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segunda-feira, 6 de abril de 2020
Microconto
- Boa noite! Sonhe comigo! - escreveu na mensagem do celular.
- Não preciso dormir para sonhar contigo. Basta-me o tempo.
segunda-feira, 1 de julho de 2019
Conto: Florescendo sem máscaras
![]() |
| by Erika Santiago sobre criação original de @_flordesaturno |
FLORESCENDO SEM MÁSCARAS
Estava exausta no final de mais um dia atribulado, onde fora preciso esconder sentimentos, vontades, desejos, sorrisos. As máscaras serviram de escudo para disfarçar a realidade. Tirou a maquiagem e deixou-se cair sobre o sofá. Despiu-se das máscaras e deixou os pés descalços sentirem o calor do piso. Libertos, enfim! Fechou os olhos e imaginou o silêncio da noite rural, onde poderia brincar com a grama molhada pelo orvalho a cutucar seus pés, o cheiro da terra a invadir suas narinas, o ar fresco da noite recém chegada. Raízes pareciam brotar de suas pernas, solo adentro, fixando-a e dando-lhe vigor. Esticou os braços e deles brotaram ramos e galhos e folhas, lindas flores substituíram seus dedos. Floresceu sem máscaras, sem fantasias. Abelhas extraíram o pólen e as flores viraram frutos. E com os frutos maduros semeou beleza, alegria, espalhou sorrisos e percebeu que as máscaras escondem quem ela é: única e bela.
segunda-feira, 24 de setembro de 2018
Conto: Um domingo qualquer
| Dia branco, by @missuniversoproprio |
UM DOMINGO QUALQUER
O sol adentrava pela janela da sala, ainda tímido, naquela
manhã fria de final de inverno paulistano. Com uma xícara de café, daquelas
grandes, sentou-se na poltrona ao lado do sofá, esticando as belas pernas e
apoiando-as sobre a mesa de centro. Contemplava os raios que penetravam pela
janela, invadindo seu espaço privado. Segurou a xícara com as duas mãos,
aproveitando o calor da porcelana azul. Uma das cachorras aproximou-se e apoiou
a cabeça sobre sua coxa, pedindo um carinho matinal.
Bebericou o café, levantou-se, abriu a porta da varanda e
ficou a ouvir o ruído tranquilo e preguiçoso da manhã de domingo. Não havia
carros, ônibus, motos ou qualquer outro barulho de veículo motorizado, apenas uma leve
brisa a criar um rebuliço nas folhas das árvores da praça em frente. Alguns
poucos pássaros se agitavam entre as folhas e a cidade ganhava contornos de
cidade de interior, onde prevalecia apenas o cantar da natureza. Achou estranho
o silêncio, mas percebeu um certo reconforto, um acolhimento tranquilizador da
metrópole. Sentiu frio nos pés descalços e voltou a entrar.
A cada novo dia a esperança renasce no ser, no viver. Um
vestido plúmbeo de alça fina caiu-lhe bem. Era discreto o suficiente para não
chamar atenção, mas permitia realçar suas qualidades físicas, perceptíveis ao
olhar mais atento. Acendeu um cigarro e
deu uma longa tragada. Não era um vício, mas um prazer solitário que mantinha
desde os tempos de faculdade. Gostava de fumar e se divertia com as piruetas da
fumaça subindo da ponta do cigarro em brasa. Era um momento só dela, onde
vasculhava seu interior e refletia. Em tempos de exclusão de fumantes, sua casa
era um refúgio onde podia fumar sem reprimendas ou olhares tortos e condenatórios, onde podia
caminhar nua pelos cômodos sem olhares indiscretos de vizinhos, onde ouvia as
músicas que gostava e lhe davam energia para enfrentar cada dia.
Naquela manhã, não havia música no interior do apartamento,
apenas o silêncio. Quando estava compenetrada, sua beleza era mais notada. Os
olhos traziam consigo uma força inquebrável, não como um super-herói de filme
da Marvel em que um raio destruidor está prestes a brotar dos olhos da heroína,
mas se assemelhavam a de uma esfinge que nos convida a decifrá-la, se é que é
possível decifrar o pensamento e o âmago de uma mulher.
Apagou o cigarro, amarrou um lenço de seda no pescoço,
checou a bolsa, pegou o celular e hesitou. Estava na hora de ir, mas sentiu
medo. As mãos estavam geladas. Respirou fundo e deu um passo em direção à
porta. Não era possível mais adiar aquela conversa. A amiga não imaginava o
assunto, mas ela precisava falar e derramar sobre a mesa tudo que sabia.
Guardar para si o que tinha visto tornara-se sufocante, um peso impossível de
carregar. Precisava dar vazão a tudo que estava retido, mesmo que pudesse
custar a longa amizade. Abriu a porta e chamou o elevador.
Postado por
Renato
às
5:20 PM
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quarta-feira, 31 de maio de 2017
Lavar louça
"Foi numa noite lavando louça, enquanto Alice dormia no sofá, que ele se deu conta da banalidade do amor."
(trecho de conto inédito by Renato Bueloni Ferreira)
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Renato
às
9:14 AM
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segunda-feira, 8 de junho de 2015
Microconto
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Renato
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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Microconto: O que vejo quando te olho
O QUE VEJO QUANTO TE OLHO
Distraída, penteava-se diante do espelho desembaraçando os pensamentos. Ele chegou por trás, sorrateiro, e abraçou-a bem forte. Mãos entrelaçadas, ela sentiu-se protegida e recostou a cabeça no seu ombro.
- O que você vê quando se olha no espelho? Sabe o que vejo quando te olho?
Ela, curiosa, mas inquieta com a pergunta, olhou-se no espelho, mas teve medo de arriscar qualquer palpite.
- Vejo poesia!
Postado por
Renato
às
12:18 AM
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sábado, 15 de fevereiro de 2014
Microconto: Medusa
![]() |
| Medusa, de Glen Vause (2004) |
MEDUSA
Ela dormiu com os cabelos ainda molhados. Acordou com eles desarrumados e desgrenhados, com leve semelhança a uma peruca de palhaço, pensou. Olhou-se no espelho e ficou petrificada. Minha doce medusa, ele diria. E ela sentiu saudade.
domingo, 21 de julho de 2013
Microconto - XIII
- Sinto que te perdi.
- Não, você não me perdeu. Nunca me conquistou. - retrucou ela com firmeza.
Postado por
Renato
às
3:27 PM
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