sexta-feira, 24 de junho de 2011

Viagens e viagens

Centennial Olympic Park, Atlanta, EUA



Destinos de viagem são tema recorrente quando os meses de férias se aproximam. Numa conversa entre amigos, um deles afirmou com segurança que não existia viagem ruim ou destino ruim, pois a viagem por si só já é um evento inesquecível. Alguns discordaram, torceram o nariz, acharam o sujeito otimista demais.

Seguiu-se uma saraivada de locais inóspitos, bregas, pouco charmosos e pouco atraentes, verdadeiros “micos” ou “programas de índio”. Aquele local de praia onde só tem farofeiro; aquela região da serra onde as pousadas são improvisadas e a estrutura é precária e sem água quente; aquele passeio de barco para pescar onde os pernilongos e mutucas te devoram vivo; aquela cidadezinha remota que exige você andar 100km numa estrada de terra esburacada; o passeio de escuna em que todos enjoaram e foram privados de contemplar o mar azul…e assim os exemplos se sucediam e pareciam infinitos.

Ele não se alterou com os argumentos do povo ouriçado. Manteve-se calmo e frio. Ouviu todos pacientemente e pediu alguns esclarecimentos. Todos – sem exceção – tinham um evento de viagem curioso para contar, alguma anedota, algum caso surpreedente. E invariavelmente, todos riam e gargalhavam.

Então, ele arrematou: “Estão vendo? Toda viagem é boa. Pode ter sido desagradável ou com problemas, mas serviu para que agora déssemos boas risadas. O que seria de uma viagem perfeita sem imprevistos? Não teria a menor graça.”

De fato, refletindo sobre esta sábia ponderação, cheguei à conclusão de que toda viagem é boa. Viajar traz uma carga enorme de novas informações para o cérebro que se vê estimulado diante de algo novo. Sinto-me como uma criança que abre os olhos maravilhada diante de alguma nova descoberta, algum brinquedo presenteado, algum objeto recém construído. Toda viagem traz consigo uma infinidade de novas experiências, que podem ser boas – ou não -, mas cuja avaliação é subjetiva. Se o sujeito abraça a jornada com o espírito aberto, o tempo longe de casa será renovador; se o indivíduo inicia a viagem emburrado e reclamando, pode ter certeza de que nem o melhor hotel do mundo lhe agradará.

A boa viagem é aquela que nos traz de volta ao lar com a bagagem lotada de novidades e de descobertas.


Um comentário:

Maíra da Fonseca Ramos disse...

Também acho que toda viagem seja boa; às vezes até férias em casa já vale a pena... E se a viagem feita render boas lembranças na bagagem, tanto melhor...