quinta-feira, 31 de maio de 2007

Formas de Pensar


A Fabiola, leitora deste blog, fez um interessante post ontem. Para quem não leu, o post é curto e introduz a discussão.


Deixou a questão no ar e vou comentar por aqui, apesar de já ter deixado um comentário por lá. Ela lançou a pergunta se há diferentes formas de pensar. Eu acho que sim.


Acho que homens e mulheres pensam de formas diferentes. Também sou da opinião que diferentes áreas do conhecimento utilizam processos de raciocínio diversos. É uma questão de método e não de inteligência. A lógica jurídica é extremamente formal, enquanto que a lógica na área de exatas é mais linear. Fica fácil perceber esta diferença numa conversa entre um engenheiro e um advogado. Quantas vezes ouço perguntas de clientes que são obviamente ridículas, mas para quem pergunta não é, pois o sentido e a forma de pensar é diferente.


Vou dar um exemplo. Outro dia um cliente perguntou se depois de ter processado uma empresa que lhe devia, se poderia continuar a fazer negócios com a empresa processada. A resposta pode parecer óbvia para um advogado, mas para um engenheiro a questão não era tão simples. Já me acostumei com isto e mudo o discurso, ou a forma de explicar as coisas, conforme o interlocutor.


Isto nos leva ao ponto da comunicação, que gera tantos problemas entre homens e mulheres. Sei que a maioria dos leitores deste blog é composto por mulheres - pelo menos só vocês comentam - , e por isto vou tentar colocar um pouco de luz na discussão do ponto de vista masculino.


O homem é mais linear na forma de falar, o que talvez seja reflexo da forma de pensar, não sei. As mulheres conseguem pular de assunto para assunto sem concluir e depois de dar algumas voltas, chega ao ponto que quer chegar, como se fosse um espiral. Várias vezes tenho que insistir e pedir que minha interlocutora conclua: "afinal, o que aconteceu?" ou "aonde você quer chegar?".


Não me refiro apenas às palavras usadas, o que também gera certas confusões, mas à forma como se dialoga. Quem sabe deveríamos nos preocupar mais com o interlocutor e nos questionar se estamos sendo compreendidos, porque muitas vezes não estamos conseguindo passar adiante a mensagem que queremos. Estas falhas de comunicação geram desentendimentos e isto gera confusão e briga.


Quanto às roupas e cores, não me aventuro. Já sei que vocês nunca têm roupa para sair, nunca têm bolsas e sapatos suficientes e que há mais cores no universo além das cores do arco-íris. Isto permite que tenhamos mais opções de presentes para vocês!


(A imagem que ilustra este post é uma foto da escultura O Pensador, de Rodin)

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Dicas da Dani: John Legend

Após receber os prêmios Grammy de Melhor Álbum de R&B (2006), Melhor Intérprete Masculino de R&B (2006 e 2007) e Revelação do Ano (2006), por sua estréia com Get Lifted, John Legend está de volta com o álbum Once Again.

Once Again foi lançado no final do ano passado e contém 13 faixas de música da melhor qualidade. Heaven deu-lhe o Grammy este ano por Melhor Intérprete Masculino. John Legend é pianista e compositor. Suas composições sempre têm o piano ao fundo e comporiam um ótimo clima de lounge music.

No site oficial é possível ouvir todas as faixas do novo CD. Save Room e P.D.A. (we just don´t care) já tocam e fazem sucesso por aqui. O vídeo traz John Legend tocando PDA ao vivo no Royal Albert Hall.
Divirtam-se!


Rallye Urbano

Caminhar por São Paulo é uma aventura. Não me refiro à violência ou à questão da segurança pública, refiro-me às calçadas.

Não consigo entender por que as calçadas da cidade são tão mal cuidadas. Talvez não devesse nem usar a palavra calçada, pois há tantos buracos, que o calçamento já desapareceu. Com exceção da R. Amauri e da Oscar Freire, ilhas do luxo dentro da capital, as demais são uma lástima.

A Oscar Freire refez todo o calçamento no ano passado. Ficou ótimo. Há bancos novos e floreiras bem cuidadas e um calçada transitável. Alívio para as mulheres, de quem tenho pena ao vê-las se equilibrando com saltos no mosaico português da Av. Paulista.

Nem a Paulista escapa deste problema. Faz alguns anos, tivemos um caso no escritório de uma moça que caiu num buraco - isto mesmo, num buraco que estava sem tampa - na Av. Paulista e teve que entrar na justiça para ser indenizada pelos danos sofridos.

Quem sabe agora que o programa Cidade Limpa emplacou, não entremos no programa Calçada para Todos.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Crônica: Tarde no Café



No meio da tarde de sábado, final de verão, Pedro escolheu uma mesa perto da calçada, num simpático café da Rua Oscar Freire. Queria ver gente. Observar as pessoas. Analisar. Distrair-se com as divertidas figuras do coração do luxo e da elegância paulistana. Pediu um café puro e um pão de queijo. Deixou o livro recém-adquirido sobre a mesa, cruzou as pernas e preguiçosamente deixou seu olhar passear.

Passeavam pela calçada, ou melhor, desfilavam mulheres com sacolas, com cachorrinhos embonecados, com óculos escuros largos sobre a face, com amigas a falar e a gargalhar alto. Uma fauna de mulheres ricas, de peruas, de patricinhas, de todas as tribos urbanas e cosmopolitas. Umas medindo as outras de cima abaixo. Grifes caras e famosas e outras nem tanto. Uma variedade de roupas e estilos, de tamanhos e de rostos, de aromas de perfumes caros e de cores. Tudo se mesclava numa tela impressionista, sem precisão, como um emaranhado de sons, aromas e formas.

Pedro fitava-as discretamente, de relance. Começou pelos pés. Admirou-se com a variedade de sapatos, sandálias, unhas, pés que por ali passavam. Achava defeito em todos. Simpatizou com alguns. Mas algo incomodava-lhe.

Distraiu-se então com os rostos. Reparou nos cabelos, alguns longos, outros curtos, presos, soltos, loiros, ruivos e castanhos. Cortes variados, visuais esquisitos, outros elegantes, outros mais simples. “Qual o mais bonito”, perguntava-se. “Qual a forma da beleza?” Uma beleza abstrata rondava sua mente e não se materializava diante dele naquela tarde. Pensou em Platão e no mundo das idéias. “Seria a beleza perfeita algo inatingível, algo invisível, algo que somente pode ser criado em nossas mentes? Haveria um molde perfeito?” O molde de beleza de Pedro estava silente, escondido em seu inconsciente.

Continuou a observar de forma incessante a procura de algo que sabia existir, que sabia estar presente dentro de si ou no mundo exterior. Sentiu-se criando um Frankesntein feminino. Juntava partes e pedaços de mulheres, misturava estilos e roupas, mas nada lhe apaziguava o espírito. Inquieto não desistia em sua busca.

Estava ali há mais de uma hora e meia, quando uma moça perguntou-lhe se queria mais alguma coisa. Despertou do transe ao ouvir a indagação. Olhou-a e o reflexo da luz sobre um ponto brilhante que repousava sobre o nariz da funcionária alvejou-o como um raio. “Por isso encontrava defeito em todas as mulheres!”, disse a si mesmo. “Você é e sempre será única. Não há substituta, não há outra igual a você. Nunca serei indiferente ao seu nome. Sempre que o ouvir, lembrarei de ti. Sempre!” O pequeno piercing acima da narina esquerda havia trazido Pedro de volta à realidade. Pediu mais um café e sorriu. Encontrara o que buscava.

domingo, 27 de maio de 2007

Túnel do Tempo

Depois de uma semana de preguiça ao deixar de lado minha caminhada na esteira e de um sutil puxão de orelha, neste final de semana voltei à rotina do meu exercício. E vou criar coragem para levantar cedo ao menos 1 dia durante a semana...mesmo com o frio.

Não sou muito fã de ginástica e de exercício, se bem que ganhei gosto pela caminhada, algo que tenho feito desde setembro do ano passado. Meu iPod é um dos responsáveis por esta perseverança. Esportes coletivos não são meu forte, pois sou um péssimo jogador de futebol e por isto sempre preferi os esportes individuais. Treinei natação de forma séria na adolescência e agora voltei com a caminhada. Faz bem ao coração e fujo do sedentarismo. Bom, mas o que o título deste post tem a ver com isto? Calma, eu chego lá.

Tanto ontem, como hoje, fui caminhar no final da tarde. Céu ainda azul, mas o sol ia se pondo. Música ligada, cenário de entardecer e eu entro em transe. Viajo naqueles 40 a 50 minutos que são só meus. Momentos para pensar, ouvir música, escrever alguns textos mentalmente....e quantas vezes já não tive idéias e aprontei surpresinhas que surgiram nestes momentos de recolhimento. Ontem, ouvi uma música - a versão que tenho no iPod é da Madonna - que me transportou no tempo.

A música é American Pie e o vídeo, na versão original, está abaixo. Voltei 20 anos no tempo para um período que morei nos Estados Unidos. Esta música me lembrou os bons momentos dirigindo com amigos, deixando o tempo passar preguiçosamente no verão quente sem ter nada com que se preocupar...lembrei da neve e do frio, dos dias gelados e de pouca luz, das descobertas da adolescência, dos "foras" (no plural, pois foram vários) dados por meninas, das conquistas e das tristezas. Foram 4 anos, dos 13 aos 17. Foi uma ótima experiência. Amadureci mais cedo ao ter que enfrentar situações novas e inesperadas.

Nesta viagem no tempo, lembrei-me de um professor de literatura. Mr. William Daly era o nome dele e lecionava um curso de Literatura Ocidental. Isto foi no 2o. colegial, lembrando que nos EUA o ensino médio tem 4 anos de duração. Naquele ano de 1986 aprendi a ler. Descobri a beleza de um romance, a importância de ler e escrever. De forma ainda superficial, própria da idade, mas foi meu primeiro contato com Henry David Thoreau, Robert Frost, Walt Whittman, Shakespeare, Ibsen, Sófocles e Hemingway, para citar alguns. Um novo mundo descortinou-se diante de mim. Atribuo a este professor uma guinada fundamental na minha vida. Até aquele ano queria ser engenheiro, mas foi naquele curso que resolvi seguir a carreira jurídica. Ganhei gosto por ler e escrever.

Tudo isto por causa de uma música. Uma música que marcou minha adolescência. Uma música que marcou aquele período. Há 2 outras músicas que me levam de volta a Midland toda vez que as escuto. Tocaram numa festa de despedida, um dia antes de voltar para o Brasil em janeiro de 1988. As músicas são Don't You Forget About Me (Tears for Fears) e If You Leave (Nada Surf). Esta segunda não ouvia há anos e mal lembrava dela. No ano passado, uma amiga me enviou a música achando que iria gostar. Acertou em cheio!

Deixo-os com American Pie.


sexta-feira, 25 de maio de 2007

O Mundo dos Blogs



O mundo de hoje permite uma comunicação instantânea, em tempo real. Motivo de stress para alguns e alegria para outros. A internet e os blogs mudaram a forma das pessoas se comunicarem. Notei algo que achei interessante desde que comecei este blog. Há uma pequena comunidade de leitores que navegam em blogs semelhantes, comentam e conversam sem nunca terem se visto.


Os blogs, incluo o meu, viraram um ponto de encontro virtual de pessoas com interesses comuns. Isto não quer dizer que todos tenham a mesma opinião ou que concordem com tudo que os outros escrevem. Mas discutem, debatem, comentam, discordam. É uma forma nova de se fazer companhia, de conversar. Não estamos reunidos numa mesa de bar ou numa sala de estar. Estamos reunidos em torno de um site que permite contatos diários. Um jeito de interagir de maneira construtiva. Há uma força imponderável na forma como nos comunicamos e divulgamos nossas idéias, nossas vidas, nossos pensamentos.


A blogosfera permite interagir sem sair de casa. Não se trata de ser anti-social ou um nerd escondido por detrás da tela do computador. Porém, é um jeito de perceber que somos todos iguais, com aflições, alegrias, ansiedades, angústias semelhantes.


Leio vários blogs, principalmente blogs escritos por mulheres. As mulheres escrevem mais e se abrem mais nos blogs, o que permite conhecer um pouco destas aflições que nos atingem. Digo nós na categoria de pessoas com mais de 30 anos. Fiquei impressionado como há semelhanças no que é dito. Não digo cópias ou plágios, digo na questão sentimento e forma de ver a vida. As incertezas acerca do futuro. Nossa geração chegou aos 30 e agora revê conceitos, enfrenta novos desafios e problemas, tanto no âmbito social como no âmbito psicológico.


O bom do blog é que ele permite conhecer as pessoas pelas palavras. E as palavras não escondem o que sentimos e pensamos.


(Escrevi este post ouvindo Open Your Eyes, Snow Patrol. Nada mal para uma tarde de 6a. feira.)

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Poesia: SOB A LUA



SOB A LUA


Saudaste-me no céu do entardecer

Lua a iluminar o cair da tarde

Tarde de verão de meu natalício.

Contemplo-te imóvel a sonhar

Acelerando meu pobre coração

Que de saudade se aperta

Contorcido e amarrado pela dor

Pela ausência de ti que sinto

Fisicamente me contraio

Em posição fetal a chorar

Lágrimas que derramo por ti

Silenciosamente recluso.

A lembrança do teu sorriso

Pulveriza a dor

e a saudade

Transmuda meu estado

E sorrio para o luar

Lua que resplandece teu rosto

E reflete o brilho do teu olhar

E acalma minh´alma.


RLBF (29 jan 07)

Faltou explicar

Lendo os comentários percebi que cometi uma falha. Há 2 posts em abril com um resumo do livro e um breve trecho da obra. Deveria ter facilitado a vida do leitor e postado os links.

Agora corrijo o erro. A sinopse pode ser lida no post do dia 9 de abril ou clicando nos marcadores no final do post. Estes marcadores vão automaticamente mostrar os posts relacionados.

Obrigado pelos comentários e pelas visitas.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Volto com a discussão sobre A Trégua

Vou tirar logo da frente o tema que mais espinhoso. Não concordo com o protaganista acerca do período menstrual feminino, pode ficar tranquila. Na semana passada houve um post no blog Pensamento Nosso (minha vez de retribuir a gentileza) sobre TPM e há uma série de comentários sobre o que as pessoas acham. Pessoalmente, tenho mais paciência que o normal neste período. Agora, do ponto de vista profissional, ou seja, de trabalhar com mulheres, nunca notei nenhuma mudança na postura ou na conduta. Sempre trabalhei com mulheres ao meu lado e talvez uma ou outra fique mais irritadiça durante um período do mês, mas sempre relevei isto.

O livro poderia levar a muitas e muitas discussões. Isto é o que o torna tão universal, tão representativo da condição humana e atemporal. Lembrem-se que a obra foi escrita no final dos anos 50 e continua muito atual.

De fato, achei Santomé com uma visão rasa da vida, sem relevo, sem transcendência. A única meta na vida dele era a aposentadoria. Esqueceu de viver e isto inclui cuidar dos filhos, superar a perda da mulher e permitir que se coração descobrisse um novo amor. Acho que nossas opiniões são parecidas quanto à conduta do protagonista.

A descoberta de Avellaneda, porém, é o ponto fulcral. Evita o sentimento, quase repelindo-o. Mas o sentimento é mais forte que a razão. Santomé demora a se entregar à paixão e luta contra o sentimento, talvez por medo de viver uma nova perda, por medo da rejeição. Em dado momento decide-se assumir completamente aquele romance, sem antecipar a surpresa trágica que a vida lhe havia reservado. O final é triste. Avellaneda morre e Santomé se depara novamente com o luto, com a perda, com uma falta de sentido para sua vida. Hâ uma profunda revolta do protagonista com o destino de sua vida, uma revolta com Deus.

Penso que a mesma história poderia ser recontada do ponto em que Santomé perde a esposa. A dor e o sofrimento poderiam ter levado a uma maior união dos filhos com o pai e juntos superariam a dificuldade. Como diz o ditado popular: "Deus dá o frio conforme o cobertor". Dificuldades todos nós temos, a questão é como enfrentá-las. Santomé escolhe o caminho da revolta, o caminho de deixar a vida passar, esperando por algo.

Quando algo aparece e este algo é o amor por Avellaneda que descortina um novo horizonte diante de si, ele reluta, hesita. Teima em não fugir da rotina, da estabilidade, da inércia. O sentimento é mais forte e por alguns meses Santomé se vê jovem, vibrante, alegre novamente, tudo por causa de Avellaneda.

O livro permite muitas discussões e reflexões. E sou da opinião que todo livre tem algo a nos dizer, algo a nos fazer pensar e algo a nos acrescentar.

Discutindo A Trégua


Quando terminei de ler A Trégua, de Mario Benedetti, sugeri que alguma leitora do blog lesse o livro e desse sua opinião. A idéia era realmente permitir visões diferentes - ou não - do livro. Não queria fazer uma análise apenas do ponto de vista masculino, mas queria realmente ouvir a opinião do livro do ponto de vista feminino.


Primeiro então o que escreveu a Fernanda:


"Bom dia! Há algumas semanas vc lançou um desafio sobre o livro "A Trégua". Aceitei o desafio, li o livro, gostei muito e tenho alguns comentários a fazer.


Não achei o protagonista machista, a não ser em uma passagem, qdo ele comenta sobre como uma mulher fica "atarantada e completamente imbecil" no período menstrual. Acho que o imbecil é ele e ficarei extremamente desapontada se vc concordar com esse ponto de vista.


Além de ter uma visão muito pessimista da vida e de si mesmo, achei-o muito egoísta. Criou os filhos após a morte da mulher, mas fez isso como se fosse um peso, uma obrigação, daí a falta de relacionamento com os mesmos na fase adulta. A lembrança apagada que ele tinha da esposa, fez com que os filhos crescessem sem a imagem da figura materna e isso foi muito triste de perceber no livro.Parece-me que ele foi vivendo sua vida focado somente no dia em que iria se aposentar...não gostava do trabalho, não gostava das pessoas.


Quando conheceu Avellaneda sentiu renascer a chama da paixão, mas mesmo assim de uma forma completamente egoísta. Ele não vivia o presente...ficava preso na imagem da mulher morta, comparando-a com a atual e não se permitia viver essa nova paixão, pensando de como seria no futuro. Seus pensamentos eram sempre negativos e ele usava a desculpa de que estava poupando Avellaneda de um sofrimento, qdo na verdade o problema era sua falta de coragem.


Somente quando se deu conta da falta que ela lhe fazia, foi que resolveu tomar uma atitude, mas ai foi tarde demais. Mesmo nessa hora, seu pensamento foi egoísta...não pensou na vida tão jovem que foi interrompida, mas sim no resto da vida miserável que iria ter sem ela. Daí caímos nos seus últimos posts, sobre não fazer ou falar as coisas qdo sentimos vontade. Gostei do livro, muito, da forma que foi escrito, mas definitivamente não gosto de pessoas como o protagonista, que enxergam tudo de um prisma negativo e ficam vendo a vida passar sem realmente vivê-la.É isso, agora vamos ver seus comentários, sorriso"


Volto com meus comentários no próximo post.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Crônica: Prisma (2)

Luciana continuava presa numa odiosa reunião, trancada numa sala com um monte de pessoas discutindo um bendito plano de reorganização e redução de custos da empresa em que trabalhava. Envolta em planilhas e relatórios, tinha perdido a noção de tempo. Já estava atrasada para o encontro com Pedro e não estava nem um pouco interessada em ir. Havia confirmado e ela era pontual e não gostava de deixar ninguém esperando, mesmo que fosse o Pedro. Procurou seu celular entre os papéis sobre a mesa para lhe mandar um torpedo, mas o celular não estava lá. “Putz, deixei na minha sala!”, lembrou ela.

Aquilo tudo deixou-a aflita, com um senso de urgência. Precisava urgentemente de um telefone, de um celular, de um computador, de uma fumaça, enfim qualquer coisa para lhe mandar um sinal. Luciana conhecia bem a figura. Haviam tido um envolvimento emocional por alguns meses que não deu certo. Luciava via Pedro como um sujeito muito dependente, que lhe sugava emocionalmente. Ela queria um companheiro e não se transformar na terapeuta do namorado. Bem, eles ainda não eram namorados, mas eram íntimos. A iniciativa para o rompimento fora dela. Ela não queria vê-lo, mas aceitou por pura pena e compaixão. Sabia que iria ficar mal depois do encontro. Sabia que ele ia tentar beijá-la. Sabia que ela ia se desvencilhar dele no bar, não ia oferecer uma carona de volta até o hotel porque ele iria convidá-la para subir, ela ia dizer não, ele iria insistir ou dizer que tinha um presentinho para ela, ele lançaria aquele olhar sedutor e em poucos minutos ela estaria no quarto do hotel com ele aos beijos.

Ela estava convencida que precisava ser forte, afinal, ela o dispensara. Em alguns momentos até sentia saudade de Pedro, mas não queria que o relacionamento evoluísse. Não tinham futuro juntos na opinião dela.

Olhou no relógio. Uma hora de atraso. “Ele deve estar se corroendo naqueles devaneios malucos dele. Coitado. Estou sendo muito má! Mas ele que me encheu o saco para este encontro. E depois, é só um cano, nada demais. Nada que lhe arrase, nada de mais grave. Amanhã eu ligo para ele. Ele já ia ter que jantar sozinho mesmo.”, pensou ignorando por completo a enfadonha reunião que ocorria.

Conseguiu dar uma escapadinha para ir ao banheiro. Correu até sua mesa e pegou o celular. Estava sem bateria. Tentou lembrar de cabeça o telefone dele. Discou rapidamente para o celular dele. Sem resposta, direto na caixa postal. “Vai ver ele está ocupado e nem está me esperando.”, e desligou sem deixar recado.

Escreveu um rápido email para deixar registrado que não tinha esquecido do encontro. Nisso viu uma mensagem de Antônio. Seus olhos brilharam, o coração bateu mais forte e resolveu ler. Era uma mensagem curta. Apenas um recado no meio da tarde, sinal de que ele havia pensado nela. A mensagem de Antônio fez com que esquecesse de Pedro num pestanejar. Quando ia responder, o telefone tocou e seu chefe chamou-a de volta à reunião. Deixou sua mesa animada e renovada com aquela mensagem, com aquela carinhosa lembrança.

Clima e humor

Hoje está um dia chuvoso, friozinho e cinza em São Paulo. Um dia para ficar enfurnado sem sair para a rua. Tem gente que odeia frio, tem gente que odeia calor e tem gente que não está nem aí para o clima. Acho que o clima afeta o nosso humor. Uma sequência de dias cinzas começa a ser deprimente.

Como canta a Adriana Calcanhoto, "carioca não gosta de dia nublado". Eu também não, mas hoje o clima combina com um ar mais introspectivo. Um clima para ficar no meu canto, pensando na vida e escrevendo. Gostaria de poder ser senhor do meu tempo em dias assim. Ter o tempo todo, o dia todo, só para mim.

A realidade não permite isto, então vou esperar até o final do dia, para no silêncio do cair da noite escrever, pensar e sonhar.