10 de agosto de 2026
Pneumonia
Mamãe foi internada no Hospital São Luiz com pneumonia. Vai
ficar na UTI até se recuperar. São 9 anos de luta e decaída e acho que ela está
cansada. Fui tomado por uma dor agora na hora do almoço, um sentimento
profundo de perda e de que o tempo dela está se esvaindo. Espero estar errado,
mas a última internação no ano passado durou 45 dias. E depois mais 20 dias.
Curioso pensar que você pode sair de casa um dia e nunca
mais voltar para sua cama, sua cadeira, seus utensílios, sua televisão, no caso
dela, seus bordados, seus livros, suas plantas, a conversa diária com a filha
que mora nos Estados Unidos, a escolha do que quer comer para o almoço, da
rotina dos remédios.
Um dia, você sai de casa conduzido pelos filhos e não sai
mais do hospital. O tempo é fugaz. Não pensamos no fim, até ele se aproximar e
bater à porta.
Depois da primeira noite, Pe. Carlos foi vê-la. Levou a
comunhão e a unção dos enfermos. Confidenciou que não gostaria de esperar “até
amanhã, pois poderia ser tarde”.
O quarto do hospital não tem relógio e as horas se misturam,
perde-se a noção temporal, perde-se a noção de dia e de noite, perde-se a noção
de quando chegará a hora de cada um.
Sento-me no sofá ao lado da cama e apenas espero o tempo
passar, olhando para o monitor que de tempos em tempos apita um alarme. Um
enfermeiro entra no quarto. Checa os sinais vitais e saí. A noite será longa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário