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terça-feira, 22 de setembro de 2015

Epígrafe - XXXIV



"A pequena alameda continuava descendo até uma clínica que se encontrava no meio do parque. Tinham parado de falar, mas ouvia o rumor das rodas da cadeira no cascalho. Gostaria de ter se virado, mas não conseguiu. A coisa mais linda do mundo. Disse uma menina careca em uma cadeira de rodas, conduzida por uma enfermeira. Ela sabia qual era a coisa mais linda do mundo. Ele, ao contrário, não sabia. Como era possível que na sua idade, com tudo aquilo que vira e conhecera, ainda não soubesse qual era a coisa mais linda do mundo?"

(Antonio Tabucchi. O tempo envelhece depressa. trad. Nilson Moulin. São Paulo : Cosac Naify, 2010, p. 47)

segunda-feira, 26 de março de 2012

Morre o inquieto Antonio Tabucchi


Antonio Tabucchi era esperado na FLIP 2011.  Desistiu de comparecer em repúdio ao fato do Brasil ter rejeitado a extradição de Cesare Battisti, italiano condenado por crimes comuns, mas que o Supremo Tribunal Federal entendeu como perseguido político. A decisão de Tabucchi revela sua coerência e fortes posições políticas. A decisão foi criticada por alguns, mas para quem conhece a obra de Tabucchi, fica muito fácil compreender sua atitude.

Tabucchi morreu ontem em Lisboa, aos 68 anos, depois uma batalha contra o câncer, como noticiou o Estadão

O tempo envelhece depressa foi sua última obra publicada no Brasil e comentada neste blog no início de 2011 (o post pode ser lido aqui). Nesta coletânea de contos, Tabucchi trata da memória, da passagem do tempo, do envelhecimento, do perdão. Contos que indicam o cosmopolitismo e multiculturalismo do escritor, algo facilmente notado nesta última obra.

Antonio Tabucchi é um dos escritores italianos atuais mais importantes. Era professor de literatura e ao deparar-se com um poema de Fernando Pessoa, encantou-se. Estudou português para poder ler e apreciar a obra do poeta em sua língua original. Além de escritor, crítico e ensaísta, traduziu a obra de Fernando Pessoa e Carlos Drummond de Andrade para o italiano.


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Epígrafe - XII

Cavalo, High Museum, Atlanta, EUA.


"(...) evidentemente os sonhos não enferrujam e tampouco as emoções que os acompanham (...)"

(Antonio Tabucchi. O tempo envelhece depressa. Trad. Nelson Moulin. São Paulo : Cosac Naify, 2010, p. 137)



quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Epígrafe - XI



"Pensou nos ventos da vida, porque há ventos que acompanham a vida: o zéfiro suave, o vento quente da juventude que depois o mistral se encarrega de refrescar, certos ventos africanos, o siroco que te abate, o vento gélido da tramontana. Ar, pensou, a vida é feita de ar, um sopro e basta, respiro, depois um dia a máquina para e a respiração termina."

(Antonio Tabucchi. O tempo envelhece depressa. Trad. Nelson Moulin. São Paulo : Cosac Naify, 2010. p. 110)