Depois de uma semana frenética e de muito trabalho, aproveitei este começo de sábado para ler o Estadão com calma e ver a temática das revistas semanais. Esta semana foi rica em fatos importantes, mas parece-me que ficamos alheios aos acontecimentos que nos afetam de forma indireta, provavelmente por estarmos muito centrados no nosso mundinho.
Destaco 3 acontecimentos e neles vou palpitar, ainda que brevemente.
1.
Microsoft anuncia que venderá Office a preços camaradas.
Finalmente a empresa de Bill Gates fica com medo de alguém. Por isso é que sou fã do Google! Acho um absurdo o valor cobrado pelo Office. Acho um absurdo o valor cobrado pelo Windows. Não defendo a pirataria e não tenho softwared pirata nas minhas máquinas, mas tenho certeza de que a pirataria diminuiria se a Microsoft reduzisse o preço que cobra dos seus softwares.
Já disse isto aqui antes e vou repetir: a Apple e seu Mac avançam no mercado e isto assusta a Microsoft e o domínio dos PCs que rodam Windows. Agora a Microsoft se preocupa com os concorrentes do Office. Não se surpreendam se começar um novo ciclo na informática, com a descendência do domínio da Microsoft.
2.
Nova operação da Polícia Federal e o Judiciário.Ontem a PF realizou a Operação Themis em São Paulo e "visitou" alguns magistrados federais e desembargadores federais em seus gabinetes para dar uma olhadinha em documentos e computadores. Na semana passada, 3 haviam sido presos no Rio de Janeiro.
Estou achando lindo a prisão de juízes E advogados corruptos. Sim, incluo os advogados nesta lista. Na vida diária profissional, é comum aparecer algum cliente e perguntar se o outro advogado não tem influência no Tribunal ou se eu conheço alguém que tem acesso ao juiz ou desembargador. Parece corriqueiro e usual que todo juiz seja venal. Isto não é verdade, mas o sentimento comum da população. Já perdi clientes porque me recusei a lidar com pessoas que supostamente teriam formas de facilitar uma decisão judicial. Recuso-me a fazer isto. Não troco minha coerência e ética por dinheiro algum no mundo.
Uma vez me perguntaram se não defenderia o PT ou se prestaria serviços ao PT. Disse que jamais. Nem por 1 milhão de reais de honorários. Nem por 100 milhões respondi. Advogar para o PT ou a alguém ligado ao PT seria negar todo meu passado, e isto, eu não faço.
Esperemos que estas operações não terminem em pizza e que isto sirva para moralizar a conduta de advogados que vivem vendendo facilidades para pessoas que também não tem escrúpulos. Chegou a hora de começar a mudar isto.
3.
Atirador de Virginia TechAqui a coisa fica mais complicada. O acontecimento foi trágico. Provavelmente livros serão escritos sobre os problemas psicológicos do atirador, da forma como a sociedade americana discrimina e separa as pessoas, da atitude da NBC de divulgar as imagens, da negligência da universidade em responder de forma mais rápida ao caso. Enfim, há muito o que falar.
Então, vou dar o meu palpite. É preciso entender que nas escolas americanas há uma separação muito clara entre aqueles que são "cool" e "popular" e aqueles que são "geeks" ou "nerds" para usar uma expressão mais antiga. Os grupos não se misturam e isto gera um exclusão social muita clara e aberta. Estrangeiros são discriminados sim.
Morei 4 anos nos EUA e fiz grande parte do colegial (hoje Ensino Médio) no Estado de Michigan. Eu sentia na pele a discriminação. Gozações, piadinhas racistas e outras coisas mais. É duro, muito duro para um moleque de 15 anos enfrentar isto. Para mim, foi motivo de amadurecimento. Mas para outras pessoas, o resultado pode ser devastador e nefasto. Isto aconteceu com o atirador.
A maioria destes frenesis e ataques armados feitos por alunos nos EUA é consequência desta exclusão que ocorre nas escolas americanas. É a luta de classes entre os geeks e os jocks, ou seja, os tachados de bobos e os gostosões dos atletas. Não me entendam mal, não estou dizendo que se implantou a dialética marxista na sociedade americana, mas o que se nota é quase uma reação armada daqueles que se sentem desprezados e são tratados como invisíveis por um outro grupo que se acha superior.
Não esqueçamos que isto não é privilégio dos EUA. Por aqui, também tratamos algumas pessoas como invisíveis, mas isto é tema para outro post.