terça-feira, 20 de novembro de 2007

Politicamente correto


262 municípios param hoje no Brasil para celebrar o Dia da Consciência Negra. Mais um feriado. Um feriado para celebrar a morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. Zumbi lutou pelo fim da escravidão e pela liberdade dos povos trazidos da África para trabalharem nos engenhos e nas fazendas brasileiras. A expressão povos não é um erro de digitação. A África não é composta de um único povo, mas de várias tribos, com culturas diferentes, estilos de vida diferentes, e no mais das vezes, odeiam-se mutuamente. Enfim, são diferentes.


Escrevi no post anterior sobre a massificação do comportamento e como a sociedade uniformiza, extraindo a identidade individual e como "ser diferente" tem algo de especial no mundo moderno. Antes que critiquem, não estou defendendo a desilguadade, mas sim a valorização das diferenças culturais e individuais.


A igualdade que se busca e que se propala num dia como hoje é a igualdade humana, sem distinção de cor, raça, sexo ou religião. O dia de hoje serve como uma data de reflexão, mas não precisava ser feriado.


O brasileiro só sabe que feriado é motivo para não trabalhar, mas pouco sabe da importância das datas e o que se comemora nestas datas. Até o Natal deixou de ser um dia de oração e reflexão, de reunião familiar, para se tornar uma data comercial.


Importamos a idéia do politicamente correto. Ouvi no rádio pela manhã que a cultura "afro-brasileira", os heróis "afro-brasileiros" etc. Por que mudar o nome das coisas ou dar um ar politicamente correto? Isto conduz a questões como quotas em universidades e outras políticas importadas dos EUA, onde a cultura de segregação exisitiu de forma violenta. Sou da opinião de que tais políticas não deveriam aplicadas no Brasil. Sim, sou contra as quotas em universidades. O sistema deveria ser outro, privilegiando a educação pública básica, ao invés de garantir o acesso à universidade a pessoas sem condições de frequentar um curso universitário, independente de raça, cor, credo ou sexo.


Estas políticas separam, segregam mais do que unem. É uma política que trata seres humanos iguais, de forma desigual. Se somos todos iguais, independente de cor, raça, credo ou sexo, por que alguns precisam de uma nota mais baixa para ingressar num curso universitário? E depois que ingressam, não conseguem acompanhar o ensino que lhes é dado gratuitamente.


Dias como o de hoje deveriam servir para reflexão e união, sem necessidade de se parar metade do país. Aprender a respeitar as diferenças é algo que enriquece e cria a beleza da multiplicidade cultural do Brasil. Porém, estas diferenças não podem servir de motivo para a criação de privilégios politicamente corretos.

4 comentários:

Simone disse...

eu acho esse feriado ridículo. já escrevi isso ano passado.

Edna Federico disse...

Pois é, também não concordo com ess feriado!
Acho que tomar consciência é uma coisa e isso deveria ser todos os dias e não em dum dia específico.
Também não concordo com essa cota para negros em faculdade, acho que fazendo isso é que estão fazendo diferença.
Você tem razão quando fala sobre priorizar o ensino básico...tem que começar de cedo.

ANDERSON disse...

belíssimo post.
Parabéns
Abraços

Renato Bueloni Ferreira disse...

Cncordo integralmente com vcs e acho que muita gente também.

Em Guarulhos, uma medida judicial permitiu que empresas funcionassem e considerassem o dia como útil.