terça-feira, 27 de outubro de 2009

Ainda sobre contrariedades




Tenho o hábito de grifar e marcar frases que me agradam em livros que leio. Algumas vezes são anotações de estilo; outras vezes correções de erros de ortografia ou imprecisões nas traduções; muitas vezes, uma ideia sobre um tema que me interessa ou que no futuro possam vir a integrar um post nest blog.



Na semana passada, meio corrido e sem abundância de inspiração, abri Nada, cuja capa ilustra este post, a esmo e dei com o trecho que iniciou o último post. O trecho foi se repetindo mentalmente, como uma música que insistimos em cantar, e à noite, naqueles momentos de silêncio, pouco antes de adormecer percebi como o acaso é providencial. Estas obras do acaso me espantam de forma positiva.


Foi Shakespeare, em Macbeth, que escreveu que “o sono é a morte diária.” Parece que naqueles momentos de silêncio os eventos do dia são repassados, como se nos despedíssemos da lucidez e nos preparássemos para mergulhar no inconsciente dos sonhos. Este período, curto, permite que deixemos o pensamento voar e as ideias parecem ficar mais claras, vivas com uma lucidez aguçada, parodoxal com o estado ébrio do sono que se aproxima.

A aproximação do final do ano – e a distância do último período de férias – parecem revelar um cansaço mental que não tinha me dado conta. Não são as grandes contrariedades e desafios que irritam; mas os pequeninos problemas do dia a dia que parecem crescer e se apresentam fantasiosamente maiores do que a realidade os revela.

Perdoem-me pela repetição, mas vida tem sua rotina repetitiva, como as estações, como os sentimentos, como o calendário. A repetição pode lançar uma nova forma de ver e olhar.

Um comentário:

S disse...

Eu ia comentar o seu post, quando atentei para o nome do seu blog. Um livro de Érico Veríssimo!
Continuação do Clarissa, se não me engano... Lí uns 10 anos atrás. Bateu uma saudade enorrrme aqui.
Beijos