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terça-feira, 22 de maio de 2012

Uma pergunta de Luiz Felipe Pondé


"Este assunto me interessa pouco, por isso vou falar pouco nele. Minha intenção aqui é simplesmente fazer uma pergunta: se a ditadura brasileira matou tanta gente da esquerda, por que, ao terminar a ditadura, a cultura como um todo ( professores, mídia, literatura, filosofia, ciências humanas, artes, os principais partidos políticos) se revelou completamente de esquerda?

Independentemente do fato de que ditaduras são horríveis, a brasileira não liquidou a esquerda como se fala por aí. E mesmo os tais guerrilheiros lutavam por uma outra forma de ditadura. Tivesse a guerrilha de esquerda vencido a batalha, nós acordaríamos numa grande Cuba. A ditadura, de certa forma, nos salvou do pior."

(Guia Politicamente Incorreto da Filosofia. São Paulo : Leya, 2012, p. 176)

O recente livro de Luiz Felipe Pondé é politicamente incorreto, provocador e divertidíssimo. Em tempos de Comissão da Verdade, achei a citação pertinente. Verdade para quem? Soa-me como algo extraído do livro de George Orwell, o clássico 1984 que vou reler pela terceira vez.

WAR IS PEACE
FREEDOM IS SLAVERY
IGNORANCE IS STRENGTH

Três frases antagônicas que eram o slogan do Partido. Antíteses que tinham por função confundir e manter o povo na ignorância, afinal a ignorância era a força, o poder. A implementação da política do Partido ficava a cargo do Ministério da Verdade (Ministry of Truth, no original).  Alguma semelhança com o Brasil de hoje?

Não me agrada nem um pouco qualquer tentativa de rever a lei de Anistia. Já escrevi sobre isto no passado. A ditadura brasileira foi exatamente isto "à brasileira", light, avacalhada, malemolente. Nem a ditadura neste país conseguiu ser séria. Morreu gente? Sim, morreram muitos, mas menos do que em outros países. O contexto histórico era outro e o clima político era de confronto, de guerra. E durante uma guerra certas medidas são justificáveis. 

Concordo com Pondé: "a ditadura, de certa forma, nos salvou do pior."


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

George Orwell e o Brasil

George Orwell (1903-1950), escritor inglês do século passado, tem 2 livros dos quais gosto muito: 1984 e A Revolução dos Bichos. Escritos logo após a Segunda Guerra Mundial, as obras são primorosas. Não se trata apenas de crítica política, mas da liberdade, da verdade e da influência da propaganda para manipular o povo.

O primeiro li 2 vezes. Publicado inicialmente em 1949, o livro conta a estória de Winston Smith que live em Oceania, uma das 3 nações em que se divide o mundo. Oceania é uma sociedade autoritária e vigiada 24 horas por dia por câmeras em todos os lugares. O vigilante é o Big Brother e as câmeras observam não só as ações das pessoas, mas também seus pensamentos. E cria-se uma série de situações para manter o Big Brother no poder. A História é alterada conforme interessem ao Big Brother, mentiras se tornam verdades, pessoas desaparecem...enfim, um livro clássico. (A obra em inglês pode ser encontrada em: http://www.online-literature.com/orwell/1984/)

O segundo também trata a relação numa fazenda de forma política e de um levante orquestrado pelos animais contra o fazendeiro. Recentemente saiu uma nova edição da obra por aqui. Animal Farm (título original) é um clássico lançado nos finais da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Orwell era socialista e criticava abertamente tanto o comunismo como o capitalismo. Neste livro o autor constrói uma sátira em que critica a Rússia Soviética e o autoritarismo stalinista, ambos resultantes da Revolução Russa.

Em tempos de Hugo Chávez e Evo Morales, de um possível 3º mandato do Presidente Lula e da anistia ao José Dirceu, ficam as dicas de leitura para o carnaval. Qualquer semelhança não é mera coincidência!