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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Observando fotos

Parei no final de um dia corrido, de uma semana que começou cedo e termina tarde. Sem trilha sonora, degustando o silêncio exterior e mergulhando numa conversa interior.

Parei para ver fotos. Fotos que já olhei outras vezes, mas que sempre volto a olhar. Sempre há algo novo a observar, a descobrir. Fotos que fazem viajar e me transportam a lugares distantes no espaço e no tempo. Fotos que trazem consigo sorrisos e alegrias. Fotos que são preservadas na memória, ainda que não as tenha diante do meus olhos.

As fotos guardam uma semelhança muito grande com obras de arte. Podem ser vistas e revistas. Nunca cansam. Para um olhar atento e preciso, há novas descobertas, nuances a reparar, luz que incide de um jeito nunca antes notado. Cenários que trazem memórias e lembranças de conversas e fatos narrados.

Percebo-me falando em voz alta, quase conversando com a imagem estampada na tela do computador, palavras que são lançadas ao vento para percorrer um caminho imprevisível. Talvez cheguem aos ouvidos de alguém. Talvez se percam nesta sala. Talvez sejam pacientemente compreendidas pelas paredes que me cercam.

Ditas em voz alta, parecem amenizar a solidão. Uma solidão que não é solidão. Uma distância que não é distância, pois é vencida pelo pensamento inundado de coisas boas. Momentos que recarregam energias. Sorrisos que são divididos, ainda que de forma solitária, mas que alguém há de perceber.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Terra da Garoa?

Acostumei-me a ouvir São Paulo ser chamada de a Terra da Garoa. Os meses de inverno eram sempre temperados com uma garoa fina, intensa e fria que começava assim que escurecia. Noites garoenta, úmidas e muito mais frias. Inspirados nesta característica do clima, surgiu o famoso Demônios da Garoa, um conjunto musical paulista que faz sucesso há mais de 65 anos. Para quem não conhece - ou é muito jovem -, basta visitar o site do grupo.

Este post não é musical, mas climático. O inverno em São Paulo, e em toda a região Sudeste do Brasil, tem sido muito seco. Seco demais. Claro que sentimos menos frio e os dias têm sido plenamente ensolarados, mas com baixíssima umidade.

O clima mudou e não sei se a culpa é só do efeito estufa e do aquecimento global. Tenho uma leve impressão de que o crescimento desordenado da cidade contribuiu para esta secura. Faltam árvores, faltam áreas verdes e há muita impermeabilização, coisas que afetam a cidade e seu clima e elevam a temperatura.
Pelo visto, as noites garoentas e frias de julho vão ficar apenas na memória de quando era garoto. Os nevoeiros espessos desta época também se vão. Resta-nos acostumar com o novo clima, beber muita água e torcer para chover logo.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Tal Pai, Tal Filha

Foto da Arquibancada Social de Cidade Jardim


Desde que conheço por gente, freqüento corridas de cavalo. Fui levado pelo meu pai, que por sua vez foi levado pelo seu pai. Sou a terceira geração de turfistas, espécie em extinção. Raro encontrar alguém, no Brasil, que goste de corridas de cavalo com menos de 50 anos.

Faço parte, portanto, desta espécie rara. Continuo freqüentando o Jockey Clube de São Paulo, principalmente nas tardes ensolaradas de finais de semana e levo meus filhos sempre junto comigo. Paixão por cavalo é algo que passa de pai para filho. E, claro, gostaria muito que meus filhos compartilhassem disto.

Domingo passado foi realizado o Grande Prêmio São Paulo, que é a corrida mais importante do turfe paulista. Este ano houve transmissão ao vivo pela Globo. As fotos que ilustram este post são do Hipódromo de Cidade Jardim, em São Paulo.

Minha filha, que agora já sabe ler, ficou toda interessada no programa e o que queria dizer aquelas informações. Como meu pai fez comigo, fiz com ela. Expliquei item a item, o nome do jóquei, a filiação do cavalo, o criador, o treinador, o peso e mais algumas coisas. Pedi que ela escolhesse um cavalo, que desse um palpite sobre quem iria ganhar o GP São Paulo. Ela, toda compenetrada, estudou o programa e disse:

- Gostei do número 4, pai.

Pois bem, joguei no cavalo que ela tinha escolhido e dei a poule a ela. Meu palpite era outro, bem diferente da escolha dela.

O páreo foi corrido e o ganhador foi...exatamente, o número 4, Jeune-Truc! Ela acertou em cheio! Em poucos segundos fiz uma viagem no tempo e voltei a 1977. Foi a primeira que ouvi um Grande Prêmio São Paulo pelo rádio. Foi a primeira vez que escolhi um cavalo no São Paulo. Meu palpite era diferente do meu pai. Meu palpite era Donética, a única égua do páreo e uma das melhores éguas que já correu no Brasil. Eu, com meus 6 anos de idade – idade igual à da minha filha -, acertei o páreo.

A história se repetiu de forma singela. E o pai ficou todo contente. Coincidências da vida sempre fascinante.