segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Epígrafe - VII
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Uma provocação de Milton Hatoum
"Caminhou por Copacabana, parou para comer no bar do primeiro encontro com Lázaro, e passeou na beira da praia até o Forte, murmurando o nome de cada rua, reconhecendo um e outro boteco e restaurante. No caminho de volta foi abatida por uma tristeza atroz: não se lembrava de nenhum amigo. Depois pensou: desconheço a amizade."
(Milton Hatoum. "Barbara no inverno" in A Cidade Ilhada. São Paulo : Companhia das Letras, 2009, p. 87)
O conto de Milton Hatoum é trágico e carrega traços machadianos. O ciúme é retomado e foi o tema central de Dom Casmurro a permear todo o enredo. Pinço um trecho do final do conto, em que Bárbara retorna ao Rio de Janeiro depois de um período de exílio na França. Percebi que muita coisa pode ser extraído deste curto trecho.
Caminhar à beira do mar, mesmo numa orla movimentada, pode ser altamente contemplativo. É possível isolar-se de tudo que nos cerca. É um caminhar solitário e imerso no próprio "eu". A solidão não exige que estejamos fisicamente sozinhos, e talvez a solidão mais cruel é aquela que se manifesta quando estamos cercados de pessoas à nossa volta, mas nos tornamos invisíveis. Ninguém nos vê. Olham-nos, mas não nos veem, não conseguem penetrar no interior pessoal de cada um.
Contemplar não é olhar somente o exterior. A contemplação mais difícil é a interior, e para tanto, basta um cenário que nos convide a contemplação, que desperte aquela voz interior que é calada pelo burburinho exterior.
A amizade, desconhecida por Bárbara, muitas vezes nos surpreende. Na maior parte das vezes, é a amizade que nos proporciona os melhores e mais surpreendentes momentos da vida, que incendia a chama quase extinta, mas que volta a iluminar ao redor com novo vigor. Há poucas vezes – mais doloridas e marcantes – em que a amizade falha. Mas nestes casos, não era amizade, mas mera convivência que se reduz ao utilitarismo.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Milton Hatoum e sua cidade ilhada

Outros posts sobre Milton Hatoum: O olhar e as palavras na visão de Milton Hatoum e Fechando o círculo.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Fechando o círculo

"E me acostumei com o silêncio, com a voz que eu só ouvia nos sonhos." (p. 41)
"Foi um namoro silencioso. Às vezes, eu escutava a voz de Dinaura nos sonhos. Uma voz mansa e um pouco cantada, que falava de um mundo melhor no fundo do rio. De repente ela ficava muda, assombrada com alguma coisa que o sonho não revelava." (p. 41)
"Esperava com ânsia o sábado seguinte, e me rendia ao olhar de um rosto calado."
domingo, 30 de março de 2008
O olhar e palavras na visão de Milton Hatoum
"Não lembrava com nitidez do rosto; dos olhos, sim, do olhar. Rever o que foi apagado pela memória é uma felicidade. Tudo voltou: o sorriso, o olhar vivo no rosto anguloso, olhos mais puxados que os meus." (p. 31)
"O olhar de Dinaura era o que mais me atraía. Às vezes um olhar tem a força do desejo." (p. 31)