Na São Paulo invernal, cidade de amplitudes térmicas, onde o dia começa quente e termina frio, onde frentes frias parecem ser escassas neste ano e o inverno seco brinca com nossa saúde respiratória, o roxo cede lugar no palco ao amarelo.
Sampa é uma cidade mais florida do que se imagina e o inverno é o palco dos ipês. Primeiro, os roxos. Lembram-nos de que já passamos pela metade da estação mais fria. Em seguida, surgem os amarelos, vivos, quentes, alegres, cheios de alegria, o prenúncio da primavera que se aproxima. Contrastam com o céu de azul profundo do inverno. Não é o céu do cerrado, mas é um céu que nos cativa nestes dias com pouca chuva. Amarelo e azul, uma variação das cores de nossa bandeira. Mas no meio do verde de árvores que não se despiram no inverno, o amarelo tinge a paisagem quando são contemplados do alto de prédios, seres dos mais habituais da metrópole.
A cidade não é mais tão cinza. A cidade se vestiu de flores. Há manacás e quaresmeiras no início do ano, mas agora o palco é dos ipês. Depois, para fechar o espetáculo anual, entrarão em cena os flamboyants. Basta reparar. Basta caminhar pela cidade e olhar e contemplar e tirar os olhos do celular.
O sol ainda ia alto na tarde que avançava com algumas nuvens
amendrontadoras a surgir lá pelo lado da zona norte, quando saí de casa rumo a
um ponto de encontro num bairro da zona sul paulistana. Um grupo de pouco mais
de trinta pessoas abraçaria a aventura de desfilar numa escola de samba, o
Grêmio Recreativo Cultural Social Escola de Samba Unidos do Peruche. Eis o
nome pomposo e completo de uma agremiação sambística. No nosso grupo,um holandês, um suíço e paulistanos de
origem e rostos variados, a maioria sambistas de primeiro desfile.
Seria meu primeiro desfile numa escola de samba, pela primeira vez a entrar no sambódromo do Anhembi, na passarela do samba.
Memorizei o samba-enredo, li sobre o enredo, mas não fui a nenhum ensaio e nem
pus os pés na quadra da escola na zona norte. Aceitei o convite, mas avisei que
estava com uma agenda complicada para participar de ensaios. Comprometi-me a
fazer a tarefa mínima: pagar pela fantasia, decorar o samba-enredo e estar em
condições físicas de ajudar a escola. Tinha a doce ilusão de que seria mais um
daqueles itens a marcar na longa lista de “1000 coisas a fazer antes de
morrer”. Tudo bem, não é a Marquês de Sapucaí, mas é o GRCSES Unidos do
Peruche, um integrante do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo. Convenci-me
de que o desfile contaria como válido para a lista.
No ponto de encontro, o salão de festas havia se
transformado num camarim de teatro, nos bastidores de uma companhia mambembe em
preparação para o espetáculo. O samba-enredo tocava nos alto-falantes oriundo
de um telefone celular. A modernidade auxiliando na preparação. O clima
descontraído, divertido, alguns cantando, outros ensaiando e repassando a
coreografia de uma das alas. Neste momento, dei-me conta da grandeza da tarefa
de organizar um desfile e aquela sensação só iria se aprofundar ao longo da
noite que viria. As fantasias, ainda que de material simples, eram bem acabadas
e elaboradas com dedicação e amor por todo um enorme grupo de pessoas apaixonadas
pela Peruche.
A palavra “Comunidade”, que me lembro de ter ouvido pela
primeira vez numa daquelas aulas de Estudos Sociais lá no 2o. ano do
ensino fundamental, ganhava vida e vigor, uma nova perspectiva. Em qualquer
desfile de escola de samba, talvez comunidade seja o vocábulo mais falado por
todos os envolvidos, comentaristas, puxadores de samba, letras de samba,
diretores de escola. Há uma sobreposição entre a comunidade e a escola, quase
uma confusão de ambas. A escola é a manifestação física da comunidade, uma
forma de demonstração do que a comunidade é capaz de fazer, ainda que os
recursos sejam escassos e as dificuldades imensas. Descobriria, mais tarde, que
ao vestir a fantasia da ala “Boemia”, por alguns momentos, passaria a integrar
o exército da comunidade, ainda que na qualidade de soldado mercenário.
Um ônibus partiu às 17:30 rumo à quadra da Peruche. Os
neocarnavalescos entoavam o samba com animação, o que mais parecia um ônibus de
torcida organizada ou talvez um grupo de jovens escolares em uma excursão. Numa
São Paulo sem trânsito, o ônibus foi limitado apenas pelo absurdo limite de
velocidade imposto pelo prefeito Fernando Haddad, que – esperamos – inicia seu
último ano de mandato.
A parada na quadra era necessária para que nos juntássemos
ao comboio de ônibus credenciados com acesso direto ao Anhembi e para que as
últimas fantasias fossem ajustadas. Um temporal desabou enquanto esperávamos a
partida rumo ao destino final. A espera foi um pouco cansativa e suficiente
para reduzir os níveis de adrenalina e amenizar a empolgação do grupo. O clima,
porém, permanecia em ebulição. Com a parada da chuva e a temperatura mais
amena, era hora de partir para o sambódromo. Passava das 21 horas e o início do
desfile estava previsto para as 22:30.
No Anhembi, a chegada foi tranquila e agora era necessário
localizar o chefe de ala para pegar o costeiro que complementava a fantasia e
alinhar na ordem correta de entrada na avenida. A organização novamente me
surpreendeu. Os chefes de ala uniformizados com a camisa da agremiação, calça
branca e sapatos brancos eram fáceis de localizar. O costeiro era maior do que
imaginava. O peso não incomodava, mas era grandioso e ampliava o espaço lateral
do corpo não permitindo passar por espaços pequenos sem esbarrar em pessoas. Na
área que antecedia a concentração, grupos de iguais se formavam, fantasias de
cores variadas e em cada setor uma cor predominava. A ala Boemia trazia chapéus
azuis, uma camisa listrada de azul e branco na horizontal, calça branca e um costeiro
preto que lembrava uma clave de sol e penas azuis na parte superior. Diante de
nós, uma ala toda vermelha e atrás uma ala onde o verde claro era a cor
predominante.
Aos poucos, a ala ganhou corpo com todos os integrantes
prontos. Diretores de ala checavam as fantasias, ajustavam costeiros, davam
instruções preliminares. Então, começamos a andar em direção à concentração. Um
diretor passa por entre as alas, vestido de terno azul, falando com voz forte e
dando a palavra de ordem: “Superação! Superação Peruche! A palavra é superação
comunidade!”. Alguém grita o nome da escola e a massa repete em coro, uma
torcida animada, um time pronto para entrar em campo.
A caminhada cessa na área da concentração, onde é possível
contemplar a grandiosidade dos carros alegóricos, muito mais belos ao vivo do
que retratados na televisão. Os puxadores de samba ainda não iniciaram o
esquenta. Um telão mostra que ainda é horário de BBB. Um chefe de ala informa
que serão fileiras de 8 pessoas e que é preciso ficar alinhado. Ele cumprimenta
um a um, cada integrante da ala, pedindo garra, vontade, que todos cantem o
samba, que todos sorriam. Alinhamos como um batalhão de exército, uma tropa
pronta para a batalha.Senti-me um
soldado, já vestido de armadura e pronto para lançar-me no campo de batalha, de
peito aberto, como aqueles escoses liderados por Mel Gibson em Bravehart
(Coração Valente). O sentimento era de pertencimento, ali, naquela hora, você
faz parte da comunidade, você é uma peça daquela engrenagem que se chama escola
de samba.
O presidente faz um breve discurso, chamando todos para o
desfile, convocando seu séquito para dar o melhor de cada um, para lutar na
avenida pelo pavilhão da escola. Segue-se o puxador oficial da escola a
conclamar todos com o esquenta, a cantar sambas de outros carnavais. Um arrepio
percorre toda a espinha. A emoção toma conta e contagia toda a escola que
começa a cantar o samba enredo de 2016.
Firma o pandeiro e o tan-tan
Tem samba até de amanhã
E a nação perucheana faz a festa
O meu batuque ecoou
Um lindo canto de amor
A filial chegou
O refrão é repetido e será repetido por dezenas de vezes até
o final do desfile. Não sei quantas vezes cantei o samba, mas dois dias depois
do desfile, acordo com o samba na cabeça, a ecoar mentalmente no aparente silêncio
da pauliceia em dias de carnaval. A bateria e sua batida, o ritmo contagiam de
forma única e inebriante. Não há cansaço, ou calor, ou fome que impeçam a
entrada no palco com energia total. Uma imensa alegria inunda o corpo e o
espetáculo começa. Desta vez, você é o artista, você é o espetáculo, ou parte
do grande espetáculo, mas cuja performance é essencial para o todo, para o
triunfo da comunidade.
O tempo na passarela é curto. Pouco mais de vinte minutos e
acaba. A missão foi cumprida. O cansaço só é sentido depois da dispersão. Só na
dispersão você olha para trás e vê um enorme carro alegórico que lhe seguiu por
toda a avenida, mas não se olha para trás durante o desfile. Observo por alguns
instantes a parte do desfile que não vi, as alas que estavam na parte final da
escola, com um sentimento de realização, de alegria e de poder ter contribuído
um pouco com a escola e a comunidade.
No ano que vem voltarei. Agora é aguardar a apuração e torcer. Quem sabe não voltamos
no desfile das campeãs?
O
ditado popular associa a velhice à sabedoria dos anos vividos, dos fatos
presenciados, das músicas ouvidas, das transformações sentidas. O bom e lúcido
idoso é um poço de bons conselhos, simples considerações sobre a longa estrada
da vida percorrida.
Quando
criança, passava horas ouvindo minha tia avó contar sobre a infância, sobre uma
São Paulo querida e romântica, imaginada em branco e preto, em tempos de bondes
puxados por mulas, por ruas de terra e depois de paralelepípedos, com meninas
com fitas no cabelo, vestidos rodados, sapatinhos de verniz. Uma cidade
provinciana, quase bucólica em alguns bairros, onde não existia telefone,
televisão, congestionamento, poluição, ruído em excesso, mas que teimava em se
movimentar, em crescer, em autoproclamar-se a locomotiva do Brasil. Non ducor,
duco, reza o lema no brasão da velha freguesia erguida nos campos de
Piratininga.
Ela
não tinha medo da morte. Dizia, com serenidade, que esperava apenas a hora que
fosse chamada para descansar. A vida tinha outra ritmo e não me lembro com que
idade ela faleceu, apenas me lembro que chorei ao receber a notícia.
A
sabedoria, por vezes, é afogada pela teimosia, por hábitos arraigados e que são
difíceis de quebrar e de mudar. Reparei nestes dias que idosos insistem em
atravessar a rua fora da faixa de pedestres. Uma senhora quase foi atropelada
ao cruzar no meio dos carros na Brigadeiro Luis Antônio e ainda se arriscar
quando o semáforo abriu no contra fluxo. Outro, ao invés de caminhar alguns
passos, corta a rua em diagonal, sem olhar e força uma freada brusca.
Estariam
estes idosos tomados de um empoderamento tão forte que os faz se sentir imbatíveis,
inquebráveis, indestrutíveis? Será que acham que a legislação que os protege
também obriga motoristas de veículos a dar preferência a todos os idosos em
qualquer lugar da via pública? Ou será que estão cansados e querem apenas pegar
um atalho?
Preste
atenção quando trafegar pelas ruas de São Paulo e veja se estou exagerando. Com
a velocidade máxima reduzida, fica mais fácil notar estas atitudes que
geralmente passam despercebidas.
Tomar
atalhos novos e deixar caminhos velhos, diz um outro ditado popular. Talvez
seja um bom momento para os idosos abandonarem os atalhos velhos no meio das
ruas e adotarem um caminho novo pela faixa de pedestre.
Dois líderes do Movimento Passe Livre estiveram no Programa Roda Viva, da TV Cultura, no dia 17 de junho de 2013 (um trecho do programa segue abaixo).
Este movimento seria o começo, o ponto de partida das manifestações que tomaram as ruas do país. Mas será que o Passe Livre é realmente um movimento amplo ou com um propósito restrito?
Um dos líderes do Movimento, Lucas Monteiro de Oliveira, afirma que o objetivo do movimento é a redução da tarifa de ônibus em São Paulo para R$ 3,00 e que a tarifa de ônibus deveria ser zero.
O site do MPL explana que o MPL "é um movimento social brasileiro que luta por um transporte público de verdade, fora da iniciativa privada. Uma das principais bandeiras do movimento é a migração do sistema de transporte privado para um sistema público, garantindo o acesso universal através do passe livre para todas as camadas da população." (fonte: MPL)
Há links para diversas seções, separadas por cidades. Na seção específica de São Paulo o conteúdo é melhor (veja aqui).
Em certo trecho do programa, Nina Cappello, líder do MPL, sustenta que o governo deveria deixar de gastar com a construção de presídios e direcionar os recursos para o transporte público.
A proposta do MPL é que o transporte público seja gratuito, não importando que outras áreas sejam afetadas ou tenham menos recursos disponíveis. Se a educação, a segurança e a saúde forem prejudicadas ou sofrerem redução de verbas, isto não é um tema que preocupa o MPL.
É possível que os ônibus sejam gratuitos? Claro que sim, mas para isto há um custo que deverá ser bancado por alguém e este alguém é você, meu caro leitor. O dinheiro virá dos tributos arrecadados pelos entes do Estado (União, Estados e Municípios). Reportagem da Folha de São Paulo demonstra que o IPTU teria que ser dobrado para bancar a catraca livre (leia aqui).
Há no Brasil apenas 2 cidades com trasnporte público gratuito: Agudos (SP) e Porto Real (RJ). E como elas conseguiram isto? Estas duas cidades têm um volume de repasse de ICMS decorrente de fábricas instaladas no município que garantem uma receita orçamentária muito maior do que os gastos da cidade. A matemática é simples. São municípios menores, com menos estruturas e menos serviços, e por isto, conseguem oferecer transporte público gratuito.
Interessante que os líderes insistem em afirmar que o movimento não tem lideranças, que são todos iguais, que a "estrutura é horizontal". Tentar dar o caráter espontâneo ao movimento, despido de uma figura única na liderança, é característica conhecida de movimentos anarquistas e semelhantes movimentos como o Occupy Wall Street. Todos estes movimentos e seus militantes cansaram, os protestos exauriram-se, pois não há causa a justificar a mobilização. O anarquismo não prospera no Estado Democrático de Direito.
Bem, neste caso há uma causa: a redução da passagem de ônibus. E se o MPL conseguir a redução, então o que virá? Nada. O movimento se exaure até o próximo aumento. A causa não tem visão de longo de prazo, não propõe alternativas, medidas, não utiliza dos caminhos legítimos para propagar suas ideias e defender seus interesses. Eis a grande fraqueza do MPL, que é um movimento legítimo: o MPL não sabe usar os meios previstos institucionalmente para buscar as mudanças que propala.
O MPL tem como objetivo alcançar algo que é totalmente discrepante da realidade e parte de premissas equivocadas, mas isto será objeto de outro post, onde traremos nossa opinião sobre este movimento.
As manifestações que se sucederam extrapolam a causa do MPL que está abismado com a mobilização geral de tantos brasileiros indignados. Mas, volto à pergunta, indignados com o quê? Dizer-se indignado com tudo é o mesmo que não se indignar com nada, ou seja, quem se propõe a mudar tudo, não muda nada. O povo pode estar na rua, mas é preciso saber por qual razão!
Este é o primeiro post de algumas reflexões sobre o que está ocorrendo no momento atual do Brasil.
459 anos de história, de vida, de amor, de tristeza, de conquista, de luta, de intensidade! Uma cidade por vezes odiada, por vezes maltratada, por vezes abandonada, mas cuja beleza disfarçada está pronta para ser descoberta por um olhar atento e carinhoso, um olhar de retribuição por tudo que Sampa nos dá.
O pavilhão paulista e suas listas ao vento, ondulada bandeira que se cristalizou num edifício de concreto no centro de São Paulo. O Copan foi projetado por Oscar Niemeyer. Edifício imponente na Av. Ipiranga, perto da Igreja Nossa Senhora da Consolação e da Praça Roosevelt, facilmente notado e pouco admirado. Muitos por ele passam; poucos o compreendem.
Nele habitam mais de 2000 pessoas distribuídas em 1.160 apartamentos. O Copan é um mundo, um microcosmo da cidade grande e de seus dilemas. O Copan é um pouco da obra inovadora de Niemeyer, que nesta semana descansou aos 104 anos.
O relógio de rua marcava 33 horas e trinta e três minutos. Claramente defeituoso, algo costumeiro na cidade de São Paulo. Para muitos um simples erro, um defeito, um descuido da manutenção do mobiliário urbano; para mim, um convite a imaginar, inspiração urbana para uma realidade imaginária, uma provocação criativa.
Entro no elevador do prédio do escritório e fico a ler o monitor com notícias e propagandas. Agora até o curto trajeto de elevador está ocupado pela propaganda e pela informação. Deparo-me com algo no mínimo curioso: Guia para uso consciente do plano de saúde. Sim, meu caro leitor, a Sulamérica lançou um manual para o segurado não abusar do seguro. Não acredita, leia aqui. Fiquei imaginando o que há por detrás desta campanha. Claro que deve haver uma série de informações técnicas úteis, mas também deve ter aqueles anúncios sobre atrasos nos pagamentos, multas e juros, desligamento do plano, coberturas apenas as previstas em lei, prazos para atendimento etc.
Mas quando se fala em uso consciente, fiquei pensando numa campanha do tipo: "não fique doente, não use abuse do seu plano" ou "não faça exames desnecessários, você pode tirar a vez de quem realmente precisa do exame." Há uma seção no site sobre o uso consciente que trata de fraude contra seguro e lavagem de dinheiro.
Agora pergunto-me: por que não uma seção sobre a concessão consciente de tratamentos e coberturas pelo plano de saúde? Por que não incluir uma seção sobre a conduta de boa-fé dos planos de saúde? Ou ainda, por que o plano não dá o exemplo e aceita a cobertura primeiro, para cobrar e discutir depois?
Em matéria de plano de saúde, a regra é negar a cobertura do tratamento para o segurado. A grande maioria não discute e simplesmente arca com o custo. Aqueles que recorrem ao judiciário conseguem a cobertura, mas dificilmente obtêm a indenização devida. No Estado de São Paulo, o Tribunal de Justiça não tem condenado os planos de saúde por danos morais ao negar coberturas previstas contratualmente. O resultado é o enriquecimento ilícito dos planos de saúde. Eles negam a cobertura e só cobre o tratamento se houver ordem judicial, mas mesmo assim, não tem que indenizar o segurado por todos os tormentos causados. A atual conduta do judiciário incentiva os absurdos cometidos pelos planos de saúde. Este guia do uso consciente é um exemplo claro da postura dos planos de saúde.
A praga do politicamente correto tenta ludibriar o segurado com uma linguagem escorregadia e enganosa.
Basta ver outro exemplo: a campanha do Itaú com o slogan "vamos jogar bola". A campanha não fala em vamos trabalhar, vamos ler um livro, vamos estudar, vamos arregaçar as mangas. Não! A campanha sugere que deixemos tudo de lado e vamos jogar bola, tomar uma cervejinha, deixar os problemas para amanhã. Suor, só no campo; suor do trabalho não vale a pena.
O mesmo se aplica às sacolinhas plásticas que se tornaram as únicas vilãs da poluição no mundo. O plástico é o culpado pelo aquecimento global (que já está sendo revisto), pelas enchentes, pela saturação dos aterros etc. Economizam os supermercados que habilmente conseguiram enganar o consumidor com o argumento da sustentabilidade. Deixam de gastar com embalagens plásticas sob o argumento de que estão protegendo o planeta. Por outro lado passam a vender mais sacos plásticos para lixo e sacolas de pano.
Uma pergunta: por que os supermercados podem vender sacos plásticos para lixo e não podem distribuir sacolinhas nos caixas? Qual das duas não polui? E os preços nos supermercados, vão baixar? E o Procon? E o MP? Calaram-se todos. E aí de quem critica o fim das sacolinhas plásticas. Pois bem, eu sou contra o fim das sacolinhas plásticas e deixo isto muito claro toda vez que vou ao supermercado.
Outro dia, uma operadora de caixa constrangida com meu discurso foi surpreendida com a pergunta: "Aumentaram seu salário com o dinheiro que economizam com as sacolinhas?" Acho que ela nunca tinha pensado nisso, mas a senhora que estava atrás de mim já tinha percebido a malandragem dos donos dos supermercados.
É preciso preservar o planeta, mas não aceito que me façam de otário!
São Paulo é um mar de luzes que se descortina na noite plácida e fria da primavera. Pequenos pontos luminosos a reproduzir a galáxia de forma invertida. Não olho para cima, mas para baixo é que a cidade iluminada relembra uma noite estrelada no interior, daquelas noites em que não lua a ofuscar o brilho das estrelas.
A cidade é bela e o mar de luzes estende-se até o olhar alcança. O céu é meu ponto de vista da janela do avião rumo a Congonhas. O espigão da Paulista com suas torres coloridas; as avenidas com carros alinhados e algumas tingidas de vermelho. Luzes que formam uma colcha de retalhos que acompanham as curvas suaves do morro que sobe até a paulista e desce rumo ao Centro.
Aos poucos, o emaranhado de luzes perde sua fantasia e a imagem distorcida entra no foco. Surgem edifícios perfeitamente identificáveis e o devaneio de final de viagem se esvai, trazendo-me de volta à realidade com o solavanco dos pneus da aeronave e o barulho intenso dos motores. Estou de volta à minha cidade.
NOTA: Infelizmente estava sem uma máquina fotográfica para captar a imagem, mas a luminosidade da cidade ontem me pareceu diferente e cativante. Estava bela a minha São Paulo.
O que faz um sujeito colar um adesivo da campanha de Barack Obama para a presidência dos EUA em 2008 no carro emplacado no Paraguai? Coincidência a placa do veículo trazer as letras CAN? Yes, we can!
A foto não foi tirada em Assunção, mas em São Paulo. Cenas curiosas da metrópole paulistana.
Complementando o post abaixo, duas situações presenciadas por mim nesta semana.
Segunda-feira, pouco depois das 6 e meia da manhã, Av. Eng. Oscar Americano. Trecho em declive, perigoso e sinuoso, sem faixa de pedestre e sem semáforo. Uma mulher tenta atravessar a via e é atropelada por um carro que conseguiu evitar um acidente fatal.
Terça-feira, 20:30 horas, Rua Pamplona. Trecho com faixa de pedestre, porém sem semáforo. Um homem falando ao celular atravessa a via sobre a faixa sem olhar para os lados, sem dar a mínima atenção ao fluxo de veículos. Os carros param e o pedestre cruza a via.
Dois casos típicos de negligência do pedestre. No caso do atropelamento, provavelmente a culpa foi da vítima. No segundo caso, a culpa também seria da vítima, mas os motoristas estvam mais atentos.
A Prefeitura de São Paulo, capitaneada por Gilberto Kassab, decidiu que certos hábitos precisam ser impostos aos cidadãos da cidade e cabe à municipalidade educar de forma coercitiva uma parte dos cidadãos. Digo uma parte, porque todas as culpas sobre os males da cidade parecem recair sobre os motoristas de carros.
Tudo bem, confesso que sou um ponto fora da curva. Não buzino, dou passagem a carros, motos e pedestres, dou sinal ao mudar de faixa e procuro não me estressar durante o trânsito. Tento ser consciente e minha última multa foi por ter me atrasado 5 minutos após o início do rodízio e fui flagrado por uma câmera que fica a 100 metros do escritório e que não concede tolerância. Meu rodízio, por sinal, é de segunda-feira e chego ao escritório antes das 7 da manhã. Mas as máquinas não aceitam tolerância e o prefeito também não.
Primeiro, Kassab determinou à CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) que reduzisse a velocidade máxima nos principais corredores de avenidas em 10 km/h. Segundo o prefeito, a redução da velocidade reduziria o número de acidentes. Mas aparentemente apenas os carros reduziram a velocidade, as motos não e motociclistas continuam a morrer em quedas cinematográficas que são proporcionais à falta de bom senso que os guia. Os carros passaram então a ser multados, pois muitos não estavam acostumados com o novo limite de velocidade.
Agora vem a estória do pedestre e da faixa de segurança. A campanha foi tão agressiva que motoristas estão começando a ter pânico de faixa de segurança e de pedestre. Segundo a campanha da prefeitura, o pedestre deve ter preferência sempre. E se ele atravessar fora da faixa? A preferência é do pedestre. E se ele não respeitar a sinalização? A preferência é do pedestre. E se o pedestre atravessar com o sinal fechado? O motorista que se vire para dar preferência ao pedestre.
Não estou propondo uma caça aos pedestres, mas que haja equilíbrio e exigência de que o pedestre também respeite o motorista. Um pedestre que atravessa fora da faixa e surge do meio dos carros é um risco para o pedestre e para os motoristas. Se houver um acidente, a culpa será do pedestre. E este é o ponto: dos atropelamentos em São Paulo, quantos ocorreram por culpa de pedestres e quantos por culpa de motoristas - e é preciso separar o tipo de motorista (carro, ônibus, moto e caminhão)?
Uma simples medida de proteção ao pedestre seria ajustar o tempo dos semáforos para permitir o cruzamento da via com mais calma. Outra medida seria garantira a manutenção dos semáforos para pedestres, como o da foto que ilustra este post.
Sinto que o motorista que paga impostos e circula conforme as leis de trânsito, que faz inspeção veicular - São Paulo é única cidade que impõe mais este imposto disfarçado - é cada vez mais destituído de seu direito de circular pela rua. É preciso dar espaço a faixas exclusivas de ônibus e de motos, ter cuidado com os ciclistas e desviar de pedestres.
A boa e velha lição das aulas de estudos sociais no primário sobre cidadania e a importância da faixa de pedestre parecem ter sido olvidadas por adultos que sentem-se tomados do um novo poder outorgado pelo prefeito. Bom senso e uma boa campanha educacional - para motoristas e pedestres - seriam suficientes para iniciar o processo de mudança. Mudança de hábito não se faz com decreto, prefeito!
"Se você está parado e não tem inspiração é porque estão lhe faltando dados. A criatividade é a arte de relacionar. Na vida aprendi outra coisa: a criatividade vem quando se corta um zero do orçamento, a sustentabilidade vem quando se cortam dois zeros e a solidariedade aparece quando você assume sua identidade respeitando a diversidade dos outros."
Jaime Lerner na seção À Mesa com o Valor, edição de 30,31 de julho e 1 de agosto de 2010.
A necessidade pode ser a mãe da criatividade e do empreendedorismo. Quantas empresas não nasceram da necessidade? E quantas boas medidas sustentáveis não nasceram desta aliança entre criatividade e necessidade?