sexta-feira, 9 de maio de 2008

Crônica: Sem Vento

O tempo parecia parar. O ronco dos carros parecia silenciar. O sol da tarde de outono não esquentava e iniciava o recolhimento por detrás do horizonte, mais cedo dos que nos longos dias de verão. Era um sábado. O livro, que repousava sobre suas mãos, era percorrido sem que as palavras fizessem algum sentido, ou que se atentasse para o drama dos personagens. Só lhe interessava o seu drama. O livro era mera distração para deixar o tempo caminhar no seu ritmo peculiar.

Tudo estava igual, mas diferente. Um senso de estranheza arrebatou-lhe, como se olhasse a realidade de fora, do alto, como se ele não pertencesse a esta realidade. Sentiu-se um hóspede dentro de sua própria casa, um alienígena num planeta distante. Teve vontade de fugir, de sair correndo, sem rumo. Teve vontade de gritar qualquer coisa, pois estava mudo. Teve vontade de chorar, de se esconder.

O sol se pôs e ele não acendeu o abajur na mesa lateral. Deixou a penumbra invadir a sala. Falta de luz que se harmonizou com o seu interior. O veleiro havia arriado as velas. Não havia vento. Estava à deriva há alguns dias, mas só hoje percebera sua imobilidade. Absorto na rotina, não notara que a vida passava, mas o barco não se movia. Não havia vento. Ou melhor, não havia rumo traçado, nem objetivo a ser perseguido. Esquecera-se da rota e deixou-se perder na espera.

Um comentário:

Tâmara disse...

È renato...ando precisada de fazer o tempo parar....Ando tentando lsilenciar o ronco dos carros la fora. E os sois do outono ja nao me aquecem como antes..

O tempo....ah, esse tempo de horas que demoram no seu ritmo particular...

A minha vantagem é que ainda nao me prendi a rotina. A vida pode ate passar...mas eu continuarei fazendo o barco mover...mesmo que pra isso eu perca todas as rotas e todas as bussolas....

( Gentemmmmm, acho que escrevi demais....rsrsrsr....sera que to precisando voltar pra terapia? KKKKKKkKKKKKKKK... Vai saber, ne?!)

Bjos!!