quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Lembram do 3?


Encerrada a sequência de posts temáticos aproveitando o dia das crianças, volto com um tema menos agradável, mas muito necessário.


Lembram-se da Campanha do 3?


Pois é, ela sumiu. Curioso não?


Da coluna da Dora Kramer no Estadão (15 de outubro de 2007, p. A6):


"Ainda o 3


Antonio de Freitas, responsável pela campanha publicitária do Banco do Brasil que, por causa do slogan 'decida pelo 3' suscitou suspeita sobre propaganda subliminar para o teceiro mandato de Lula, rebate nota sobre o sumiço da prometida segunda fase da campanha, segundo ele baseada na soma dos algarimos 2 e 1 da Agenda 21 sobre a sustentabilidade do planeta.


Freitas informa que a segunda fase já está no ar e envia as peças da campanha para comprovar. Nelas não há uma referência sequer ao '3'. De acordo com ele, detalhes da campanha não podem ser revelados 'porque não podemos expor nossa estratégia e a nossa tática para a concorrência'.


Ah, bom, agora ficou claro!


Como não está fácil localizar posts antigos (vou ter que dar uma reorganizada no template agora que já tem bastante conteúdo), aqui vão os posts relacionados:


17 de agosto de 2007 - O misterioso 3

22 de agosto de 2007 - A campanha do 3


Não fui o único que notou a semelhança entre a campanha do Banco do Brasil e o logo do último congresso do PT, cuja imagem você confere acima. Depois alguém vai falar que fulano só se elegeu porque tinha a máquina administrativa por trás, que usou do poder econômico e blá, blá, blá. Eles aprendem rapidinho.


terça-feira, 16 de outubro de 2007

Conto: Semeadora de Sorrisos



SEMEADORA DE SORRISOS


A menininha de óculos vermelhos corria, pulava e sorria no tanque de areia do Bosque do Morumbi, sob o olhar atento do pai, tranquilamente sentado num banco sombreado pelas frondosas árvores do parque. Junto com ela, o irmão puxava um pequeno caminhão de plástico, enchendo a caçamba de areia e despejando em seguida para construir um castelo.

Uma manhã de sol tranqüila com o parque pululando de pequeninos, babás, pais e mães. O tempo corria lentamente e o pai não deixou de lembrar de sua época de criança. Bons tempos! Tudo se resumia a brincar, a inventar amigos imaginários e cenários para as brincadeiras. O tempo era medido pelas horas lúdicas, os dias pelos passeios e os fins de semana pelas visitas aos avós. Tudo era mais simples.

Aninha despertou-o do transe com uma pergunta:

- Pai, por que todo mundo ri para mim? Eles estão rindo dos meus óculos?

Com um olhar terno e cheio de confiança, o pai respondeu:

- Eles não estão rindo de você, estão sorrindo para você. Todo adulto, quando vê uma menininha linda e alegre sorri. As crianças trazem esta alegria para os adultos. As crianças fazem os adultos voltarem a ser criança, só que grandes. Vou te contar um segredinho. Quando nasce uma criança, o Papai do Céu lhe dá um poder mágico. O poder de semear sorrisos por onde a criança passa. E as sementes não acabam nunca. Elas só acabam se você quiser que elas acabem, se você deixar de ser criança, se você deixar de sorrir como criança. Se continuar sorrindo, as sementes vão sempre existir e todo mundo vai continuar sorrindo para você. Você, minha filha, será uma semeadora de sorrisos pelo mundo. Mas, agora, já é hora de ir embora. Vamos chamar seu irmão.

- Pai, quero colo! – pediu Aninha sorrindo.

- Mas uma meninona deste tamanho querendo colo! Tá bom, vai.

E ela pulou no colo do pai e abraçou-lhe bem forte.

- Quando eu for grande, você não vai mais conseguir me carregar no colo, então tenho que aproveitar. – e riu deliciosamente.

domingo, 14 de outubro de 2007

Ingenuidade na bicicleta

Li este texto de Caco de Paula ontem e transcrevo um trecho:

"Lembro-me disso sempre que escolho um novo caminho a seguir e procuro percorrê-lo mais com a alegria de uma criança de 10 anos que com a desconfiança dos quarentões. Você me dirá que um adulto já não pode agir com a ingenuidade de uma criança. Que já perdeu o entusiasmo movido por essa ingenuidade. E eu direi que, se isso for verdade, cabe ao adulto cultivar o entusiasmo e temperá-lo com, digamos, a sabedoria que os anos lhe deram, se é que deram. E, ainda que o adulto já não tenha todo o brilho genuíno da curiosidade da criança, que possa ver nela menos o símbolo de uma pequena pessoa inconsequente e mais o que ela é em essência: um ser livre para praticar a generosidade consigo mesmo.

Alguém já disse, ou deveria ter dito, que o adulto tende a ser justamente quem perde essa generosidade consigo, com os outros, com o ambiente. Só mais tarde fui conhecer os versos do poeta americano Robert Frost, que, diante de uma bifurcação na floresta, escolheu a estrada menos trilhada - e isso fez toda a diferença para ele. Era mais ou menos esse o espírito naquele fim de semana. E continua a ser agora, nestes tempos de insustentabilidade ambiental, econômica, social, afetiva." (Caco de Paula. "Origem e destino" in Revista Vida Simples, Outubro 2007, Edição 58, p. 78)


Ingenuidade e curiosidade. Coisas que vamos perdendo com o passar dos anos - menos as mulheres que continuam curiosas em sua essência. Ingenuidade de saber dizer "não sei", "não entendi", de pedir desculpas por um erro - aliás, aceitar que erramos faz parte desta ingenuidade -, de sermos simples e transparentes, de sair para almoçar e caminhar um quarteirão a mais para explorar e quem sabe descobrir um novo restaurante, ou para apenas apreciar a cidade.


O artigo de Caco de Paula utiliza o passeio de bicicleta para ilustrar esta ingenuidade materializada. Talvez o famoso slogan da Nike (Just do it!) seja outro exemplo desta volta aos tempos de criança. Comer um bombom não vai estragar sua dieta, tirar os sapatos enquanto está na sua mesa no escritório - desde que não fique passeando descalço se o escritório não for seu -, não vai escandalizar os colegas e por aí as coisas vão.


Coisas simples. Ingenuidade. E a vida fica mais leve. Lições que podemos aprender com as crianças.


Ah, para quem se interessou por Robert Frost, o poema The Road Not Taken e um comentário podem ser lidos em um post passado.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Poesia para crianças

O gosto pela leitura também pode e deve ser incentivado através da poesia. A escola tem um papel importante neste aprendizado, mas cabe aos pais dar o exemplo e o incentivo final. Através de um poema que minha filha aprendeu na escola, fui procurar o livro de poesias de onde o poema havia sido tirado. Surpreendi-me ao achar duas boas obras de poesia, de grandes poetas, só que destinados ao público infantil.

No dia das crianças, deixo estas 2 indicações.

Pé de Pilão é de Mário Quintana, com prefácio de Érico Veríssimo, e está na 8a. edição da Editora Ática (2005). Boas ilustrações e poemas divertidos que podem levar os nossos pequenos a descobrirem um outro bom livro: o dicionário.

Ou isto ou Aquilo é de Cecília Meirelles. A 6a. edição é de 2002 da Editora Nova Fronteira. Livro em tamanho grande e textos com fonte grande também o que facilita para crianças em processo de alfabetização. E toda a genialidade de Cecília Meirelles para o universo infantil.

Confesso que ver minha filha de 6 anos lendo Cecília Meirelles ou pedindo que procurasse um livro de Mário Quintana me enchem de orgulho, ou melhor, indicam que exemplo é seguido pelos filhos sem necessidade de palavras.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Voltar a ser criança



"Tia Bilu parou o movimento das agulhas, deixou cair as mãos no regaço, por cima do novelo de lã, já com o novo casaquinho terminado:

- Por hoje, basta!

E como tinha também terminado de contar o seu mais belo conto, perguntei-lhe, afagando seus cabelos levemente prateados:

- Tia Bilu, a senhora acredita mesmo em tudo que contou?

E ela, depois de me beijar:

- Um pouco de inocência, para saber acreditar, também ajuda a viver. Foi por isso que Cristo ensinou aos seus discípulos que o reino dos Céus pertence às crianças. Eu, quando conto minhas histórias, sinto que volto a ser menina. E acredito em tudo."

(Josué Montello. O Carrasco que era Santo. Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1994, p. 100)


Este é o último trecho de um romance infanto-juvenil escrito por Josué Montello. Terminei-o na semana passada. Uma linda estória, excelente para jovens leitores. Queria uma pausa em leituras adultas e refugiei-me em uma estória juvenil, leve, para ver se tirava algumas idéias para uma semana temática sobre o dia das crianças.


Acho que o trecho é muito ilustrativo. Um pouco de inocência também ajuda a viver e rejuvenesce. Voltar a ser criança. Algo que poderíamos tentar fazer nestes próximos dias. E não precisa muito, basta achar tempo para sentar no chão e brincar com nossos filhos, a deixar que as coisas simples nos enterneçam e tragam sorrisos, a sonhar e contar estórias. Basta simplesmente brincar.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Reestatização da Vale do Rio Doce

O Congresso Nacional do PT realizado em São Paulo aprovou a coleta de assinaturas para que se realizasse um plebiscito nacional em favor da reestatização da Vale do Rio Doce. O resultado da consulta feita pelo PT e alguns "movimentos sociais" não atingiu o número mínimo de assinaturas necessárias para que se convocasse um plebiscito.

Acho a idéia estapafúrdia e retrógrada. Uma verdadeira aberração.

A Companhia Vale do Rio Doce é hoje uma das maiores empresas brasileiras e que tem atuação multinacional, assim como a estatal Petrobrás. Na semana passada, o valor de mercado da Vale do Rio Doce superou o valor de mercado da Petrobrás e levou a Vale a ser a empresa brasileira de maior valor na Bolsa de Valores de São Paulo.

A Vale cresceu depois da privatização. Como também cresceram as empresas quase quebradas Embraer, CSN, Cosipa... Reestatizar a Vale seria em primeiro lugar um retrocesso. Em segundo lugar, quem pagaria a conta seriam todos os brasileiros, pois tratar-se-ia de um processo de desapropriação de um bem privado, e a Consituição Federal exige que se pague a justa indenização ao titular do bem expropriado. Em terceiro lugar, uma Vale estatal perderia dinamismo e agilidade, o que comprometeria seus lucros, e por consequência, o valor de tributos que a Vale paga ao Governo. Em quarto lugar, os fundos de pensão, que são acionistas da Vale, receberiam menos dividendos e isto comprometeria a aposentadoria dos milhares de funcionários públicos, alguns deles que devem ser a favor da reestatização.

Não vou fazer uma lista de números para provar meu ponto. Sou contra a reestatização da Vale. O Brasil não é a Bolívia de Evo Morales, nem a Venezuela de Hugo Chávez. Não é hora de aumentar o tamanho do Estado, mas de reduzi-lo.

Quem sabe o presidente Lula deveria levar a ferro e fogo suas palavras, quando afirmou que o Estado precisa de um choque de gestão. Choque de gestão significa fazer mais com menos. Basta colocar gente competente no Governo que as coisas funcionariam. E este Governo não prima em recrutar pessoas competentes para cargos públicos.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Uma canção é pra isso

Uma música do Skank para animar o começo de semana curta. No último post, falava de música e alegria. Esta letra tem trechos que poderiam muito bem inspirar um conto ou uma poesia. Mas ela fala por si só: "uma canção é pra trazer calor / deixar a vida mais quente". Quantas canções tocam sem querer no rádio e nos trazem à mente bons momentos, boas lembranças e alegrias?

Deixo a música falar para quem quiser e souber ouvir.



Uma canção é pra acender o Sol
No coração da pessoa
Pra fazer brilhar como um farol
O som depois que ressoa

Uma canção é pra trazer calor
Deixar a vida mais quente
Pra puxar o fio da paixão
No labirinto da gente

Pra consertar
Pra defender a cidadela
Pra celebrar
Pra reunir bairro e favela

Uma canção me veio sem querer
Naquela hora difícil
Joguei-a logo nesse iê iê iê
Por profissão ou por vício

Pra clarear a escuridão
E o mundo encerra
Pra balançar
Pra reunir o céu e a terra

Uma canção é pra fazer o Sol
Nascer de novo
Pra cantar o que nos encantou
Na companhia do povo

Pra consertar
Pra defender a cidadela
Pra celebrar
Pra reunir bairro e favela

Uma canção é pra acender o Sol
No coração da pessoa
Pra fazer brilhar como um farol
O som depois que ressoa

Pra clarear a escuridão
E o mundo encerra
Pra balançar
Pra reunir o céu e a terra.

sábado, 6 de outubro de 2007

Alegria musical

(Jazz: Icarus, por Henri Matisse)


Este blog nasceu em janeiro deste ano sem grandes pretensões. Desde lá, foram mais de 8.000 visitas de diversos países e cidades espalhadas pelo Brasil, algo que me surpreendeu. A idéia inicial era usar o blog como um laboratório de redação, um teste para as coisas que escrevo, e um lugar para deixar recadinhos, pois sabia que alguém haveria de ler.



Recebi esta semana um email de um leitor de um estado do norte brasileiro. Por uma questão de privacidade, não vou mencionar o nome, nem detalhes do que me escreveu. Mas ele escreveu pedindo ajuda. Fez elogios às dicas musicais publicadas no blog e pediu que lhe enviasse um playlist com algumas sugestões.



Até aqui, nada demais.



Mas há algo de extraordinário neste simples email que me foi enviado, e isto me levou a ver como as coisas realmente têm um sentido, como nada acontece por acaso. Ele chegou até o blog por meio do Google (como vivíamos sem o Google?). Arriscou e mandou o email, que eu poderia ter apagado ou nem lido. A sucessão de eventos se deu com a minha resposta a ele e uma sincera tentativa de tentar ajudá-lo a vencer o seu problema. Tudo isto já seria algo somente possível com as novas formas de comunicação.



Porém, há algo a mais. Os elogios à "sensibilidade musical do blog" somente são possíveis por causa de outra pessoa. O blog é mero intermediário das ótimas dicas musicais postadas aqui. Não sou a fonte da maioria delas, apenas compartilho porque a música é uma forma de espalhar alegria e sorrisos. E alegria só é possível compartilhar se ela vem de dentro, mesmo quando estamos com problemas, ou quando há aquela nuvenzinha preta rondando nossa cabeça.



A alegria vem da alma, lá do fundo, de pessoas que contagiam o ambiente à sua volta, de pessoas que sabem semear sorrisos no seu ambiente. A música é sempre um excelente pano de fundo para esta alegria, como trilha sonora de nossos dias, ou para nos acompanhar em momentos de reflexão, de devaneios. Um porto seguro para recarregar as forças e trazer de volta o sorriso ao nosso rosto.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Blog indicado



Recebi a indicação a este prêmio da Edna, do Pensamento Nosso. Agradeço a indicação e agradeço às suas frequentes visitas, dicas e comentários. O blog da Edna sempre vale a pena conferir. Uma corrente surgida na blogosfera. Aliás, vou comentar num próximo post algo muito interessante que aconteceu esta semana e algo que só possível pela internet.


Gosto e indico todos os blogs que estão na minha lista de links e visito-os frequentemente. Mas só posso indicar 5.

As regras são essas:


1. Basta indicar 5 blogs que você realmente ache interessante, mesmo que eles já tenham sido escolhidos por outros blogueiros.


2. O objetivo é unir blogs que se comunicam e formam uma grande rede na blogosfera com textos interessantes com a intenção de compartilhar, criar e interagir com todos os blogueiros de plantão.


Os indicados são:

1. Pensar de uma mulher
2. Ventos de Mudanças
3. Bicho Solto
4. Lonely Avenue
5. Uma estrela no céu

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Coitada da nossa língua




A foto acima foi publicada na Folha de São Paulo de hoje (3 de outubro de 2007). Trata-se de um carimbo elaborado no Congresso Nacional e que está estampado em milhares de documentos oficiais.

Alguém vai dizer que o "Congreço" se adiantou e já implementou o Acordo Ortográfico.



Quem sabe o Congresso pudesse comprar um dicionário para os funcionários? Ou melhor, colocar na intranet para que verificassem a ortografia.


Este país tem coisas que só rindo mesmo...

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Crônica: Brisa


BRISA


O vento brincou com seus cabelos, desarrumando-os e lançando uma mecha que lhe cobriu parte do rosto. Ela coçou o nariz duas vezes e puxou os cabelos para trás, prendendo-os num rabo-de-cavalo alto. O rosto livre dos fios aloirados e domesticados pelo elástico. Os longos cabelos presos revelavam toda a beleza do rosto sem maquiagem. O contorno do pescoço exposto com sua suave curva. Pedro gostava de apreciar as linhas que desciam de sua nuca e uniam-se aos ombros desnudos. Talvez fosse o tom da pele, talvez simplesmente fosse ela.

Ela permanecia imóvel, olhos fixos no mar, alheia ao ruído da Avenida Atlântica. A água de coco refrescava-lhe numa tarde quente de primavera. O pensamento longe tinha na saudade o conforto. Queria Pedro ao lado dela, naquele quiosque, naquela tarde, no meio do expediente, como fizera algumas vezes. Escapavam do trabalho para conversar e rir. Lembrou-se de quando ele percebeu a discreta cicatriz sobre a sobrancelha direita, um pequeno risquinho, quase imperceptível, mas que ele notara. Ele notava tudo. Não dizia tudo para não parecer paranóico, mas ela sabia que ele notava tudo. O silêncio, o olhar, o sorriso, os gestos. Ao rememorar estes fatos, alegrou-se, sorriu. Com a brisa do mar, afastou-se a saudade.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Reunião de família

Eventos familiares podem gerar todo e qualquer tipo de reação. Há aqueles onde reina a cizânia, a tensão, a indiferença, a maledicência. Outros há, onde os laços de sangue aproximam as pessoas num espírito cordial e fraterno, de alegria e respeito. Comemorar 90 anos é motivo mais do que suficiente para reunir a família próxima e distante. E motivo para superar implicâncias e diferenças para saudar o aniversariante.

Um tio-avô comemorou 90 anos neste final de semana. Um almoço festivo e agradável, onde parentes puderam se reencontrar. Ele é o mais novo de 4 filhos e sua única irmã viva, com 92 anos estava presente, lúcida, sorridente, vencedora.

Fiquei a pensar em como o tempo passa e como somos premiados com cada dia de vida com que somos presenteados. Um novo dia que começa é antes de tudo um dia a ser escrito e vivido. Será que chegaremos aos 90 anos? Será que chegaremos com saúde aos 90 anos? Não sei e ninguém sabe. Sabemos apenas que temos o momento presente para saborear, sabemos apenas que o presente está a ser escrito e isto afetará o futuro.

Um dia partiremos e ficarão as memórias, as lembranças de bons momentos, dos sorrisos, dos causos e histórias contadas – algumas reais, outras fantasiadas. E os pequenos que ali estavam, vendo o tio-bisavô sorrir, estranharam aquele senhor com o qual convivem muito pouco, e talvez guardem alguma lembrança deste dia. As fotos, porém, congelaram a cena para a posteridade e para manter viva a memória daqueles que são indispensáveis na formação daquilo que cada um de nós é. Carregamos no sangue e no caráter estes traços familiares que passam de geração em geração.