quarta-feira, 26 de maio de 2010

Livros na cabeceira



Tomado pelo trabalho, acabo por dedicar meu tempo de leitura aos contos. Por serem mais breves, permitem que as constantes interrupções com o trabalho noturno – minha lição de casa – não cortem a necessária atenção que um romance exige. Por vezes chego a ficar uma semana sem pegar no livro, o que me incomoda. Justificativas à parte, vamos ao que estou repousa na cabeceira.

1. Granta em português - volume 5

A última edição da versão brasileira da Revista Granta tem como tema a Família. Excelentes contos de autores brasileiros e estrangeiros, todos tratando do tema central. Além visões diferentes sobre um mesmo tema, funcionando como um prisma e instigando a criatividade do leitor que é convidado a refletir sobre um aspecto da realidade por diversos olhares.



Destaco o texto de Ronaldo Correia de Brito. O magistral conto remete-nos à infância, à relação pai e filho. O escritor brasileiro é um dos expoentes desta nova leva de escritores maduros, nos quais incluo Milton Hatoum, por suas características semelhantes, ou seja, um regionalista universal.


A Granta é indispensável para quem gosta de ler e para quem gosta de escrever.


2. Gente Pobre, de Fiódor Dostoiévski.

(Tradução Fátima Bianchi. São Paulo : Ed. 34, 2009)


A Coleção Leste da Editora 34 tem tradução cuidadosa e revela a genialidade dos escritores russos Este foi o primeiro romance de Dostoiévski, publicado em 1846, no qual o genial escritor revela uma grande capacidade de descrever as profundezas da alma humana.

Em Gente Pobre, o autor demonstra que a miséria exterior de seu protagonista não espelha o que lhe vai nas profundezas interiores. A crítica social é o tom do romance, assim como a dignidade humana dos mais pobres. Nas sutilezas das cartas escritas por Makar Diévuchkin, funcionário público em São Petersburgo, é possível perceber sua generosidade, seu afeto por Varvara Alieksiêievna, seu sacrifício, sua alegria mesmo diante das contrariedades enormes e da falta de meios materiais. A luta pela sobrevivência não embrutece Diévuchkin, mas traz à tona um ser digno e de grandiosidade espiritual.

O texto, como toda literatura russa, é denso e requer zelo, mas é sem dúvida ótima leitura para momentos de reflexão.

Um comentário:

Louise Oliveira disse...

Oi, gostei muito do seu texto e de conhecer os livros.
E vou acompanhar o seu blog.
Bjs! Lu