faturar mais alguns milhões. 

Não me entendam mal, eu gosto de futebol, tenho assistido a quase todos os jogos da Copa, mas não compactuo com a vagabundagem e a falta de vontade das pessoas de trabalhar. Acho um absurdo, um descalabro a quantidade de dias que a Justiça Federal declara como ponto facultativo. Quem mais se beneficia de feriados e pontes de feriados são os funcionários públicos, uma categoria que não hesita em fazer greve e que goza de benefícios não estendidos ao trabalhador comum, e muito menos aos autônomos e profissionais liberais. 

Com o feriado de Corpus Christi, este será o terceiro feriado de 5 dias neste ano! Para estes privilegiados, isto equivale à existência de 3 carnavais em um único ano! 3 carnavais! Que país pode crescer neste ritmo de produtividade? 

É preciso mudar a mentalidade e o prefeito podia dar o exemplo obrigando as repartições municipais a fecharem apenas 30 minutos antes dos jogos. Assim, todos encontrariam um lugar próximo ao trabalho para assistir o jogo. Isto movimentaria a economia da cidade e escalonaria o trânsito. Qualquer boteco tem uma televisão hoje e muitos celulares já tem capacidade de captação de sinal da TV aberta. Falta vontade política de mudar um hábito que precisa ser mudado. O Brasil precisa de gente disposta a trabalhar e não daqueles que só querem aproveitar mais um feriado.


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Ultrapassando limites



O Monumento às Bandeiras é um dos símbolos de São Paulo. Escultura de autoria de Victor Brecheret,  o monumento fica ao lado do Parque do Ibirapuera e retrata os bandeirantes que desbravaram o sertão brasileiro e foram responsáveis pela expansão do território nacional. O monumento amanheceu pichado e pintado com tinta vermelha na última quinta-feira. Uma afronta ao patrimônio público paulista e um daqueles crimes que parecem ser relevados pelas autoridades.

A autoria é conhecida. Um grupo de indígenas que se manifestaram na av. Paulista contra uma PEC (projeto de emenda constitucional) que prevê alterar a competência para a demarcação de reservas indígenas foi a justificativa da manifestação. Terminaram sua caminhada no Monumento às Bandeiras e perpetraram o delito. Revoltam-me profundamente os atos de pichação e depredação de patrimônio público. Manifestação tem limite e este limite foi ultrapassado neste caso!

Na mesma linha é preciso restringir a conduta dos chamados Black Blocs, grupo de mascarados que se autointitulam como anarquistas, mas são na verdade baderneiros sem causa e que lutam contra a ordem estabelecida, ou seja, não seguirão o caminho da legitimidade para levar a cabo as mudanças que propõem. Manifestações que terminam com depredação e violência são uma afronta ao regime democrático e devem ser repelidas - as depredações, é claro. A liberdade de manifestação é ampla, mas quando se ultrapassam os limites da razoabilidade e da ordem, o Estado deve agir e restabelecer a ordem.

Não há causa que justifique a pichação e a depredação do patrimônio público ou privado.


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Uma eleição sem graça

Masp - (c) Visão ao Longe


Sempre fui um eleitor altamente politizado, participativo, empolgado. Vejo e escuto o horário eleitoral, consulto os sites com os programas de governo e decido meu voto. Desde os tempos de faculdade ajo assim, se bem que naquela época a participação nas campanhas era muito mais efetiva. Nunca votei em branco ou nulo, pois considero tal conduta uma idiotice, uma omissão inescusável do cidadão. Apenas uma vez, no segundo turno da eleição presidencial de 1989, fiquei em dúvida e fui tentado a votar nulo. Votei em Collor, pois votar em Lula seria inimaginável - naquela época e mais ainda hoje.

Neste ano, porém, sinto uma mesmice impressionante, uma falta de criatividade e de propostas que possam realmente alterar alguma coisa na cidade de São Paulo.

Vejamos alguns exemplos:

1. Educação - todos falam em rever a progressão continuada e implementar a educação em tempo integral. Chalita, Haddad, Russomano, Serra e Paulinho defendem esta ideia. O que os candidatos entendem por educação em tempo integral. Haddad, em entrevista à Rádio Bandnews FM, disse que pela manhã os alunos terão o currículo normal e durante à tarde irão para passeios no parque, visitas a museus, "ocupação de espaços públicos" (seja lá o que isso quer dizer em linguagem petista), esporte, cultura e lazer. Chalita diz praticamente a mesma coisa, acrescentando artes, inglês e espanhol.

Em suma, o tempo integral signfica que as escolas serão um depósito de crianças no período da tarde. Acho isto grave considerando que Haddad foi ministro da Educação e Chalita foi secretário estadual de Educação. Não há proposta que reformule o ensino fundamental. Não há coragem na proposta dos candidatos. 

Ninguém fala em ampla reformulação do currículo com capacitação e treinamento de professores. Ninguém fala em ampliar o tempo de ensino das matérias básicas (português e matemática). Não adianta levar o aluno ao parque se ele não sabe ler e escrever corretamente. 

2. Saúde - novamente a coisa se repete: vamos construir mais hospitais e postos de atendimento, que agora se transformaram em siglas. Os candidatos só falam em AMA, AME, UPA etc. Adianta construir mais se não há médicos bem remunerados e com estrutura para atendimento?

3. Transporte - unanimidade neste ponto também: vamos construir mais corredores de ônibus. E daí? Isto vai resolver o problema? Quase todos mencionam mudanças ou ampliação do bilhete único, mas isto não afeta em nada a mobilidade e a melhora no transporte. Nenhum candidato falou em melhorias no sistema semafórico ou em invenstimentos na CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).

4. Segurança - a competência para tratar de segurança pública é dos estados, e não do município. Mesmo assim, quase todos propõem a reformulação e ampliação da guarda civil metropolitana para que atue como se fosse a polícia militar.

5. Emprego para o bairro - alguns candidatos em São Paulo vieram com esta ideia de levar o emprego para o bairro. Em outras palavras, criar incentivos para que empresas se instalem nos bairros, permitindo que o trabalhador more mais perto de onde trabalha. A ideia é boa e parece ser um pouco mais inovadora, mas ninguém fala como isto será feito. Isenção de impostos? Benefícios fiscais? 

No final das contas, a eleição para a Prefeitura de São Paulo ficou sem graça, sem propostas, sem debate sério. Lula tenta transformar a eleição em uma batalha para tentar conquistar um cargo para seu fantoche. Russomano desponta como a surpresa, mas já dá sinais de que não sabe debater, de que não tem plano de governo e nem propostas viáveis. Serra repete a conhecida ladainha de sempre, mas não inspira mais a confiança do passado. Chalita tem uma propaganda meiga, sensível, que talvez funcionasse para um cargo de deputado ou senador, mas não para um cargo executivo. Soninha continua fazendo a linha bicho grilo hipster, defendendo a bicicleta, com uma trilha sonora meio apocalíptica e fúnebre. E há os outros.

Infelizmente São Paulo está sendo mal tratada pelos candidatos que parecem não se preocupar com a cidade a ponto de não se debruçarem sobre seus problemas mais graves. Cabe ao eleitor decidir. 

No domingo, pense bem em que você vai votar. Mensaleiro já lhe enganou uma vez e vai tentar te enganar de novo. Não vote em mensaleiro ou em quem usurpa o dinheiro público em proveito próprio, vote em um candidato no qual você pode confiar.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Cidade Vazia

Cidade vazia, céu azul e sol. Assim amanheceu São Paulo hoje. E ontem. Mas ontem, teimoso - ou ingênuo -, tentei visitar minha irmã em São Roque, que dista 60km da Capital por uma estrada de ótima qualidade. 

Deixei para sair um pouco mais tarde, com a intenção de evitar o fluxo matinal. Depois de 1 hora e meia na estrada, aproximava-me do quilômetro 17, um pouco antes do retorno de Tamboré, em Barueri. Convenci os passageiros a retornar e desistir da malograda aventura. Em 20 minutos estava de volta à minha casa.

O trânsito de São Paulo surpreende quem é de fora, mas confesso que fiquei abismado com a quantidade de veículos na estrada. Eram 7 pistas na Rodovia Castello Branco, todas tomadas por fileiras infindáveis de veículos lotados de pessoas. A estrada parou. As outras também pararam. Voltei e deixei o churrasco para amanhã.

Curti a  cidade vazia, de céu azul e sol. E se fosse assim todos os dias?

Se fosse assim todos os dias, o paulistano morreria de tédio, perderia o ritmo frenético, não teria do que reclamar. São Paulo em feriado é quase perfeita. Mas bastam alguns dias de descanso que sentimos falta da correria e da agitação. 

Se a cidade fosse assim todos os dias, São Paulo não teria graça.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Guignard e o Oriente

Ouro Preto, 1951, do acervo do MAC USP

Alberto da Veiga Guignard (1896-1962) é um pintor brasileiro que revelou forte influência oriental em suas telas. Estes traços característicos da obra de Guignard podem ser percebidos em mostra que ocorre no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

Guignard consultou obras sobre arte oriental na Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro. Suas paisagens trazem aspectos semelhantes ao das paisagens orientais, tanto no formato das telas - alongadas e verticais -, como no estilo de suas obras. Suas pinturas estão ao lado de pinturas orientais facilitando a percepção destas semelhanças.

A mostra vai até o dia 29 de agosto de 2010, de terça a domingo, das 11 às 20 horas, no Instituto Tomie Ohtake, na Av. Brig. Faria Lima, 201.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Futebol e bola



A Copa do Mundo está prestes a começar e somos tomados de um intenso espírito patriótico e de união. Músicas, livros, exposições, propagandas. Tudo trata de Copa do Mundo. No feriado, meu filho sugeriu que fôssemos ao Museu do Futebol, localizado no Estádio do Pacaembu, em São Paulo. Não conhecia o museu, mas há tempo tinha vontade de dar um pulinho por lá.

É um museu moderno, que faz muito bem o uso das novas tecnologias. Fiquei com a impressão de que se entra numa máquina do tempo, onde as emoções que senti quando criança foram reavivadas, renascidas no momento presente. O futebol é um esporte que permite ao indivíduo sentir a mesma emoção aos 6 e aos 60 anos de idade. A Copa do Mundo, então, acentua ainda mais estas lembranças.

Os grandes locutores são lembrados narrando gols inesquecíveis. Pedro Luiz, Fiori Gigliotti, Osmar Santos. Do rádio, passa-se à imagem colorida da televisão e a Copa de 1970. Lembrei de meu avô, Heitor, que todo domingo no início de um programa esportivo, onde exibiam o quarto gol do Brasil na final contra a Itália, narrava a jogada que culminou com um passe de Pelé para Carlos Alberto marcar. Os momentos alegres e tristes da Copa de 1982. Era criança ainda e chorei copiosamente quando o Brasil perdeu da Itália por 3 a 2, na Espanha. Parecia o fim do mundo para um jovem garoto que jamais havia visto o país erguer uma taça de Copa do Mundo.

As imagens de todas as copas são um exercício de memória, onde se pode nomear os jogadores,  e contar aos mais novos como as coisas aconteceram. Nestas salas, a emoção é visível, palpável. Todos comentam em voz alta numa cumplicidade de quem viveu e sentiu emoções semelhantes.

Numa outra sala, mais adiante, a bola. Objeto perfeito, que pode ser feito de tantos materiais, e talvez por isso, o futebol seja tão popular, tão fácil de ser jogado, tão fascinante. A bola traz alegrias, mas não perdoa e castiga aqueles a maltratam. A bola tem vida própria e parece guardar sempre uma surpresa. Desde o grito entalado na garganta, até a lágrima que se derrama quando ela resolve repousar no fundo das redes do time do coração.

O Museu do Futebol capta um pouco da magia do futebol. As emoções ficam por conta do visitante.



terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Cow Parade - II


'Mi cow' Jackson, localizada na Rua Peru esquina com Rua Colômbia.



Cowaii, na Rua Oscar Freire, diante da sensacional loja das Havaianas.  
A loja vale uma visita pelo estilo despojado e alegre.


A lista completa com a localização das vacas pode ser encontrada no Cow Parade São Paulo.

OBS: As fotos foram tiradas por este blog. Não custa nada citar a fonte, caso alguém queira reproduzi-las.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

No meio do dilúvio

Foram 47 dias seguidos de chuva. Em todos estes dias, choveu em São Paulo. Não uma garoa, mas chuvas torrenciais. Superamos o dilúvio bíblico! Foi o janeiro mais chuvoso de toda a história da cidade. Ontem, a chuva deu uma trégua e a tarde terminou ensolarada e quente.


Semana passada, na quinta-feira, fui pego no meio do dilúvio. Tinha que ir ao Fórum de Santo Amaro e saí do escritório às 16 horas. Normalmente, demoraria 40 minutos para chegar. Ao sair, notei as nuvens escuras que se formavam diante de mim. Pensei em desistir, mas fui adiante. Quando entrei na Av. 23 de Maio, começou a chover. Para quem não é de São Paulo, a Av. 23 de Maio corta a cidade de norte a sul, numa versão tupiniquim de freeway.

Em poucos minutos, estava no meio de um temporal. O trânsito parou. Ouvindo o rádio, antecipei os transtornos que me aguardavam. O aeroporto de Congonhas estava fechado. Em marcha lenta, o carro andava; mas muito pouco. Depois de 20 minutos, deparei-me com um verdadeiro rio caudaloso diante do carro. Não era um pouco de água, era muita água. Daria para pegar um bote e fazer rafting pelo meio de Moema, rumo ao Rio Pinheiros.

Parei o carro e fiquei observando a água que atravessava as pistas da avenida com forte correnteza. Nunca tinha visto isto por aqui. O que mais impressionou foi a quantidade de água que caiu em muito pouco tempo. Não há projeto de engenharia ou política urbana que evitasse os transtornos. Era preciso ter paciência e se adaptar.

O paulistano aprendeu, neste verão, que as intempéries da natureza causam imprevistos e é preciso ter flexibilidade com horários e com compromissos. Como disse um amigo meu, foi um mês em que era preciso agir como índio. Olhar para o céu e se planejar para fazer tudo antes da chuva.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Cow Parade


Cowfrinho, no Shopping Cidade Jardim.

A inusitada mostra de vacas espalhadas por São Paulo já conquistou o interesse e o olhar atento do paulistano. Uma ótima forma de quebrar a rotina e a aridez da cidade grande.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

São Paulo de ontem



Palácio das Indústrias, no centro de São Paulo. Ao fundo o Edifício Banespa, com seu mirante que permite uma visão de 360 graus da metrópole que se espraiou a partir do Pátio do Colégio.




Hoje, o Palácio das Indústrias, que fica próximo ao Mercado Municipal, e que já foi sede da Prefeitura, transformou-se num grande museu interativo de ciências, no melhor estilo dos museus norte-americanos.

Arquitetura de uma época que não retorna mais e merece a visita ao prédio para contemplar o que era a metrópole nascente. Trata-se de um excelente exemplo de preservação de um marco histórico da cidade, numa região degradada e que precisa ser revitalizada.

O Espaço Catavento - nome do museu que ali se instalou - é administrado pelo Governo do Estado de São Paulo. Compõe com o Mercado Municipal um programa que alia divertimento e boa comida a poucas quadras.

Penso ser comparável ao conjunto Pinacoteca do Estado, Sala São Paulo, Estação e Parque da Luz e Museu da Língua Portuguesa, guardadas as devidas proporções.

Ambos encontram-se em regiões que estavam degradadas e após projetos de restauração, ganharam nova vida e vigor, atraindo paulistanos e visitantes. A preservação destes prédios históricos é que permite contemplar na arquitetura o passado, a realidade de uma época que não volta mais.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Ipês amarelos e cerejeiras


Dias ainda frios e cinzentos. O inverno ingressa no seu terço final e algumas dicas nos são dadas pela natureza. A primavera está próxima, os dias começam a ficar mais longos e algumas árvores já antecipam esta explosão de cores.

Mesmo com a chuva por aqui, ainda é possível observar os ipês amarelos em plena florada, tingindo de amarelo vivo as ruas desta metrópole. Basta olhar, observar naquele momento em que o trânsito para e antes de você começar a reclamar. Extraia desta cor viva a luz do sol e ilumine seu dia com vida e alegria.

Mais difícil de encontrar, mas não tão raras, as cerejeiras também estão no auge da florada branca. Há várias perto da Assembleia Legislativa, próximo ao Parque do Ibirapuera. Há duas carregadas em frente ao Hospital São Luiz, no Itaim, e por onde passo diariamente.

São Paulo é predominantemente cinza, mas há cada vez mais cor e vida nesta cidade. Observe e descubra!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Paulicéia




A garoa fina banha os edifícios de concreto armado. Verão de matizes e tons gris. O aroma sulfuroso e denso que paira sobre a megalópole exalado pelos inúmeros veículos, que como formigas se alastram pelo labirinto de asfalto. Pontes, viadutos, ruas, avenidas. Concreto. Asfalto. Do preto ao cinza, com várias nuances. Rio que lhe corta, mas não sangra, pois a vida se lhe escapou há anos. Rostos sisudos, frios, fechados são o espelho da aridez construída. Arranha-céus que sufocam o pequeno menino a caminhar numa calçada esburacada. Paulicéia inóspita? Paulicéia robotizada?


Ao completar 455 anos, a descrição parece refletir a imagem de São Paulo na mente de tantas pessoas. Pesquisa do Ibope indica que 70% dos paulistanos não mudariam de cidade. Por detrás desta imagem – e de todos os problemas -, São Paulo tem a sua beleza e um ritmo intenso e feroz. É uma cidade dinâmica, que cresce e modifica-se de forma alucinante com transformações constantes. É uma terra de oportunidade, que valoriza e premia os ousados e dedicados cidadãos. É uma terra de beleza escondida, miscigenada, cosmopolita.


A visão melancólica da terra da garoa, de uma cidade hostil, se desfaz na forma como a cidade, sempre de braços abertos, recebe seus novos habitantes vindos de todas as partes do Brasil e do mundo. Basta olhar para suas quaresmeiras que começam a florescer, na arquitetura moderna de prédios novos que convivem com construções preservadas de um passado glorioso, nos rostos variados que desfilam pela Avenida Paulista, no luxo da Rua Oscar Freire, no verde do Parque do Ibirapuera, que a verdadeira imagem de São Paulo se descortinará.


Aqui nasci e aqui cresci. Aqui vivo com o orgulho de ser paulistano, ainda que alguns digam que tenho alma carioca.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Pinacoteca: estímulos visuais

Maria Bonomi, gravura de 1971


Fundada em 1905, a Pinacoteca do Estado de São Paulo é o museu de arte mais antigo da cidade e um dos mais importantes do país. Seu acervo tem cerca de oito mil obras com ênfase na arte brasileira dos séculos XIX e XX. Apresenta 40 exposições por ano sobre as mais variadas expressões das artes visuais de artistas nacionais e internacionais e oferece atividades aos mais diferentes diferentes perfis de público.

Adentrei na Pinacoteca pela primeira vez na minha vida no dia de ontem. Sim, demorei 37 anos para descobrir um tesouro de São Paulo. É vergonhoso? Muito, mas reparei o erro em tempo. Talvez seja tão grave quanto um carioca da gema que nunca tenha ido ao Pão de Açúcar. Muitas vezes desconhecemos as jóias de nossas cidades por simples esquecimento. Ontem, feriado por aqui, não posterguei a visita. Pinacoteca e Museu da Língua Portuguesa numa tacada só, com direito a um café parte externa da Pinacoteca no Parque da Luz.

A área está completamente restaurada e inclui a Estação da Luz, a Sala São Paulo e a Pinacoteca. Um museu maravilhoso, a começar pelo prédio restaurado e que é inundado pela luz natural, realçando os pátios internos e as obras que ali se encontram. Atualmente, há uma retrospectiva de Maria Bonomi denominada Gravura Passageira, uma mostra de fotografias em preto e branco de Voltaire Fraga (Abundante Cidade - Dessemelhante Bahia), mais obras de Eliseu Visconti, Julio Landman, Cristina Iglesias e Leonardo Raimo.

Tem-se uma sensação de constante estímulo visual e mental ao percorrer as salas e corredores da Pinacoteca. Visões diferentes, artistas que usam materiais variados e expressões artísticas ímpares. A cada sala e a cada mostra, algo de surpreendente é despertado. Não é à toa que há um sem número de pessoas que visitam a Pinacoteca de fora de São Paulo. É um passeio excelente que não poderia ser adiado mais. Eu tinha que ir. E adorei.

O ingresso custa R$ 4,00 para adultos. Crianças com menos de 12 anos não pagam. A mostra de Maria Bonomi fica até o dia 7 de dezembro.

Ah, a gravura de Maria Bonomi que ilustra este post não foi tirada na Pinacoteca.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Notas curtas e observações

Algumas notas curtas sobre fatos recentes.

1. O Código de Defesa do Consumidor foi alterado para determinar que as cláusulas contratuais de contratos de adesão sejam redigidas com letra não inferior a corpo 12. Agora tamanho de letra em contrato virou lei. Para que serve isto? Para absolutamente nada. Uma análise jurídica da questão está no Informativo Legal, para quem tiver interesse.

2. As pesquisas de boca de urna erraram de novo. Em São Paulo, as pesquisas indicavam que Marta Suplicy ficaria em primeiro lugar. Amargou o segundo lugar. A briga agora vai ser feia. E divertida. Quando Marta fica acuada e irritada, revela-se arrogante e solta pérolas como o famoso "relaxa e goza".

Vamos aguardar. Continuo achando que Kassab vai ser reeleito.

3. Domingo de eleição e comprei O Globo. Encontrar o jornal nas bancas de São Paulo é bastante fácil. O Globo traz uma excelente revista semanal encartada na edição dominical e é uma boa forma de arejar a cabeça com uma leitura diferente.

Mas, voltando à política, no Rio também o Ibope errou. Indicava Eduardo Paes e Crivella no segundo turno. Deu Gabeira. Confesso que torcia pelo Gabeira. Fiquei contente com o resultado da eleição carioca.

4. Talvez poucos tenham notado, mas repararam como a cidade de São Paulo não ficou suja com a eleição? Não houve boca de urna, não haviam outdoors pela cidade, nem pichações ou propagandas em muros. Nem faixas de candidatos. Incrível, mas o Cidade Limpa funcionou até na eleição.

Cidade Limpa é um programa da prefeitura que baniu outdoors da cidade. Sim, meus caros, em São Paulo outdoor é proibido. Retiraram a poluição visual da cidade. Muitas fachadas já foram pintadas e a cidade se descortinou. Achava que a proposta era pura demagogia, mas teve grande êxito e virou referência para outras grandes metrópoles. O Cidade Limpa ganhou meu voto e acho que de muitos outros paulistanos. Fui de Kassab e vou de novo!

5. Chegou a primavera e chegaram as chuvas. Tempo com cara de outono: chuva e friozinho.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Terra da Garoa?

Acostumei-me a ouvir São Paulo ser chamada de a Terra da Garoa. Os meses de inverno eram sempre temperados com uma garoa fina, intensa e fria que começava assim que escurecia. Noites garoenta, úmidas e muito mais frias. Inspirados nesta característica do clima, surgiu o famoso Demônios da Garoa, um conjunto musical paulista que faz sucesso há mais de 65 anos. Para quem não conhece - ou é muito jovem -, basta visitar o site do grupo.

Este post não é musical, mas climático. O inverno em São Paulo, e em toda a região Sudeste do Brasil, tem sido muito seco. Seco demais. Claro que sentimos menos frio e os dias têm sido plenamente ensolarados, mas com baixíssima umidade.

O clima mudou e não sei se a culpa é só do efeito estufa e do aquecimento global. Tenho uma leve impressão de que o crescimento desordenado da cidade contribuiu para esta secura. Faltam árvores, faltam áreas verdes e há muita impermeabilização, coisas que afetam a cidade e seu clima e elevam a temperatura.
Pelo visto, as noites garoentas e frias de julho vão ficar apenas na memória de quando era garoto. Os nevoeiros espessos desta época também se vão. Resta-nos acostumar com o novo clima, beber muita água e torcer para chover logo.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Olhar no Feriado

Manchete do dia. Feriado em São Paulo. Pausa matinal para um café no Café Suplicy, no Itaim. Estas poltronas do Café Suplicy são deliciosas para relaxar e ler. Como faltavam fotos neste blog, trago algumas. Todas tiradas da poltrona e lançam um olhar sobre o feriado.




Céu azul e clima ameno. Um dia de inverno ideal!




Posted by Picasa


quarta-feira, 23 de abril de 2008

Salve Jorge



"Devotos no mundo inteiro comemoram no dia 23 de abril, o Dia de São Jorge, o santo padroeiro da Inglaterra, de Portugal, da Catalunha, dos soldados, dos escoteiros, e celebrado em canções populares de Caetano Veloso, Jorge Ben Jor e Fernanda Abreu. No oriente, São Jorge é venerado desde o século IV e recebeu o honroso título de "Grande Mártir"." (do site Paróquia São Jorge Mártir)


Não sou devoto de São Jorge, mas como hoje é feriado no Rio de Janeiro e recentemente um amigo disse que sou "um paulista com alma de carioca" - sabe-se lá o que isto quer dizer -, resolvi "pegar o gancho" e falar um pouco sobre esta data e sobre diferenças.


Recebi o comentário feito pelo meu amigo como um elogio, ainda que fosse uma provocação e que ainda exista uma certa rixa entre paulistas e cariocas. Sou um fã do Rio de Janeiro, de tudo que a cidade tem de bom, das pessoas, do clima, da paisagem maravilhosa. Gostaria muito de mudar-me para o Rio quando diminuir o ritmo de trabalho - ou quando abrirmos uma filial do escritório no Rio. Sou tachado de louco por muitos paulistas, mas não dou a mínima bola. Acho que existe sim muito preconceito. E isto inclui as críticas ouvidas ao feriado de hoje no Rio.


Todo lugar, não importa onde, tem seus pontos positivos e negativos. São Paulo tem um custo de vida alto, trânsito, poluição, mas tem um comércio vasto, excelentes restaurantes, uma vida cultural muito diversificada. O Rio tem lindas praias, um povo aberto e descontraído, excelentes restaurantes e vida cultural fértil, mas também tem problemas de violência, custo de vida alto, epidemia de dengue.


Cada lugar - como cada pessoa - tem suas virtudes e defeitos. Prefiro olhar as virtudes. Faço isto com qualquer lugar que visito a trabalho ou a passeio. Tempos atrás ia muito a Curitiba e aprendi a descobrir os seus encantos, apesar de ser uma cidade de clima frio, com um povo fechado.


Talvez, se pensar bem, só tenha conseguido descobrir - e entender - o Rio graças a uma carioca paciente e compreensiva, que soube desvendar a este paulista um pouco do Rio. Para quem confundia Leblon com Leme - cariocas podem rir da minha ignorância -, agora já estou ficando craque. Até os nomes das ruas eu sei!!


Acho que um paulista com alma carioca é um paulista que aprendeu a rir mais, a trocar um pouco da sisudez da cidade grande, a ser mais despojado, a sorrir para a vida e para os dias de sol, a cantar no carro para esquecer do trânsito, a ser mais ixperto e relaxado mermão!


* * * *
Agradeço aos cariocas que visitam este blog, e vocês são um número significativo de visitantes.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Notas cotidianas

Passadas as férias escolares, o carnaval, São Paulo volta a ser a cidade complicada. Tudo volta ao normal. Meus filhos já começaram as aulas e o rodízio de veículos impõe que chegue ao escritório às 7 da manhã e só saia depois das 20 horas.

Acordei no escuro e vim trabalhar com o farol do carro aceso, vendo o dia amanhecer. Não deixa de ser um belo espetáculo, uma compensação por começar a semana madrugando.

Quanto ao rodízio, acho que está na hora de repensar este sistema. Em São Paulo, devido ao excesso de carros na rua - e na falta de transporte público confiável -, a cada dia da semana o final da placa do carro fica impedido trafegar entre 7 e 10 da manhã e das 17 às 20 horas. Na 2a. feira, são os carros com final de placa 1 e 2, na 3a. feira, os finais de placa 3 e 4, e assim sucessivamente.

No começo de janeiro, atingiu-se a marca de 6 milhões de carros emplacados em São Paulo. Além destes veículos, há uma enormidade de carros que circulam em São Paulo com placas de outras cidades, visando principalmente pagar o IPVA mais baixo. São carros com placa de Curitiba, em sua maioria, já que o IPVA no Paraná é muito mais baixo. Este mundaréu de carros circula e atravanca o trânsito.

O rodízio foi criado como um paliativo temporário. Neste país, isto pode ser traduzido como a única solução que nossos governantes conseguiram engendrar. Nunca é temporário. E passados 10 anos ou mais de rodízio, não há uma alternativa, não há uma nova proposta em discussão, enfim, não se caminhou neste assunto.

Só se fala em ampliar o rodízio, em ampliar área de restrição ou em criar pedágios urbanos. Solução ou alternativa que é bom, nada!