quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Conto: Noite Insone


A luz azulada no único apartamento com sinal de vida oscila e desenha a silhueta de um anônimo a compartilhar comigo a solitária insônia. Passa das duas da manhã e o silêncio me faz companhia, inundando a madrugada e permeando meus pensamentos. Penso em silêncio. Sobre o silêncio apoio-me, como se fosse um barco a conduzir-me pelas águas calmas de um lago.

Aperto os olhos tentando decifrar a silhueta no apartamento ao longe. Seria um homem ou uma mulher? Jovem ou idoso? Não tenho êxito na missão e os pensamentos começam a se enevoar com a avalanche do cansaço que me convida ao leito.

Um carro interrompe a quietude com o ronco do motor. E tudo volta a ficar calmo. E quieto. A madrugada está fria. Os pés descalços incomodam-me ao sentir o chão gelado da sacada. As pálpebras fraquejam e iniciam o movimento descedente. Forço-as para cima, ainda entretido com a luz azulada que exerce uma força hipnotizante sobre mim. Teria o espectador morrido na cadeira? Ou adormecera com a televisão ligada?

Minhas perguntas são vãs. Que diferença faz? Para que servem estas conjecturas? A resposta é muito clara: para nada, além de puro entretenimento enquanto o sono não me dá o ar da graça. Chega de perder tempo com ilusões e curiosidades vãs. Vou dormir. Boa noite!

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