terça-feira, 13 de agosto de 2019

Paulistânia invernal


foto: @rbueloni


Na São Paulo invernal, cidade de amplitudes térmicas, onde o dia começa quente e termina frio, onde frentes frias parecem ser escassas neste ano e o inverno seco brinca com nossa saúde respiratória, o roxo cede lugar no palco ao amarelo.

Sampa é uma cidade mais florida do que se imagina e o inverno é o palco dos ipês. Primeiro, os roxos. Lembram-nos de que já passamos pela metade da estação mais fria. Em seguida, surgem os amarelos, vivos, quentes, alegres, cheios de alegria, o prenúncio da primavera que se aproxima. Contrastam com o céu de azul profundo do inverno. Não é o céu do cerrado, mas é um céu que nos cativa nestes dias com pouca chuva. Amarelo e azul, uma variação das cores de nossa bandeira. Mas no meio do verde de árvores que não se despiram no inverno, o amarelo tinge a paisagem quando são contemplados do alto de prédios, seres dos mais habituais da metrópole.

A cidade não é mais tão cinza. A cidade se vestiu de flores. Há manacás e quaresmeiras no início do ano, mas agora o palco é dos ipês. Depois, para fechar o espetáculo anual, entrarão em cena os flamboyants. Basta reparar. Basta caminhar pela cidade e olhar e contemplar e tirar os olhos do celular.




terça-feira, 30 de julho de 2019

Conto : Diálogos Soltos




DIÁLOGOS SOLTOS


- Não gosto dos meus pés. Acho-os feios.


- Eu gosto deles. Você está enganada, mas eu já sabia desta tua opinião um tanto quanto rigorosa consigo mesma. Sempre tem algo que não gostamos em nós mesmos. É uma visão subjetiva, distorcida. Lembro de você ter postado um story no Instagram em que posicionava seu pé ao lado de uma amiga e dizia que seu pé era feio, que parecia de homem. Minha vontade foi de mandar uma mensagem e retrucar seu autojulgamento rigoroso, tão impiedoso. Pois saiba que eu sempre gostei deles. Desde as primeiras fotos tuas, sempre olhei para teus pés. Reparo nos pés assim como reparo nas mãos. E como você gosta de usar estas sandálias rasteiras que deixam o pé aparente, quase que totalmente desnudo, salvo pelas finas tiras de couro que o envolvem.

- Você está sendo muito poético e exagerado, Ricardo, afinal são só pés. Ou teria você um fetiche por eles? – indagou com um leve sorriso malicioso.

- Não sou podólatra, mas acho seus pés delicados, bonitos e adoro te ver andando descalça, ou sentada no sofá fazendo aqueles malabarismos com as pernas cruzadas ou sentada sobre as pernas. Pode parecer besteira, mas percebo seu estado de ânimo pelo modo como você anda descalça pela casa. O som muda conforme seu humor. Talvez poucos homens reparem nos pés femininos, até porque homem não costuma olhar para baixo quando está diante de uma mulher. Principalmente se for bonita – e sorriu com o olhar fixo no dela. Vai ver que é por isso que vocês são tão fascinadas por sapatos. O sapato nada mais é do que a roupa do pé, uma vestimenta que abraça e acalenta tão delicada parte do corpo.

- Nossa! Estou adorando esta louvação que faz tão bem para minha autoestima.

- Como se você precisasse de alguém para elevar tua autoestima...

- Todo mundo gosta de um elogio sincero. Ainda mais quando se percebe que é um elogio inteligente e que lembrou de um detalhe tão banal e distante. Mulher gosta de homem que sabe reparar nos detalhes e que se lembra deles.

Ricardo sorriu encabulado e sentiu naquele momento algo de novo em relação a ela, algo mais do que o simples afeto de amigo. Tomou um gole de sua cerveja, reparou na sandália dela de forma discreta e mudou de assunto.


segunda-feira, 1 de julho de 2019

Conto: Florescendo sem máscaras


by Erika Santiago sobre criação original de @_flordesaturno 


FLORESCENDO SEM MÁSCARAS


Estava exausta no final de mais um dia atribulado, onde fora preciso esconder sentimentos, vontades, desejos, sorrisos. As máscaras serviram de escudo para disfarçar a realidade. Tirou a maquiagem e deixou-se cair sobre o sofá. Despiu-se das máscaras e deixou os pés descalços sentirem o calor do piso. Libertos, enfim! Fechou os olhos e imaginou o silêncio da noite rural, onde poderia brincar com a grama molhada pelo orvalho a cutucar seus pés, o cheiro da terra a invadir suas narinas, o ar fresco da noite recém chegada. Raízes pareciam brotar de suas pernas, solo adentro, fixando-a e dando-lhe vigor. Esticou os braços e deles brotaram ramos e galhos e folhas, lindas flores substituíram seus dedos. Floresceu sem máscaras, sem fantasias. Abelhas extraíram o pólen e as flores viraram frutos. E com os frutos maduros semeou beleza, alegria, espalhou sorrisos e percebeu que as máscaras escondem quem ela é: única e bela.


quinta-feira, 6 de junho de 2019

Devaneios outonais

instagram @rbueloni



No outono, as tardes são curtas e a noite cai mais cedo. O dia foi mais frio. O telefone tocou apenas uma vez. A narrativa que ouvi deixou-me perplexo, incrédulo de como a maldade pode invadir até a mais tenra infância. A tarde se desenrola preguiçosa e o tempo parece pesado, congelado, como se tudo se passasse em câmera lenta. O silêncio reina ao meu redor. Não há mais ninguém no escritório. Desliguei a música. Quero o silêncio para ouvir as palavras que brincam em minha mente, dando rodopios, saltos. Algumas fugidias, outras comportadas, prontas para saltar para o papel. Leio um poema do José Luis Peixoto e sou fulminado por seus versos.

ninguém pode saber que este poema é teu.
ninguém pode saber. ninguém pode saber
que este poema. ninguém. este poema é teu.
sou uma coisa da qual se tem vergonha.”

(José Luis Peixoto, A criança em ruínas. Porto Alegre : Dublinense, 2017, p. 70)


O poema com dedicatória anônima, o teu nome sussurrado para uma flor, o delírio urbano do poeta na cidade concreta. Notar o invisível, dar forma diversa àquilo que todos imaginam ser, lançar um olhar torto, louco, alucinado sobre a suposta feiura da cidade grande. Tentaram ordená-la, mas perderam o controle. Vejo beleza onde veem concreto, vejo vida onde vislumbram morte, vejo luz onde falta cor, vejo ordem e simetria onde imaginam o caos.

Até no outono, onde as noites são mais longas, as tardes curtas, a luz se esvai cedo, permito que o pensamento me leve a voar para longe, bem longe, no voo solitário e silencioso, talvez para um poema, talvez para um refúgio, talvez para um recanto onde a vida é plena. A melancolia que invade a alma não me impede de vibrar no silêncio, mas convida-me a saborear um outro lado da vida, discreto e sem alarde.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Vem aí uma antologia poética com nossa participação






O livro estará disponível em julho, em formato físico e e-book, e será publicado pela Editora Meraki Publisher.


terça-feira, 26 de março de 2019

Perfeito, de Eucanaã Ferraz



instagram @rbueloni


PERFEITO


Me disse nos meus braços você parece
um menino eu disse nos seus braços
eu sou um menino eu podia ter dito

trago pela mão um girassol um livro
um violino eu devia ter dito eu não disse
sou um verso que teci com seus cabelos

sou o peixe vermelho no aquário
de Matisse eu diria ainda mas
deixei que só a respiração dissesse

que eu era a presença longínqua da maresia
por entre os pinheiros de Curitiba
um menino sim um grão de mostarda

um sobrado em Braga branco e branco
eu despertava e Amsterdã sob a neve
parecia mais uma pequenina sílaba

à espera de uma sílaba que a tarde
trazia entre dentes miúdos; tudo
sob o laço prestes a desatar e cair

à maneira de um copo que se parte
mas por ora nada tinha peso nada
era grave e o tempo sem as horas

nunca soube dar de nós ali onde o mundo
permaneceria daquele modo suspenso
perfeito.

(Escuta, Eucanaã Ferraz, São Paulo : Companhia das Letras, 2015, p. 73)



terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Distorcendo a realidade


instagram @rbueloni

"A lágrima é a saudade em forma líquida."

Renato Bueloni Ferreira

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Receita para o ano novo


instagram @rbueloni


Um bom livro, um café ...ou uma taça de vinho, uma cerveja gelada, uma chá gelado, um suco...tanto faz, o que importa é o bom livro. O lugar também perde relevância quando o livro nos absorve, intriga, faz pensar.

"A Fórmula do Bom Humor", de Carlo de Marchi (Editora Quadrante, 2018) não é um livro de auto-ajuda. Achei que era quando o recebi, mas arrisquei. Afinal, o livro tem como subtítulo "E os cinco remédios contra a tristeza". Parecia feito sob encomenda para um 2018 que foi um ano longo, um ano de despedidas, de dor.

Pois bem, o livro é de uma grande leveza, mas mostra como é possível tornar nossos dias mais confortáveis, mais afáveis, como é possível enfrentar as dificuldades com serenidade e um certo grau de alegria - até onde é humanamente possível.

Destaco abaixo 2 trechos do livro que me pareceram uma verdadeira receita para o ano novo, algo como um propósito a ser praticado todos os dias, faça chuva ou faça sol (eu adoro dias chuvosos e aquele barulho de chuva no telhado ou na janela....).

Vamos aos trechos:

"Em uma passagem de seu célebre discurso de aceitação do Nobel da Paz, Madre Teresa de Calcutá fez um convite que surpreendeu muitos dos presentes: 'Dai sempre um sorriso a vossos familiares. Oferecei-vos reciprocamente vosso tempo em família. Dai-lhes um sorriso.'

Uma condição prévia para atingir esse objetivo é cultivar uma visão sorridente de si mesmo. Trata-se de uma aceitação particular do próprio modo de ser que permite não dramatizar a situação em que nos encontramos, isto é, a não me levar muito a sério e não levar muito a sério os demais." (p. 76)


"'Em minha vida, só me arrependo de não ter sido mais gentil', disse o escritor George Saunders quando, em 2013, foi convidado a proferir um discurso como patrono dos graduandos na Universidade de Siracusa, nos Estados Unidos. Em seu discurso, propôs a gentileza como regra para o sucesso de quem está começando a carreira profissional:

'De quem vocês se lembram com mais carinho no decorrer da vida? Com o mais inegável sentimento de cordialidade? Daqueles que eram mais gentis com você, aposto. Talvez isso seja um pouco simplista, e é certamente difícil colocá-lo em prática: no entanto, eu diria que, como objetivo de vida, vocês fariam bem se tentassem ser mais gentis.'"

Será que custa tanto tentar ser mais gentil e sorrir mais, compartilhar com mais pessoas um sorriso? Não sei se conseguirei, mas vou tentar!


terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Pegadas no riacho






Caminhava nas águas geladas do riacho sombreado, deixando que os seixos massageassem seus pés. O calor intenso era interrompido quando levava a mão até a água e jogava um pouco sobre o rosto e o corpo. Havia uma sinfonia de pássaros, insetos, folhas e galhos a balançar com o vento quente do verão que pouco refrescava. Aquele concerto da natureza, gratuito, mas tão despercebido por muitos, era o que precisava para apaziguar a alma. Sempre que podia, fugia para aquele recanto, afastado da civilização, onde o céu era de um azul profundo, onde a terra era vibrante e o verde das árvores retorcidas tinha se desbotado ao longo da estação.

Parou por um instante e olhou fixamente para fundo do riacho. A água lhe acariciava os joelhos. As pegadas trilhadas pela água não deixavam rastro. As pedras repousavam no leito do riacho, adormecidas por anos, silenciosas, até que fossem despertadas por uma intrusa. Pensou em levar algumas consigo, mas desistiu. A harmonia era tanta que temeu desequilibrar tudo que a cercava. Fechou os olhos, respirou fundo e deixou-se ouvir o cantar da natureza. Ergueu os olhos para o alto, um céu sem nuvens ou qualquer traço de cor que não fosse matizes de azul, e agradeceu pela dor, pelas lágrimas, pela alegria do momento, pela vida que ainda lhe restava.


sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Poesia: Despida




DESPIDA

abraçou-se
e diante do espelho,
no isolamento do quarto,
alma despida de máscaras e maquiagem
apenas brilhou linda.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Conto: Um domingo qualquer


Dia branco, by @missuniversoproprio

UM DOMINGO QUALQUER


O sol adentrava pela janela da sala, ainda tímido, naquela manhã fria de final de inverno paulistano. Com uma xícara de café, daquelas grandes, sentou-se na poltrona ao lado do sofá, esticando as belas pernas e apoiando-as sobre a mesa de centro. Contemplava os raios que penetravam pela janela, invadindo seu espaço privado. Segurou a xícara com as duas mãos, aproveitando o calor da porcelana azul. Uma das cachorras aproximou-se e apoiou a cabeça sobre sua coxa, pedindo um carinho matinal.

Bebericou o café, levantou-se, abriu a porta da varanda e ficou a ouvir o ruído tranquilo e preguiçoso da manhã de domingo. Não havia carros, ônibus, motos ou qualquer outro barulho de veículo motorizado, apenas uma leve brisa a criar um rebuliço nas folhas das árvores da praça em frente. Alguns poucos pássaros se agitavam entre as folhas e a cidade ganhava contornos de cidade de interior, onde prevalecia apenas o cantar da natureza. Achou estranho o silêncio, mas percebeu um certo reconforto, um acolhimento tranquilizador da metrópole. Sentiu frio nos pés descalços e voltou a entrar.

A cada novo dia a esperança renasce no ser, no viver. Um vestido plúmbeo de alça fina caiu-lhe bem. Era discreto o suficiente para não chamar atenção, mas permitia realçar suas qualidades físicas, perceptíveis ao olhar mais atento.  Acendeu um cigarro e deu uma longa tragada. Não era um vício, mas um prazer solitário que mantinha desde os tempos de faculdade. Gostava de fumar e se divertia com as piruetas da fumaça subindo da ponta do cigarro em brasa. Era um momento só dela, onde vasculhava seu interior e refletia. Em tempos de exclusão de fumantes, sua casa era um refúgio onde podia fumar sem reprimendas ou olhares tortos e condenatórios, onde podia caminhar nua pelos cômodos sem olhares indiscretos de vizinhos, onde ouvia as músicas que gostava e lhe davam energia para enfrentar cada dia.

Naquela manhã, não havia música no interior do apartamento, apenas o silêncio. Quando estava compenetrada, sua beleza era mais notada. Os olhos traziam consigo uma força inquebrável, não como um super-herói de filme da Marvel em que um raio destruidor está prestes a brotar dos olhos da heroína, mas se assemelhavam a de uma esfinge que nos convida a decifrá-la, se é que é possível decifrar o pensamento e o âmago de uma mulher.

Apagou o cigarro, amarrou um lenço de seda no pescoço, checou a bolsa, pegou o celular e hesitou. Estava na hora de ir, mas sentiu medo. As mãos estavam geladas. Respirou fundo e deu um passo em direção à porta. Não era possível mais adiar aquela conversa. A amiga não imaginava o assunto, mas ela precisava falar e derramar sobre a mesa tudo que sabia. Guardar para si o que tinha visto tornara-se sufocante, um peso impossível de carregar. Precisava dar vazão a tudo que estava retido, mesmo que pudesse custar a longa amizade. Abriu a porta e chamou o elevador.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Conto: Fino traçado

Minimal is Good 8 by Raid71


CONTO: FINO TRAÇADO



As ondas abraçavam seus pés à beira-mar com delicadeza. Um abraço mais frio do que o usual, afinal inverno no Rio de Janeiro traz consigo águas marinhas mais frias, mas nada que lhe incomodasse. Seria muita pretensão reclamar do inverno no Rio de Janeiro, se é que podemos chamar de inverno uma época onde a temperatura baixa alguns poucos graus e o sol continua a brilhar sem trégua.  

O mar estava calmo e a praia semideserta naquele ponto do Leme. Olhou para baixo e deixou-se hipnotizar pelo ritmo constante das ondas calmas, que vinham, acariciavam sua pele, depois iam-se sem cansar. Perdeu-se na contemplação do mar, algo que nunca lhe cansava. Eram mais de quarenta anos morando naquela cidade de São Sebastião, abençoada por uma beleza natural inigualável, à beira do oceano que lhe parecia infinito quando criança.

Marina nascera no Leme. Seus avós moravam em Copacabana. Seus tios entre estes dois bairros. Vivia cercada de primos e família. A vida era boa. Não havia do que reclamar. Veio a adolescência, a faculdade de economia na PUC, o casamento com o Bernardo, o nascimento de Laura, a briga, as discussões, a separação. Um roteiro tão previsível quanto tema de novela. Nenhuma separação passa incólume. Deixa cicatrizes na pele, sulcos no coração, marcas na alma.

Ficou de cócoras e passou a desenhar na areia com um dedo. Um longo e fino traçado sinuoso logo era apagado pelas ondas. Seria tão bom, pensou, se as lágrimas derramadas tivessem o poder mágico de apagar feridas como as ondas do mar alisam a areia, apagando pegadas, destruindo castelos construídos por crianças, varrendo o lixo abandonado por cidadãos mal educados. Lágrimas seriam um santo remédio, mas não são nada mais do que o acúmulo de dor em forma líquida, que jorra por um vertedouro, esvaziando o reservatório interno com capacidade que parece nunca se esgotar. Só o tempo prova que aquela caixa d’água interna é finita. Em certa hora, as lágrimas secam, a dor se esvai e a alma volta a vibrar diante da vida.

As lágrimas de Marina ainda não haviam cessado. Desejava tanto que pudessem lavar a pele e arrancar as cicatrizes, deixando a pele igual à de um recém-nascido. Quis acelerar o tempo, quis voltar no tempo. Tudo parecia confuso e embaralhado.

Voltou a desenhar na areia uma silhueta feminina, como Bernardo fazia ao percorrer cada recanto de seu corpo. Com a ponta do dedo, deslizava por sua pele, descobrindo curvas, recantos, detalhes. Ele parecia retratar seu corpo numa tela em branco, com leves pinceladas de cor e vida. Ela ficava admirada com o carinho e as palavras que marcavam aqueles momentos de início de relacionamento. O tempo parava, os problemas desapareciam, o trabalho da faculdade que estava atrasado evaporava, a doença do avô era esquecida. Tudo era simples e parecia fácil.

Uma linha. Uma onda. E tudo desapareceu.