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terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Essa amplidão, de Marina Colasanti
ESSA AMPLIDÃO
Abertas pernas neste fim de tarde
não é apenas teu corpo que me invade
deitado sobre o meu.
Essa amplidão lá fora entre as montanhas
o ouro dos ipês, as quaresmeiras,
o chamar-se dos cães, os
sons distantes
tudo me adentra e lambe
como água
tudo me acaricia
tudo me expande.
Mury 2008
(Passageira em trânsito. Rio de Janeiro : Record, 2009, p. 121)
Postado por
Renato
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10:43 AM
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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
O Livro das Palavras: uma contribuição sobre o processo criativo
"Em que medida as constantes mudanças de seus primeiros onze anos de vida e os cenários de infância ajudaram a definir seu caminho literário?
Em todas as medidas. Ao estabelecer a característica itinerante da minha vida, me deram desde o início a consciência da solidão - você é mais só quando é diferente - e da multiplicidade do mundo. E me deram, tesouro maior, a leitura - porque tudo ficava para trás a cada mudança, meus pais supriam com livros esse vazio."
(O Livro das Palavras : conversas com os vencedores do Prêmio Portugal Telecom. org. José Castello e Selma Caetano. São Paulo : Leya, 2013, p. 131)
A resposta foi dada por Marina Colasanti em excelente obra lançada pela Leya no dia da entrega do Prêmio Portugal Telecom de Literatura 2013.
A obra traz entrevistas com os vencedores anteriores do Prêmio e discute o processo criativo da escrita, a literatura, a construção das personagens, dos diálogos, dos enredos. A lista contém 27 nomes da prosa e da poesia, mas todos tratando do mesmo assunto.
Para quem gosta de escrever, é leitura imprescindível e de grande valia.
Curiosas são as respostas de Dalton Trevisan, que ganhou o Prêmio, mas não compareceu à cerimônia de entrega e respondeu às perguntas por escrito.
"Nada a dizer for dos livros. Só a obra interessa, o autor não vale o personagem. O conto é sempre melhor que o contista.
Vampiro, sim de almas. Espião de corações solitários. Escorpião de bote armado, eis o contista.
Para escrever o menor dos contos a vida inteira é curta. Uma história nunca termina, ela continua depois de você." (p. 70)
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Marina Colasanti ganha Prêmio Jabuti 2010
A escritora Marina Colasanti foi escolhida como autora do melhor livro de poesia de 2010 e conquistou o Prêmio Jabuti. Seu livro Passageira em Trânsito foi mencionado neste blog e algumas poesias transcritas, apenas como aperitivo e provocação ao leitor. Sei bem que poesia não agrada a todos e que sua compreensão pode depender do momento, mas a poesia faz bem à alma.
Os resultados foram divulgados no dia 1o. de outubro pela Câmara Brasileira do Livro.
Romance
1º) Se eu Fechar os Olhos, Edney Silvestre (Record)
2º) Leite Derramado, Chico Buarque (Companhia das Letras)
3º) Os Espiões, Luis Fernando Veríssimo (Objetiva)
1º) Se eu Fechar os Olhos, Edney Silvestre (Record)
2º) Leite Derramado, Chico Buarque (Companhia das Letras)
3º) Os Espiões, Luis Fernando Veríssimo (Objetiva)
Contos e crônicas
1º) Eu Perguntei pro Velho se ele Queria Morrer (e Outras Histórias de Amor), José Rezende Jr. (7Letras)
2º) A Máquina de Revelar Destinos Não Cumpridos, Vário do Andaraí (Dimensão)
3º) Paulicéia Dilacerada, Mario Chamie (Funpec)
1º) Eu Perguntei pro Velho se ele Queria Morrer (e Outras Histórias de Amor), José Rezende Jr. (7Letras)
2º) A Máquina de Revelar Destinos Não Cumpridos, Vário do Andaraí (Dimensão)
3º) Paulicéia Dilacerada, Mario Chamie (Funpec)
Poesia
1º) Passageira em Trânsito, Marina Colasanti (Record)
2º) Sangradas Escrituras, Reynaldo Jardim Silveira (Star Print)
3º) Lar, Armando Freitas Filho (Companhia das Letras)
1º) Passageira em Trânsito, Marina Colasanti (Record)
2º) Sangradas Escrituras, Reynaldo Jardim Silveira (Star Print)
3º) Lar, Armando Freitas Filho (Companhia das Letras)
Biografia
1º) Nem Vem que Não Tem: Vida e Veneno de Wilson Simonal, Ricardo Alexandre (Globo)
2º) Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão, Lira Neto (Companhia das Letras) e Euclides da Cunha: Uma Odisséia nos Trópicos, Frederic Armony (Ateliê Editorial)
3º) Bendito, Maldito: Uma Biografia de Plínio Marcos, Oswaldo Mendes (Leya)
1º) Nem Vem que Não Tem: Vida e Veneno de Wilson Simonal, Ricardo Alexandre (Globo)
2º) Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão, Lira Neto (Companhia das Letras) e Euclides da Cunha: Uma Odisséia nos Trópicos, Frederic Armony (Ateliê Editorial)
3º) Bendito, Maldito: Uma Biografia de Plínio Marcos, Oswaldo Mendes (Leya)
Com esta seleta lista, não há razão para embarcar no feriado sem uma boa leitura.
Postado por
Renato
às
8:55 PM
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sábado, 28 de agosto de 2010
Antes que, de Marina Colasanti
ANTES QUE
Preciso ler um bom poema antes
de dormir
antes que a noite encerre o
diário inventário das lembranças
antes que o sono cale boca e olhar, antes
que o prumo caia
horizontal.
Preciso ler um bom poema antes
que seja tarde
que fique escuro
que chegue o frio.
Ler um bom poema antes que a morte venha
e escreva o seu.
(Passageira em trânsito. Rio de Janeiro : Record, 2009, p. 49)
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Minhas filhas vida acima, de Marina Colasanti
MINHAS FILHAS VIDA ACIMA
Minhas filhas não têm mais
vinte anos
e há muito
já não trançam mais os cabelos.
Usaram saltos altos antes do tempo
ganharam bicicleta
depois carro
e enfim puseram calcanhar no chão.
Agora crescem sem baixar bainhas
levando a vida às costas
vida acima.
Eu as olho do alto com ternura
estendo a mão
mas não escapo à sina
elas sobem a encosta
eu vou descendo a quina.
(Passageira em trânsito. Rio de Janeiro : Record, 2009, p.103)
A maternidade ao avesso, vista poeticamente pela mãe. Um dia após o dia dedicado a todas as mães deparei-me com este poema de Marina Colasanti. Mãe também. Lança nas linhas acima o olhar da mãe sobre as filhas que cresceram, e como ela desfrutam dos prazeres e das dores, das agonias e das alegrias de ser mãe.
A vida tem seus ciclos e a mãe reflete, feliz, sobre o início de um novo ciclo.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Recado, de Marina Colasanti
RECADO
No céu de puro azul
das três da tarde
uma fatia de lua
pálida embora
me diz
que mesmo ao sol
noite não dorme,
e o escuro
não demora.
(Passageira em trânsito. Rio de Janeiro : Record, 2009, p. 84)
Livro fresquinho de poesias que encontrei na Livraria da Vila. Delicioso deparar-se com um livro de um autor desconhecido por mim e ser tomado pela sonoridade das palavras a ponto de esquecer da realidade presente e levitar.
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