quarta-feira, 14 de março de 2007

Dia da Poesia: Cecília Meireles

Hoje é dia da Poesia. No Brasil, há dia para tudo, menos para não pagar imposto. Não vamos estragar a festa. Escolhi um poema especial. Um poema que retrata o suspiro, a delícia de ouvir um nome, de sonhar com um nome, de se arrepiar com um nome. Um nome que é de uma pessoa viva, de uma pessoa querida.

Deixo-os com um poema de Cecília Meireles, de sua obra Canções:

RESPIRO TEU NOME

Respiro teu nome
Que brisa tão pura
súbito circula
no meu coração!

Respiro teu nome.
Repentinamente,
de mim se desprende
a voz da canção.

Respiro teu nome
Que nome? Procuro...
- Ah! teu nome é tudo.
E é tudo ilusão.

Respiro teu nome.
Sorte. Vida. Tempo.
Meu contetamento
é límpido e vão.

Respiro teu nome.
Mas teu nome passa.
Alto é o sonho. Rasa,
minha breve mão.

(Canções. Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 2005, p. 10-11)


O tempo pode ser curto e breve, o encontro efêmero demais, mas teu nome permanece comigo e nunca passa.

Bentinho e o irracional


Li Dom Casmurro duas vezes. Só tive contato com a obra de Machado de Assis depois dos 30 anos. Foi uma falha na minha formação humanística. Lê-lo, porém, na maturidade deu-me enorme prazer. A dúvida que remanesce na cabeça do leitor acerca da paternidade de Ezequiel não é respondida. Talvez, se o romance tivesse sido escrito nos dias de hoje, Bentinho pediria um exame de DNA, ajuizaria uma ação de investigação de paternidade e tudo se resolveria. E tiraria a graça do romance.

O que mais me chamou a atenção em Dom Casmurro é a racionalidade de Bentinho. Creio que me identifiquei um pouco. O conflito racional versus emocional permeia uma série de obras clássicas. Desde a Grécia antiga, encontramos este dilema. Antígona se sacrifica pelo irmão conduzida estritamente pela racionalidade, pelo certo. Romeu e Julieta morrem abraçados e levados apenas pelo amor, pelo emocional. São apenas alguns exemplos para ilustrar meu argumento.

Bentinho é um sujeito racional, um ciumento doentio. A cena do Capítulo CVI parece-me o ponto de partida da suspeita. Transcrevo um trecho:

Foi justamente por ocasião de uma lição de astronomia, à praia da Gloria. Sabes que alguma vez a fiz cochilar um pouco. Uma noite perdeu-se em fitar o mar, com tal força e concentração, que me deu ciúmes.” (p. 327)

A cena do olhar distante revela que Capitu havia conversado com Escobar e este lhe ajudara a economizar dez libras esterlinas. Em palavras de hoje, Capitu usou Escobar para aplicar o dinheiro que rendeu juros.

Esta cena tem 2 aspectos que merecem reflexão: o ciúme e o olhar distante. Fiquemos com a mais óbvia primeiro e tornarei a falar do olhar distante em outro post, trazendo trechos de autores modernos.

Quando estava no seminário, Bentinho já sofrera de ciúmes quando fora comunicado que Capitu vivia alegre e contente. Achou que ela tinha arrumado outro namorado, que estava feliz pela distância. Depois no enterro de Escobar, Bentinho interpreta o olhar como a prova final. O trecho é do Capítulo CXXIII:

No meio della, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas, poucas e caladas...” (p. 374).

Aquele gesto foi para Bentinho a confissão. Sua racionalidade havia produzido uma realidade – talvez – diversa da verdadeira. Uma realidade imaginária, fruto de seus pensamentos. Algo meio Kantiano, onde a única realidade que existe é a do pensamento. O bom senso levaria Bentinho a confrontar Capitu com suas dúvidas. Mas ele não o faz. E o fim trágico do romance se dá por causa do silêncio de Bentinho.

Há um certo delírio nas conclusões de Bentinho, mas acho que qualquer psicólogo poderia explicar que o ciúme doentio é uma patologia que carece de tratamento. O ciúme é algo irracional, mas do qual não podemos fugir. Todos sentimos ciúme. O grau é que varia. O ciúme pode ser bom e lembrar-nos de quão verdadeiro e sincero é o sentimento pela pessoa querida, mas não pode – e não deve – levar-nos a envenenar o relacionamento. É preciso sangue frio ou contar até dez para deixar a poeira baixar e então confrontarmos a situação. Normalmente o passar do tempo revela que aquele ciúme é uma grande besteira. O que não podemos é deixar o ciúme minar e corroer nossas entranhas a ponto de não falarmos, a ponto de distanciarmos da pessoa, a ponto de desistirmos da pessoa querida.



Uma observação final: os trechos foram transcritos de uma edição de 1938, razão pela qual há aparentes erros ortográficos. A edição é da W.M. Jackson Inc. Editores, Rio de Janeiro. No português antes da reforma ortográfica, Céu era escrito como Céo. Curioso não?

segunda-feira, 12 de março de 2007

Poesia: AO CAIR DA TARDE

AO CAIR DA TARDE

A penumbra avança
E escrevo-te estas linhas
Lançadas no papel branco
Palavras que brotam do coração
Coração apertado
Que busca tua alma
Tocá-la de forma indelével
Levantar-te do sono profundo
Arrastar-te da deriva
Despertar-te para o sol
Alçar-te para vôos altos
Guiar-te pela vida
Com passos largos
Com rumo certo
Dou-te a mão forte
E mesmo cegada pelo amargor
Anseio conduzi-la numa jornada única
Até a planície florida
Ao campo sem sombras
Onde não há prantos nem lágrimas
Onde o céu é sempre anil
Onde o sorriso nunca fugirá do teu lindo rosto
Onde o amor frutificará
E a felicidade será tua companhia
Por todos os dias
E por todas as noites
De lua cheia ou lua nova.

(RLBF - mar 07)

domingo, 11 de março de 2007

Ouvindo o silêncio

O poeta é o ser humano capaz de congelar no papel a descrição de uma situação universal com precisão única. Definição assaz acadêmica, ou técnica. Mas trazendo para o chão de nós mortais, o poeta capta o sentimento e consegue descrever o que sentimos de forma irretocável.

Nesta tarde de domingo, que seguiu-se a uma linda manhã de sol, vieram as chuvas típicas: fortes e rápidas. Peguei uma obra de Vinicius de Moraes e passei a folheá-la. Procurava algo para o blog. Mas queria algo que me dissesse alguma coisa. E encontrei. Encontrei algo que disse o que jamais conseguiria dizer. Vasculho os poetas e sempre – por incrível que possa parecer – me deparo com um poema que retrata com beleza o sentimento ou o momento que quero comentar. É algo singelamente fascinante descobrir palavras para descrever algo.

Foi assim que cruzei com TARDE, que é muito adequado para uma tarde de domingo. Momento de depressão para alguns, momento de alegria para outros. Os três primeiros versos são simples e belos, mas marcantes. “Meu espírito te sentiu”. Ouvir pelo espírito a emoção silenciosa. Ouvir no silêncio a dor e o chamado, ouvir o pensamento. Com a palavra, Vinicius de Moraes.

TARDE

Na hora dolorosa e roxa das emoções silenciosas
Meu espírito te sentiu.
Ele te sentiu imensamente triste
Imensamente sem Deus
Na tragédia da carne desfeita.

Ele te quis, hora sem tempo
Porque tu eras a sua imagem, sem Deus e sem tempo.
Ele te amou
E te plasmou na visão da manhã e do dia
Na visão de todas as horas
Ó hora dolorosa e roxa das emoções silenciosas.


(As Coisas do Alto. São Paulo : Companhia das Letras, 1993, p. 47)

Meu caro leitor, tenta ouvir no silêncio a inquietação de uma alma a quem se quer bem. Se conseguirdes, saberás que quem fala é teu coração.

sexta-feira, 9 de março de 2007

Se eles podem, eu também posso.

Ontem, minha tranquila tarde de trabalho foi invadida por uma manifestação na Av. Paulista. Acabou em pancadaria, como geralmente acaba. E não venham me dizer que a culpa é da polícia. A culpa é de quem provocou e de quem quer parar a cidade para gritar palavras de ordem. Não questiono o direito de livre manifestação, nem a liberdade de expressão. Questiono sim a baderna e a lógica destas manifestações. Vamos lá.

O primeiro carro de som incentivava os manifestantes a gritarem: "Hei, Bush, vai tomar no c...!". Diria que tal grito é tão eficiente quanto xingar um juiz em um estádio de futebol. Mas que atrapalhou a vida da cidade atrapalhou.

No segundo carro, tinha uma mulher que reclamava do imperialismo americano, que o McDonald´s servia comida para engordar as mulheres e que por isto elas eram abandonadas pelos maridos. Hã!?? Típica lógica esquerdista, ou seja, lógica sem nexo. Se ela acha o McDonald´s um braço do império americano, então que não vá no McDonald´s, mas me deixe trabalhar em paz.

Aí veio uma integrante da UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), também sobre um carro de som. Em alguma língua, que se aproximava do português, dizia que o machismo impedia as manifestações e que o machismo era o grande mal do Brasil. Quem adivinhar a conclusão ganha um doce. Exatamente: quem implementou o machismo no Brasil foi o imperialismo americano.

Fiquei irritado. Fui até minha janela e gritei em alto e bom som palavras de ordem contra os manifestantes. Não usei palavras de baixo calão e acho que eles não me ouviram, mas fiquei aliviado. Desde os tempos de faculdade, provocar petistas é uma das minhas maiores diversões. Dá-me um enorme prazer ver este pessoal visualizar você como o demônio encarnado, um fantoche do império do mal. Eu me divirto muito com isto.

Quando era calouro na São Francisco, numa aula de Teoria Geral do Estado, fiz uma pergunta ao Prof. Dalmo de Abreu Dallari. Sabia que ele era vermelhinho. O que não sabia era que a resposta que ele me deu veio com um agressão pessoal. Até hoje não sei como ele sabia que meu pai trabalhava numa multinacional americana, mas ele sabia. Sabia quem eu era e argumentou com uma lógica típica de quem não tem argumentos. Um professor titular argumentar com um relés calouro deste jeito marcou minha vida. Nunca esqueci deste episódio e nunca vou esquecer.

Aguentei patrulhamento ideológico na faculdade e pude sentir como os petistas são "democráticos". Se eles gostam tanto de Cuba, da Venezuela e da Bolívia, por que não se mudam para lá e deixam a gente trabalhar em paz?

Se eles podem gritar, eu também posso. E fiz isto ontem. E fiquei com alma lavada. Vai mudar o mundo? Não vai, mas não fico quieto.´

quinta-feira, 8 de março de 2007

Viva a diferença!


Hoje é o Dia Internacional da Mulher. Parabéns a todas as mulheres! E como todo mundo vai falar sobre isto hoje, eu também vou.

Comecemos pela explicação da foto. Não se trata de vislumbrar a mulher como ser frágil ou delicada que só gosta de ganhar flores e deve ser tratada como um bibelot precioso. O campo florido é uma imagem agradável, que retrata boas lembranças, ou brincadeiras particulares, que já inspirou grandes pintores e obras de arte. Enfim, alguém vai entender o porquê desta foto.

Depois o título que parece paradoxal. Mas não é! Somos todos a favor de igualdade de direitos, de tratamento equânime entre homens e mulheres no ambiente de trabalho, contra o preconceito e a discriminação. Mas pergunto-me: e as nossas diferenças?

Acho maravilhoso que homens e mulheres sejam diferentes. É um fato. Hoje, na área jurídica, creio que haja mais mulheres do que homens trabalhando e sempre me dei muito bem ao trabalhar com mulheres. Elas são mais detalhistas, mais atenciosas. Elas são mais intuitivas que nós homens, mais perceptivas. Tentamos copiar as coisas boas, mas muitas vezes não temos êxito. Recentemente, falaram-me que tinha muita sensibilidade. Recebi isto como um grande elogio, principalmente vindo de uma mulher.

Mas no ambiente de trabalho, estas diferenças precisam respeitadas e aproveitadas. Explico-me. Uma mulher que tem dupla jornada - e muitas têm - não pode ficar até altas horas no escritório. Isto é compreensível e deve ser compreensível. As empresas devem analisar estes pontos e respeitar esta necessidade feminina de ter mais tempo em casa. Muitas empresas se adaptaram a isto. Não é o caso de achar que a mulher tem menos capacidade de trabalho, nem de que é menos ambiciosa. A capacidade de trabalho da mulher, penso, é maior que a do homem. Os homens raramente têm jornada dupla e a ambição feminina é diferente.

As diferenças não devem ser motivo de discriminação ou tratamento desigual. As diferenças devem motivo de compreensão e complementação no ambiente de trabalho. Por isso, volto a dizer: Viva a diferença! Não devemos procurar que mulheres se pareçam com homens e vice-versa.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Crônica: Uma certa madrugada


Acordou de madrugada naquela noite de início de dezembro. A negritude preenchia todo o espaço do quarto. Não havia som ou sinal de luz. Silêncio pleno. Antonio revirou-se na cama, ainda meio sonado e olhou para o relógio que marcava 5:37 da manhã. Estava sereno e sentia-se desperto. De olhos fechados, o pensamento viajou para longe, como costumava fazer nas madrugadas. As noites pareciam um refúgio seguro para uma alma angustiada. Pensava na noite como o purgatório, algo temporário, efêmero, mas necessário para se chegar a contemplar a luz do sol que nasceria em breve.

As imagens formaram-se e a imaginação tomou corpo e forma, quase real. Parecia senti-la ao seu lado e não distante. Um sentimento de paz e tranquilidade tomou-lhe o ser. Algo sublime invadiu sua alma. Pensava nela. Parecia que ela sussurrava ao seu ouvido que de longa distância estava bem, sonhando com ele no sono profundo. Será que ela está acordada? Seria um beijo que me acordou? Seria um suspiro? Seria uma transmissão de ondas telepáticas que me despertaram dos braços de Morfeu? Enfim, com um leve suspiro, deu-se conta de que ela provavelmente dormia a quilômetros de distância, talvez tocada por uma leve brisa vinda do mar em Copacabana, sem perceber meus pensamentos.

Foram alguns minutos, 10 ou 15, mas sorria internamente com aquele senso de paz interior que o pensamento nela lhe trazia. Antonio ajeitou-se na cama, virou para o lado, colocou as mãos por debaixo do rosto e voltou a dormir. Desejava sonhar com ela, desejava tê-la ao seu lado, mas aqueles momentos sublimes, de alegria silenciosa, permitiram que afastasse a angústia dos últimos dias e caísse no sono como um bebê recém-nascido nos braços da mãe.


(RLBF)

segunda-feira, 5 de março de 2007

Escrever: uma forma de terapia.

Desde que comecei a escrever este blog, tenho visitado vários blogs. Geralmente blogs de poesia e literatura, mas tenho parado e lido muitos blogs pessoais. Lugares onde as pessoas abrem sua intimidade e falam de problemas pessoais, dúvidas, questionamentos, reflexões. Percebi algo: os problemas e angústias das pessoas são muito semelhantes!

Marcelo Rubens Paiva, em sua crônica no Estadão de sábado, que trata de separações, conduz o personagem a escrever como auto-terapia. O personagem tenta escrever poesia, mas não sai da primeira linha de seu poema.

Interessante que os blogueiros fazem exatamente isto. Escrevem para fazer auto-terapia. Incluo-me entre estes blogueiros. Sempre escrevi como forma de auto-conhecimento, como forma de terapia. Às vezes, o que vou escrever é antes falado em voz alta. Num final de tarde, como agora, quando o silêncio é meu único companheiro e ouvinte. Sinto que falar sozinho, em voz alta, ajuda a dar forma ao texto. E a escrita, ajuda a dar razão – ou não – às idéias e às coisas que se passam na minha cabeça.

No último post, citei um texto de Drummond em que ele fala da literatura como uma das grandes consolações da vida. Escrever acaba sendo uma forma de consolar a alma, de ouvir o íntimo. E as pessoas têm feito isto através de blogs.

Confesso que não tenho coragem de abrir a alma como muitos fazem em blogs. Coloco no blog um pouco do que penso, mas sem expor muito da intimidade. Isto fica reservado. Acho que é uma forma de se preservar.

O interessante disto tudo é que quando surgiu o email, falavam que o ser humano ia deixar de escrever. Ocorreu o inverso. O ser humano, hoje, escreve muito mais. E divulga o que escreve e pensa. A privacidade e a intimidade ficam mais expostas. Talvez possamos, lendo o que se passa com os outros, entendermos que não somos loucos, nem diferentes. Somos todos humanos, com preocupações iguais, com sentimentos semelhantes, com angústias e aflições.

Continuo escrevendo e continuarei a escrever. Algumas coisas divido com os mais próximos. Outras deixo guardadas. Talvez se percam quando um vírus atacar meu computador, mas me ajudaram a entender melhor a vida.

sábado, 3 de março de 2007

Pedra no meio do caminho

Carlos Drummond de Andrade escreveu no final do prefácio de uma antologia poética editada pela Ed. Record em 1991 (26a. edição organizada pelo autor):

"Acho que a literatura, tal como as artes plásticas e a música, é uma das grandes consolações da vida, e um dos modos de elevação do ser humano sobre a precariedade da sua condição."

Curto e grosso o poeta de Itabira sintetiza com precisão o que acredito. Música e literatura têm sido uma constante companhia. Um mergulho no interior para conhecer melhor o ser humano, para um auto-conhecimento, para consolar-me das agruras e angústias que se apresentam.

A vida coloca-nos pedras, pedriscos, pedregulhos e verdadeiras montanhas no meio do caminho. Quando achamos que tudo corre bem, tropeçamos. Quando parecemos escorregar ladeira abaixo, um galho de árvore nos serve de apoio. Estas metáforas da vida são ricas e permitem dar valor àquele empurrãozinho de um amigo. Ao amigo que escuta, que ajuda que estende a mão. Ao amigo que pressente a tristeza e divide e contagia com sua alegria, dividindo e fazendo mágica.
A pedra no meio do caminho não deve ser motivo de tropeço e queda. A pedra no meio do caminho deve ser motivo de novo impulso e vida. Um novo ânimo para a grande aventura que é a vida.
NO MEIO DO CAMINHO
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
(Carlos Drummond de Andrade. Antologia Poética. 26a. ed. Rio de Janeiro : Record, 1991, p. 196)

quinta-feira, 1 de março de 2007

Parabéns ao Rio de Janeiro!


Não poderia deixar passar batido o aniversário de fundação do Rio de Janeiro. E vou provocar um pouco com esta linda imagem do Pão de Açúcar ao por do sol. Agora entendo porque horário de verão é tão apreciado pelos cariocas. Porque escurece mais tarde e dá para sair do trabalho e contemplar a beleza dessa cidade. Vou ficando mais velho e revendo conceitos. Este ano, pela primeira vez, senti falta do horário de verão. Fim de tarde e vem a penumbra.


Em 1º de março de 1565, Estácio de Sá fundava a cidade que chegou a ser a capital do Brasil e é um centro de cultura e de negócios. Lá se vão 442 anos de vida de uma cidade realmente maravilhosa. Como saiu no Migalhas de hoje, com tamanha beleza, deveríamos falar na descoberta do Rio de Janeiro e não em sua fundação. Concordo em gênero, número e grau.


Tenho que fazer uma confissão, e já disse isto aqui antes. Era implicante com o Rio, com os cariocas e com tudo que tinha a ver com a Cidade Maravilhosa. Isto começou a mudar numa viagem de férias em janeiro de 2005. Mas a minha "conversão" de paulista bobo para um paulista apaixonado pelo Rio deu-se ao longo do ano passado. E isto inclui o jeito de falar, com todas as gírias! Mérito de uma carioca. Aliás, preciso ir ao Rio matar as saudades.

Outono

OUTONO

Galhos mortos
Árvore retorcida
Descolorida
A vida apenas a passar
Nos passos arrastados
Pesados, lentos.

Coração paralisado
Congelado e vazio
Quase moribundo
Despido de sentimento
Embalagem oca
Recheado de vácuo

O ponteiro do relógio corre
Sem dó
Sem pausa
Sem piedade.
A vida escapa
E o amor também.
(RLBF)

Poesias num excelente blog

Navegar por blogs pode trazer gratas surpresas. Recentemente deparei-me com o blog Palavras dos Outros (para o link é só clicar no título do post). É editado em Portugal por Isabel Gonçalves. No link Outras Palavras, uma lista de blogs sobre poesia e reflexões.

É um blog de poesias. Algumas de poetas conhecidos e outros nem tanto, mas todas com susas mensagens. Uma para cada momento. Ou para momentos em que precisamos refletir. Boa leitura e companhia são garantidas neste blog.

Vale a visita!