Mostrando postagens com marcador língua portuguesa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador língua portuguesa. Mostrar todas as postagens

sábado, 30 de julho de 2011

terça-feira, 14 de junho de 2011

Álvaro de Campos no aniversário de Pessoa

No dia 13 de junho de 1888, nasceu em Lisboa o grande poeta português Fernando Pessoa. Com ele, nasceram seus heterônimos e o mundo ganhou um poeta ímpar. Ontem, fez 123 anos que o poeta veio ao mundo. E para relembrar, um poema sem título de um de seus heterônimos, Álvaro de Campos.

No lugar dos palácios desertos e em ruínas
À beira do mar,
Leiamos, sorrindo, os segredos das sinas
De quem sabe amar.


Qualquer que ele seja, o destino daqueles
Que o amor levou
Para a sombra, ou na luz se fez a sombra deles,
Qualquer que fosse o voo


Por certo eles foram mais reais e felizes.

(Poemas de Álvaro de Campos. Org. Cleonice Berardinelli. Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1999, p. 362)

É melhor viver com a saudade do amor do que nunca ter amado. Se o amor se foi, resta-nos a sua lembrança; antes ter esta lembrança, do que nem isto poder rememorar.

sábado, 28 de maio de 2011

Preconceito Linguístico


Não fiquei surpreso quando, outro dia, meu filho disparou a seguinte crítica ao livro que lia:

-          Pai, este livro está errado! Olha, escreveram “o velho biruta” e deveria ser “o velho biruto”.

Expliquei-lhe que biruta não se flexionava com o gênero e ele compreendeu, mas uma criança de 7 anos reparar e observar a concordância correta fez-me ter a certeza de que a educação que recebe na escola está no caminho certo.

Algo muito diferente propõe o MEC.

A recente polêmica acerca do livro Por uma Vida Melhor, de Heloísa Ramos, demonstra que o MEC, sob o comando do ministro Fernando Haddad transformou-se em um braço governamental de minorias e grupos de interesse que querem impor sobre toda a sociedade sua visão de mundo. O MEC tem permanecido nas manchetes por más razões e não por elogios e conquistas louváveis. Apenas para refrescar a memória, tivemos os problemas com o ENEM por dois anos seguidos e a questão envolvendo o kit anti-homofobia, que na verdade é um kit de propaganda e proselitismo de alternativas sexuais.

Voltemos ao caso do livro em questão.

O livro foi publicado pela Editora Global, mas é um projeto de uma ONG denominada Ação Educativa.  Segundo Ruy Castro, foram publicados mais de 4 milhões de exemplares e a autora recebeu em torno de R$ 700 mil a título de direitos autorais. Estes números fogem à regra do mercado editorial brasileiro e superam valores recebidos por escritores como Paulo Coelho.

A ONG, mãe do projeto, recebe recursos de instituições estrangeiras para financiar suas atividades e o site da entidade elenca seus dirigentes, em princípio, todos com excelente currículo. Porém, currículo não é sinônimo de imparcialidade e acima de ideologias. Sua Nota Pública não convence.

A problema fundamental é que o livro sugere que certas normas gramaticais podem ser desrespeitadas, como se isto fosse admissível na linguagem culta e escrita. A autora se defendeu argumentando que a questão estava fora de contexto e que as pessoas não haviam lido o capítulo. O MEC, como de costume, calou-se e não deu satisfação à sociedade. A comissão da UFRN que aprovou o livro fez o mesmo, talvez inspirada na nossa Rainha Muda, a zeladora de plantão que cuida do governo durante o período sabático de Lula, como tem reiterado Reinaldo Azevedo (Aliás, sobre a polêmica vide post de Reinaldo Azevedo).

Então, vamos ao livro e analisemos o que está escrito. O capítulo pode ser lido aqui (link para downloado do capítulo em pdf). Na página 15 está escrito:

"Você pode estar se perguntando: “Mas eu posso falar ‘os livro?’.
Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico. Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever, tomando as regras estabelecidas para a norma culta como padrão de correção de todas as formas linguísticas. O falante, portanto, tem de ser capaz de usar a variante adequada da língua para cada ocasião." (o negrito está no original)

Há dois problemas graves neste parágrafo: o erro e o fundo ideológico por detrás do ensino do idioma.

O erro é flagrante. VOCÊ SÓ PODE FALAR ‘OS LIVRO’ QUANDO ESTIVER ERRADO! Não há outra alternativa, não há meio certo, não há ocasião adequada – falada ou escrita – para utilização da frase desta forma, salvo se o escritor estiver utilizando um discurso de um personagem que fala errado. 

A transgressão como recurso narrativo é viável, faz parte da evolução artística e literária, mas isto não é aplicável para um aluno de ensino fundamental! A escola deve ensinar o certo, ou seja, a norma culta da língua. E o livro de Heloísa Ramos propõe algo muito diferente do certo.

A outra questão refere-se à expressão preconceito linguístico. O livro tenta impor o “lulês” como linguagem corrente no país, como equiparada à norma culta da língua. Se as pessoas falam de forma errada, a escola tem a função de corrigir o erro. O livro criou a categoria da pessoa que sofre de bullying por falar errado, uma nova minoria que fala errado e que em breve ganhará talvez uma secretaria especial, um programa de quotas ou alguma bolsa-analfabeto. E o MEC terá servido como instrumento ideológico de uma linha de pensamento minoritária.

O parágrafo transcrito tem características panfletárias, como se a incitar o falante do português errado a resistir ao preconceito linguístico. Não há incentivo à correção do erro, havendo uma inversão de valores onde o erro deve servir como instrumento de luta contra um preconceito. É a luta de classes de Marx transposta para o plano linguístico. E a professora Heloísa Campos sustenta que o “proletário” deve resistir e sem educação formal e correta, a consequência será sua manutenção na qualidade de proletário e oprimido pela elite e pelo capital.

O idioma de um país é uma característica da unidade do povo. As variações regionais são enriquecedoras do idioma e do dinamismo da língua, porém criar divisões entre norma culta e norma popular, numa clara divisão de classes consagram o fracasso do sistema educacional brasileiro. O MEC, ao aprovar este livro e esta linha de pensamento, dá sinais inequívocos de que a educação no Brasil é meramente pró-forma, ou seja, não há preocupação em educar, mas apenas em informar e manter o status quo.

O aspecto ideológico que emana do citado livro é prova inquestionável de que o ministro comanda um ministério refém de minorias que tentam conquistar feudos e criar guetos com um processo de divisão na sociedade brasileira, algo tão patente nos discursos eleitorais de Lula e de sua sucessora.

O MEC precisa ser refundado, passar por um processo de revisão de funções, ou seja, o MEC precisa se preocupar com a educação no Brasil e não em ser instrumento de grupos de interesse que apóiam o projeto de loteamento do país a que se propõe o PT.

Eu continuo defensor e amante da nossa língua portuguesa, escrita e falada de forma correta e com todos os plurais e regras de concordância.


segunda-feira, 14 de março de 2011

Poesia: Epigrama para Emílio Moura, de Drummond





EPIGRAMA PARA EMÍLIO MOURA
de Carlos Drummond de Andrade

Tristeza de ver a tarde cair
como cai uma folha.
(No Brasil não há outono
mas as folhas caem.)


Tristeza de comprar um beijo
como quem compra jornal.
Os que amam sem amor
não terão o reino dos céus.


Tristeza de guardar um segredo
que todos sabem
e não contar a ninguém
(que esta vida não presta).

(Sentimento do Mundo. 7a. ed. Rio de Janeiro : Record, 1999, p. 71)


No dia da poesia, um pouco de Drummond.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Mangueira e a Língua Portuguesa

A Mangueira trouxe para a Av. Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, um enredo que tratou da Língua Portuguesa. Já era madrugada de 2a. feira quando a escola adentrou a Avenida, pelo menos foi neste horário que a Rede Globo passou o desfile.

O carnavalesco da escola justificou a escolha de enredo ao afirmar que é preciso incentivar a leitura entre os jovens do nosso país. Era um enredo para mostrar a evolução da língua e da importância e da beleza de ler.

Porém....a transmissão da Globo deixou a desejar. Gastou-se muito tempo falando de Beth Carvalho e se ela iria ou não sair em um carro alegórico e pouco tempo sobre o enredo. Perdeu-se uma grande chance de levar ao público a discussão sobre a leitura, a língua, os escritores. Culpa da Mangueira? Penso que não. A culpa foi da Globo e de uma transmissão que se alonga nas primeiras alas e passa por cima das últimas alas e carros.

Os jornais de São Paulo, tanto o Estado como a Folha, trouxeram notas muito simpáticas sobre o enredo e a participação de imortais da Academia Brasileira de Letras no desfile. Os jornais souberam valorizar o desfile e o enredo da Mangueira para aproveitar o tema e enfatizar a importância da leitura.

A Globo perdeu uma boa oportunidade para fazer propaganda cultural e mostrar como um desfile de carnaval reflete a cultura do povo.