sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Dicas da Dani: Paula Toller

Paula Toller, vocalista do Kid Abelha, lança seu segundo álbum solo. Só Nós é o novo trabalha que traz a sua bela voz com músicas em português e inglês. São 14 faixas inéditas, divididas entre autorais e composições de Caio Márcio e Coringa, Dado Villa-Lobos, Nenung (Darma Lovers), Kevin Johansen, Paul Ralphes, Donavon Frankenreiter e Jesse Harris, autor de "Don´t Know Why, de Norah Jones.

Destaques para "Meu Amor se Mudou pra Lua", "Um Primeiro Beijo" e "Você Me Ganhou de Presente". As músicas em inglês também ressaltam o timbre de voz de Paula Toller, com destaque para "Glass". Posso ser suspeito, pois sou fã do Kid Abelha desde a época de adolescente - e minha filha já puxou o pai e adora também -, mas este álbum está sensacional. Todas as músicas são excelentes.

Músicas suaves e letras trabalhadas. Ótima pedida para ouvir em boa companhia ou simplesmente relaxar no final do dia e deixar os pensamentos voarem. O primeiro vídeo traz um trecho de cada uma das 14 faixas do CD. O segundo vídeo (na verdade áudio) traz o hit Meu amor se mudou pra lua.




Poder e maturidade

Um tema tem sido recorrente em discussões pessoais, artigos de revistas e grupos de amigos. Talvez pela idade média do grupo, que está na faixa dos 35 anos, talvez porque a maturidade é algo que deixamos de temer e desfrutamos com alegria.

Maturidade Feliz foi a reportagem de capa da Revista Vida Simples do mês de agosto de 2007, mas o enfoque era sobre o envelhecimento e como encará-lo de forma feliz. Aqui quero tratar da indispensável maturidade para o exercício de cargos públicos e de cargos que envolvam poder.

Esta semana o Promotor Thales Schoedl foi mantido no cargo pelo Órgão Especial do Ministério Público do Estado de São Paulo. Thales Schoedl é acusado de matar um rapaz e de tentar matar outro. Thales disparou 12 tiros nos dois rapazes que, conforme alegado na defesa do promotor, partiram para cima dele e ameaçaram sua namorada. A notícia completa pode ser lida no Estadão. Se Thales é culpado ou não, a justiça dirá.

A questão é: será que os critérios são adequados para admissão de juízes e promotores em concursos públicos? Eu acho que não e defendo esta posição há muitos anos.

Antes da reforma de legislação, bastava ser bacharel em direito para disputar um concurso público para juiz ou promotor. Agora, é preciso comprovar 3 anos de experiência profissional e ter no mínimo 25 anos. Acho pouco, muito pouco!

Um jovem de 25 anos não tem - na grande maioria dos casos - maturidade para ocupar o cargo. E maturidade não vem só com a idade, mas com a experiência de vida, que deve ser complementada com experiência profissional. "Encostar a barriga no balcão", para usar um jargão de advogados militantes, ensina muita coisa. Ensina a lidar com o público, ensina a entender o andamento - quando anda - do processo, ensina a diversidade de casos que se apresentam na vida real, e não somente nos livros.


O candidato a concurso público se forma em direito e mergulha num cursinho, que por vezes dura 2 ou 3 anos. Até que finalmente conquista o almejado cargo, porém o candidato só tem conhecimento acadêmico.

Recentemente uma ex-estagiária minha foi empossada no cargo de Promotora de Justiça. Batalhou 4 anos estudando, mas ela trabalhou 3 anos comigo. O amadurecimento foi notório ao longo deste período, mas ela mesma se julgava inexperiente ao se formar. O tempo de estudo permitiu-lhe amadurecer mais ainda e tenho certeza de que ela tem maturidade e responsabilidade para o cargo que conquistou.

Não estou generalizando, mas continuo a achar que a idade mínima para estes concursos seria de 28 anos com a exigência de 5 anos de experiência profissional depois de formado, ou seja, não seriam contados os anos de estágio profissional.

Quanto ao mérito da decisão do Órgão Especial do Ministério Público, entendo-a lastimável. Fica uma mácula nesta instituição tão honrada.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Crônica: Pássaro


PÁSSARO


Desceram do táxi na frente do hotel. Trocaram algumas palavras, despediram-se com um longo abraço e um beijo no rosto. Ele acompanhou-a por uns 50 metros até a Siqueira Campos, quando repetiram o gesto de despedida. Partiu e ela atravessou a rua com o olhar seguindo-a.

Voltou ao hotel, inebriado, com a alma aquecida. Sentia que podia voar como um pássaro sobre a orla de Copacabana. Sentou-se na varanda do 15º. andar do prédio e releu o email que lhe havia enviado. “Será que ela o lerá hoje ainda?” – pensou. Era pouco depois das 20 horas. Todo o encontro, toda a conversa estava viva na sua mente. Cada sorriso, cada gesto, cada toque, cada palavra. Tudo fresco e maduro na memória. Pensou nas coisas que queria dizer e não disse, pensou no beijo que queria dar e não dera....mas tudo aquilo era pequeno diante da profunda alegria que o tomava.

O ponto alto do encontro foi o presente que lhe dera. O sorriso ao abrir o pacotinho contendo os brincos....ao colocá-los....tudo aquilo o fazia flutuar.

Fitava o infinito, congelado, mas ardendo por dentro um fogo prazeroso. Estava feliz, sereno, com um riso incontido. Um adolescente que acabava de desfrutar de uma companhia única, um delírio acordado, arrebatado por aquela mulher.

Não tinha ao certo quanto tempo ficou ali sentado, mas o olhar estava fixo no pequeno trecho de esquina entre a Domingos Ferreira e a Siqueira Campos, que avistava do último andar do prédio. Queria vê-la de novo, só mais um pouquinho, mais uma vez, ainda que por poucos segundos. Esperou e ela surgiu. Caminhava cansada, pois já passava das 21 horas. A visão durou pouco, mas deu um novo choque de oxitocina no seu corpo, um choque de prazer e alegria, um choque de encantamento.

Sonhou ser um pássaro e voar por sobre sua cabeça. Ou um anjo da guarda para caminhar do seu lado. Um pássaro era melhor. Pequeno, discreto, invisível, para seguir seus passos até sua casa. Pousar na janela e contemplar aquela mulher que havia aparecido em sua vida e transformado seus dias e noites. Silencioso e imperceptível. Vê-la tirar os sapatos. Vê-la beijar o filho. Vê-la cansada, mas sempre bela. Vê-la lendo o email. Vê-la reagindo. Vê-la sorrindo. Vê-la levemente sem graça.

O toque do celular despertou-o do devaneio e com ele a mensagem esperada. Ela havia lido o email e ele voltou para as nuvens, voando, novamente, como um pássaro.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Vale a pena ler de novo


A Edna, do Pensamento Nosso, me indicou ao Movimento entre Blogs – Vale a pena ler de novo.


Vamos às regras:


1. Qualquer blog convocado pode participar.

2. O blogueiro que participar deve escolher um de seus textos (de sua autoria) que você mais gostou (sabe? aquele que quando você acabou de postar você disse para si mesmo: eu estou inspirado hoje!), e então republicá-lo, podendo trocar foto, modificá-lo de algum jeito.

3 - Escrever a frase: ‘Movimento – Vale a pena ler de novo’ no final do texto, só para identificar como participante juntamente a essas regras.

4 - Convoque mais 5 blogs para esse movimento colocando os links deles no seu post republicado.

5 - Se você foi convocado mais de uma vez, se quiser, republique mais algum que você goste. Criado pelo blog: A ótica de um míope.


Já pensava em fazer uma retrospectiva com os posts mais lidos nas diversas categorias deste blog, mas vou ficar com uma crônica que escrevi e que teve a receptividade que queria. Despertou um sorriso - talvez mais de um - e isto é uma recompensa para quem escreve.


TARDE NO CAFÉ


No meio de uma tarde de sábado, ao final de verão, Pedro cuidadosamente escolheu uma mesa perto da calçada, num simpático café da Rua Oscar Freire. Queria ver gente. Observar as pessoas. Analisar. Distrair-se com as divertidas figuras do coração do luxo e da elegância paulistana. Pediu um café puro e um pão de queijo. Deixou o livro recém-adquirido sobre a mesa, cruzou as pernas e preguiçosamente deixou seu olhar passear.


Passeavam pela calçada, ou melhor, desfilavam mulheres com sacolas, com cachorrinhos embonecados, com óculos escuros largos sobre a face, com amigas a falar e a gargalhar alto. Uma fauna de mulheres ricas, de peruas, de patricinhas, de todas as tribos urbanas e cosmopolitas. Umas medindo as outras de cima abaixo. Grifes caras e famosas e outras nem tanto. Uma variedade de roupas e estilos, de tamanhos e de rostos, de aromas de perfumes caros e de cores. Tudo se mesclava numa tela impressionista, sem precisão, como um emaranhado de sons, aromas e formas.


Pedro fitava-as discretamente, de relance. Começou pelos pés. Admirou-se com a variedade de sapatos, sandálias, unhas, pés que por ali passavam. Achava defeito em todos. Simpatizou com alguns. Mas algo incomodava-lhe.


Distraiu-se então com os rostos. Reparou nos cabelos, alguns longos, outros curtos, presos, soltos, loiros, ruivos e castanhos. Cortes variados, visuais esquisitos, outros elegantes, outros mais simples. “Qual o mais bonito”, perguntava-se. “Qual a forma ideal da beleza?” Uma beleza abstrata rondava sua mente e não se materializava diante dele naquela tarde. Lembrou-se de Platão e de seu mundo das idéias. “Seria a beleza perfeita algo inatingível, algo invisível, algo que somente pode ser criado em nossas mentes? Haveria um molde perfeito?” O molde de beleza de Pedro estava silente, escondido em seu inconsciente.


Continuou a observar de forma incessante a procura de algo que sabia existir, que sabia estar presente dentro de si ou no mundo exterior. Sentiu-se criando um Frankesntein feminino. Juntava partes e pedaços de mulheres, misturava estilos e roupas, mas nada lhe apaziguava o espírito. Inquieto não desistia em sua busca.


Estava ali há mais de uma hora e meia, quando uma moça perguntou-lhe se queria mais alguma coisa. Despertou do transe ao ouvir a indagação. Olhou-a e o reflexo da luz sobre um ponto brilhante que repousava sobre o nariz da funcionária alvejou-o como um raio. “Por isso encontrava defeito em todas as mulheres!”, disse a si mesmo. “Você é e sempre será única. Não há substituta, não há outra igual a você. Nunca serei indiferente ao seu nome. Sempre que o ouvir, lembrarei de ti. Sempre!” O pequeno piercing acima da narina esquerda havia trazido Pedro de volta à realidade. Pediu mais um café e sorriu. Encontrara o que buscava e o que buscava, ainda que distante fisicamente, não abandonava seus pensamentos em nenhum instante. Ela era presença constante e companheira incomparável.



* * * * * *


Agora às indicações para continuar o movimento:











Não estou sumido!

Alguns podem achar que estava sumido, mas com a mudança e a infinidade de caixas que ainda se amontoam na minha sala somado aos prazos e compromissos, hoje vou conseguir respirar e voltar a postar.

Não estou sumido, só uma pausa ocasionada pela vida profissional!

Mais tarde eu volto!

domingo, 26 de agosto de 2007

O Caso dos Boxeadores Cubanos

Antes que me acusem de mentiroso ou parcial, vou citar uma fonte que tem uma coluna num jornal de grande circulação. Já tratei do assunto dos boxeadores cubanos neste blog em dois posts: Tempos Estranhos e Ainda o caso dos cubanos. No primeiro argumentei juridicamente de que a conduta do Governo Brasileiro infrigia o direito vigente no Brasil. No segundo, transcrevi o comentário de uma leitora e discordei de sua posição acerca da "liberdade" que existe em Cuba.

Pois bem, ontem Dora Kramer (volto com ela de novo) escreveu no jornal Estado de São Paulo (25 de agosto de 2007, p. A6):

"Prisão perpétua

A decisão do governo de Cuba de proibir os pugilistas Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara de prosseguir em suas carreiras de atletas e de sair pelo resto de suas vidas do país é a prova mais evidente de que os dois não retornaram à ilha de Fidel Castro por vontade própria.
A conta dessa deportação - combinada pelas autoridades brasileiras com o governo cubano, conforme atestou o chanceler Felipe Pérez Roque - fica espetada no histórico de retrocessos pautados pelo privilégio das afinidades ideológicas do governo Lula em detrimento dos princípios que norteiam questões de Estado no Brasil."

Apenas para provocar a reflexão: historicamente o Brasil rejeita pedidos de extradição para países onde sejam condenados à pena de morte ou à prisão perpétua, pois ambas são consideradas inconstitucionais no Brasil. Ressalte-se que nos casos de extradição, o extraditando já condenado em seu país pela prática de um crime. É o caso do mega traficante Abadía, que continua preso no Brasil na Polícia Federal.

No caso de deportação, não há condenação por crime, mas entrada irregular no Brasil. Não se tem notícia de uma deportação tão rápida como ocorreu no caso dos cubanos.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Ventos de Agosto


Passei o dia todo esvaziando caixas e mais caixas de livros, papéis, pastas, enfim toda aquela parafernália típica de escritório. Depois de enviar alguns emails, este é meu primeiro post no escritório novo, na Av. 9 de Julho em São Paulo. Agora tenho uma janelinha com vista para o Túnel da Av. 9 de Julho e a Praça Alexandre Gusmão, que fica perto do Parque Trianon, uma ilha verde que fica encravada na região da Av. Paulista.


Enquanto os funcionários da empresa transportadora empacotavam os livros - e de certa forma emcaixotavam memórias boas e ruins daquele escritório na Av. Paulista - vislumbrei que as minhas grandes mudanças profissionais ocorrem em agosto.


No dia 13 de agosto de 1993, uma sexta-feira 13, fui despedido do escritório em que trabalhava. Era estagiário e fui comunicado naquele dia que não seria efetivado. Senti raiva, senti-me ludibriado e enganado, enfim degustei o sabor de ser demitido, uma experiência nada agradável. Anos mais tarde, encontrei o sócio do escritório - que continuou sendo admirado por mim e com quem sempre tive um ótimo relacionamento - e disse-lhe que a melhor coisa que me aconteceu foi ter sido despedido. A despedida deu impulso a uma nova fase profissional e numa área específica que tanto gosto que é direito bancário e mercado de capitais.


Agora, num dia 23 de agosto, 14 anos depois novos ventos sopram, de novo em agosto, e eu lanço meu barquinho à vela ao mar, para aproveitar os ventos e navegar, navegar e explorar novos mares e territórios.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Poesia: VAGANDO


VAGANDO


Pode parecer que silencio

Que estou ausente

Que sentes-me ausente

Meu âmago te quer

Meu sorriso te procura

Meu pensamento te busca

Não há espaço para almas

Não há tempo para o espírito

Tudo permanece

Sintonizado em uníssono

Corações e lábios

Ritmados ao som dos ventos

Palavras que viajam

E trazem o calor

E inebriam meu corpo

Flutuando pelo espaço

Em busca de ti

Em busca de ti.


(RLBF - 29 jan 07)

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

A campanha do 3

Coluna da Dora Kramer, ontem no Estadão (p. A-6):

"Campanha do 3

O presidented da agência de publicidade Master, Antônio Freitas, responsável pela campanha institucional do Banco do Brasil que adota como emblema o número '3' e suscita a desconfiança de que seja propaganda subliminar em favor de um terceiro mandato para o presidente Lula, envia e-mail a título de esclarecimento.
Segundo ele, a campanha não tem esse fim nem pode ser qualificada de 'ineficaz' por causa do hermetismo da mensagem resultante da soma dos algarismos 2 e 1 da Agenda 21 sobre o desenvolvimento sustentável.
O objetivo é contribuir com o tema e conseguir o engajamento da poplução. 'Daí a sugestão para a adoção de três atitudes positivas no dia-a-dia dos brasileiros, em favor da sustentabilidade, mostrando que cada um de nós pode ser um agente transformador do futuro', diz Antônio Freitas.
De acordo com o publicitário, ao longo da campanha serão apresentados casos e exemplos em que, 'com a intervenção do Banco do Brasil', muitas situações foram e estão sendo mudadase em todo país."

Sei que podia estar viajando com o post do misterioso 3, como bem comentou a Fabiola, mas não sou o único que desconfiou. O Senador Heráclito Fortes também levantou o tema no Senado e deixou o Senador Eduardo Suplicy todo embaralhado ao tentar explicar a campanha do Banco do Brasil.

Se a mensagem é tão clara, por que não explicitar isto na propaganda?

Pelo que li, a campanha custou R$ 10 milhões.

Para mim, esta novela ainda não acabou.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

O Castelo


O episódio de sábado do seriado Mothern (21:30 na GNT) teve uma passagem com a qual me identifiquei. Uma das personagens vê a filha montar um castelo de blocos de madeira igualzinho ao da caixa. Depois que a mãe olha o castelo, a filha, num único gesto, destrói o castelo diante de uma mãe estupefata. A filha calmamente explica que vai construir um outro diferente. Estou assim, destruindo um castelo para montar um novo.


Nesta semana mudo-me de escritório. Algo simples e corriqueiro e que dá muito trabalho. Boa hora para uma faxina e jogar coisas foras. Estou neste endereço na Av. Paulista desde 1999. Sinto uma nostalgia e vou sentir falta de caminhar pela Paulista todos os dias, uma avenida que me inspirou e inspira. Quantas vezes, ao caminhar pela Paulista imerso nos meus devaneios, encontro alguém que tem quem me segurar ou gritar para que repare na pessoa. E vou sair bem na hora em que vão reformar as calçadas.


Enfim, chegou a hora de desmontar o castelo e começar a construir um novo, em novo endereço, com novo sócio e novos trabalhos. Parece que a vida é assim, um constante construir e reconstruir de castelos. Demorei a me desapegar do castelo e criar coragem para a mudança, mas vamos em frente. As salas e os cantos do escritório vão ficar na lembrança das fotos, como a aconchegante biblioteca que ilustra este post.


Gostei da imagem do castelo e acho que ela se aplica a muitas outras coisas na vida, mas isto é outro assunto.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

O misterioso 3

Reparem numa estranha propaganda do Banco do Brasil que diz basicamente: "Fique com o 3". O número aparece na propaganda, totalmente sem nexo com a mensagem e fora de contexto.

Pensei cá com meus botões e vou chutar (porque já estou sentindo patrulhamento neste blog - vide os comentários ao post Calaram o Jabor!) : isto é propaganda subliminar.

Vejam só. O Banco do Brasil é o maior banco do país e seu número é 1 (para efeitos de indicação para remessas de dinheiro todos os bancos têm um número que lhes é atribuído pelo Banco Central). Por que falar de 3?

Comentei com algumas pessoas sobre a propaganda e ninguém me deu uma resposta que sanasse minha dúvida, mas acharam estranho. Aqui vai meu chute - ou simples dedução com uma visão ao longe: é a propaganda do terceiro mandato do Lula! Subliminar, silenciosa no melhor estilo Goebbels.

Talvez alguns riam e achem que estou louco, mas vou escrever antes e depois veremos se estou errado.

E antes que reclamem, eu sou democrático e respeito posições e opiniões diversas da minha, mas acho que o Lula pretende sim se perpetuar no poder. E EU SOU CONTRA!!!!

Crônica: Beijo Vazio

O Beijo - Klimt




Havia algo de estranho naquele beijo. Parecia oco, vazio. Vai ver que era isto que chamavam de beijo técnico, pensou Aninha. Os lábios se uniram, mas foram só os lábios, algo mecânico, talvez ele nem tivesse fechado os olhos. Ele estava longe, não havia aquela união transcendental, pelo menos Aninha não sentira isto. Era um sentimento inusitado. Burocrático, sim esta era a palavra que procurava. Ele beijou-a como se batesse um carimbo em uma repartição pública no final de dia, com a mão já cansada, apenas cumprindo a rotina e com um olho fixo no relógio, contando os minutos para bater o cartão e zarpar pela porta para tomar aquela cervejinha com os amigos no bar da esquina.





Sentiu-se mal ao pensar desta forma, mas era a realidade. Dura, fria e cruel. Mas era a realidade. Aquele beijo era o prenúncio do fim, a apoteose do vazio, da distância que se instalara entre eles, sorrateira como a noite, foi-se achegando, enevoando o que era luz, alongando as sombras até que a escuridão recobrisse tudo. O coração de Aninha murchou e seus lábios continuaram a tocar os lábios de Antonio. Beijava-o com um gosto de saudade, nutria aquele momento pois temia que não se repetisse. Nova pontada no coração e os arrepios haviam desaparecido. Parecia que aquele beijo já durava demais, se bem que não contava os minutos ou segundos. Era uma encenação despida de carinho. Ficou incomodada e desfez o abraço e desfez o beijo.





Desvencilhou-se dos braços de Antonio e olhou-o nos olhos. Não havia brilho, não havia mais a intensidade do olhar penetrante. O silêncio era a revelação do presságio. Ele permaneceu mudo, apenas sorrindo. Ela sorriu de volta, mas apenas externamente, forçando os músculos da face para não demonstrar o que sentia internamente. Emudecida, levantou-se do sofá e foi dormir.