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sexta-feira, 9 de outubro de 2015
Navegando pela escrita
Um livro com uma coletânea de textos de jovens escritoras (entre 10 e 15 anos). Os textos estão em português, inglês e espanhol, uma viagem por línguas e palavras e dialetos e pela criatividade.
Prestigie o lançamento deste projeto!
terça-feira, 17 de abril de 2012
Livro infantil: porta de entrada para um mundo mágico
| Pipa |
No dia 18 de abril comemora-se o Dia Nacional do Livro Infantil. A data escolhida foi instituída para homenagear Monteiro Lobato, talvez o mais marcante escritor infanto-juvenil brasileiro. Suas obras dialogam com o universo da criança e do adolescente. A homenagem é justa e a data muito relevante para passar em brancas nuvens. O Brasil ainda é um país de analfabetos e de poucos leitores. Refiro-me àquela pessoal que não escreve direito, que não compreende os textos e que lê pouco. Afinal, quem pouco lê, mal escreve. A consequência é direta. O remédio para adultos letrados e lidos é despertar o gosto pela leitura na criança.
Em abril de 2010, fiz um post com o título Criando Leitores. Afirmava que leitores são desenvolvidos, instigados, criados. Ninguém nasce lendo. Ninguém nasce virtuoso. A virtude é adquirida com a repetição de um determinado ato, até que a prática deste determinado ato transforma-se em hábito. O mesmo ocorre com a leitura. É preciso ler junto, ensinar a ler, ensinar a apreciar o livro e descobrir o livro com um grande companheiro em momentos de diálogo interno. O exemplo é fundamental para que isto ocorra. Se os pais não leem, os filhos não lerão.
Outro dia, um amigo deixou o seguinte comentário no Facebook: "Semana de provas e tenho que fazer meus filhos estudarem. Qual o melhor caminho: prêmio ou dinheiro?". Não sou psicólogo infantil, mas diria sem medo de errar que a metodologia está completamente errada. A resposta para mim é disciplina, é compreensão por parte da criança de que o estudo é sua profissão e o estudo é sua missão e tarefa. Em outras palavras, estudar é obrigação da criança. Não digo que é fácil - tenho minhas lutas com meus filhos neste campo também -, mas tenho a preocupação de demonstrar-lhes a importância deste momento e da relevância do estudo em suas vidas.
O mesmo pode ser transposto para a leitura. Basta separar alguns minutos por dia, sentar-se com o filho e ler juntos. O exemplo arrasta!
Cabe também uma breve ressalva: é preciso escolher o livro e ajudar a criança a ler bons livros. Há muita porcaria publicada e vendida por aí. Um livro ruim pode 'deseducar' e pode agravar problemas com ortografia e gramática.
Se você não sabe por onde começar procure qualquer livro da Ruth Rocha, uma escritora brasileira que sabe contar uma excelente estória para as crianças. E para fazer-lhes companhia, por que não reler alguma obra de Monteiro Lobato? Sairá rejuvenescido com a volta à infância e com um vocabulário mais rico. Não perca tempo e lembre-se: o livro infantil é o ponto de partida para formação de bons leitores.
NOTA: Para ler outros posts sobre Monteiro Lobato e literatura infantil, clique nos tags abaixo.
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Renato
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sexta-feira, 18 de junho de 2010
Incentivando a leitura nas crianças
Há muitos estudos sobre a importância da leitura e seus efeitos benéficos ao ser humano. Certa vez li uma reportagem sobre a redução da incidência de Alzheimer em pessoas que tinha hábitos de leitura ao longo da vida em comparação com pessoas que não liam. Outro estudo revela que famílias que incentivam a leitura em jovens colhem resultados positivos, com melhor desempenho escolar e carreiras profissionais mais bem sucedidas, do que jovens que não tem o hábito de ler.
Não conheço nenhum estudo que aponte que a leitura – boa leitura, claro – é prejudicial à saúde ou ao desenvolvimento emocional do ser humano. A grande questão está exatamente em incutir o hábito da leitura constante nos mais jovens. Tratei deste tema outras vezes neste blog, como no post Criando Leitores, e com a proximidade das férias, as crianças com mais tempo livre, resolvi dividir algumas dicas sobre como incentivar o hábito da leitura nos mais jovens.
Esta compilação de sugestões é empírica, decorrem da observação, de tentativas que funcionaram bem, de conversas com outros pais e professores. Convido-os a acrescentarem mais dicas através dos comentários para que possam ser divididas com mais pessoas que têm preocupação semelhante.
1. O Exemplo – criança imita os pais e o bom exemplo é arma mais poderosa para demonstrar aos pequenos o que é bom, qual a conduta a seguir. Se os filhos verem os pais lendo, sem dúvida terão vontade de ler também.
2. Porta de entrada – a leitura deve ser algo divertido e prazeroso. A porta de entrada para a descoberta deste mundo, normalmente, são os gibis. Coloridos, estórias curtas e de fácil compreensão. Uma receita para quem está dando os primeiros passos na leitura. E há versões da Turma da Mônica em inglês e espanhol, uma ótima ferramenta para treinar um novo idioma.
3. Demonstrar Interesse – é preciso saber que tipo de estória seu filho gosta. Basta ir a uma livraria e observar por qual livro seu filho é atraído. Demonstre interesse pelo que ele está olhando e sugira alguns livros para ele folhear. Meninas e meninos são diferentes e assim se dá na leitura também. Não adianta sugerir para um menino de 8 anos a leitura de O Pequeno Príncipe. Não vai dar certo.
4. Ajudar a ler – Ler juntamente com a criança é uma forma de incentivar o leitor e permitir aos pais que compreendam a estória, esclarecendo dúvidas sobre palavras. Alternar a leitura de trechos do livro em voz alta, para os que estão e fase de alfabetização, é uma forma de ajudá-los a treinar a leitura, além de permitir aos pais que passem tempo com os filhos.
5. Auxiliar na compreensão - Ler é um exercício que incrementa o vocabulário, melhora a ortografia, ativa a imaginação e o raciocínio abstrato e contribui na formação do caráter. Para que a absorção da leitura seja plena, é necessário que se compreenda o texto. Uma forma de avaliar se a criança compreendeu o que leu e discutir o texto. Isto pode ser feito com perguntas simples sobre o livro, ou pedindo que a criança conte a estória com suas próprias palavras. Ao fazer isto, a criança revelará se compreendeu o texto, exercitará seu poder de síntese ao fazer um resumo da estória e perceberá o interesse dos pais que valorizam a leitura.
6. Apresentar o dicionário – Para escrever bem, é preciso ler. Quantas vezes não ouvimos isto em aulas de redação. Pois bem, para escrever bem também é preciso ter um bom vocabulário e o dicionário tem papel fundamental neste objetivo. Apresente o dicionário ao seu filho, mostre a ele que não se deve ter vergonha ao consultar o dicionário, que ninguém sabe tudo. É confortante para uma criança notar que o pai ou a mãe tem a humildade de consultar um livro quando tem uma dúvida. E mais, este ato é um exemplo que será seguido.
7. O livro como amigo – As grandes livrarias têm espaços especiais para o público infantil, geralmente com poltronas, mesinhas, almofadas, onde elas podem se esparramar e pegar os livros. Passeios a estas livrarias ajudam a criança a se familiarizar com os livros, a ter o livro como amigo. Estas livrarias são uma forma de suprir a falta de bibliotecas públicas adequadas no nosso país.
segunda-feira, 18 de junho de 2007
Ruth Rocha e literatura infantil
O Caderno de Fim de Semana do Valor Econômico de 8,9 e 10 de junho trouxe uma interessante entrevista com a escritora Ruth Rocha. Nas páginas 15 e 16, ela responde à seguinte pergunta: "Em que medida a literatura pode ajudar [uma criança]?
"A literatura, quando é boa, pode ser tudo para uma criança. Ela ensina vocabulário, ortografia, narração, ética, estética, ensina a sonhar, a pensar, a imaginar, a viver. A literatura é um ensaio para a vida. É Milan Kundera quem diz que para viver não existe ensaio, não existe treino, você entra direto no jogo. Mas literatura pode ser, sim, uma espécie de ensaio para a vida, uma preparação. Ele é esse condão que ajuda a formar o pensamento. Infelizmente, temos milhões de analfabetos e também milhões de analfabetos funcionais, incapazes de ler. E temos ainda, o que é mais grave, milhões de alfabetizados que, apesar disso, também não lêem."
Os grifos no texto são meus. Vamos por partes. Ler é um hábito que se adquire, que precisa ser incentivado com exemplo e incentivo. As estórias infantis podem ser uma excelente forma de educar, de ensinar, de ilustrar, de tornar palpável à criança o que se espera dela. Tomemos como exemplo a estória dos 3 Porquinhos. O porquinho diligente, esforçado, prevenido é aquele que constrói a casa mais sólida. Dá mais trabalho, mas não tem dor de cabeça quando vem o lobo. Esta estória pode ajudar os pais a treinar os filhos a vencerem a preguiça, a fazerem suas tarefas de forma bem feita, com capricho, com ordem.
Sou um pai que se envolve na educação dos filhos. Procuro participar ativamente, saber o que aprendem na escola para complementar em casa, de forma lúdica e divertida. Fui provocado a inventar um personagem e estórias para contar antes de dormir. O personagem das aventuras antes de dormir chama-se Miguel. As estórias geralmente são simples, mas me forçam a ser criativo. Se há algo para ensinar, se houve alguma coisa em que a criança fez e que precisa ser corrigido, uso a estorinha noturna para ilustrar como esperam que se comportem.
Uma destas estorinhas virou uma crônica publicada neste blog, que é Borboleta Azul.
Mas a leitura não fica de lado. Minha filha está em fase de alfabetização e adora ler. Sento com ela e lemos juntos, inclusive substituindo a televisão por um bom livro. A leitura desperta a curiosidade e auxilia o desempenho escolar. A função dos pais é incentivar isto. Concordo integralmente com Ruth Rocha, temos um país com poucos leitores, mas precisamos insistir para mudar isto. Compete a nós, pais, fazer isto.
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Renato
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sexta-feira, 16 de março de 2007
Crônica: Borboleta Azul

Aninha corria pelo gramado assustando os grilos que saltavam. Tentava pegá-los com suas pequenas mãos, mas eles eram mais rápidos. Incansável, a pequena menina de 5 anos insistia. Queria aprisionar um deles em suas mãozinhas. Ficou nesta caçada por vários minutos, sem perceber o tempo passar e sem notar o pai que a acompanhava de longe na varanda, degustando aquele momento pueril e relembrando seu tempo de criança. “Bons tempos. Como é bom ser criança” – pensou.
Entre as flores do canteiro, numa hortênsia florida, Aninha encontrou uma borboleta. Aproximou-se lentamente, colocou as mãozinhas sobre os joelhos, curvou-se e, hipnotizada, congelou seu olhar no pequeno inseto. Uma borboleta com asas azuis. Um azul forte, intenso, vivo, mais escuro que céu, mais escuro que o azul do mar. Suas asas tinham uma borda preta que emoldurava o azul das asas.
O pai achegou-se por trás de Aninha, sem fazer barulho, silenciosamente e postou-se ao lado dela. Os dois olhavam a borboleta. Aninha olhou para o pai, sem dizer uma palavra, mas pedindo que ele pegasse a borboleta para ela.
“Filha, vc achou uma linda borboleta!” – exclamou o pai. “Não precisamos pegá-la. Deixe ela livre. Olha que linda.”
A feição da menina entristeceu-se. O pai sentou-se na grama e colocou Aninha em seu colo.
“Não fique triste. Se prendermos a borboleta ela morrerá. Não vamos machucá-la. Deixe-a voar.”
A borboleta azul continuava parada sobre a flor. Aninha ainda queria pegá-la, senti-la em suas mãos.
“Pai, de onde vêm as borboletas?”
“Elas nascem num casulo. São a fase final da vida de uma lagarta, que se transforma.”
“A lagarta vira borboleta?” – espantou-se. “Mas a lagarta é tão feia, tão nojenta e vira este bichinho lindo?”
“Sim, minha filha.” – respondeu o pai carinhosamente. “A lagarta pode ser feia, mas depois vira uma linda borboleta, que voa e deixa a natureza mais bonita. É um pouco como a gente. A gente cresce, muda, se transforma e vira uma pessoa mais bonita.”
“Mas eu não sou feia como a lagarta!” – retrucou.
“Não, minha filha, você é linda. Mas todos nós precisamos saber que temos defeitos, coisas feias, que precisamos nos esforçar para mudar. E a mudança a gente só consegue com esforço e com o tempo. Você já é linda, mas vai ficar mais linda ainda se souber achar os seus defeitos e transformá-los em coisas boas, em borboletas azuis!”
Aninha ficou pensativa. Havia entendido o que o pai queria dizer. A borboleta voou e pousou sobre o braço de Aninha. Ela sorriu, permanecendo imóvel.
“Ela gostou de você! Quando crescer vai ser uma linda mulher, e será mais bela se transformar suas lagartas em borboletas azuis.”
Aninha nunca se esqueceu daquele dia, do conselho de seu pai. Nunca se esqueceu da borboleta azul que hoje repousa em uma tatuagem na nuca escondida sobre seus longos cabelos.
Entre as flores do canteiro, numa hortênsia florida, Aninha encontrou uma borboleta. Aproximou-se lentamente, colocou as mãozinhas sobre os joelhos, curvou-se e, hipnotizada, congelou seu olhar no pequeno inseto. Uma borboleta com asas azuis. Um azul forte, intenso, vivo, mais escuro que céu, mais escuro que o azul do mar. Suas asas tinham uma borda preta que emoldurava o azul das asas.
O pai achegou-se por trás de Aninha, sem fazer barulho, silenciosamente e postou-se ao lado dela. Os dois olhavam a borboleta. Aninha olhou para o pai, sem dizer uma palavra, mas pedindo que ele pegasse a borboleta para ela.
“Filha, vc achou uma linda borboleta!” – exclamou o pai. “Não precisamos pegá-la. Deixe ela livre. Olha que linda.”
A feição da menina entristeceu-se. O pai sentou-se na grama e colocou Aninha em seu colo.
“Não fique triste. Se prendermos a borboleta ela morrerá. Não vamos machucá-la. Deixe-a voar.”
A borboleta azul continuava parada sobre a flor. Aninha ainda queria pegá-la, senti-la em suas mãos.
“Pai, de onde vêm as borboletas?”
“Elas nascem num casulo. São a fase final da vida de uma lagarta, que se transforma.”
“A lagarta vira borboleta?” – espantou-se. “Mas a lagarta é tão feia, tão nojenta e vira este bichinho lindo?”
“Sim, minha filha.” – respondeu o pai carinhosamente. “A lagarta pode ser feia, mas depois vira uma linda borboleta, que voa e deixa a natureza mais bonita. É um pouco como a gente. A gente cresce, muda, se transforma e vira uma pessoa mais bonita.”
“Mas eu não sou feia como a lagarta!” – retrucou.
“Não, minha filha, você é linda. Mas todos nós precisamos saber que temos defeitos, coisas feias, que precisamos nos esforçar para mudar. E a mudança a gente só consegue com esforço e com o tempo. Você já é linda, mas vai ficar mais linda ainda se souber achar os seus defeitos e transformá-los em coisas boas, em borboletas azuis!”
Aninha ficou pensativa. Havia entendido o que o pai queria dizer. A borboleta voou e pousou sobre o braço de Aninha. Ela sorriu, permanecendo imóvel.
“Ela gostou de você! Quando crescer vai ser uma linda mulher, e será mais bela se transformar suas lagartas em borboletas azuis.”
Aninha nunca se esqueceu daquele dia, do conselho de seu pai. Nunca se esqueceu da borboleta azul que hoje repousa em uma tatuagem na nuca escondida sobre seus longos cabelos.
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Renato
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