segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Epígrafe - XVII




"Não tenha medo da solidão. Sempre que esta o afligir, valha-se de um bom livro, a um canto, em silêncio. Verá que passou a ter a solidão acompanhada, com a qual a vida sempre se enriquece."

(Josué Montello. Diário do Entardecer. Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1991, p. 247)

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Ainda o Mercosul


Não ia mais tratar do tema, mas eis que deparo-me com um artigo no jornal Valor Econômico, no dia 13 de agosto de 2012 (p. A-17),  escrito pelo jovem doutor em direito internacional - e meu contemporâneo de faculdade - Eduardo Felipe P. Matias.  Quem se aventura no direito internacional é forçado a pensar em termos globais, a respeitar diferenças culturais e sociais, o que lhe permite analisar a questão com isenção e imparcialidade, mas dentro do contexto regional.

Fiquei satisfeito em perceber que a posição exposta neste blog encontra eco nas palavras de Eduardo Matias. Não vou resumir, vou transcrever um grande trecho relevante para contribuir ainda mais para o debate.

"Coloca temor também na população, como no caso da Venezuela, onde a Human Rights Watch constatou em relatório recente que o acúmulo de poder pelo Executivo e a eliminação das garantias institucionais permitem intimidar e censurar aqueles que se opõem aos interesses do governo. E a insegurança jurídica pode tirar o sono até dos próprios governantes, como descobriu Fernando Lugo ao ser deposto sem o adequado direito de defesa.

Ironicamente, no plano regional, a mesma Venezuela se aproveitou da suspensão do Paraguai para entrar no Mercosul. Claro que a saída do presidente paraguaio, se foi legal, foi pouco legítima. Mas os demais países membros do Mercosul, ao incluírem a Venezuela às pressas no bloco, também deram mostras de não levar tão a sério o devido processo legal.

Isso porque o Protocolo de Ushuaia (assinado em 24/06/1998 por Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Chile reafirmando o compromisso democrático) estabelece a necessidade de consultas antes de suspender um membro no qual se possa ter havido ruptura da ordem democrática. Essa suspensão é uma decisão grave, que mereceria maior discussão. Ainda mais quando ela acaba possibilitando a entrada de um novo integrante, o que, pelas regras do bloco, exigiria a unanimidade de seus membros."

Decisões atabalhoadas e apressadas sempre indicam segundas intenções. Se a entrada da Venezuela no Mercosul é adequada ou não, isto depende de uma discussão mais ampla. O fato preocupante é forma como a lei e o Estado de Direito são relegados a um segundo plano na América Latina.


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O fim do Mercosul? - II



A Venezuela ingressou como membro pleno do Mercosul de forma açodada, num procedimento quase sumário – só não foi mais rápido do que o impeachment de Fernando Lugo por que o chanceler venezuelano depositou o documento formal de adesão no lugar errado, algo como você ter uma reunião no Rio de Janeiro e pegar um voo para Brasília. Enfim, em cerimônia realizada em Brasília, o falastrão Chávez jogou para a plateia.

De forma breve e sucinta, poderíamos dizer que o ingresso da Venezuela é bom para o Mercosul? Tudo indica que do ponto de vista econômico a resposta é afirmativa. O Mercosul ganha mais pujança econômica e se torna um bloco relevante em termos de reservas petrolíferas.

Porém – e aqui há muitos poréns -,  é preciso analisar qual será a postura da Venezuela daqui para frente e como tem sido a postura da Venezuela no passado.

O Mercosul tem uma disposição no seu Tratado que exige que o país membro seja democrático e respeite a democracia. Bem, Chávez está mais próximo do conceito democrático de Fidel Castro, de Mahmoud Ahmednejad e seus pares mais próximos Evo Morales, Daniel Ortega e Rafael Correa.


O impeachment de Fernando Lugo, procedimento previsto constitucionalmente na Constituição paraguai, assemelhou-se ao impeachment de Fernando Collor. O primeiro presidente eleito por voto popular no Brasil depois do fim do regime militar era destituído pelo Congresso Nacional. O Brasil era um adolescente democrático, suas instituições ainda titubeavam na sua forma de agir, mas ninguém esbravejou, salvo Collor.

O governo brasileiro tinha interesse no ingresso da Venezuela no bloco. O Senado brasileiro demorou a referendar o novo membro. Faltava somente o Paraguai. Então, o companheiro Lugo perde o cargo e os grandes gênios do PT, capitaneados por Marco Aurélio Garcia e Celso Amorim, com o aval de Dilma, aproveitam a deixa para usar um argumento fraco, mas eficaz. Suspendem o Paraguai do bloco até a realização de novas eleições no ano que vem. Afirmam que houve violação da cláusula democrática.

Com o Paraguai suspenso, não há impedimento legal formal para o ingresso da Venezuela. Fizeram com o Mercosul o que a FIFA quer fazer com a lei seca durante a Copa: suspende a lei para agradar os outros e depois volta tudo como dantes.

Houve gritaria no Paraguai e vídeos do chanceler venezuelano confabulando com a cúpula das Forças Armadas paraguaias, indicativos de uma tentativa de manter Lugo no cargo por meio de um golpe militar. O vice-presidente uruguaio também protestou na imprensa uruguaia. O Paraguai recorreu ao tribunal do Mercosul. Tudo em vão. A pantomima orquestrada pela diplomacia brasileira teve aparente êxito.

Fala-se em uma nova postura diplomática do Brasil fundado na solidariedade entre os povos, sinal de que os interesses nacionais têm sido deixados em segundo plano por um Itamaraty hesitante e com repetidas trapalhdas na seara das relações exteriores. A política externa brasileira nunca esteve tão a reboque de interesses partidários e pessoais como agora. O assunto deixou de ser política de Estado e passou a ser mecanismo de condução de interesses pessoais e partidários.

Quando a Bolívia agiu contra a Petrobrás, o governo brasileiro calou-se; quando Cristina Kirchner impôs controles alfandegários violadores do Tratado do Mercosul e com claros prejuízos à indústria brasileira, o governo brasileiro calou-se; quando a Venezuela restringiu o fluxo cambial acarretando inadimplemento nos pagamentos para exportadores brasileiros, o governo brasileiro calou-se.  Exemplos não faltam, falta é política externa séria!
 
O Mercosul não acabará. O Paraguai é um país fraco politicamente dentro do bloco e voltará a gozar de seus direitos após as eleições presidenciais. Em outras palavras, o Paraguai precisa do Mercosul. É uma questão de sobrevivência. Resta saber se o tiro não vai sair pela culatra e se Chávez não vai querer ser a estrela única do bloco ferindo os sentimentos de Dilma. Se ela ficar com ciúmes, poderá ter que soltar um: “Porque no te callas!

terça-feira, 31 de julho de 2012

Trechos Salpicados




"Amar em abstrato é muito mais ágil do que amar em concreto." (p. 35)

"Tanto eu queria agora dar-te o amor total e infantil que tinha para te dar. Racionei-o a vida inteira como a porra de um chocolate de leite - por que vivemos como se o tempo nos pertencesse infinitamente, como se pudéssemos repetir tudo de novo, como se pudéssemos alguma coisa?" (p. 27)

"Olhava para ti e sabia exatamente a cor e a forma do teu pensamento. Ou assim o julgava, o que é a mesma coisa." (p. 73)

"A amizade, história de perdões incessantes." (p. 95) 

"Procuro a amizade que me fez feliz. Dito assim, dá vontade de rir, e não é caso para menos - não se pode ser feliz só com a amizade. Nem só com o amor. Se conseguíssemos ser inteiramente felizes, o que ficaria para desejar?" (p. 89)

Todos os trechos acima foram extraídos do romance Fazes-me falta, de Inês Pedrosa (Rio de Janeiro : Objetiva, 2010). Um pequeno aperitivo para a análise do livro que virá em breve.

terça-feira, 24 de julho de 2012

O tempo e o sentimento de perda



O post anterior trouxe um trecho da escritora inglesa, Jennifer Egan, onde ela afirma que ao rever fotos dos filhos pequenos fica triste, pois nota a passagem do tempo e a passagem do tempo traz ímplicito o sentimento de perda.

Olho a foto acima e não sinto tristeza, nem sou acometido de um sentimento de perda de uma infância que ficou na memória. E na memória ela ficou e permanece viva, tendo contribuído na construção daquilo que hoje sou. Sim, a foto acima é minha e foi tirada por volta dos 2 anos de idade.

Li a frase, marquei-a e trouxe para o blog. Discordo dela, mas arriscaria dizer que as personagens de Jennifer Egan e seus romances devem trazer esta melacolia como pano de fundo. John Banville (O Mar e Os  Infinitos) e Ian McEwan (A Praia), ambos ingleses, tratam do tema com a mesma nostalgia e uma ponta de revolta diante da perda. 

Esta melancolia é um aspecto cultural de alguns povos e encontra-se inserida na postura das pessoas. O fado português é essencialmente um cantar de saudade, de tristeza, de perda. Os ingleses, com seu humor ácido, tendem a seguir esta mesma linha, tão bem sintetizada por Jennifer Egan. O passar do tempo é sinônimo de perda. Pessimismo este tão característico dos países do norte europeu.

O passar do tempo é inexorável. Unstoppable. Iniciada a vida, o cronômetro começa a correr e não há como pará-lo. Poder-se-ia dizer que cada início de dia é um dia a menos na vida, ou um dia mais perto da morte. Prefiro pensar que cada início de dia é um dia a mais que ganhamos e que temos para viver. 

As crianças não conhecem a morte, não compreendem o fim. A ideia de morte vai se imiscuindo no cotidiano de forma sorrateira. É comum terminarmos a faculdade - ou até o ensino médio - com um colega a menos, aquele cujo tempo se expirou e não completou a jornada universitária. Sempre pensei que este escolhido deixa-nos um recado, lembra-nos de nossa finitude e de que a vida é passageira. 

Aprendemos, então, a conviver com a perda. Na fase adulta, compartilhamos a alegria das novas vidas que nascem e a tristeza daqueles que se vão. Parece que tomamos consciência de nossa temporalidade nesta fase, valorizando o tempo com que desfrutamos com os mais velhos e rejuvenescemos diante do sorriso pueril dos pequeninos.

Recentemente, dei-me conta que o número de pessoas pelas quais rezo devido a alguma enfermidade tem aumentado. A lista era pequena, mas foi crescendo, assim como foi crescendo o número de pessoas que conheci e que já morreram. Fulano descobriu um câncer, beltrano vai ser operado do coração, sicrano teve um AVC.

Na velhice, imagino que olharei para os dias passados e agradecerei o tempo que me foi dado. Cada dia, com suas alegrias, tristezas e contratempos. Espero ser grato o suficiente e poder gozar da misercórdia de Deus a perdoar todos os meus inúmeros erros.

O tempo é professor que ensina, ainda que a contragosto, com a realidade fria; aplaina o ego exaltado com a tomada de consciência de nossa condição e treina-nos na humildade; não aceita desaforos e desperdícios, cobrando a responsabilidade daqueles que o desprezam. O tempo foi criado de forma sábia para que os nossos olhos não fiquem grudados apenas no terreno, mas que aos poucos saibamos erguê-los para o sobrenatural. A vida tem seu tempo exato. Não nos cabe avaliar e julgar se vivemos pouco ou muito; vivemos o suficiente.

Não vejo o passar do tempo como perda; vejo o passar do tempo com alegria de poder crescer, aprender, vivenciar e até sofrer. A perspectiva da vida retratada em fotos e em memórias é uma prova de que a vida não é perda, é ganho, e o tempo um presente divino.



segunda-feira, 16 de julho de 2012

Epígrafe - XVI


"(...) Meus filhos são saudáveis, engraçados, e minha vida é muito mais fácil agora que eles cresceram. Ainda assim, sempre que vejo fotos de quando eles eram bebês, fico triste. Há sempre uma sensação de perda quando percebemos a passagem do tempo, mesmo quando nada foi perdido."

Jennifer Egan, em entrevista ao Valor Econômico, Eu& Fim de Semana, 13, 14 e 15 de julho de 2012, p. 26.

Discordo da visão melancólica e pessimista da escritora inglesa. E você, leitor, o que acha?

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Mensagens



(c) RLBF



Nada como almoçar sozinho e ficar brincando com os saquinhos de açúcar na hora do café.

33:33


O relógio de rua marcava 33 horas e trinta e três minutos. Claramente defeituoso, algo costumeiro na cidade de São Paulo. Para muitos um simples erro, um defeito, um descuido da manutenção do mobiliário urbano; para mim, um convite a imaginar, inspiração urbana para uma realidade imaginária, uma provocação criativa.

terça-feira, 10 de julho de 2012

O fim do Mercosul? - I



A diplomacia prima pela cautela e pela análise ponderada dos fatos de modo a evitar decisões precipitadas e gerar conflitos que podem evoluir para confrontos bélicos.  A recente crise do Paraguai descambou para a bagunça em grande parte por culpa da atrapalhada chancelaria brasileira. Ou seria a rapidez na tomada de decisão mera cortina de fumaça para o alcance de outros fins?

Em artigo publicado no do dia 7 de julho de 2012, no Estado de São Paulo, Sergio Fausto revela que a aparente punição do Paraguai teve segundas intenções. A aparente preocupação democrática do Brasil foi só uma cortina de fumaça para interesses secundários.

Escreveu Sergio Fausto: “A questão não é só de política externa. Vale ler o artigo assinado pelo secretário-geral do partido [PT], Elói Pietá, publicado no site oficial da legenda logo após o impeachment de Lugo: A chamada do artigo é eloquente: ‘Mesmo com toda a sua força e grandeza, o Brasil também sofreu as tentações de um golpe do Congresso Nacional contra o Presidente Lula”.  Sobre o “neogolpismo das elites” o secretário-geral explica: “As elites ricas, onde hoje não controlam o Executivo, voltaram a ter no Parlamento Nacional seu principal ponto de sustentação institucional. Além disso, através da poderosa mídia privada, seu principal ideológico e voz junto do povo, elas continuamente instigam a opinião pública contra os governos populares”. 

A decisão brasileira de punir o Paraguai para premiar a Venezuela é tributária dessa visão de mundo. Uma é inseparável da outra.” (p. A2, sábado, 7 de julho de 2012).

A lógica é clara e cristalina. Bastava não se precipitar diante dos fatos que a conclusão se torna óbvia. Encontram um fato secundário (o impeachment de Lugo) para justificar a suspensão do Paraguai do Mercosul por meio de uma ginástica jurídica (cláusula do Tratado de Assunção que exige a manutenção da democracia nos países Membros), para justificar a acolhida ao companheiro Chávez e seu regime democrático que impera na Venezuela. A artimanha rasgou o Tratado de Assunção, revelou mais uma trapalhada da diplomacia brasileira e lançou ao ostracismo o Paraguai. A ordem jurídica vigente no Mercosul também foi violada pelas manobras dos companheiros, numa conduta pouco democrática, para ser, no mínimo, diplomático.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Crônica: Aniversário


ANIVERSÁRIO



O aniversário é um dia como outro qualquer, cravado no calendário por acidente, fruto do acaso e sem qualquer explicação lógica ou científica. Simplesmente aconteceu naquele dia, daquele ano, sem que algo de excecpcional pudesse justificar o nascimento de uma pessoa. Um dia que não é diferente de ontem ou de hoje, nem será diferente de amanhã ou dos 365 dias ao longo do ano. A única diferença é que só ocorre uma vez no ano, que é uma convenção fixada para que possamos ter a impressão de que tudo começa de novo e tudo fica novo, quando na verdade um dia sucede ao outro e não há nada de novo.

Comemorar o aniversário deve ter sido a invenção do primeiro marketeiro do mundo que resolveu incentivar o comércio, obrigando o aniversariante a dar uma festa e aos convidados trazer presentes. Alguém inventou que tem - no sentido de obrigação -  que comemorar o aniversário, e desde então, a tradição sem sentido foi adotada por todos sem qualquer questionamento.

Aniversário é uma data inútil. Um dia onde o aniversariante pode fazer corpo mole no trabalho, pode ficar o dia todo no telefone agradecendo os votos de felicidades, mais outro tanto respondendo aos 500 amigos do Facebook que deixaram algum recado e o dia se vai num elogio à preguiça e de louvação ao ego.

Desde que uma rosa passou a ser somente uma rosa, o aniversário passou a ser, da mesma forma, um flatus vocis, um sopro vazio despido de conteúdo e sem corresponder à natureza de um ente. Explico-me. Lembram-se do livro de Umberto Eco, O Nome da Rosa, que virou filme com Sean Connery? Bem, o título é inspirado num célebre enunciado filosófico de Guilherme de Ockham, um dos precursores do nominalismo, que depois derivou no relativismo e outras correntes filosóficas.

Ockham afirmou que os entes são meros nomes, despidos de substância, ou seja, eu poderia chamar uma cadeira de bola que nada afetaria sua essência. O nomes são um sopro vazio, um flatus vocis na bela expressão latina, uma representação de algo que é impossível conhecer, mas que convencionamos chamar de cadeira para facilitar a vida.

Aniversário é exatamente isto: um nome vazio! Poderíamos chamá-lo por qualquer outro nome que seu significado não mudaria, nem deixaria de representar o que representa? Aniversário é algo vazio, despido de sentido, uma mera convenção social?

Não sei se convenci alguém com toda esta argumentação um tanto quanto pessimista, talvez até alguém já esteja revoltado ou surpreso com a acidez do texto e esteja me xingando. Pois bem, isto é apenas uma provocação. Penso exatamente da forma oposta. Eu gosto de aniversário e gosto quando as pessoas à minha volta aniversariam. Não se trata de uma data comum, um dia qualquer; trata-se de um dia especial para aquela pessoa que convive conosco, para o amigo ou amiga, para o filho, para os pais, enfim, para aquelas pessoas que nos são caras e queridas. Afinal, é neste dia que aquele ser humano veio ao mundo e tempos depois veio a fazer parte de nossa vida.

Se o destino estava traçado não sei, mas sei que compartilho da felicidade no aniversário dos amigos, daquelas pessoas que você sabe de cor a data e nunca esquece, não importa onde estejam. Pode estar de férias em Paris que um simples recado de "parabéns" chegará, mas que por trás da mensagem singela há um recado oculto: “lembrei-me de você no seu dia!”.

O aniversário é uma data para lembrarmos com especial carinho das pessoas que são importantes em nossas vidas.Hoje é fácil organizar as datas com milhares de aplicativos para todos os tipos de gadgets eletrônicos, mas os aniversários que realmente importam são aqueles que sabemos de cor. São poucos, pois são poucos os amigos verdadeiros. Talvez 3 ou 4, não mais do que isso (excluo os pais, filhos e outros familiares). São aqueles amigos que basta você ouvir a data que se lembra imediatamente dele - ou dela.

Aniversário é um dia para, acima de tudo, agradecer por aquela pessoa ter cruzado nosso caminho e lembrar o quanto é importante que permaneça em nossa vida.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

800 posts



Este é o post de número 800! Demorou pouco mais de cinco anos e meio para atingir este número. Ao longo deste período, há poesias, crônicas, contos, comentários (não ousaria chamá-los de críticas) sobre livros, pensamentos, opiniões, músicas, vídeos e até algumas tentativas de textos levemente humorísticos sobre o cotidiano. Um texto comemorativo e que deveria ser de aniversário, mas uma crônica de aniversário – atrasada – está quase prontinha, quase saindo do forno.

Ao lançar uma perspectiva sobre tudo que aqui foi publicado fico com uma sensação boa. Alguns textos ficaram muito bons (modéstia à parte), outros nem tanto. Alguns textos tinham um viés político crítico de forma proposital, que para alguns pode ter soado radical. Em síntese, tentei refletir no texto um pensamento crítico, uma opinião sobre fatos contemporâneos. Ouso dizer que este blog fez jus ao seu nome ao conseguir prever o futuro, sem misticismos, apenas com a lógica e uma análise sob um ângulo diferente da maioria dos jornais. Diria que o melhor exemplo deste acerto futurológico é o caso do Deputado Protógenes Queiroz.

Iniciei este blog com um propósito singelo de dar vazão à escrita, às ideias e não permitir que determinados fatos ficassem sem um comentário. O blog é uma forma de externar minha revolta com o que não concordo, mas também de elogiar o que merece ser elogiado, de incentivar as pessoas a lerem e desfrutarem da cultura, enfim, de compartilhar ideias.

Curioso que esta mistura de temas e formas de escrever fez com que este blog fosse até citado numa dissertação de mestrado de Cynthia Morgana Boos de Quadros, da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) para a obtenção do título de Mestre em Ciências da Linguagem, em maio de 2008. A citação foi de fato uma honra e uma surpresa, descoberta por acaso enquanto atualizava meu currículo Lattes. Para os interessados, a dissertação integral pode ser lida aqui.

Porém, sinceramente, o que é mais recompensador acerca de manter este blog não é uma citação acadêmica, mas a interação com quem lê. Sei que textos aqui escritos já provocaram sorrisos, gargalhadas, lágrimas, emoção, motivação e alegria. Ainda que não veja, tenho a consciência que despertar um sorriso sincero no leitor é a maior das recompensas. Emocionar e alegrar com a palavra é algo indescritível, diria que há um toque de divino quando as palavras tocam o leitor. O escritor é mero instrumento que traduz a beleza da vida – que por vezes não é bela. Tento deixar o pessimismo de lado neste canto de escritor e esforço-me por descobrir o que há de bom até no evento mais triste e trágico. A vida segue e ela se torna mais leve quando a jornada é feita com um sorriso.

Agradeço a todos que por aqui passam, a todos que leem o blog, a todos que criticam, incentivam e que simplesmente passam para dar uma olhadinha! Obrigado novamente!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Microconto - XI



- Eu deixei de sonhar, de fazer projetos. – afirmou em tom categórico, a fala lenta e pausada, quase preguiçosa, despida de qualquer vivacidade, olhar opaco e distante mirando o infinito inatingível.

Ele começou a morrer quando abandonou seus sonhos e externou sua desistência.