Gosto muito de voar. Desde os tempos imemoriais da Pan Am - pioneira de voos intercontinentais, da época em que a Varig era um primor de serviço e orgulho de brasileiros nos voos internacionais, da Vasp e da Transbrasil. Lembro-me do Electra na ponte aérea, fato que denuncia minha idade e sobre o fascínio que voar despertou em mim ainda bem criança.
Congonhas era um lugar para passeios esporádicos, para apreciar os aviões de perto. Meu fascínio por aviões brotou no berço, por vê-los decolar e aterrisar, manobrarem nos pátios dos aeroportos. Gosto do agito das pessoas nos aeroportos, onde vidas se cruzam apressadas, onde viagens são iniciadas, onde beijos sinceros são trocados, onde lágrimas são derramadas em despedidas demoradas, onde profissionais cansados retornam ao lar.
O tempo passou e voar não deixou de me encantar. Os aviões são apertados, os aeroportos tumultuados, o glamour se foi, mas a beleza de voar permanece. Apesar de todos os transtornos, apesar dos péssimos aeroportos brasileiros que (des)tratam os passageiros como se fossem uma commodity e não como a razão de ser das companhias aéreas, voar é um momento cheio de magia.
Acomodo-me na janela e admiro o que se desenha por debaixo do pássaro de aço. Qualquer viagem, não importa o destino, descortina uma visão nova do que se passa no solo. Estradas que serpenteiam morros e serras, o mar a beijar o litoral e por vezes delineado por dunas ou montanhas, rios que rasgam o solo como veias a irrigar suas margens e desaguar no mar, formas geométricas que acarpetam o chão plantado com o pujante agronegócio pelo Brasil a fora. A visão do alto tem seu lado poético e inspira a admirar ainda mais este nosso país que é "bonito por natureza", como canta Jorge Benjor.
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Escrever é experimentar!
O exercício de escrever é uma viagem interior, um mergulho no próprio eu. Por que não experimentar?
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Renato
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segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Ultrapassando limites
O Monumento às Bandeiras é um dos símbolos de São Paulo. Escultura de autoria de Victor Brecheret, o monumento fica ao lado do Parque do Ibirapuera e retrata os bandeirantes que desbravaram o sertão brasileiro e foram responsáveis pela expansão do território nacional. O monumento amanheceu pichado e pintado com tinta vermelha na última quinta-feira. Uma afronta ao patrimônio público paulista e um daqueles crimes que parecem ser relevados pelas autoridades.
A autoria é conhecida. Um grupo de indígenas que se manifestaram na av. Paulista contra uma PEC (projeto de emenda constitucional) que prevê alterar a competência para a demarcação de reservas indígenas foi a justificativa da manifestação. Terminaram sua caminhada no Monumento às Bandeiras e perpetraram o delito. Revoltam-me profundamente os atos de pichação e depredação de patrimônio público. Manifestação tem limite e este limite foi ultrapassado neste caso!
Na mesma linha é preciso restringir a conduta dos chamados Black Blocs, grupo de mascarados que se autointitulam como anarquistas, mas são na verdade baderneiros sem causa e que lutam contra a ordem estabelecida, ou seja, não seguirão o caminho da legitimidade para levar a cabo as mudanças que propõem. Manifestações que terminam com depredação e violência são uma afronta ao regime democrático e devem ser repelidas - as depredações, é claro. A liberdade de manifestação é ampla, mas quando se ultrapassam os limites da razoabilidade e da ordem, o Estado deve agir e restabelecer a ordem.
Não há causa que justifique a pichação e a depredação do patrimônio público ou privado.
Na mesma linha é preciso restringir a conduta dos chamados Black Blocs, grupo de mascarados que se autointitulam como anarquistas, mas são na verdade baderneiros sem causa e que lutam contra a ordem estabelecida, ou seja, não seguirão o caminho da legitimidade para levar a cabo as mudanças que propõem. Manifestações que terminam com depredação e violência são uma afronta ao regime democrático e devem ser repelidas - as depredações, é claro. A liberdade de manifestação é ampla, mas quando se ultrapassam os limites da razoabilidade e da ordem, o Estado deve agir e restabelecer a ordem.
Não há causa que justifique a pichação e a depredação do patrimônio público ou privado.
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Todos os olhos em Celso de Mello
Amanhã o Ministro Celso de Mello proferirá seu voto acerca do cabimento de Embargos Infringentes na Ação Penal no. 470 (caso do Mensalão). A votação está empatada em 5 a 5. O voto provocará o desempate - para o bem ou para o mal.
Trata-se de questão processual e há argumentos sólidos dos dois lados, mas parece-me que o ponto central pode ser resumido em forma vs. conteúdo. Qual deve prevalecer?
Espero que a decisão seja contrária ao acolhimento dos Embargos Infringentes. Tantas vezes ouvi que o Supremo interpreta a Constituição, mas sempre há um viés político. Agora, é preciso que o viés político seja deixado de lado para privilegiar a cidadania e a crença da população no Judiciário.
O acolhimento dos Embargos representará o inexplicável triunfo da impunidade, da corrupção e de políticos que fazem uso da coisa pública, como se privada fosse. A população não vai entender e isto poderá gerar uma justiça amplamente desacreditada. A lentidão da justiça já é de difícil explicação e a sua imprevisibilidade ainda mais complicado. O corporativismo que impera no Judiciário tem prejudicado a efetiva prestação jurisdicional capaz de pacificar conflitos.
Amanhã será um dia de grande importância e será um momento histórico no Judiciário brasileiro. Vamos aguardar.
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Viva a independência!
Feliz o povo que desfruta da verdadeira independência, que sabe pensar sozinho, que sabe se indignar diante dos desmandos, descasos e mentiras.
Feliz o povo que usa a arma do voto para eleger aqueles que compartilham de suas ideias e de suas virtudes, de seus princípios e de suas crenças.
Feliz o povo que é livre e não é sujeito a manipulações, à propaganda enganosa, a programas de governo de cunho demagógico.
Feliz o povo que vai às ruas para protestar e para delinquir.
Feliz o povo que coloca a lei acima do dinheiro, que coloca o bem comum acima de interesses pessoais, que tem a sorte de contar com líderes preocupados em servir, e não em serem servidos.
Prisão aos corruptos! Liberdade de expressão ao povo! Mais educação e menos corrupção.
País rico é país com povo que sabe pensar!
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Conto: Jogo da Memória
JOGO DA MEMÓRIA
Nunca se sabe o que um novo dia nos reserva. A agenda previa uma longa, tensa e cansativa reunião na parte da tarde, que muitas deixavam de ser tensas e se transformavam em tediosas revisões de contratos prolongadas por advogados ávidos em aumentar o número de horas trabalhadas. A consequência era esfaquear um pouco mais o cliente combalido. Bastava o fato de ter que sair do escritório e dirigir até a Vila Olímpia, um microcosmo do caótico trânsito de São Paulo adicionava o tempero negativo do dia. Mas, obrigações são obrigações e ele não deixaria de cumpri-las.
O trânsito colaborou, o prédio modernoso era simpático e a sala de reunião muito bem iluminada com luz natural. A máquina de Nespresso, objeto que parece ter se tornado tão obrigatório em qualquer sala de reunião quanto televisão de tela plana, era uma tentação para um bom café após o almoço. A conversa fiada com o cliente foi regada a um bom espresso e amenizou a tensão que pairava no ar. A outra parte atrasou um pouco, mas a inconveniência da espera se dissipou como a fumaça de um cigarro que se dispersa no ar após algumas piruetas.
A adversária que entrara no ringue de batalha enfraqueceu o espírito beligerante. Era uma bela mulher, baixa, cabelos castanhos pouco abaixo do ombro, traços finos, despida de anéis e unhas sem esmalte. O olhar dela despertou-lhe a memória que se viu incomodada. Algo naquele olhar lembrava-lhe de alguém. Enquanto as formalidades iniciais eram cumpridas, ele mergulhava dentro de si na tentativa de um resgate de memória.
A memória é curiosa e marota. Gosta de pregar peças, gosta de provocar e de atiçar. Por anos foi atormentado por um perfume floral. Bastava sentir aquele aroma que a imagem de uma antiga namorava se materializava, tanto quanto a raiva que sentia por ela depois da inevitável dispensa. No fatídico dia, ela exalava o aroma que se tornara tão odioso. Mas, sua pródiga memória reunia tons de voz, sotaques, trejeitos, tiques, músicas. Oscilava e transitava por todos os sentidos, compondo lembranças das mais variadas e muitas alegrias. Nem só de amargura, ódio e tristeza vivia sua memória.
A turbulência que se desenhava foi rapidamente superada com a primeira intervenção da colega. O sotaque carioca, irritante para muitos paulistas - inclusive seus clientes -, soava-lhe qual sinfonia magistral. A entonação e o timbre de voz rapidamente permitiram que ele decifrasse a charada. Sua memória foi ágil e eficiente. Em poucos segundos deixara a Vila Olímpia e estava conversando sobre música na velha e inesquecível Modern Sound, numa manhã de junho, em insuperável companhia.
A cada palavra, cada gesto, deixavam a semelhança ainda mais inquietante. Sorria por dentro, discreto, contido, tentando disfarçar sua perplexidade diante do jogo da memória, diante da surpresa do dia, diante de tantas coincidências. Num dia que parecia tão azedo e tão sem perspectivas, a vida provocou-lhe a memória de forma a transformar a tarde em verdadeira viagem no tempo.
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Uma face do Brasil
Poucos minutos depois de chegar em Sobradinho, lembrei-me de Graciliano Ramos. O táxi passou por uma escola pública, fez o retorno e virou numa avenida que tinha a aparência de via principal. Algumas quadras adiante e cheguei ao fórum. Prédio de dois andares, com boa aparência, nada novo, mas com boa conservação. Lugares novos sempre trazem consigo uma curiosidade, uma expectativa. Entrei, fui dispensado de passar pela revista e pelo detector de metais, e caminhei pelo corredor central do fórum. E Graciliano Ramos me acompanhava.
Nas cadeiras, mães com crianças de colo, idosas, alguns poucos casais. Todos tinham algo em comum: buscavam algum direito ou batiam às portas da justiça para fazer valer sua cidadania. Uma vara exclusiva para tratar de violência doméstica. Não consigo presenciar tais cenas e permanecer indiferente.
Desde que comecei a escrever, percebi a importância de observar, de ficar atento ao drama humano que nos cerca, que poderia passar despercebido, afinal estava ali a trabalho e tantas e tantas vezes já fui em fóruns em diversos recantos do país. Sobradinho tinha uma aura triste, uma cidade refém, um pequeno distrito de periferia como tantas outras. Ser cidade satélite de Brasília parece ter relegado Sobradinho à sina de cidade dormitório, sem perspectivas, com pouca atividade, com poucos recursos. A ideia de cidades satélite parece ser uma forma de esconder a pobreza, algo que sempre vi como contraditório na concepção da Brasília de Oscar Niemeyer, um comunista que não conseguiu manifestar seu ideário nas suas obras e projetos. Por que esconder a pobreza?
Sentei-me numa das cadeiras e fiquei a observar rostos, ouvir conversas entrecortadas, xingamentos a companheiros que fugiram e deixaram de pagar pensão, crianças sem amparo, idosos esquecidos pelo Estado que lhes deveria garantir tratamento digno de saúde. Lembrei-me de Graciliano Ramos.
Graciliano Ramos foi um escritor brasileiro engajado, comprometido com a causa social. Ainda que não compartilhe de sua visão política, admiro sua percepção do drama humano tão presente em suas narrativas, tais como Vidas Secas e São Bernardo. Li esta última obra pela primeira vez no ensino médio - e para variar -, discordei da maioria dos meus colegas que odiaram o livro. Gostei muito do estilo de Graciliano e da estória. O drama humano retratado sem cortes, com tons fortes e pinceladas precisas.
Ninguém vai a Sobradinho para fazer turismo; ninguém vai a Sobradinho a passeio. Fiquei com a impressão de que seus moradores sonham em sair de Sobradinho um dia, para nunca mais voltar.
domingo, 11 de agosto de 2013
Dia dos Pais
- Pai, posso ler uma história para você?
A pergunta foi lançada por meu filho, logo após tomar banho e enquanto aguardava o horário do jantar. Havíamos chegado ao hotel fazenda naquela tarde, estava cansado da viagem e queria usar o tempo para iniciar um novo livro que levara comigo. A resposta negativa foi a primeira que me veio, porém, quando comecei a responder negativamente, algo me fez mudar de ideia. Rapidamente a resposta foi transmudada em positiva quando saiu pela minha boca.
De posse de seu livro, leitura obrigatória de férias, ele pôs-se a ler sentado na varanda do chalé. O livro era divertido e a percebi o prazer na leitura na entonação dada. Que história é essa, de Flavio de Souza (Companhia das Letras), narra histórias conhecidas, contos de fada, mas explica para o leitor como há versões para as histórias e como elas se transformaram ao longo do tempo.
Minha filha, que também sentou-se para ouvir o irmão ler, abraçou a discussão, pois estava lendo As Aventuras de Pinóquio, de Carlo Collodi (Cosac Naify). Nossa pequena tertúlia literária tratou de como os livros são mais ricos do que as adaptações cinematográficas, de como os contos de fada são adaptados de acordo com a cultura local e por aí fomos.
Observava mais do que falava, apenas provocando e instigando a discussão. A conversa era prazerosa e fiquei feliz de ter respondido positivamente. Este era um daqueles momentos de interação pais e filhos que permanecerão guardados na memória com orgulho de notar o crescimento das crianças.
Percebi - e percebo isto a cada dia com mais clareza - que ser pai é um ato de servir. A paternidade, com toda a sua beleza e riqueza, com todas as dores e conflitos, com todas as suas frustrações e momentos de rigor, resume-se na generosidade de servir. Há um quê transcendental neste esforço - por vezes silencioso e despercebido -, e a cada gesto amealhamos mais uma moeda no tesouro celeste.
A riqueza de ser pai está no sacrifício que nos torna pessoas melhores e na recompensa de servir com amor incondicional os filhos que nos foram confiados.
Um feliz dia dos pais a todos!
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Renato
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domingo, 28 de julho de 2013
Dilma, o poste e o criador
Por algum tempo deixei de comentar sobre política neste blog, mas ultimamente a quantidade de sandices e barbaridades cometidas por "nossos" governantes me obrigam a escrever. Afinal, foi a política que levou este blog a ser citado em uma dissertação de mestrado na área de comunicação. Mas parei de escrever sobre política, pois sentia-me órfão - ainda sinto-me órfão - de representantes que pareciam totalmente desligados da vontade do eleitor.
Na última eleição de Lula em 2008, fui votar com nariz de palhaço. Este sentimento continua a existir em mim, mas não desanimo. Agora é preciso voltar a criticar e atacar e permear minhas experiências literárias com questões políticas.
Dilma soltou mais uma pérola: "Lula não vai voltar porque ele não saiu."(vide aqui).
A afirmação é confissão de que ela nunca mandou, nunca governou, mas apenas cuida do Planalto, finge que governa e, como um boneco de ventríloquo, diz e faz o que o chefe manda. Lula na eleição disse que se ele escolhesse um poste, o poste seria eleito. O primeiro poste foi eleito. A declaração ofensiva a todos os eleitores brasileiros foi vista apenas como piada; para quem pensa um pouco, era a afirmação de que o eleitor brasileiro é um idiota, submisso, burro, manipulável e tantos outros adjetivos pejorativos.
Antes de tudo, a declaração de Lula foi uma afronta à democracia e revelou o descaso com que Lula e seus companheiros de partido tem pelo sistema eleitoral e pelo regime democrático. O sistema só interessa a Lula e ao PT para mantê-los no poder.
Dilma, mantendo sua agenda negativa, que testa o piso de impopularidade a cada semana nas pesquisas de opinião pública, resolveu vetar o projeto de lei que acabava com a multa de 10% do FGTS imposta às empresas e confirmou que não vai reduzir o número de ministérios, afinal o chefe acha desnecessário.
O poste - e talvez a presidente resolva também adequar o gênero do substantivo para que seja declinado baixando algum decreto que permita se escrever "a poste" - desfez-se da máscara de boa gestora, de administradora eficiente. Em termos políticos, todos sabiam que Dilma é inábil; em termos de gestão, agora todos estão se convencendo de sua incapacidade.
Dilma se diz indissociável de Lula. É a criatura afirmando ser mera corporificação do criador, numa daquelas comparações dilmísticas um tanto quanto incompreensíveis. Se ela é indissociável de Lula, então ela é o próprio Lula e Lula é Dilma. Filosoficamente, trata-se de uma besteira típica de gente com pouca escolaridade ou de quem não tem a menor ideia do que está falando.
Em termos políticos, poderíamos aceitar a hipótese. Se assim o for, então o fracasso de Dilma será o fracasso de Lula, afinal é ele quem manda e ela tenta executar.
Agora é preciso acordar o eleitor do Nordeste, pois do jeito que as coisas caminham, a eleição de 2014 poderá representar uma grande divisão do país.
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Renato
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10:08 PM
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domingo, 21 de julho de 2013
Microconto - XIII
- Sinto que te perdi.
- Não, você não me perdeu. Nunca me conquistou. - retrucou ela com firmeza.
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Renato
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sábado, 13 de julho de 2013
Leminskando
Sou lindão
Solidão
Só lindão.
terça-feira, 9 de julho de 2013
Dilma continua perdida
Um grupo de pessoas foi às ruas. A passagem de ônibus foi reduzida em muitas cidades. O MPL então baixou a bola. Dilma fez um pronunciamento à nação e definiu metas, todas vazias, promessas de campanha requentadas, citou uma constituinte exclusiva, insistiu na importação de médicos cubanos, afirmou que destinaria recursos para mobilidade urbana, investiria em saúde e educação.
A constituinte exclusiva foi rechaçada como ideia golpista, semelhante ao que fizeram Chávez, Evo Morales, Cristina Kirchner e Rafael Correa. Voltou atrás e lançou a proposta de um plebiscito para que se realizasse a reforma política. O plebiscito fez água. O Congresso, aproveitando a deixa, agilizou algumas propostas pontuais de reforma política, como acabar com o voto secreto e eliminar os suplentes de senador.
Agora Dilma, muito mal assessorada por Mercadanta (não há erro de digitação) e José Eduardo Cardozo, resolveu que os alunos de medicina serão obrigados a prestar serviço social público por 2 anos após a conclusão do curso regular. A ideia é estapafúrdia, casuística e uma cortina de fumaça para dar a impressão de que está fazendo algo - ou de que sabe o que fazer e em que direção deve seguir.
Dilma continua perdida e revelou-se uma péssima gestora, sem ideias, sem programa e sem a capacidade de fazer o diagnóstico correto dos problemas brasileiros. Enquanto a economia afunda e a credibilidade do Brasil no exterior evapora, Dilma não toca em Guido Mantega, outro incompetente da equipe e agora vai presenciar um processo de deserção de sua base política. Parece que sua reeleição - que soava tranquila - será uma dura batalha e se a popularidade continuar a cair, o projeto de poder do PT será enterrado.
Dilma poderia tomar medidas rápidas e imediatas que soariam muito bem com a população, tais como extinguir ministérios, obrigar o BNDES a rever a política de crédito para as empresas de Eike Batista, arquivar o projeto do trem bala, conceder isenção de tributos nas tarifas de pedágio, reavaliar a forma de nomeação de diretores das agências reguladoras, reduzir o número de cargos comissionados no governo, e por aí vai. Há uma série de medidas concretas que ajudariam o país de imediato e melhorariam sua popularidade.
Enquanto o movimento das ruas aproveita as férias, Dilma consegue respirar, mas é preciso insistir, pois parece que o eleitor brasileiro finalmente descobriu que sua voz tem força e que esta força é capaz de mudar o país. Esta força chama-se voto e a arma é a urna!
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