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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Feliz Natal!



Desejamos a todos os nossos leitores e amigos, um Feliz Natal! Que o nascimento do menino em Belém seja um motivo de alegria e renovação em nossas vidas!

E que o ano novo de 2020 seja um ano repleto de conquistas, realizações e um Brasil mais próspero, tolerante e com redução de desigualdades! Que seja um ano de efetiva retomada econômica, de melhorias na educação e na saúde, que seja um ano de retomada do diálogo e de um esforço coletivo para melhorar este país, que o Congresso e os políticos sejam sensíveis à realidade e que o Judiciário seja mais ágil, equilibrado e saiba abrir mão de privilégios que oneram o Estado.


quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Presépio





Os caminhos devem nos levar ao presépio nestes dias de Natal. Ouvi de um sacerdote a recomendação, o bom conselho, de que deveríamos usar o tempo de Natal para meditar diante do presépio, contemplar a cena, refletir, conversar com Deus menino na manjedoura. Na primeira vez, não compreendi o que isto significava, nem a razão de ser da tradição de se montar presépios nas casas e nas igrejas.

A tradição do presépio remonta a 1223, quando São Francisco de Assis criou o primeiro presépio vivo, com personagens reais, na sua igreja de Grecchio, na Itália. Este piedoso costume medieval espalhou-se rapidamente e chegou aos nossos dias. Na casa de minha avó, o presépio com peças de louça italiana ganhava um lugar de destaque ao lado da árvore de natal. Desde pequeno, ajudei a montar um presépio com peças italianas artesanais e de muito bom gosto, que se completavam com uma pequena construção de madeira a lembrar o estábulo na cena da natividade.

O presépio não era uma mera tradição, mas uma lembrança viva, o centro da comemoração da data natalina, a razão de ser daquele dia tão especial. Levado mais pelo embalo da tradição do que pela vivacidade da fé, comprei um presépio em Portugal, simples, apenas 3 peças, mas muito aconchegante. Desde que me casei, o presépio é montado numa mesinha de canto na sala, a Sagrada Família a nos observar.

Era dezembro, o presépio montado em seu lugar habitual. Minha filha havia nascido em maio e tinha pouco mais de 6 meses de vida. Sempre chorava muito antes de dormir. Chorava até ficar exausta e cair no sono, o choro era a sua luta constante contra o descanso. Numa noite, embalava-a na sala, luzes quase todas apagadas, o silêncio era cortado apenas pelo choro ensurdecedor e desesperador da pequena no meu colo. Caminhava de um lado para outro, cantando baixinho alguma cantiga de ninar. O choro não cedia. Ela parecia renovar forças e berrar mais alto, irritando-me cada vez um pouco mais. Tentei ser paciente, mas houve um determinado momento em que a paciência se esvai. Entendi a razão de ser de tantos infanticídios, de crianças abandonadas pelas mães, do estado puerperal tão falado em aulas de direito penal nos tempos de faculdade. Tive vontade de lançar aquela pequena criatura contra a parede tamanho o desespero que me dominava.

Então, avistei o presépio, como se a Sagrada Família estivesse ali a me observar, aguardando o momento exato para me chamar e me convidar a sentar-se com eles, naquele estábulo de Belém, naquela noite fria, onde todos lhe negaram hospedagem. Olhei a cena e fui tomado de uma paz inesgotável meditando sobre como Nossa Senhora, como Maria, como uma mãe se sentiria dando à luz a um filho ao relento, num estábulo, no inverno da região, sem ter o conforto de uma estalagem, sem ter comida e lugar para dormir e se abrigar.

Meditei naquele momento e entendi a importância do presépio. A paz inundou meu coração e pouco depois a pequena Ana parou de chorar e adormeceu. Devo ter ficado com ela no colo mais uma hora, apenas meditando e rezando diante do presépio. Deus me concedeu a alegria de entender um pequeno pedaço da dimensão do nascimento do menino Jesus em Belém.

A partir daquele ano, em que passei a entender melhor a importância de se montar um presépio, levei à risca a recomendação do sacerdote de meditar diante do presépio. E quanto bem me faz! Olhar para a humildade do menino Deus, para o silêncio e a discrição da cena, para o recolhimento e a paz interior de todos que ali passaram.

Que neste Natal, o amor inunde nossos corações e renove a fé e a esperança com a certeza de que Deus nos têm como seus filhos queridos e amados!

FELIZ NATAL A TODOS!!

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Conto: Na noite de Natal



NA NOITE DE NATAL

Ele faltou naquele ano. E faltará em todos os anos seguintes. A ninguém é dado escolher a hora, o dia, a data, o ano, a forma. Há um momento exato em que acontece e este momento é irreversível.

Ele não veio à festa de Natal naquele ano. A casa parecia vazia. Meu coração estava vazio. Era tudo muito recente e a morte não parecia combinar com a comemoração de um nascimento. A alegria me pareceu falsa, fabricada. As crianças corriam pela sala com seus brinquedos novos em meio a papéis de embrulho rasgados, laços destruídos e fragmentos de fitas adesivas e embalagens.

Olhei ao redor. Todos rindo, comendo, bebendo, tirando fotos. A vovó sentada na poltrona no canto da sala, com o olhar distante e perdido no infinito. Percebi uma lágrima a escorrer-lhe pelo rosto. Fui até ela. Sentei ao seus pés e ela alisou meus cabelos, num cafuné amoroso e demorado.

- Quando alguém se vai, ficamos tristes, mas há alegria no céu com cada nova alma que nasce para a eternidade. O céu deve estar em festa e ele está lá com os anjos, olhando por nós, cuidando de nós, zelando para que as boas pessoas continuem ao nosso lado, intercedendo ao pequeno menino na manjedoura para que afaste de nós o mal, as pessoas egoístas, as pessoas que não querem o nosso bem.  Dói não tê-lo por perto, mas vamos mantê-lo vivo em nossos corações, vamos lembrar dele a cada memória boa, a cada estória contada para os pequenos. Vamos encontrar a alegria na dor passageira, na saudade que fica.

Abracei-a demoradamente, pois ela ainda está conosco. E suas palavras, ainda que por um momento, apaziguaram meu coração.


*   *   *   *   *

Que o nascimento do menino Jesus traga alegria e esperança para nossos corações, cicatrize as feridas e abençoe nossas vidas neste Natal.

Feliz Natal a todos os amigos, leitores e àqueles que passam por aqui.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

É Natal!




É chegada mais uma noite de Natal, véspera na verdade, mas no Brasil a data é motivo de reunião familiar, de confraternização, de troca de presentes. Natal é um momento de reflexão, de perdão, um momento para exercitamos a paz, a harmonia e a humildade, de olhos postos no presépio e no aniversariante do dia. Ainda que o querido leitor não seja católico, a razão de ser desta data é a celebração do nascimento de Cristo.

Aproveite a data - mesmo que não acredite - para deixar a palavra emocionar, para tocar as pessoas que amamos, para mandar um SMS, um recado, um email ou um telefonema para amigos próximos e distantes, para lembrar das pessoas que foram importantes em mais este ano que se vai. A palavra tem o poder de emocionar, de tocar, de descongelar corações, de romper barreiras, de construir pontes. Façamos uso da palavra de forma construtiva e positiva nesta data festiva.

Que o Presépio seja fonte de luz, paz e alegria e a todos os nossos amigos, leitores e familiares um Feliz Natal!


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

The Tree


Não é necessário compreender o que as pessoas estão dizendo, basta ver. Um pequeno gesto pode mudar o mundo; um pequeno gesto corajoso torna o impossível, possível.

O Natal é um daqueles raros momentos no ano para pequenos gestos, para mudança, para conversão, para reflexão, para esquecer de si e pensar nos outros.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Um pequeno causo natalino


- Filho, o que você vai querer de Natal? Precisa escrever a carta para o Papai Noel.

- Eu quero uma motocicleta com controle remoto! - afirmou o pequeno de quatro anos.

A mãe perplexa, desconhecendo a existência do produto no mercado, retrucou:

- Mas onde você viu este brinquedo para vender?

- Não tem pra vender, mãe. O Papai Noel não tem uma fábrica de brinquedos? Então, ele vai receber minha cartinha e vai fabricar uma moto para mim.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Epígrafe Natalina


"Mas não havia anjos apenas ao redor do pastor: estavam por toda a parte. Encontravam-se pousados na gruta, na montanha ao redor dela e esvoaçando pelo céu. Chegavam andando em grandes multidões pelo caminho, e ao passar paravam para ver o Menino. Reinavam entre eles um júbilo e uma alegria indescritíveis, cânticos e brincadeiras, e tudo isso pôde ele ver na noite escura, na qual antes nada vira. E também ele se alegrou tanto de que os seus olhos se tivessem aberto que caiu de joelhos e deu graças a Deus. 


Mas, ao chegar a este ponto, a vovó suspirou e disse:


- E o que aquele pastor viu, nós também podemos vê-lo, pois os anjos revoam sob o céu em todas as noites de Natal, desde que tenhamos olhos para vê-los.


E a seguir pôs a mão sobre a minha cabeça e disse:


- Você não deve jamais esquecer disto, pois é tão verdadeiro como é verdade que eu vejo você e você me vê. O que importa não são luzes nem lâmpadas, o que importa não é o sol nem a lua; o que é necessário, isso sim, é que tenhamos olhos capazes de ver a Glória de Deus."

(Selma Lagerlöf. "A Noite Santa" in Contos de Natal. São Paulo : Ed. Quadrante, 2005,  p. 17)

A romancista sueca Selma Lagerlöf tornou-se em 1909 a primeira mulher a ganhar o prêmio Nobel de Literatura.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Quantos natais você ainda têm?


Estendo um afetuoso convite a você, meu querido leitor, para caminhar ao meu lado pelas linhas a seguir. Volte no tempo. Reative na memória os natais da infância, na casa da avó ou da tia, com toda a família reunida, a noite quente, os apertos na sua bochecha, os comentários repetidos de como você cresceu, como você está grande, como você está bonito, o olhar comprido lançado ao presente que o primo ganhou e que você julgou ser melhor que o seu presente, a cardápio repetido e aquele peru que nunca que lhe agradou - mesmo com molho, o refrigerante à vontade - afinal era noite de festa -, não ter que ir para a cama cedo e poder ficar brincando e correndo e jogando bola com os primos. 

Quando se consulta a memória sobre estes eventos, há uma avalanche de bons sentimentos e lembranças. Lembro dos meus natais quando era criança com enorme carinho e nostalgia. Não me refiro a uma nostalgia negativa e pejorativa, saudosa de tempos que não voltam; refiro-me a uma nostalgia boa, à lembrança daqueles que já partiram e não convivem mais conosco. 

Com o passar dos anos, a maturidade batendo à porta, costumo deixar o olhar varrer a sala na noite de Natal, olhar silencioso e atento, e lembrar dos meus avós, tios e parentes que acompanham a celebração junto do Menino Deus. A prece brota do coração, imperceptível aos presentes, mas vigorosa e eleva-se até os céus. 

Não consigo imaginar a noite de Natal sem os familiares ao meu redor. Gosto do encontro, gosto dos reencontros e do momento. Gosto de congelar as imagens que permaneceram vivas na minha mente enquanto eu viver e que manterão vivos estes entes queridos. Fotos captadas pelo olhar e álbuns de fotos que são revistos por todos. Alguns podem deixar os olhos marejarem na deliciosa viagem pela memória, mas todos felizes ao rememorar um passado do qual fomos parte.

Não sei quantos natais terei ainda. Aos 40 anos, a vida deixa de parecer infinita, mas isto em nada desanima ou suga a seiva vital. Isto apenas traz consigo a serenidade de saber que sou uma criança caminhando ao encontro do Pai, ao encontro do pequeno menino que nasceu numa manjedoura numa noite como aquela. Em Belém, uma família estava reunida. Agora, somos nós que nos reunimos, cada um com os seus familiares.

Um gesto é mais eloquente do milhares de palavras. Aproveite a noite de Natal para dar aquele abraço, responder ao cartão de natal (ou os votos de feliz natal recebidos por email), enviar aquelas palavras de carinho, abrir um sorrisos todo especial ou rezar por aquela pessoa tão querida - ainda que ela não saiba ou tenha se esquecido de você. A noite de Natal é mágica e é capaz de transformar cada gesto singelo em um infinidade de bençãos e de alegria duradoura.

Um Feliz e Abençoado Natal a todos os amigos e leitores deste blog e a todos que nos fazem companhia nesta longa jornada!

sábado, 25 de dezembro de 2010

Noite de Natal


O Natal
Odylo Costa, filho

Na palha já velhas
do antigo curral
nasce o Deus menino.
E o reino animal,

seguindo os pastores,
logo se movia
para ver Jesus,
José e Maria.

E os anjos cantavam
por vales e céus
a paz entre os homens
e a glória de Deus:

alegria eterna,
sempre renovada,
notícia perene,
noite iluminada.

(Poesia Completa. Rio de Janeiro : Aeroplano : Fundação Biblioteca Nacional, 2010, p. 341)

FELIZ NATAL A TODOS!