| Pipa |
No dia 18 de abril comemora-se o Dia Nacional do Livro Infantil. A data escolhida foi instituída para homenagear Monteiro Lobato, talvez o mais marcante escritor infanto-juvenil brasileiro. Suas obras dialogam com o universo da criança e do adolescente. A homenagem é justa e a data muito relevante para passar em brancas nuvens. O Brasil ainda é um país de analfabetos e de poucos leitores. Refiro-me àquela pessoal que não escreve direito, que não compreende os textos e que lê pouco. Afinal, quem pouco lê, mal escreve. A consequência é direta. O remédio para adultos letrados e lidos é despertar o gosto pela leitura na criança.
Em abril de 2010, fiz um post com o título Criando Leitores. Afirmava que leitores são desenvolvidos, instigados, criados. Ninguém nasce lendo. Ninguém nasce virtuoso. A virtude é adquirida com a repetição de um determinado ato, até que a prática deste determinado ato transforma-se em hábito. O mesmo ocorre com a leitura. É preciso ler junto, ensinar a ler, ensinar a apreciar o livro e descobrir o livro com um grande companheiro em momentos de diálogo interno. O exemplo é fundamental para que isto ocorra. Se os pais não leem, os filhos não lerão.
Outro dia, um amigo deixou o seguinte comentário no Facebook: "Semana de provas e tenho que fazer meus filhos estudarem. Qual o melhor caminho: prêmio ou dinheiro?". Não sou psicólogo infantil, mas diria sem medo de errar que a metodologia está completamente errada. A resposta para mim é disciplina, é compreensão por parte da criança de que o estudo é sua profissão e o estudo é sua missão e tarefa. Em outras palavras, estudar é obrigação da criança. Não digo que é fácil - tenho minhas lutas com meus filhos neste campo também -, mas tenho a preocupação de demonstrar-lhes a importância deste momento e da relevância do estudo em suas vidas.
O mesmo pode ser transposto para a leitura. Basta separar alguns minutos por dia, sentar-se com o filho e ler juntos. O exemplo arrasta!
Cabe também uma breve ressalva: é preciso escolher o livro e ajudar a criança a ler bons livros. Há muita porcaria publicada e vendida por aí. Um livro ruim pode 'deseducar' e pode agravar problemas com ortografia e gramática.
Se você não sabe por onde começar procure qualquer livro da Ruth Rocha, uma escritora brasileira que sabe contar uma excelente estória para as crianças. E para fazer-lhes companhia, por que não reler alguma obra de Monteiro Lobato? Sairá rejuvenescido com a volta à infância e com um vocabulário mais rico. Não perca tempo e lembre-se: o livro infantil é o ponto de partida para formação de bons leitores.
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