| Capela Rothko, Houston, Texas - foto @rbueloni Toda vez que viajo, seja a trabalho ou a lazer, procuro
incluir museus e atrações culturais nos meus roteiros. Sou daquelas pessoas que
prefere passar horas num museu ao invés de bater perna num outlet. O que se
ganha de capital cultural num museu – seja de que assunto for – é impagável e
extremamente enriquecedor. Fazia bastante tempo que não viajava sozinho. No início de
maio estive em Houston, no Texas. Não conhecia a cidade e fiz uma rápida
pesquisa antes da viagem buscando lugares de interesse. Deparei-me com a Capela
Rothko. A Capela Rothko é uma capela não-denominacional comissionada
por John e Domique de Menil. Os colecionadores de arte mantêm um museu de arte
no lado oposto de uma bela praça em que se situa a Capela Rothko. O MenilCollection é um museu gratuito e que tem uma coleção incrível de obras
surrealistas de pintores como Max Ernst, Roberto Matta, René Magritte, Miró,
Dalí, Alberto Giacometti, dentre outros. Mas voltemos à Capela Rothko. O prédio é uma construção
octogonal de tijolos à vista equivalente a uma altura de 2 ou 3 andares. Não é
permitido fotografar no interior da capela, então tirei apenas algumas fotos do
exterior e do espelho d’água que há na frente da capela (fotos do interior da capela e do projeto todo podem ser vistas
aqui: site ). No exterior, não
é uma obra que chama a atenção ou se destaca do ponto de vista arquitetônico.
Pelo contrário, mescla muito bem com o entorno das casas térreas do distrito
histórico de Houston. Ao entrar, a funcionária pede se fale em voz baixa e
mantenha o silêncio. A ideia é que a capela seja um ponto de reflexão sobre tolerância
e os direitos humanos. O interior da capela é composto por paredes brancas e pinturas
retangulares enormes feitas por Mark Rothko, um pintor abstrato americano do
século 20. Suas pinturas são obras retangulares cuja paleta de cores retratam
as emoções e os sentimentos humanos. Certa vez li que suas pinturas criam um
sensação emocional e metafísica nas pessoas. Já vi algumas obras de Rothko em
diversos museus, mas nenhuma delas me tocou ou emocionou. Sempre duvidei desta
análise dos críticos de arte, dos curadores e historiadores da arte. Então aconteceu o inusitado e inesperado. Adentrei a capela
sem expectativas. As telas que cobrem as paredes da capela são de uma cor escura,
em tom único, quase negras ou roxas bem escuras. Sentei-me num dos bancos
diante de três telas escuras. Fui arrebatado por um sentimento de vazio, de
ausência e brotou-me uma vontade de chorar compulsivamente. Olhava fixamente
para a tela escura e notei que a cor não era preta, mas parecia um roxo muito
escuro. Percebi a tinta escorrida na tela, como um esfumaçado, ou como se ele
tivesse capturado nuvens pouco antes de uma tempestade. As linhas tênues
pareciam ganhar movimento e dançar na tela trazendo-me calma e serenidade,
fazendo desaparecer a vontade de chorar, o vazio, a solidão. Houve plenitude e
beleza naquele local inundado de silêncio. Devo ter ficado ali uns 30 minutos.
Nunca havia contemplado uma obra de arte por tanto tempo e nunca havia sentido
uma tanta emoção diante de uma tela preta, de cor única. O que parecia triste e
sem vida, trouxe-me a contemplação de uma beleza inesperada, um sentimento de
serenidade e paz. Aprendi a não duvidar dos críticos de arte, depois desta
alegre e prazerosa experiência. A arte surpreende e a arte transcende, elevando
nossa alma para um olhar mais profundo da realidade e da vida. Acho que agora
entendi porque Rothko provoca uma experiência metafísica nos espectadores. Quando viajar, visite museus, vá a concertos de música,
mergulhe na cultura local! |
sexta-feira, 29 de maio de 2026
A Capela Rothko
segunda-feira, 22 de junho de 2015
A poesia que nos falta
sábado, 19 de julho de 2014
Crônicas de uma viagem a Paris - II : Onda Vermelha
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| Mona Lisa, no Museu do Louvre |
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Museus em alta
sábado, 18 de fevereiro de 2012
A obra monumental de Portinari
Exposição dos painéis pintados por Candido Portinari
Período: 7 de fevereiro a 21 de abril de 2012
Local: Fundação Memorial da América Latina,
Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664,
nos seguintes espaços:
Salão de Atos, Galeria Marta Traba e Biblioteca Latino-americana Victor Civita.
Horário: terça a domingo, das 9h às 18h
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Guignard e o Oriente
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Em defesa do silêncio
O silêncio é indispensável para criarmos leitores e indíviduos que saibam apreciar música, pintura e a arte como um todo.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
OSGEMEOS estão em mostra na FAAP
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Ainda sobre um outro ângulo
Vik Muniz, The Bearer (Irma), 2008, reproduzido da Galeria Fortes Villaça.quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Da escrita para o visual
Tabel, de Tomma AbtsEscrever sobre arte moderna não é das tarefas mais fáceis. Descrever a forma como um artista moderno se expressa, então, parece muito mais complicado. Lendo Seven Days in the Art World, Sarah Thornton, consegue com êxito retratar no imaginário do leitor o que o artista cria.
Em um dos capítulos sobre o Turner Prize, concedido pelo Tate Museum da Inglaterra a um artista contemporâneo de destaque, Thornton conversa com Tomma Abts. A artista, nascida na Alemanha, pinta todos seus quadros em telas do mesmo tamanho. Todos seus quadros são intitulados com uma única palavra em alemão. Além de ganhar o Turner Prize, em 2006, ela já teve uma mostra no New Museum, em Nova York.
Esperei chegar ao meio do livro para então contemplar os trabalhos descritos no livro. As descrições da autora são excelentes. Esperemos que a tradução em português seja fiel ao excelente trabalho da escritora.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Pinacoteca: estímulos visuais
Ah, a gravura de Maria Bonomi que ilustra este post não foi tirada na Pinacoteca.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Viajar

Um verbo com duplo significado. No sentido literal, viajar é o deslocamento físico de um lugar a outro. No sentido coloquial, sinônimo de devaneio e delírio, um transe que nos transporta para lugares distantes sem qualquer deslocamento físico. Dois significados quase opostos. O primeiro é material; o segundo espiritual ou talvez seja melhor usar mental ou metafísico.
Escrever é uma viagem neste segundo sentido. Eu viajo quando escrevo. Talvez seja este o maior prazer: viajar sem sair do lugar. Escrever é criar. Escrever permite fantasiar-se do personagem e viver vidas possíveis, mas que não sejam nossas. É um mergulho no universo de outrem, que deve ser realista, caso contrário, as pessoas não se identificarão com o drama e a situação da personagem.
Estou lendo A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón, e num determinado momento, um dos personagens solta a seguinte frase: "os livros são um reflexo de nós mesmos." Um mesmo texto literário pode ter significados totalmente diferentes para os leitores, pois estes se identificarão com o que lhes é familiar. A leitura permite esta viagem, este mergulho no universo criado pelo autor, em um mundo aparentemente irreal, mas que nos conduz e nos auxilia a viver individualmente o momento real.
Quando escrevo, busco reproduzir a realidade, mas de forma ficcional. Nos comentários à última crônica que publiquei, alguns leitores sugeriram ser ela real. Recebi os comentários como elogio. Os textos devem parecer reais, críveis, convincentes, humanos, ou quem sabe até universais. Ao menos, é isto que almejo como humilde aprendiz do ofício de escrever.
A vida imita a arte. Ou seria a arte imitando a vida?






