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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Chavões


instagram  @rbueloni


Todo carnaval tem seu fim
assim como o amor.

Todo carnaval tem seu fim
diferente de governos corruptos.

Todo carnaval tem seu fim
assim como as estações do ano.

Todo carnaval tem seu fim
diferente dos bons momentos armazenados na memória.

Todo carnaval tem seu fim
assim como as longas férias.

Todo carnaval tem seu fim
diferente da aposentadoria integral do servidor público,
com todas as benesses e vitaliciedade.

Todo carnaval tem seu fim
e agora é hora de trabalhar,
pois o ano tem que começar!

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Gotas políticas


Há uma proposta de reajuste de 78% dos salários dos servidores do judiciário. A presidente vetou a proposta. O Congresso pode derrubar o veto.

Com toda sinceridade, no momento atual, nenhum aumento deve ser concedido a qualquer servidor público. O momento exige corte de despesas. Por que só os funcionários do setor privado devem perder o emprego e amargar o não rejuste de salários?

Se não gosta da remuneração do servidor público, pede demissão - ops, exoneração - e vem pro mercado competir. Venha ver como é a vida de um empregado do setor privado, sem quinquênio, licença prêmio, jornada de 6 horas, abonos, feriados que não constam do calendário dos demais mortais como o dia da Justiça, dia do funcionário público, recesso de 20 dias no final do ano....ufa, até cansa de pensar em tanto benefício. #prontofalei

*  *  *  *  * 



Algumas situações do mercado empresarial são realmente curiosas e a forma como as empresas enfrentam crises reflete um bocado do caráter de seus líderes, que por sua vez reflete a cultura e a mentalidade da empresa.

A Volkswagen viu-se envolvida num gigantesco escândalo diante de órgãos ambientais dos EUA, pois seus veículos estavam equipados com um software que maquiava a emissão de poluentes dos motores a diesel. Resultado: um pedido de desculpas de seu CEO e a sua renúncia. Transparência diante do erro e punição dos envolvidos, que certamente sofrerão processos pelos danos causados.

A Petrobras, nosso dinossauro estatal do petróleo, viu-se envolvida num fantástico escândalo de corrupção e propina, tudo descoberto na Operação Lava Jato. Alguns personagens já foram condenados, outros estão presos, e outros ainda respondem criminalmente pelos seus atos.

Levantamento feito pelo Jornal Valor Econômico identificou que a Petrobras já gastou em torno de R$ 390 milhões apenas com os processos judiciais e pareceres jurídicos para se defender - e defender seus diretores - das acusações e ações de indenização.

Perto de R$ 1 bilhão já foi recuperado e que havia sido desviado dos cofres da empresa.

Qual a conduta de seus diretores e presidente, na época, Graça Foster? Nada. Fingir que estavam fazendo algo, fingir que não sabiam de nada, fingir que medidas estavam sendo tomadas, afinal o que importava era preservar seu cargo e o salário. A postura da diretoria da Petrobras é lastimosa e indicativa de como se trata a coisa pública no Brasil.

Não achava necessária a privatização da Petrobras, mas depois do que se encontrou naquele antro de corrupção e fonte de abastecimento do caixa de um partido político que saqueou a empresa (empresa pública repita-se!), estou convencido que a privatização da Petrobras seria uma ótima forma de cobrir as receitas necessárias para o ajuste fiscal do Levy.

Se bem que as ações da Petrobras estão tão desvalorizadas que vamos precisar esperar um pouco antes de privatizá-la, caso contrário, ninguém vai querer.


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O poste e as eleições




Eis o molusco e sua criatura, o poste - ou talvez a "posta", declinando o gênero como ela tanto gosta, mas "posta" (feminino de poste) tem um proximidade sonora muito grande uma palavra de baixo calão iniciada com a letra "b". A expressão seria uma afirmação sintética do nível de governo realizado por esta senhora.


Quando Lula lançou Dilma Rousseff como sua candidata à presidência da república, o humilde molusco se vangloriou afirmando que seu governo tinha sido tão bom, que ele era tão idolatrado, que poderia indicar um poste para seu lugar que o poste ganharia. Fez isto com Dilma. Fez isto com Fernando Haddad. Agora, parece que o eleitor que foi iludido começou a pensar e percebeu que a enganação acabou, que poste pode até governar, mas uma hora a exigência por competência aparece.

O Brasil vive hoje uma grave crise econômica, ética e de credibilidade. Nossa política externa é capenga, sem objetivos claros, com alinhamentos retrógrados a países que não respeitam as liberdades e os direitos humanos mais básicos. Recentemente, Dilma Rousseff manifestou sua simpatia pelo Estado Islâmico na ONU, o que indica claramente a trajetória e o rumo de nossa política externa.

Durante o governo Dilma, perdemos a força do crescimento econômico em parte por culpa de um ministro da fazenda incompetente, de um Banco Central refém dos melindres da presidente e do aparalhemanto maciço das empresas estatais, que foram reduzidas a supridoras de caixa do PT. A Petrobras foi saqueada, os Correios roubados.

Assisti a todos os debates e o discurso de Dilma só engana quem não pensa, não observa o país, quem não lê. Ela mente de forma descarada, tenta enganar e iludir. Dilma é um estelionato eleitoral! Seu partido parte da ideia de que uma mentira repetida mil vezes se torna verdade, e quem lapidou esta frase foi Goebbels, o chefe de comunicação de Adolf Hitler, na Alemanha nazista.

Não consigo conceber que uma pessoa de boa-fé e honesta vote em Dilma. Até tentei, mas não consigo. Minha capacidade intelectual não alcança a mesquinhez de pensamento petista. Não consigo ter respeito pela opinião de alguém que manifesta seu voto em Dilma Rousseff. Poste serve para iluminar, mas este poste nem iluminar consegue!

Domingo teremos a chance de varrer esta quadrilha que governa o país para bem longe. Ainda é tempo de salvar o Brasil, mas é preciso votar conscientemente, pensando na importância do voto. Vote consciente! Seu voto tem consequências!


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Perdi meu candidato à Presidência



"Não vamos desistir do Brasil!"
Eduardo Campos


Não há nada mais surpreendente do que a vida. Do nada, ela interrompe o caminho, inventa um desvio, muda um dia ensolarado com uma tempestade de granizo e raios. Tudo parecia tranquilo na última quarta-feira, quando pouco antes da hora do almoço, um avião caiu em Santos no litoral paulista. Eduardo Campos, candidato à presidência pelo PSB, estava no avião e faleceu tragicamente.

Fiquei triste. Fazia tempo que um candidato não me despertava um interesse maior. Gostei de suas propostas, de suas ideias e também por se revelar como uma liderança nova no cenário nacional. Acho triste analisar o cenário eleitoral e perceber que os candidatos são os mesmos, as velhas lideranças, não importando o partido ou o Estado. Em São Paulo, Geraldo Alckmin vai atrás de seu quarto mandato; no Rio de Janeiro - pobre Rio -, o principal  candidato é Anthony Garotinho; em Minas, Pimenta da Veiga e Fernando Pimentel; no Distrito Federal, José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz, o primeiro preso por receber propina que foi flagrada em vídeo.

Há tempos sinto-me órfão politicamente. Para recorrer a um bordão usado recentemente, é difícil achar alguém que me represente. Via em Eduardo Campos alguém que poderia marcar posição nesta campanha, alguém que agitasse a oposição amorfa que apostou suas fichas no neto do Tancredo, mas que deveria ter sido muito mais atuante durante seu mandato de senador. Aécio não me empolga. Marina é uma grande incógnita. Assume o posto de Eduardo Campos, mas tenho sérias dúvidas se ela abraçará os objetivos de Campos, como banco central independente, redução da máquina pública com  diminuição de ministérios, educação em tempo integral, preservação e incentivo do agronegócio. O fato é que aquela bagunçou o coreto da eleição e agora é uma nova corrida presidencial.

Os debates serão fundamentais, no meu caso, para formar minha convicção e decidir meu voto. E se o leitor estranhar por que não falei da Dilma, a resposta é muito simples. Não voto em partido corrupto ou que compactua com a corrupção! Quem pensa e quer um Brasil melhor, não vota no PT, não vota em branco e não vota nulo. Decida seu voto conscientemente.

Perdi meu candidato à Presidência, mas eu não vou desistir do Brasil!



quinta-feira, 19 de junho de 2014

Feriados e a copa do mundo


O poste que governa São Paulo, Fernando Haddad,  tentou aprovar projeto para que a Câmara dos Vereadores aprovasse feriado na cidade de São Paulo no dia 23 de junho, dia em que haverá mais um jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo. Na última terça-feira, a cidade travou com recorde de congestionamento.

A Justiça Federal suspendeu o expediente durante todo do dia 23. A Justiça Estadual funcionará até às 12 horas, mesmo horário de funcionamento dos bancos e da maioria do comércio.

Sou contra este número excessivo de dias de folga e da falta de vontade de muitos em trabalhar. A seleção não empolga, mas parece que o brasileiro tem que assistir ao bendito jogo no conforto de seu lar. Sou do contra, sou chato. Acho um absurdo e uma estupidez se engalfinhar no trânsito de forma desesperada para chegar ao lar.

Na última terça, enquanto muitos se estressavam no trânsito e no transporte público, eu trabalhei até depois das 13 horas, fui almoçar com um amigo, assisti ao primeiro tempo do jogo de pé na calçada num bar e fui para casa no intervalo. Trânsito livre. Sem transtornos, sem confusão e com a sensação de que não perdi meu tempo como um bando de cordeirinhos que "têm que assisitir o jogo da seleção" ou então morrerão fulminados pela polícia dos traidores da pátria. Pessoalmente, acho que trabalhar honestamente é muito mais patriótico do que gastar metade do meu dia idolatrando jogadores que ganham milhões e que estão jogando para faturar mais alguns milhões. 

Não me entendam mal, eu gosto de futebol, tenho assistido a quase todos os jogos da Copa, mas não compactuo com a vagabundagem e a falta de vontade das pessoas de trabalhar. Acho um absurdo, um descalabro a quantidade de dias que a Justiça Federal declara como ponto facultativo. Quem mais se beneficia de feriados e pontes de feriados são os funcionários públicos, uma categoria que não hesita em fazer greve e que goza de benefícios não estendidos ao trabalhador comum, e muito menos aos autônomos e profissionais liberais. 

Com o feriado de Corpus Christi, este será o terceiro feriado de 5 dias neste ano! Para estes privilegiados, isto equivale à existência de 3 carnavais em um único ano! 3 carnavais! Que país pode crescer neste ritmo de produtividade? 

É preciso mudar a mentalidade e o prefeito podia dar o exemplo obrigando as repartições municipais a fecharem apenas 30 minutos antes dos jogos. Assim, todos encontrariam um lugar próximo ao trabalho para assistir o jogo. Isto movimentaria a economia da cidade e escalonaria o trânsito. Qualquer boteco tem uma televisão hoje e muitos celulares já tem capacidade de captação de sinal da TV aberta. Falta vontade política de mudar um hábito que precisa ser mudado. O Brasil precisa de gente disposta a trabalhar e não daqueles que só querem aproveitar mais um feriado.


quarta-feira, 28 de maio de 2014

Epígrafe - XXVII




"Nós temos a capacidade de pensar como será o futuro daqui a vários séculos. Comece a tarefa mesmo que ela não vá ser terminada durante a sua vida. Esta geração tem a responsabilidade de remodelar o mundo. Se fizermos um esforço, isso poderá ser realizado. Mesmo que tudo pareça sem esperanças agora, nunca desista. Ofereça uma visão positiva, com entusiasmo e alegria, e uma perspectiva otimista." 

Dalai Lama

(citado por Daniel Goleman, Foco. trad. Cássia Zanon. Rio de Janeiro : Objetiva, 2014, p. 247)

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Ultrapassando limites



O Monumento às Bandeiras é um dos símbolos de São Paulo. Escultura de autoria de Victor Brecheret,  o monumento fica ao lado do Parque do Ibirapuera e retrata os bandeirantes que desbravaram o sertão brasileiro e foram responsáveis pela expansão do território nacional. O monumento amanheceu pichado e pintado com tinta vermelha na última quinta-feira. Uma afronta ao patrimônio público paulista e um daqueles crimes que parecem ser relevados pelas autoridades.

A autoria é conhecida. Um grupo de indígenas que se manifestaram na av. Paulista contra uma PEC (projeto de emenda constitucional) que prevê alterar a competência para a demarcação de reservas indígenas foi a justificativa da manifestação. Terminaram sua caminhada no Monumento às Bandeiras e perpetraram o delito. Revoltam-me profundamente os atos de pichação e depredação de patrimônio público. Manifestação tem limite e este limite foi ultrapassado neste caso!

Na mesma linha é preciso restringir a conduta dos chamados Black Blocs, grupo de mascarados que se autointitulam como anarquistas, mas são na verdade baderneiros sem causa e que lutam contra a ordem estabelecida, ou seja, não seguirão o caminho da legitimidade para levar a cabo as mudanças que propõem. Manifestações que terminam com depredação e violência são uma afronta ao regime democrático e devem ser repelidas - as depredações, é claro. A liberdade de manifestação é ampla, mas quando se ultrapassam os limites da razoabilidade e da ordem, o Estado deve agir e restabelecer a ordem.

Não há causa que justifique a pichação e a depredação do patrimônio público ou privado.


terça-feira, 17 de setembro de 2013

Todos os olhos em Celso de Mello


Amanhã o Ministro Celso de Mello proferirá seu voto acerca do cabimento de Embargos Infringentes na Ação Penal no. 470 (caso do Mensalão). A votação está empatada em 5 a 5. O voto provocará o desempate - para o bem ou para o mal.

Trata-se de questão processual e há argumentos sólidos dos dois lados, mas parece-me que o ponto central pode ser resumido em forma vs. conteúdo. Qual deve prevalecer?

Espero que a decisão seja contrária ao acolhimento dos Embargos Infringentes. Tantas vezes ouvi que o  Supremo interpreta a Constituição, mas sempre há um viés político. Agora, é preciso que o viés político seja deixado de lado para privilegiar a cidadania e a crença da população no Judiciário. 

O acolhimento dos Embargos representará o inexplicável triunfo da impunidade, da corrupção e de políticos que fazem uso da coisa pública, como se privada fosse. A população não vai entender e isto poderá gerar uma justiça amplamente desacreditada. A lentidão da justiça já é de difícil explicação e a sua imprevisibilidade ainda mais complicado. O corporativismo que impera no Judiciário tem prejudicado a efetiva prestação jurisdicional capaz de pacificar conflitos. 

Amanhã será um dia de grande importância e será um momento histórico no Judiciário brasileiro. Vamos aguardar.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Viva a independência!





Feliz o povo que desfruta da verdadeira independência, que sabe pensar sozinho, que sabe se indignar diante dos desmandos, descasos e mentiras.

Feliz o povo que usa a arma do voto para eleger aqueles que compartilham de suas ideias e de suas virtudes, de seus princípios e de suas crenças.

Feliz o povo que é livre e não é sujeito a manipulações, à propaganda enganosa, a programas de governo de cunho demagógico.

Feliz o povo que vai às ruas para protestar e para delinquir.

Feliz o povo que coloca a lei acima do dinheiro, que coloca o bem comum acima de interesses pessoais, que tem a sorte de contar com líderes preocupados em servir, e não em serem servidos.

Prisão aos corruptos! Liberdade de expressão ao povo! Mais educação e menos corrupção.

País rico é país com povo que sabe pensar!

domingo, 28 de julho de 2013

Dilma, o poste e o criador


Por algum tempo deixei de comentar sobre política neste blog, mas ultimamente a quantidade de sandices e barbaridades cometidas por "nossos" governantes me obrigam a escrever. Afinal, foi a política que levou este blog a ser citado em uma dissertação de mestrado na área de comunicação. Mas parei de escrever sobre política, pois sentia-me órfão - ainda sinto-me órfão - de representantes que pareciam totalmente desligados da vontade do eleitor. 

Na última eleição de Lula em 2008, fui votar com nariz de palhaço. Este sentimento continua a existir em mim, mas não desanimo. Agora é preciso voltar a criticar e atacar e permear minhas experiências literárias com questões políticas. 

Dilma soltou mais uma pérola: "Lula não vai voltar porque ele não saiu."(vide aqui).

A afirmação é  confissão de que ela nunca mandou, nunca governou, mas apenas cuida do Planalto, finge que governa e, como um boneco de ventríloquo, diz e faz o que o chefe manda. Lula na eleição disse que se ele escolhesse um poste, o poste seria eleito. O primeiro poste foi eleito. A declaração ofensiva a todos os eleitores brasileiros foi vista apenas como piada; para quem pensa um pouco, era a afirmação de que o eleitor brasileiro é um idiota, submisso, burro, manipulável e tantos outros adjetivos pejorativos. 

Antes de tudo, a declaração de Lula foi uma afronta à democracia e revelou o descaso com que Lula e seus companheiros de partido tem pelo sistema eleitoral e pelo regime democrático. O sistema só interessa a Lula e ao PT para mantê-los no poder.

Dilma, mantendo sua agenda negativa, que testa o piso de impopularidade a cada semana nas pesquisas de opinião pública, resolveu vetar o projeto de lei que acabava com a multa de 10% do FGTS imposta às empresas e confirmou que não vai reduzir o número de ministérios, afinal o chefe acha desnecessário. 

O poste - e talvez a presidente resolva também adequar o gênero do substantivo para que seja declinado baixando algum decreto que permita se escrever "a poste" - desfez-se da máscara de boa gestora, de administradora eficiente. Em termos políticos, todos sabiam que Dilma é inábil; em termos de gestão, agora todos estão se convencendo de sua incapacidade.

Dilma se diz indissociável de Lula. É a criatura afirmando ser mera corporificação do criador, numa daquelas comparações dilmísticas um tanto quanto incompreensíveis. Se ela é indissociável de Lula, então ela é o próprio Lula e Lula é Dilma. Filosoficamente, trata-se de uma besteira típica de gente com pouca escolaridade ou de quem não tem a menor ideia do que está falando.

Em termos políticos, poderíamos aceitar a hipótese. Se assim o for, então o fracasso de Dilma será o fracasso de Lula, afinal é ele quem manda e ela tenta executar.

Agora é preciso acordar o eleitor do Nordeste, pois do jeito que as coisas caminham, a eleição de 2014 poderá representar uma grande divisão do país.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Dilma continua perdida


Um grupo de pessoas foi às ruas. A passagem de ônibus foi reduzida em muitas cidades. O MPL então baixou a bola. Dilma fez um pronunciamento à nação e definiu metas, todas vazias, promessas de campanha requentadas, citou uma constituinte exclusiva, insistiu na importação de médicos cubanos, afirmou que destinaria recursos para mobilidade urbana, investiria em saúde e educação.

A constituinte exclusiva foi rechaçada como ideia golpista, semelhante ao que fizeram Chávez, Evo Morales, Cristina Kirchner e Rafael Correa. Voltou atrás e lançou a proposta de um plebiscito para que se realizasse a reforma política. O plebiscito fez água. O Congresso, aproveitando a deixa, agilizou algumas propostas pontuais de reforma política, como acabar com o voto secreto e eliminar os suplentes de senador.

Agora Dilma, muito mal assessorada por Mercadanta (não há erro de digitação) e José Eduardo Cardozo, resolveu que os alunos de medicina serão obrigados a prestar serviço social público por 2 anos após a conclusão do curso regular. A ideia é estapafúrdia, casuística e uma cortina de fumaça para dar a impressão de que está fazendo algo - ou de que sabe o que fazer e em que direção deve seguir. 

Dilma continua perdida e revelou-se uma péssima gestora, sem ideias, sem programa e sem a capacidade de fazer o diagnóstico correto dos problemas brasileiros. Enquanto a economia afunda e a credibilidade do Brasil no exterior evapora, Dilma não toca em Guido Mantega, outro incompetente da equipe e agora vai presenciar um processo de deserção de sua base política. Parece que sua reeleição - que soava tranquila - será uma dura batalha e se a popularidade continuar a cair, o projeto de poder do PT será enterrado.

Dilma poderia tomar medidas rápidas e imediatas que soariam muito bem com a população, tais como extinguir ministérios, obrigar o BNDES a rever a política de crédito para as empresas de Eike Batista, arquivar o projeto do trem bala, conceder isenção de tributos nas tarifas de pedágio, reavaliar a forma de nomeação de diretores das agências reguladoras, reduzir o número de cargos comissionados no governo, e por aí vai. Há uma série de medidas concretas que ajudariam o país de imediato e melhorariam sua popularidade.

Enquanto o movimento das ruas aproveita as férias, Dilma consegue respirar, mas é preciso insistir, pois parece que o eleitor brasileiro finalmente descobriu que sua voz tem força e que esta força é capaz de mudar o país. Esta força chama-se voto e a arma é a urna!

terça-feira, 18 de junho de 2013

Passe Livre?


Dois líderes do Movimento Passe Livre estiveram no Programa Roda Viva, da TV Cultura, no dia 17 de junho de 2013 (um trecho do programa segue abaixo).

Este movimento seria o começo, o ponto de partida das manifestações que tomaram as ruas do país. Mas será que o Passe Livre é realmente um movimento amplo ou com um propósito restrito?

Um dos líderes do Movimento, Lucas Monteiro de Oliveira, afirma que o objetivo do movimento é a redução da tarifa de ônibus em São Paulo para R$ 3,00 e que a tarifa de ônibus deveria ser zero.

O site do MPL explana que o MPL "é um movimento social brasileiro que luta por um transporte público de verdade, fora da iniciativa privada. Uma das principais bandeiras do movimento é a migração do sistema de transporte privado para um sistema público, garantindo o acesso universal através do passe livre para todas as camadas da população." (fonte: MPL)

Há links para diversas seções, separadas por cidades. Na seção específica de São Paulo o conteúdo é melhor (veja aqui).

Em certo trecho do programa, Nina Cappello, líder do MPL, sustenta que o governo deveria deixar de gastar com a construção de presídios e direcionar os recursos para o transporte público.

A proposta do MPL é que o transporte público seja gratuito, não importando que outras áreas sejam afetadas ou tenham menos recursos disponíveis. Se a educação, a segurança e a saúde forem prejudicadas ou sofrerem redução de verbas, isto não é um tema que preocupa o MPL.

É possível que os ônibus sejam gratuitos? Claro que sim, mas para isto há um custo que deverá ser bancado por alguém e este alguém é você, meu caro leitor. O dinheiro virá dos tributos arrecadados pelos entes do Estado (União, Estados e Municípios). Reportagem da Folha de São Paulo demonstra que o IPTU teria que ser dobrado para bancar a catraca livre (leia aqui).

Há no Brasil apenas 2 cidades com trasnporte público gratuito: Agudos (SP) e Porto Real (RJ). E como elas conseguiram isto? Estas duas cidades têm um volume de repasse de ICMS decorrente de fábricas instaladas no município que garantem uma receita orçamentária muito maior do que os gastos da cidade. A matemática é simples. São municípios menores, com menos estruturas e menos serviços, e por isto, conseguem oferecer transporte público gratuito.

Interessante que os líderes insistem em afirmar que o movimento não tem lideranças, que são todos iguais, que a "estrutura é horizontal". Tentar dar o caráter espontâneo ao movimento, despido de uma figura única na liderança, é característica conhecida de movimentos anarquistas e semelhantes movimentos como o Occupy Wall Street. Todos estes movimentos e seus militantes cansaram, os protestos exauriram-se, pois não há causa a justificar a mobilização. O anarquismo não prospera no Estado Democrático de Direito.

Bem, neste caso há uma causa: a redução da passagem de ônibus. E se o MPL conseguir a redução, então o que virá? Nada. O movimento se exaure até o próximo aumento. A causa não tem visão de longo de prazo, não propõe alternativas, medidas, não utiliza dos caminhos legítimos para propagar suas ideias e defender seus interesses. Eis a grande fraqueza do MPL, que é um movimento legítimo: o MPL não sabe usar os meios previstos institucionalmente para buscar as mudanças que propala.

O MPL tem como objetivo alcançar algo que é totalmente discrepante da realidade e parte de premissas equivocadas, mas isto será objeto de outro post, onde traremos nossa opinião sobre este movimento.

As manifestações que se sucederam extrapolam a causa do MPL que está abismado com a mobilização geral de tantos brasileiros indignados. Mas, volto à pergunta, indignados com o quê? Dizer-se indignado com tudo é o mesmo que não se indignar com nada, ou seja, quem se propõe a mudar tudo, não muda nada. O povo pode estar na rua, mas é preciso saber por qual razão!

Este é o primeiro post de algumas reflexões sobre o que está ocorrendo no momento atual do Brasil.


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Eu sou contra




EU SOU CONTRA...

14o. e 15o. salários para Senadores;
o Senado usar verba própria para pagar o imposto de renda dos Senadores;
as críticas que o Supremo Tribunal Federal vem recebendo no julgamento do Mensalão, ou Ação Penal 470 para os réus;
a censura;
qualquer controle da imprensa ou de qualquer legislação que tente impor controle ou limite a liberdade plena da imprensa no Brasil;
a violência e a politização da violência em São Paulo;
o mau humor e caras fechadas;
a nomeação de secretários municipais que respondam a processos por improbidade administrativa, como é o caso da indicada por Fernando Haddad para a secretária da educação;
a venda de ingressos da Copa do Mundo para beneficiários do Bolsa-família;
as quotas nas universidades, no serviço público e em qualquer lugar;
a discriminação racial;
a classificação usada pelo Governo Federal de que toda família com renda superior a R$ 100,00 é considerada integrante da classe média;
o desmonte do setor elétrico no Brasil capitaneado por Guido Mnatega;
o Brasil preguiçoso;
o analfabetismo e a má aplicação de recursos públicos na educação;
a saúde pública precária;
quem não fala bom dia no elevador e esquece de cumprimentar o porteiro, o zelador, o manobrista...;
quem não sabe rir!

Não sou pessimista, sou apenas um realista convicto que trabalha, pensa e não abraça a mediocridade reinante que comanda este país nos últimos 10 anos.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Um telefonema de José Dirceu


- Alô, Fidel? Tudo bem? Aqui é o Zé Dirceu!

- Que alegria ouvir-te, companheiro. Que contas?

- Estou pensando em te fazer uma visita.

- Que bueno! Quanto tempo pretende ficar?

- Uns dez ou doze anos...

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Uma eleição sem graça

Masp - (c) Visão ao Longe


Sempre fui um eleitor altamente politizado, participativo, empolgado. Vejo e escuto o horário eleitoral, consulto os sites com os programas de governo e decido meu voto. Desde os tempos de faculdade ajo assim, se bem que naquela época a participação nas campanhas era muito mais efetiva. Nunca votei em branco ou nulo, pois considero tal conduta uma idiotice, uma omissão inescusável do cidadão. Apenas uma vez, no segundo turno da eleição presidencial de 1989, fiquei em dúvida e fui tentado a votar nulo. Votei em Collor, pois votar em Lula seria inimaginável - naquela época e mais ainda hoje.

Neste ano, porém, sinto uma mesmice impressionante, uma falta de criatividade e de propostas que possam realmente alterar alguma coisa na cidade de São Paulo.

Vejamos alguns exemplos:

1. Educação - todos falam em rever a progressão continuada e implementar a educação em tempo integral. Chalita, Haddad, Russomano, Serra e Paulinho defendem esta ideia. O que os candidatos entendem por educação em tempo integral. Haddad, em entrevista à Rádio Bandnews FM, disse que pela manhã os alunos terão o currículo normal e durante à tarde irão para passeios no parque, visitas a museus, "ocupação de espaços públicos" (seja lá o que isso quer dizer em linguagem petista), esporte, cultura e lazer. Chalita diz praticamente a mesma coisa, acrescentando artes, inglês e espanhol.

Em suma, o tempo integral signfica que as escolas serão um depósito de crianças no período da tarde. Acho isto grave considerando que Haddad foi ministro da Educação e Chalita foi secretário estadual de Educação. Não há proposta que reformule o ensino fundamental. Não há coragem na proposta dos candidatos. 

Ninguém fala em ampla reformulação do currículo com capacitação e treinamento de professores. Ninguém fala em ampliar o tempo de ensino das matérias básicas (português e matemática). Não adianta levar o aluno ao parque se ele não sabe ler e escrever corretamente. 

2. Saúde - novamente a coisa se repete: vamos construir mais hospitais e postos de atendimento, que agora se transformaram em siglas. Os candidatos só falam em AMA, AME, UPA etc. Adianta construir mais se não há médicos bem remunerados e com estrutura para atendimento?

3. Transporte - unanimidade neste ponto também: vamos construir mais corredores de ônibus. E daí? Isto vai resolver o problema? Quase todos mencionam mudanças ou ampliação do bilhete único, mas isto não afeta em nada a mobilidade e a melhora no transporte. Nenhum candidato falou em melhorias no sistema semafórico ou em invenstimentos na CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).

4. Segurança - a competência para tratar de segurança pública é dos estados, e não do município. Mesmo assim, quase todos propõem a reformulação e ampliação da guarda civil metropolitana para que atue como se fosse a polícia militar.

5. Emprego para o bairro - alguns candidatos em São Paulo vieram com esta ideia de levar o emprego para o bairro. Em outras palavras, criar incentivos para que empresas se instalem nos bairros, permitindo que o trabalhador more mais perto de onde trabalha. A ideia é boa e parece ser um pouco mais inovadora, mas ninguém fala como isto será feito. Isenção de impostos? Benefícios fiscais? 

No final das contas, a eleição para a Prefeitura de São Paulo ficou sem graça, sem propostas, sem debate sério. Lula tenta transformar a eleição em uma batalha para tentar conquistar um cargo para seu fantoche. Russomano desponta como a surpresa, mas já dá sinais de que não sabe debater, de que não tem plano de governo e nem propostas viáveis. Serra repete a conhecida ladainha de sempre, mas não inspira mais a confiança do passado. Chalita tem uma propaganda meiga, sensível, que talvez funcionasse para um cargo de deputado ou senador, mas não para um cargo executivo. Soninha continua fazendo a linha bicho grilo hipster, defendendo a bicicleta, com uma trilha sonora meio apocalíptica e fúnebre. E há os outros.

Infelizmente São Paulo está sendo mal tratada pelos candidatos que parecem não se preocupar com a cidade a ponto de não se debruçarem sobre seus problemas mais graves. Cabe ao eleitor decidir. 

No domingo, pense bem em que você vai votar. Mensaleiro já lhe enganou uma vez e vai tentar te enganar de novo. Não vote em mensaleiro ou em quem usurpa o dinheiro público em proveito próprio, vote em um candidato no qual você pode confiar.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O fim do Mercosul? - II



A Venezuela ingressou como membro pleno do Mercosul de forma açodada, num procedimento quase sumário – só não foi mais rápido do que o impeachment de Fernando Lugo por que o chanceler venezuelano depositou o documento formal de adesão no lugar errado, algo como você ter uma reunião no Rio de Janeiro e pegar um voo para Brasília. Enfim, em cerimônia realizada em Brasília, o falastrão Chávez jogou para a plateia.

De forma breve e sucinta, poderíamos dizer que o ingresso da Venezuela é bom para o Mercosul? Tudo indica que do ponto de vista econômico a resposta é afirmativa. O Mercosul ganha mais pujança econômica e se torna um bloco relevante em termos de reservas petrolíferas.

Porém – e aqui há muitos poréns -,  é preciso analisar qual será a postura da Venezuela daqui para frente e como tem sido a postura da Venezuela no passado.

O Mercosul tem uma disposição no seu Tratado que exige que o país membro seja democrático e respeite a democracia. Bem, Chávez está mais próximo do conceito democrático de Fidel Castro, de Mahmoud Ahmednejad e seus pares mais próximos Evo Morales, Daniel Ortega e Rafael Correa.


O impeachment de Fernando Lugo, procedimento previsto constitucionalmente na Constituição paraguai, assemelhou-se ao impeachment de Fernando Collor. O primeiro presidente eleito por voto popular no Brasil depois do fim do regime militar era destituído pelo Congresso Nacional. O Brasil era um adolescente democrático, suas instituições ainda titubeavam na sua forma de agir, mas ninguém esbravejou, salvo Collor.

O governo brasileiro tinha interesse no ingresso da Venezuela no bloco. O Senado brasileiro demorou a referendar o novo membro. Faltava somente o Paraguai. Então, o companheiro Lugo perde o cargo e os grandes gênios do PT, capitaneados por Marco Aurélio Garcia e Celso Amorim, com o aval de Dilma, aproveitam a deixa para usar um argumento fraco, mas eficaz. Suspendem o Paraguai do bloco até a realização de novas eleições no ano que vem. Afirmam que houve violação da cláusula democrática.

Com o Paraguai suspenso, não há impedimento legal formal para o ingresso da Venezuela. Fizeram com o Mercosul o que a FIFA quer fazer com a lei seca durante a Copa: suspende a lei para agradar os outros e depois volta tudo como dantes.

Houve gritaria no Paraguai e vídeos do chanceler venezuelano confabulando com a cúpula das Forças Armadas paraguaias, indicativos de uma tentativa de manter Lugo no cargo por meio de um golpe militar. O vice-presidente uruguaio também protestou na imprensa uruguaia. O Paraguai recorreu ao tribunal do Mercosul. Tudo em vão. A pantomima orquestrada pela diplomacia brasileira teve aparente êxito.

Fala-se em uma nova postura diplomática do Brasil fundado na solidariedade entre os povos, sinal de que os interesses nacionais têm sido deixados em segundo plano por um Itamaraty hesitante e com repetidas trapalhdas na seara das relações exteriores. A política externa brasileira nunca esteve tão a reboque de interesses partidários e pessoais como agora. O assunto deixou de ser política de Estado e passou a ser mecanismo de condução de interesses pessoais e partidários.

Quando a Bolívia agiu contra a Petrobrás, o governo brasileiro calou-se; quando Cristina Kirchner impôs controles alfandegários violadores do Tratado do Mercosul e com claros prejuízos à indústria brasileira, o governo brasileiro calou-se; quando a Venezuela restringiu o fluxo cambial acarretando inadimplemento nos pagamentos para exportadores brasileiros, o governo brasileiro calou-se.  Exemplos não faltam, falta é política externa séria!
 
O Mercosul não acabará. O Paraguai é um país fraco politicamente dentro do bloco e voltará a gozar de seus direitos após as eleições presidenciais. Em outras palavras, o Paraguai precisa do Mercosul. É uma questão de sobrevivência. Resta saber se o tiro não vai sair pela culatra e se Chávez não vai querer ser a estrela única do bloco ferindo os sentimentos de Dilma. Se ela ficar com ciúmes, poderá ter que soltar um: “Porque no te callas!

terça-feira, 10 de julho de 2012

O fim do Mercosul? - I



A diplomacia prima pela cautela e pela análise ponderada dos fatos de modo a evitar decisões precipitadas e gerar conflitos que podem evoluir para confrontos bélicos.  A recente crise do Paraguai descambou para a bagunça em grande parte por culpa da atrapalhada chancelaria brasileira. Ou seria a rapidez na tomada de decisão mera cortina de fumaça para o alcance de outros fins?

Em artigo publicado no do dia 7 de julho de 2012, no Estado de São Paulo, Sergio Fausto revela que a aparente punição do Paraguai teve segundas intenções. A aparente preocupação democrática do Brasil foi só uma cortina de fumaça para interesses secundários.

Escreveu Sergio Fausto: “A questão não é só de política externa. Vale ler o artigo assinado pelo secretário-geral do partido [PT], Elói Pietá, publicado no site oficial da legenda logo após o impeachment de Lugo: A chamada do artigo é eloquente: ‘Mesmo com toda a sua força e grandeza, o Brasil também sofreu as tentações de um golpe do Congresso Nacional contra o Presidente Lula”.  Sobre o “neogolpismo das elites” o secretário-geral explica: “As elites ricas, onde hoje não controlam o Executivo, voltaram a ter no Parlamento Nacional seu principal ponto de sustentação institucional. Além disso, através da poderosa mídia privada, seu principal ideológico e voz junto do povo, elas continuamente instigam a opinião pública contra os governos populares”. 

A decisão brasileira de punir o Paraguai para premiar a Venezuela é tributária dessa visão de mundo. Uma é inseparável da outra.” (p. A2, sábado, 7 de julho de 2012).

A lógica é clara e cristalina. Bastava não se precipitar diante dos fatos que a conclusão se torna óbvia. Encontram um fato secundário (o impeachment de Lugo) para justificar a suspensão do Paraguai do Mercosul por meio de uma ginástica jurídica (cláusula do Tratado de Assunção que exige a manutenção da democracia nos países Membros), para justificar a acolhida ao companheiro Chávez e seu regime democrático que impera na Venezuela. A artimanha rasgou o Tratado de Assunção, revelou mais uma trapalhada da diplomacia brasileira e lançou ao ostracismo o Paraguai. A ordem jurídica vigente no Mercosul também foi violada pelas manobras dos companheiros, numa conduta pouco democrática, para ser, no mínimo, diplomático.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Lulamente


Nossa modesta contribuição de um novo verbete para as próximas edições dos dicionários de língua portuguesa.

LULAMENTE (lu.la.men.te) - 1. adv. modo - maneira ou jeito de ser malandro, mentiroso, chantagista, aproveitador, cara de pau, hipócrita. ex.: Lulamente conseguia pressionar todos ao seu redor. 2. subst. m. -  postura de superioridade, arrogância; diz-se do sujeito que acha-se acima do bem e do mal. ex.: Portava-se lulamente e tratava os demais com desprezo. 3. união do nome próprio Lula (ex-presidente do Brasil) e do verbo mentir no presente do indicativo, cujo significado pode ser sintetizado na expressão de que o partido e os "cumpanheiros" estão acima de tudo e de qualquer instituição, menos a bolada oriunda de consultoria a empresas que prestam serviço para o governo.



A triste síntese deste caso é o desrespeito pelo Estado Democrático de Direito e suas instituições. Se Lula não mentiu, então por que não convoca uma entrevista coletiva, ele que tanto gosta de discursar e dar lição de moral? 

Se o mensalão não existiu, por que Lula se esforça tanto para que o Supremo não julgue o processo e os crimes sejam declarados prescritos?

Se Lula não teme a justiça, por que nomeou Toffoli para o STF, advogado de seu partido e fiel cãozinho?


terça-feira, 22 de maio de 2012

Uma pergunta de Luiz Felipe Pondé


"Este assunto me interessa pouco, por isso vou falar pouco nele. Minha intenção aqui é simplesmente fazer uma pergunta: se a ditadura brasileira matou tanta gente da esquerda, por que, ao terminar a ditadura, a cultura como um todo ( professores, mídia, literatura, filosofia, ciências humanas, artes, os principais partidos políticos) se revelou completamente de esquerda?

Independentemente do fato de que ditaduras são horríveis, a brasileira não liquidou a esquerda como se fala por aí. E mesmo os tais guerrilheiros lutavam por uma outra forma de ditadura. Tivesse a guerrilha de esquerda vencido a batalha, nós acordaríamos numa grande Cuba. A ditadura, de certa forma, nos salvou do pior."

(Guia Politicamente Incorreto da Filosofia. São Paulo : Leya, 2012, p. 176)

O recente livro de Luiz Felipe Pondé é politicamente incorreto, provocador e divertidíssimo. Em tempos de Comissão da Verdade, achei a citação pertinente. Verdade para quem? Soa-me como algo extraído do livro de George Orwell, o clássico 1984 que vou reler pela terceira vez.

WAR IS PEACE
FREEDOM IS SLAVERY
IGNORANCE IS STRENGTH

Três frases antagônicas que eram o slogan do Partido. Antíteses que tinham por função confundir e manter o povo na ignorância, afinal a ignorância era a força, o poder. A implementação da política do Partido ficava a cargo do Ministério da Verdade (Ministry of Truth, no original).  Alguma semelhança com o Brasil de hoje?

Não me agrada nem um pouco qualquer tentativa de rever a lei de Anistia. Já escrevi sobre isto no passado. A ditadura brasileira foi exatamente isto "à brasileira", light, avacalhada, malemolente. Nem a ditadura neste país conseguiu ser séria. Morreu gente? Sim, morreram muitos, mas menos do que em outros países. O contexto histórico era outro e o clima político era de confronto, de guerra. E durante uma guerra certas medidas são justificáveis. 

Concordo com Pondé: "a ditadura, de certa forma, nos salvou do pior."


segunda-feira, 26 de março de 2012

Morre o inquieto Antonio Tabucchi


Antonio Tabucchi era esperado na FLIP 2011.  Desistiu de comparecer em repúdio ao fato do Brasil ter rejeitado a extradição de Cesare Battisti, italiano condenado por crimes comuns, mas que o Supremo Tribunal Federal entendeu como perseguido político. A decisão de Tabucchi revela sua coerência e fortes posições políticas. A decisão foi criticada por alguns, mas para quem conhece a obra de Tabucchi, fica muito fácil compreender sua atitude.

Tabucchi morreu ontem em Lisboa, aos 68 anos, depois uma batalha contra o câncer, como noticiou o Estadão

O tempo envelhece depressa foi sua última obra publicada no Brasil e comentada neste blog no início de 2011 (o post pode ser lido aqui). Nesta coletânea de contos, Tabucchi trata da memória, da passagem do tempo, do envelhecimento, do perdão. Contos que indicam o cosmopolitismo e multiculturalismo do escritor, algo facilmente notado nesta última obra.

Antonio Tabucchi é um dos escritores italianos atuais mais importantes. Era professor de literatura e ao deparar-se com um poema de Fernando Pessoa, encantou-se. Estudou português para poder ler e apreciar a obra do poeta em sua língua original. Além de escritor, crítico e ensaísta, traduziu a obra de Fernando Pessoa e Carlos Drummond de Andrade para o italiano.