segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Epígrafe - XVII
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Epígrafe - XV
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Paciência
E avermelhava-lhe a brasa, soprando-a com delicadeza.
domingo, 27 de setembro de 2009
Falando sozinho
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Sorte ou azar – Parte 2
A anedota merece ser reproduzida e para evitar que o post anterior ficasse muito longo, retomo o tema e a narrativa de Josué Montello:
"Certa vez, na Igreja de Santo Antônio, foi achada uma carteira com dinheiro. Imediatamente, os bons frades afixaram um aviso na sacristia, pondo a carteira à disposição do dono, desde que este provasse, pela explanação do que ela continha, ser realmente o proprietário.
A leitura do aviso dos frades atuou no espírito de Inácio José Ferreira (ou melhor: o Poeta Bacanga) como um raio de inspiração. Imediatamente atirou-se o bardo para o Jornal do Comércio. E ali pôs um anúncio, dizendo ter encontrado uma carteira. Pedia ao dono que passasse por sua casa, na rua tal, númerto tanto, no Castelo.
Assim que o jornal circulou, apareceu na casa do Poeta Bacanga o dono da carteira. Inácio não demorou a recebê-lo.
- Como é ela? – indagou.
Ponto por ponto, o outro deu explicações: a cor, o tamanho, os papéis e cédulas que continha.
- Então não é sua a carteira que eu encontrei – replicou o poeta, mostrando ao homem uma carteira velha que tirou do bolso.
Assim que o senhor, desapontado, saiu fora de portas, o vigarista subiu as escadas da igreja de Santo Antônio. De posse das informações necessárias, descreveu aos frades a carteira e seu conteúdo e entrou logo na posse do dinheiro.
O gênio do vigarista merecia o prêmio. Merecia. E não se pense que, por ser ladrão, não tinha melindres. Tinha-os, e à flor da pele. Tanto assim que, ao se ver retratado, com o nome de Pereira, na comédia Verso e Reverso, de José de Alencar, quis castigar a bengaladas, no próprio teatro, o famoso teatrólogo. Este, para não apanhar, correu. E como era pequenino, e ágil, conseguiu escapar à fúria do Poeta Bacanga." (Diário do Entardecer. Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1991 p. 49)
E por falar em cara-de-pau e malandragem, o discurso que ecoou ontem nos jornais televisivos e está reproduzido nos jornais de hoje, revela que o Brasil de ontem e de hoje é o mesmo. Triste, mas verdadeiro.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Sorte ou azar?
Dois fatos curiosos chegaram aos jornais em dias recentes. Um apostador do Vale do Paraíba acertou a Mega Sena, teria direito a um prêmio de R$ 5 milhões e até a véspera do último dia para resgatar o dinheiro o sujeito não tinha aparecido. Surgiu no último e recebeu a grana. Quase um sortudo azarado.
Outro caso foi o de uma mulher em Israel que guardava US$ 1 milhão dentro do colchão de sua casa. Sua filha resolveu presenteá-la com um novo colchão e jogou o colchão velho no lixo. A coitada da velhinha quase teve um ataque cardíaco ao descobrir que a filha tinha jogado o dinheiro no lixo. Bem, foi o colchão, mas era um colchão valioso.
Deparei-me, nestes feriados, com um interessante trecho do Diário do Entardecer, de Josué Montello, e que transcrevo aqui:
"Dizia Machado de Assis que a mais antiga forma de ficção que se conhece é o conto-do-vigário. E acrescentava: 'Não é propriamente o de Voltaire, Boccaccio ou Andersen, mas é conto, um conto especial, tão célebre como os outros, e mais lucrativo que nenhum.'
Como em toda modalidade de arte, o conto-do-vigário tem criadores e plagiários.
Sou de parecer que, nos casos habituais dos bilhetes de loteria falsamente premiados, que um espertalhão impinge à ingenuidade alheia, nas ruas das grandes cidades, deveriam ir para a cadeia o vendedor e o comprador. Este, por falta de malícia; aquele, por falta de imaginação." (Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1991, p. 48)
O espertinho, nestas horas, merece o castigo de cair na lábia do espertalhão.
segunda-feira, 16 de março de 2009
Pedaços pelo caminho
Boa conversa com Carlos Drummond de Andrade, pelo telefone. O poeta ainda se sente alquebrado com a operação a que se submeteu, há poucos dias, para ablação da próstata.
E ele me diz, na sua voz quase apagada:
- Para viver, depois de certa idade, temos de ir deixando os pedaços de nós mesmos pelo caminho.”
(MONTELLO, Josué. Diário da Noite Iluminada. Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1994, p. 419)
No convívio diário, deixamos pedaços. Sementes lançadas ao vento, ou derramadas cuidadosamente no solo fértil para florescer. Sementes que brotam em forma de sorrisos, de uma palavra amiga, de um olhar carinhoso, de um abraço singelo, de um ouvido atento.
Pedaços íntimos da alma que o poeta desvenda em seus versos e rimas. Pedaços humanos nascidos de uma epifania única que se prolonga no tempo para os leitores.
Pedaços que um escritor utiliza para construir suas personagens, que hão de ser absorvidos por alguém em algum tempo em algum lugar. Não há data certa para que aquele ser fictício imaginado pelo autor venha a inspirar, a dar coragem, a mexer com um jovem – ou adulto, ou velho – que folheie o livro.
Pedaços todos nós deixamos ao longo da vida. Que estes pedaços sejam sempre bons e férteis!
Ontem fez 3 anos que Josué Montello faleceu. Ele deixou seus pedaços pelo caminho. Pedaços valiosos. Pedaços que tornam um momento rotineiro em momentos de descobertas.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Saudade
"A saudade existe no coração, sem necessidade de recordações externas."
Machado de Assis
(Migalhas de Machado de Assis. São Paulo: Migalhas, 2008).
"Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!"
Carlos Drummond de Andrade
("Confidência do Itabirano". Antologia Poética. 26ª. Ed. Rio de Janeiro : Record, 1991).
"Eu próprio, ao refletir sobre os percalços do ano-velho, vejo agora neles a provocação que nos faz amar a vida com outra intensidade. Os calhaus do caminho ficaram para trás. Nossa vida nada mais é do que a transformação do dia de hoje em dia de ontem, enquanto esperamos o dia de amanhã. O que é bom lembrar também se chama saudade."
Josué Montello
(Diário da Noite Iluminada. Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1994, p. 214)
A memória, intangível, silenciosa, guarda, como uma caixinha de joias, os detalhes de tantos momentos vividos, imaginados, sentidos. Fundem-se emoções, realidade, sonhos, vibrações, alegrias, lágrimas e tristezas. Cria-se algo novo, fruto desta mistura de dádivas, que percorre o corpo até o coração. Este, órgão tão potente, estremece diante da saudade e precipita o anseio pelo reencontro.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Trata de escrever

sexta-feira, 14 de março de 2008
Lembrando Josué Montello
Poderia comentar, mas deixo para a reflexão individual dos leitores.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Ano Novo

segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Janelas abertas
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Voltar a ser criança

"Tia Bilu parou o movimento das agulhas, deixou cair as mãos no regaço, por cima do novelo de lã, já com o novo casaquinho terminado:
terça-feira, 18 de setembro de 2007
Palavras de Flaubert
domingo, 16 de setembro de 2007
Personagens e ficção

Interessante como, depois de finalizado, ouvi de duas pessoas idéias muito semelhantes às que tinha colocado no conto, como um reflexo do medo sentido e enfrentado por Octavio, o protagonista.
O processo criativo e a formação de personagens têm me intrigado, pois resolvi abraçar a idéia de escrever um livro. Josué Montello escreveu que seus personagens tinham sempre um referencial de alguém conhecido, todos eles já existiram de alguma forma em alguma pessoa de seu convívio. Trilhas reais que ganham trilhas de ficção.
Lygia Fagundes Telles, na crônica “Bolas de Sabão” (Conspiração de Nuvens. Rio de Janeiro : Rocco, 2007, p.17) retrata algumas conversas com leitores acerca de seus personagens. É curioso como alguns personagens ganham vida própria, deixam de ser meros produtos da ficção e são considerados como figuras históricas de um passado – recente ou não. Eles ganham vida própria como bolhas de sabão que se desprendem do criador e alçam vôo na atmosfera, até que estouram e desaparecem, como ocorre com o final de um livro. Alguns autores afirmam que depois que o livro é concluído, ganha vida própria, foge ao controle do escritor.
E Lygia Fagundes Telles termina assim sua crônica:
“Aparetemente não pensei mais no assunto mas quando um dia me sentei para escrever A estrutura da bolha de sabão já tinha intuído que a imagem da bola era a imagem do amor. E a estrutura dessa bola? Calma, pensei, era preciso inventar um enredo que envolvesse essa imagem. E só lá adiante vou descobrir (ou não) como funciona essa tal de estrutura que deve ser assim como o próprio ser humano, indefinível, inacessível. E incontrolável.” (p. 23)
quarta-feira, 4 de julho de 2007
Descrevendo a amizade

sexta-feira, 1 de junho de 2007
Monteiro Lobato e Meio Ambiente

domingo, 13 de maio de 2007
Ainda sobre as cores da manhã
13 de março de 1981.
(Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1994, p. 232)
segunda-feira, 7 de maio de 2007
Caminhando dia após dia
"31 de dezembro de 1980
(Diário da Noite Iluminada. Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1994, p. 214)
A semana começa e as páginas estão em branco, prontas para serem preenchidas. Só cabe a nós escrevê-las.
quarta-feira, 18 de abril de 2007
Inspiração e criação

Tenho feito esta pergunta nos últimos meses a mim mesmo. Poetas e romancistas têm visões diferentes da inspiração e explicam de forma pessoal o processo criativo. Conclui que a inspiração para escrever é algo individual e distinto, um processo ou fonte de criação que não pode ser transposto ou ensinado. Talvez seja um dom. Talvez seja fruto de esforço pessoal. Não sei a resposta e continuo a buscá-la. Mas independente disto, continuo a escrever, geralmente inspirado.


