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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Tuitando no busão

Meu carro está no mecânico para consertar uma porcaria de um sensor eletrônico que bombeia o óleo para o motor. Ou pelo menos foi isto que me disse o mecânico ao apresentar o orçamento do conserto. Não entendo nada de mecânica e não ligo muito para carros. Ficar sem carro em São Paulo, porém, pode ser um grande problema.

Infelizmente sou obrigado a usar meu carro diariamente. Preferiria mil vezes poder usar o metrô e contribuir para fazer uma cidade melhor. Preciso do carro para zanzar para cima e para baixo. Sem ele, não me aperto. Sou daquelas pessoas que se vira sem ficar estressado. Com reunião fora do escritório, uma audiência num fórum longe do escritório, o jeito foi confiar no sistema de transporte público de São Paulo. Desde ontem usei táxi, ônibus e metrô, além de um ônibus da OAB que faz a ligação entre a estação Barra Funda do metrô e o Fórum trabalhista, aquele construído pelo Lalau, em um escândalo de corrupção.

E por que o título deste post? Calma, eu chego lá.

Rumo à minha casa, peguei o ônibus depois das 20 horas. Lotação média, algo que logo se tornou lotação máxima. Nos poucos minutos em que tinha espaço para respirar, reparei num rapaz ao meu lado, com pouco mais de 20 anos e que foi tuitando a viagem inteira. Fiquei uns 40 minutos no ônibus e o sujeito estava conectado o tempo todo no Twitter.

Num banco mais adiante, um outro rapaz usava o celular para um jogo eletrônico; outra conversava no aparelho; outra ouvia música.  O celular deixou de ser mero telefone e passou a ser um canal de comunicação com um mundo, uma forma de estar conectado o tempo todo. Em alguns casos há exageros, mas em certas situações é um excelente instrumento de lazer, de trabalho e de divulgação de cultura.

As redes sociais se transformaram num canal de veiculação gratuita para as mais variadas instituições culturais. Através delas, é possível encontrar peças de teatro, mostras de arte, eventos musicais. E muitos destes eventos são gratuitos. Basta saber procurar.

E ainda tem gente que acha que foi um crime privatizar as companhias telefônicas!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

De cara nova



Colarinho puído. Paredes com a tinta descascada. Livros com suas folhas amareladas. Sofá com o tecido gasto e desbotado, quase rasgando. Qualquer um destes exemplos era aplicável ao layout deste blog. Já estava mais do que na hora de fazer uma reforma, um extreme makeover, algo que vinha adiando há tempos. Afinal, este blog já tem 3 anos e meio!


Enfim, estamos com cara nova. Um look mais moderno e atualizado, principalmente do ponto de vista tecnológico. Era preciso incorporar novas funcionalidades e “botõezinhos” a este blog. Agora está tudo unido e conectado às redes sociais e outras formas de comunicação em rede. Fica mais fácil criticar, discutir, reclamar ou elogiar.

Alguns ajustes ainda estão sendo feitos, principalmente na lista de links. Alguns links estavam quebrados e eram direcionados a blogs que foram apagados ou bloqueados. Aos poucos vou fazendo o ajuste fino e incluindo aqueles blogs que porventura tenha esquecido.

Espero que tenham gostado!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Cala boca Galvão!



Tudo começou como um trending topic no Twitter no dia da estreia do Brasil na Copa do Mundo. Ganhou o mundo e a curiosidade dos estrangeiros. Então, veio algum piadista que inventou uma estória, um post num blog, um vídeo no Youtube - que ilustra este post -, e pronto, "criou-se" uma verdade jornalística.

Inventaram um pássaro chamado Galvão e a brincadeira ganhou a capa da Veja e a imprensa mundial.

O brasileiro é mestre em fazer piada, costuma levar tudo na brincadeira e, muitas vezes, isto é negativo, revela um traço conformista e acomodado e pouco indignado de nosso povo. Mas o mais impressionante deste caso é analisar como as mídias sociais permitem disseminar informação de forma muito rápida e eficaz e com amplo alcance geográfico. Uma ferramenta poderosa, que pode ser usada para o bem e para o mal.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Comentários e Crônicas


A interação com leitores, muitas vezes anônimos, é uma das partes mais interessantes de manter um blog. Diria que é extremamente gratificante receber um comentário num texto de alguém que se identificou com o que foi escrito. Por algum motivo, o leitor chegou até aqui e gostou do que encontrou. Esta interatividade é fascinante. Saber que alguém em Paris acessou o blog, ou que um leitor no Acre interessou-se e gostou do que encontrou, mostram a força da comunicação nas suas mais variadas formas. E tudo isto é muito gratificante para este escriba.

Sei que já falei sobre isto antes, mas um comentário anônimo e elogioso, deixado recentemente numa crônica de agosto de 2007 (Beijo Vazio), fez-me voltar ao tema e resolvi organizar uma retrospectiva destes textos de ficção. Ainda que denominadas de crônicas, talvez seria mais preciso chamar os textos de minicontos. Deixemos o rigor acadêmico de lado e fiquemos com a nomenclatura crônicas.

Confesso que é o conjunto de textos que mais gosto neste blog, pelos quais tenho maior carinho e nos quais sinto um pouco da inspiração criativa do escritor. Nascem em horas e momentos dos mais inesperados; nascem mentalmente, e depois ganham vida neste blog.

Utilizando uma das ferramentas que medem a audiência no blog, vou organizar as crônicas mais lidas e algumas das minhas preferidas. Aguardem esta retrospectiva nos próximos dias.


quinta-feira, 18 de junho de 2009

Discurso vazio ou é hora de parar

Ouvi trechos do discurso de José Sarney, presidente do Senado, sobre os atos secretos e a indicação de familiares para cargos em comissão e a crise do Senado. Li o discurso quase na íntegra como publicado no Estadão de quarta-feira. Fiquei perplexo, para dizer o mínimo. Espantado diante de tantas palavras para atribuir a culpa aos outros. Tive a nítida sensação de que Sarney parecia estar em outro planeta e discursava sobre uma realidade que nada tinha a ver com o que todos sabemos. Ele lavou as mãos, como se discursasse para alguns poucos, como se não existisse televisão, imprensa e a internet. Como se suas palavras - e atos secretos - ficassem restritos a um pequeno grupo de patrícios, de nobres senhores e senhoras senadoras. Este tempo já passou há muito. 

Vi a repercussão em diversos blogs, como o da Edna e da Lenissa. Reinaldo Azevedo, em um de seus diversos posts sobre o tema, chamou de  O Outono do Oligarca. Talvez esta seja a melhor descrição do que presenciamos estupefatos. Infelizmente o brasileiro não sai às ruas para manifestar, mas temos a internet como poderosa arma para manifestar nossas opiniões e discordar de tudo que existe de podre na política brasileira. 

Atentem para alguns fatos. 

José Sarney tem 79 anos, foi Presidente da República e por 2 vezes anteriores foi presidente do Senado. Tem o Maranhão como verdadeira capitania hereditária, apesar de ser Senador pelo Estado do Amapá. Como senador, deveria representar o Amapá, mas parece só ter olhos para seu estado natal, o Maranhão. Assim afirmou no discurso. 

O Brasil não admite mais a mentira e uma relação promíscua com o dinheiro público. Estamos cansados daqueles que usufruem da máquina pública sem ter espírito público. Pessoalmente acho abominável certos benefícios que funcionários públicos têm em comparação com os demais mortais. 

Pior ainda a defesa realizada por Lula. A emenda ficou pior que o soneto. Aliás, Lula – em mais uma viagem ao exterior e agora na terra de Borat – brindou-nos com grandes pérolas esta semana. Além de dizer que Sarney “não pode ser tratado como pessoa comum, pois ele não é uma pessoa comum”, Lula defendeu o presidente do Irã e as aparentes fraudes ocorridas na eleição daquele país. 

Mas voltando ao assunto, Sarney não é um homem que acompanhou as mudanças no país. Ele parou no tempo. Deveria ter a humildade de retirar-se da cena pública, de abrir mão do prazer que o poder traz consigo, de deixar sua vaidade para o mundo das letras. Um grande homem sabe a hora de se retirar, sabe a hora de reconhecer que seu tempo passou, que seu serviço público já foi prestado e que é hora de se aposentar. 

Deixar os palcos graciosamente é uma qualidade de poucos. É preciso desprendimento e um reconhecimento humilde de que somos limitados, finitos e temporais. A maioria insiste em rejeitar a implacável marca do tempo. Sarney corre o risco de macular sua biografia.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

E o tempo levou

Manter um blog vivo é uma tarefa prazerosa antes de ser obrigação ou algo a ser cumprido. Este blog vive disto, do prazer de escrever e ser um lugar onde posso simplesmente soltar a voz, botar a boca no trombone, deixar a imaginação viajar e levar aos recantos mais inesperados os bons pensamentos e algumas linhas de inspiração.

Porém, há blogs que nascem e morrem; outros desaparecem; outros são fechados e restritos. Como o tempo levou embora alguns blogs - eles continuam disponíveis, mas sem atualização -, resolvi dar uma atualizada nos meus links.

Foram 5 novos blogs , que podem ser divididos em grupos. O Invade e fim, escrito por Luana Ferraz, e Palavras e Silêncio, da Maria Fernanda. Ambos compõem este primeiro grupo. Blogs escritos por mulheres com textos, ora apaixonados, ora introspectivos, ora reflexivos.

O outro grupo inclui 3 blogs. O Terapia da Palavra é um blog para quem gosta de escrever e quer aprimorar sua escrita. O Terapia é coordenado por Claudia Letti e Maria Rachel Oliveira. Incluo neste grupo o Senhorita Rosa. Divertidíssimos os textos e os comentários. Assuntos atuais daqueles que todos discutem e que ninguém tem razão.

O tempo leva alguns, mas traz com seu sopro novos ares e novos blogs. Sempre bom dar uma arejada por aqui e ler coisas novas. Vale a pena dar uma passadinha por lá!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Ferramentas para networking



Conversando com alguns amigos e sentindo na pele o desemprego rondando, acho bem pertinente retomar a questão das ferramentas disponíveis na internet para networking. No meu caso, passo longe da aflição de perder o emprego. Coisa de profissional liberal que tem outras preocupações, tais como arrumar trabalho suficiente para pagar as contas do mês.


A atual situação econômica é um convite a reativar o networking, algo fundamental para ser lembrado e para reduzir o tempo de recolocação no mercado de trabalho. Há 2 ferramentas que utilizo com frequência: Plaxo e LinkedIn.


O Plaxo é a primeira delas. Funciona com o uma grande agenda via web em que se pode disponibilizar seus dados profissionais e pessoais. Somente sua rede de contatos pode acessar as informações, mas há sugestão de pessoas que eventualmente você conheça, o que facilita o networking. O site também tem integração com outros sites como Twitter, Lastfm, centralizando as informações num único lugar.


Com visual um pouco mais poluído, o LinkedIn também é muito útil. O sistema de graus de contato limita que alguém use o site para enviar spam ou ficar adicionando contatos. Há também sugestões de contatos para empresas onde se tenha trabalhado e faculdades cursadas. Contatos com pessoas que você não conhece somente podem ser feitos com recomendação de algum contato comum. Isto permite credibilidade ao contato e filtra o uso indevido do site.


Acho o Plaxo mais fácil de usar e visualmente mais clean, porém ambos se complementam e dependendo do país um faz mais sucesso do que outro. Por via das dúvidas, fico com os dois.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Ferramentas, estatísticas e keywords




Informação é algo extremamente precioso em qualquer momento. Economistas discutem e tentam dar um valor à informação e atribuem certos ganhos ao que se denomina assimetria de informação, ou seja, nem todos têm a mesma informação ao mesmo tempo. Este lapso temporal permite que certas pessoas façam uso desta informação antes de outras, e por consequência, tenham um ganho maior com o uso da informação.

Desculpem a digressão acadêmica, mas era necessária para introduzir o tema deste post. Gosto de explorar novas tecnologias, gadgets, softwares, aplicativos, e por aí vai. Não trabalho com tecnologia, mas faço uso constante dela. Minhas aventuras exploratórias neste campo acabam por tentar relacionar a nova tecnologia com o atuação profissional. Faço uso constante de ferramentas que muitos acham inúteis. Algumas podem até ser, mas eu já sei como elas funcionam.

Tome como exemplo o Twitter. Capa da revista época da semana passada, o sistema de microblogging começa a ganhar mais adeptos. É uma febre nos EUA, assim como o Facebook, que está para os americanos, assim como o Orkut está para os brasileiros. Não sei qual a utilidade do Twitter e seus benefícios, mas dou uma olhada de vez em quando.

Alguns modismos não perduram, como Second Life. Outros têm sucesso estarrecedor e surpreendente até para seus desenvolvedores, como o Orkut no Brasil.

A blogosfera é outro mundo que conta com ferramentas bastante interessantes. Utilizo com frequência o Google Analytics, uma ferramenta de análise estatística de uso do blog. O uso é gratuito e a qualidade das informações é excelente. É possível, por exemplo, saber que este blog recebeu mais visitantes de Fortaleza do que de Porto Alegre nos últimos 30 dias; ou que há leitores de Belém e Porto Velho; ou que o principal site de referência para o blog é o Google e que as visitas buscavam informação sobre a diferença entre trabalho e emprego.

Há uma infinidade de informações, todas organizadas por categorias. Vou sempre dar uma olhada nas keywords – palavras isoladas ou expressões usadas nos sites de busca e que redundam em visitas ao blog – para ver o que o leitor busca, o que ele procura e para se ter uma ideia melhor de quem é o leitor do blog. Interessante que a crise atual tem trazido leitores que procuram informação sobre emprego, trabalho, vocação profissional, temas que apenas tratei superficialmente e pouquíssimas vezes neste blog.

Uma informação relevante dada pelas keywords é saber como funciona a cabeça do leitor. Ou seja, quando a pessoa vai procurar uma informação, o que ela busca para conseguir a informação. Simples? Sem dúvida, mas pode ser extremamente relevante para publicitários e para marketeiros. Confesso que estas keywords, às vezes, ajudam-me a dar o título do post.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Palavras sábias



"Uma palavra carinhosa é capaz de aquecer três meses de inverno"

Provérbio Japonês

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Google lança navegador

O Google disponibilizou para download sua versão de navegador. Chamado de Google Chrome, a empresa vai tentar enfrentar o quase monopólio do Explorer, da Microsoft. Sou da opinião de qualquer desafio à Microsoft é positivo, já que somos reféns do Office e de seus sistemas operacionais.

Incomodar a empresa de Bill Gates é um sinal de que ela precisa se mexer e abaixar os preços, pois comprar software original da Microsoft é uma cacetada. Recentemente troquei de computador, mas fiz questão de que a máquina viesse com o XP. Não conheço alguém que esteja satisfeito com o Windows Vista e acho - fazendo um exerício de futurologia - que o Vista vai cair no ostracismo, assim como o Windows Millenium, que era péssimo. Gastava-se mais tempo reiniciando o computador do que efetivamente trabalhando.

Quem usa o Firefox, outro navegador bastante popular, diz que ele é muito superior ao Explorer. Vamos ver se o Google Chrome traz boas novidades.

domingo, 3 de agosto de 2008

Sigilo, Estado e a Lei

Toda vez que aparece um projeto de lei ou alguém do governo sugere mexer no sigilo, seja ele bancário, de comunicação, de dados ou de qualquer coisa, fico arrepiado. E o tempo confirma este meu temor.

O sigilo bancário, ao menos com relação à movimentação bancária, foi afrouxado quando da época da CPMF. A Receita Federal tem poderes para solicitar a qualquer banco a movimentação bancária integral de qualquer CPF no país. Sob a alegação de que não se pode proteger o criminoso, todos os cidadãos de bem têm os seus dados bancários passíveis de investigação pela Receita Federal SEM a necessidade de autorização judicial.


A lógica é torta, assim como muitas coisas neste país. O cidadão honesto e correto tem seus direitos fundamentais violados sob o manto do interesse público, algo vazio, mas um slogan poderoso no âmbito do legislativo, do executivo e do judiciário.


A manchete da Folha de São Paulo do dia 3 de agosto de 2008 é alarmante: "PF obteve acesso total ao registro de chamadas do país."


Informam Leonardo Souza e Hudson Corrêa que "na Operação Satiagraha, que investiga Daniel Dantas, a Polícia Federal obteve senhas na Justiça para ter acesso irrestrito ao cadastro completo e monitorar o histórico dos telefonemas, mas não a gravação da conversa, de qualquer assinante no país."


Todos nós fomos espionados pela Polícia Federal. Não importa que você não tenha cometido um crime, ou sequer seja suspeito, seu sigilo telefônico foi disponibilizado para a Polícia Federal.


Ler a reportagem da Folha e a entrevista do Delegado Protógenes Queiroz revela o risco que existe no país hoje. Não se trata de sensacionalismo. Trata-se de um homem que se julga acima da lei, acima do bem e do mal, um sujeito imbuído de uma missão - ainda que sua missao viole as normas e leis vigentes no país, porque ele acha que estas leis tem um lógica peculiar influenciada por pessoas que não estão comprometidas com os ideiais de uma sociedade livre da corrupção.


A entrevista é para deixar qualquer um boquiaberto.


O sigilo, previsto constitucionalmente, é uma garantia fundamental, uma garantia de direitos individuais que impedem o Estado e seus instrumentos de invadirem a esfera particular do cidadão. O projeto de lei que "blinda" os escritórios de advocacia vai ser vetado pelo presidente Lula. Sou integralmente a favor do projeto. Sou integralmente a favor do sigilo bancário, de correspondência, do sigilo telefônico e do sigilo profissional. O Estado que se vire para prender aqueles que violam a lei, mas não invada a minha esfera pessoal.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Palavras numa carta




Uma das coisas que mais me fascinam neste mundo blogueiro é a forma de interação das pessoas. A comunicação ganha novas facetas, com uma velocidade e alcance não imaginado pelo escritor. Um post despretensioso gerou uma interessante conversa, se é que podemos chamá-la assim, entre pessoas de lugares diferentes, com visões diferentes. Um campo de debate saudável, respeitoso e construtivo. Sinceramente, fico muito contente quando isto acontece neste blog.

Esta interatividade e a agilidade dada à comunicação é algo que me deixa estupefato. Quantas vezes me pego pensando em pessoas que conheci através da internet, por motivos profissionais ou pessoais. São aqueles caminhos inesperados do destino, do acaso, que nos conduzem a uma encruzilhada e nesta encruzilhada, duas vidas são tocadas. Este ponto de intersecção pode durar alguns segundos, alguns minutos e morrer. Ou então, pode se perpetuar por meses, anos, por toda a vida. Amizades surgem do nada. Não há olhares a se cruzar, mas palavras, afinidades, gostos musicais, ou alguém que desperta algo adormecido, que nos faz crescer, que nos mostra o mundo de outra perspectiva, que nos cativa. Poderia desfiar muitas outras situações, mas não terminaria este post nunca.

Alguns profetizavam que o email seria o fim das cartas, da comunicação escrita; que a internet acabaria com os livros; que os blogs e sites matariam os jornais impressos. Sempre fui cético com relação a estas posições mais radicais e apocalípticas. Acho que o livro jamais desaparecerá, desde que existam leitores. E a internet, além de aumentar a velocidade da comunicação, incrementa a leitura e a escrita. Hoje escrevo muito mais do que escrevia há 20 anos atrás quando tinha que escrever em papel. Minha letra sempre foi muito feia e morria de preguiça de responder às cartas de minha mãe, quando meus pais moraram nos Estados Unidos. As cartas - agora - são eletrônicas e minha letra legível.

Outro dia fiz o caminho inverso. Escrevi um bilhete numa viagem de avião. Uma pequena carta. Acabei não entregando-a, pois faltou-me a oportunidade. Mas, tinha que enviá-la. Digitalizei o texto com um scanner e enviei por email. Coisa meio maluca, mas chegou ao destinatário. Um email híbrido - meio papel, meio eletrônico. A carta cumpriu sua função. A escrita cumpriu sua função. Lançar as palavras no papel é um ato tão humano, tão pessoal, tão generoso. Generoso pois dedicamos tempo para escrever e deixamos brotar do interior, do coração o que queremos dizer. E uma carta só leva aquilo que queremos dizer a uma pessoa específica. Só uma pessoa. Uma carta pessoal leva palavras para somente aquela pessoa, uma pessoa única, uma pessoa especial.

Tenho enorme prazer em escrever este tipo de carta. Cartas que por vezes são longas e testam a paciência do leitor, mas envio-as para que produzam o gesto mais humano e espontâneo: o sorriso.

* * * * * *

Das crônicas publicadas neste blog, a mais acessada até hoje é Carta a uma amiga. Uma carta para produzir muitos sorrisos, e quem sabe algumas lágrimas.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Internet e credibilidade

A Edna levantou a bola e vou cortar, seguir a discussão mas mudando a ótica. O bom da blogosfera é a forma como discussões são incentivadas.

Há 10 anos o acesso à internet era praticamente inexistente. Telefone celular, então, algo caro e arcaico. Hoje, é possível acessar a internet pelo telefone celular - coisa que faço com certa frequência para checar emails. Em 10 anos - apenas 10 anos -, houve uma fantástica revolução na forma de comunicação e na velocidade da comunicação. O mundo mudou e toda mudança gera aspectos positivos e negativos.
Vejamos os blogs como exemplo. Muito se fala da força transformadora de blogs e na credibilidade dos blogs. Há muitos blogs que simplesmente reproduzem textos de outros sites, fazendo o famoso "recorta e cola". Mas há muitos blogs com excelente conteúdo. A questão da credibilidade não afeta apenas os blogs, mas todo o conteúdo da internet.
Hoje, faz-se uma pesquisa usando o google ou a wikipedia. O primeiro apresenta uma lista de links e locais para achar mais informações. A segunda já apresenta a informação que é incluída por milhões de editores. Mas ela é confiável? Recentemente, uma pesquisa realizada nos EUA revelou que alguns editores da wikipedia alteravam dados para influenciar os leitores. Os verbetes poderiam ser usados como forma de propaganda ou como forma de manipular os leitores.
A visão crítica é fundamental para uma pesquisa bem feita na internet, principalmente quando se fala de trabalhos acadêmicos ou trabalhos de criança para a escola. É preciso ensinar nossos filhos que não se pode simplesmente copiar um texto. É preciso checar a fonte e fazer um resumo do que se encontrou na pesquisa. Dá trabalho, mas pesquisar é uma atividade que dá trabalho. E dará trabalho aos pais incutir esta forma de conduta nos filhos.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Um olhar virtual


Nada substitui um olhar real, olho no olho, o sentir um carinho na pele, andar de mãos dadas, um abraço sincero. O real não é sucedâneo do virtual, mas no mundo de hoje, as formas de se comunicar mudaram. O conhecimento e a atração entre pessoas se dava com um prepoderante elemento visual. Ora era a beleza, ora o charme ou a elegância, ora a inteligência perceptível num determinado encontro social.

Aonde quero chegar com isto? Li no blog da Lila uma abordagem interessante sobre a beleza e a influência da mídia na formação do padrão de beleza, o que vou deixar para abordar em outro post. Homens e mulheres dão importância diferente à beleza no sexo oposto. Enquanto os homens são mais atraídos pela beleza estética, as mulheres parecem dar maior importância a outros traços de personalidde dos homens. Talvez mais perspicazes do que nós homens, não se deixam levar por um simples rosto bonito sem conteúdo.


Interessante notar como a mudança nas formas de comunicação alteraram este padrão de conduta. Há diversos livros de psicólogos que tratam de relacionamentos surgidos por intermédio da internet. Em outras palavras, pessoas que se conhecem sem se ver. Amizades e namoros surgem entre pessoas que só vão ter contato pessoal e real depois de muitas conversas. O vínculo emocional e afetivo é criado independente do contato visual, ou seja, a forma de atração muda e por consequência, a beleza se torna muito mais relativa, pois passamos a conhecer a pessoa como ela é por dentro (antes que alguém alerte sobre os perigos destes contatos, eu sei que há muita mentira e que é preciso ter cuidado, mas partamos da premissa de que as pessoas estão sendo sinceras).


Em épocas em que se esperava dias por uma carta, hoje um email chega rápido, um recado no orkut é instantâneo e um torpedo nos alcança em qualquer lugar. Ainda que diferentes, ainda que intermediados por meios eletrônicos, o impacto ou benefício destas mensagens é equivalente. Como é bom receber um email de um amigo ou amiga que não tínhamos notícia há tempos, como é bom começar o dia com um recadinho e como é bom saber que somos lembrados por amigos.


Nada substitui o real, mas o que parece virtual reflete no real, ainda que não estejamos lá para apreciar o sorriso e a alegria de quem recebe nosso carinho.

domingo, 11 de fevereiro de 2007

O Bonde e a Janela




O bonde foi um meio de transporte que hoje tem ares românticos e típico de uma era pré-motorizada. Em Lisboa, os bondinhos circulam por alguns bairros com ruas muito estreitas e sinuosas. Uma das linhas do metrô de Buenos Aires, inaugurada no inícido do século passado, é servida por trens que parecem bondes que circulam no subterrâneo. Em Santos, litoral de São Paulo, uma linha de bonde voltou a funcionar e circular pelo centro histórico, com função turística.

O bonde viajava em velocidade mais lenta que os atuais ônibus ou veículos. Isto permitia que o passageiro interagisse com os transeuntes de forma mais intensa. O contato visual era mais longo. Explico-me.

Contava meu avô que conheceu minha avó pela janela do bonde. Minha avó morava no bairro da Vila Mariana, em São Paulo. Durante toda sua vida morou numa casa, na Rua França Pinto. O bonde passava por aquela rua, vindo de Santo Amaro e subia até o Largo Ana Rosa. Um dia e mais outro e sempre aquela jovem na janela a olhar o bonde. E no bonde, um jovem de bigode fino a olhar aquela jovem de olhos verdes na janela da casa. Imagino – pois isto ninguém me contou – que os olhares se cruzaram, talvez um esboço de sorriso, um leve aceno com o chapéu, e a jovem encabulada, deve ter baixado o queixo e os olhos. Um certo dia, meu avô desceu do bonde e tocou a campanhia. Iniciaram uma conversa no portão, namoraram, casaram-se e tiveram 3 filhos.

Quando meu avô se aposentou, frequentemente ficava no final de tarde, antes do jantar, sentado numa poltrona olhando pela janela. Olhava o movimento, em silêncio. Nas noites em que jantávamos na casa deles, sentava-me do lado dele, numa cadeirinha de vime, própria para as crianças. Conversávamos pouco. Não me lembro de nenhuma conversa relevante, a não ser a explicação do porquê de uma nota de mil réis estar presa no batente da janela. Simplesmente fazia companhia para ele, olhando a rua, as pessoas, os carros, os ônibus...

Em Janelas Fechadas, que já comentei aqui, o bonde era a expectativa do retorno do pai da filha de Benzinho, era o portador de uma nova vida. A janela, por onde Benzinho e D. Binoca olhavam o bonde, a porta para o mundo exterior, como metáfora dos olhos que apreciam o externo. Visitantes se debruçam na janela e conversam com as moradoras sem entrar na casa. A janela, quando aberta, era um convite ao diálogo, era uma mostra da abertura para o convívio e o contato externo. Um limite entre o privado da casa e o público da rua.

Vou transpor as coisas no tempo e numa associação, talvez grosseira, tentar mostrar que hoje continuamos a usar a janela, a olhar pela janela. A janela de hoje chama-se computador. Não seria coincidência que o programa que a maioria de nós usa para trabalhar, brincar, jogar, conversar, comunicar-se no computador seja exatamente o Windows? O nome é muito adequado. O computador é uma janela para o mundo.

Passamos horas na frente do computador. Olhando fixamente para aquela tela, que é a nossa janela, quase hipnotizados pelo que nela acontece...pelas letras que aparecem no fundo branco...pelos números que surgem numa planilha....pelos desenhos e cores que se definem num slide para uma apresentação....pela comunicação que se dá através de email ou de comunicadores instantâneos. Já pensaram que aquela janelinha do MSN que pula na tela poderia ser muito bem uma janela de bonde que passa? Será que ao aparecer uma janelinha com a foto de uma pessoa o coração não bate mais forte como quando passava um bonde?

A tecnologia mudou e revolucionou a forma de comunicação. Alguns achavam que o email e a internet iam desincentivar a escrita, inibir a interação social e criar seres anti-sociais. Nada mais equivocado. A blogosfera mostra como hoje se escreve mais. O email, o msn, o orkut permitem maior interação social, mais contato, mais informação entre amigos e nos relacionamentos sociais. Claro, que o privado se tornou mais público, mas é possível fechar-se a janela quando não se quer a interação com o mundo virtual.

Contardo Calligaris, psicanlista de 58 anos, escreveu a peça “O Homem da Tarja Preta” sobre as angústias do homem moderno. A peça ainda não foi encenada, mas em entrevista ao caderno de fim de semana do Valor Econômico, ele menciona que o personagem passa a noite “a brincar nas salas de chat na internet e começa, então, uma longa e animada reflexão sobre a sua dificuldade em ser homem.” A internet permite esta interação nova. Pode funcionar como uma válvula de escape para as angústias do mundo moderno, do aprisionamento individual, das dúvidas que nos perseguem.

O bonde pode não circular mais, mas continuamos a nos debruçar na janela, a olhar o mundo, a olhar as pessoas, a interagir com os amigos, e a fazer novos amigos. É só abrir as janelas!