terça-feira, 18 de outubro de 2011

Crônica: Despertador


DESPERTADOR


Era uma manhã de sol, não importando o dia da semana. Deveria ser sábado ou domingo; ou algum feriado. Um dia não útil, ou melhor, um dia em que não se trabalhava. Estava sentado numa arquibancada de madeira, daquelas bem rústicas e precárias, com uma estrutura de ferro e que lembravam um andaime. Ficava na lateral do campo perto de onde os jogadores infantis se aglomeravam no que poderia ser chamado de banco de reservas. Deixava o olhar passear pelos meninos que corriam atrás da bola durante o aquecimento, cada qual com sonhos de voos mais altos.

Avistei-a de longe e ela sorriu quando me viu. Cabelos molhados que lhe caíam muito bem, rosto sem maquiagem, ao menos imperceptível para um homem, e uma alegria que se notava. Penso que parte daquela alegria fosse devida ao fato de vê-lo ali e isto o alegrou também. Sentou-se do seu lado. Ela falava e ele ouvia. Num e noutro lance mais emocionante, ele sentia ela pegar-lhe no braço, um leve aperto, a mão repousando sobre seu antebraço. O gesto de alguns segundos se cristalizava e um arrepio lhe percorria a espinha. O sorriso era incontido.

O jogo terminou e caminharam juntos por alguns instantes.

Então, o despertador tocou, acordando-o com uma música desconhecida. Ao longo do dia, permaneceu a sensação agradável que o sonho lhe presenteara.

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