Mostrando postagens com marcador aeroportos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador aeroportos. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 17 de abril de 2026

No aeroporto

 

@ rbueloni


No aeroporto


Procurei uma poltrona que permitisse uma boa visão da pista e do pátio de manobras das aeronaves no aeroporto de Guarulhos. O cenário era rotineiro, trivial eu diria. Uma nova viagem, a espera na sala VIP e alguns momentos para contemplar o sobe e desce dos aviões. Voar sempre me fascinou desde criança. Acho que herdei esta paixão do meu pai.

 

Andei de avião pela primeira vez em 1973, quando a família mudou-se para Miami. Meu pai, minha mãe, minha irmã e eu. Partimos de São Paulo rumo a Miami num voo da Varig. Não lembro de mais nada além disso. Sei que embarcamos em Congonhas, que recentemente completou 90 anos de existência. Um lugar onde fui várias vezes com meu pai ao terraço que existia e que dava uma vista completa da pista e do pátio. Electras, Boeings 727, 737, Fokkers 100, Brasílias. Os grandes aviões a cruzar os céus em voos longos: o jumbo 747, o DC-10, o A340, o A330, o 767 e o 777. Voei em todos e para vários destinos. Congonhas era um ponto de partida frequente até para voos internacionais anes de Guarulhos ficar pronto. Os aviões partiam rumo ao Galeão, onde a Varig distribuía os passageiros em seus voos internacionais.

 

Voar era e continua a ser um fascínio. O encanto não foi perdido, apesar de alguns perrengues que se enfrentam hoje em dia na aviação. Cadeiras apertadas, passageiros mal educados, transtornos na segurança, salas VIP que deixaram de ser VIP, aeroportos antiquados e inadequados para o volume de passageiros atual. Mas, mesmo assim, sentar-se na janelinha e contemplar o mundo do alto, como um pássaro é algo sempre traz um gosto de novidade. Talvez o voar me faça reviver a infância novamente.

 

Estava lá eu perdido nos meus pensamentos, vendo os aviões subirem e descerem quando ouvi a voz de um menino que devia ter uns 14 ou 15 anos. Uma palavra apenas, um chamado:

- Pai!

O timbre da voz lembrava a do meu filho. Naquele momento banal fui transportado para o lado do meu pai. Meus olhos marejaram, contive um soluço e o choro que queria brotar. Disfarcei. Por alguns momentos eu era uma criança no aeroporto olhando os aviões ao lado do meu pai. Senti sua presença comigo, como seu braço repousasse no meu ombro e me apertasse para junto dele. Respirei fundo, sorri e pedi a Deus por ele.

 

PS: Amanhã meu pai, que faleceu em 2018, faria 81 anos.  

 


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Notas Políticas: greve de policiais e privatização dos aeroportos


Duas breves notas sobre eventos dos últimos dias: a greve dos policiais na Bahia e a privatização dos aeroportos.

Na Bahia, a greve dos policiais militares transformou o estado e instalou-se uma situação de verdadeiro caos e terror. O governador Jaques Wagner (PT) sumiu.  Seu sumiço é sinônimo de omissão e um indicativo claro de que o PT não tem política de segurança pública. Fala-se em defender o direito de greve, como se o direito de greve pudesse solapar os direitos dos cidadãos à segurança. O governador recorreu ao governo federal e o ministro da Justiça assumiu a interlocução. O clima ficou tenso, houve confronto e eis que surge o governador num discurso tipo Dilma, sem pé nem cabeça, sem coerência, sem lógica. Tergiversou, palavra usada com frequência na última campanha presidencial. Não se pode admitir grevista de arma em punho! A Constituição não garante este direito aos militares, incluindo os policiais militares.

No Rio Grande do Sul, os policiais ameaçam entrar em greve na próxima semana. O governador Tarso Genro (PT) ameaçou e foi desafiador. 

Dois estados governados pelo PT e a política salarial para a segurança pública fica em segundo plano. Um discurso na campanha, outro prática. Não se trata de coincidência.


Ontem foram privatizados 3 aeroportos: Cumbica, Viracopos e Brasília. O PT, eterno demonizador das privatizações parece ter acordado para a realidade. Demorou 9 anos para reconhecer sua incapacidade de gerir os aeroportos e fazer os investimentos necessários de infraestrutura aeroportuária.  Curioso como não foram ajuizadas ações judiciais, não houve questionamento de editais por parte de sindicatos e centrais sindicais, não houve greve. Fosse num governo de outro partido, a grita seria geral. Fosse num governo de outro partido, algum deputado viria a público afirmar que os ágios obtidos (mais de 600% no aeroporto de Brasília) seriam a confissão clara de que o preço definido no edital era muito baixo, que o patrimônio público estava sendo dilapidado e entregue a preço para a iniciativa privada. Bem, o PT sucumbiu à realidade e à sua incompetência na gestão da coisa pública. Os aeroportos e os passageiros agradecem o bom senso que finalmente iluminou a presidente.

Esperamos apenas que Palocci e José Dirceu não tenham atuado como consultores dos consórcios vencedores.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Anedotas de viagem

Embarque do voo da Gol para Caxias do Sul, hoje pela manhã no Aeroporto de Congonhas (SP). Passageiro na minha frente vai caminhando pelo finger quando percebe que o avião é da Varig. Para. Dá meia volta e diz em voz alta:

- Este deve ser o portão errado. Meu voo é da Gol.

Antes que ele me atropele, acalmo-o:

- É este o voo mesmo, não tem erro. É a mesma porcaria.

terça-feira, 22 de março de 2011

Avião não é ônibus!


Enquanto Barack Obama preparava sua rápida passagem pelo Brasil, eu fiz uma rápida passagem pela terra do Obama. Foram dez dias no sul dos Estados Unidos, uma região que não conhecia e que me surpreendeu, mas este será temo de outros posts, afinal viajar é sempre uma experiência enriquecedora. 

Sou da opinião de que os EUA começam a norte de Orlando, ou seja, quem conhece só Miami e Orlando não conhece os EUA.  Não me levem a mal e não me entendam errado, adoro Miami, a verdadeira capital da América Latina – com todas suas coisas boas e ruins -, mas Miami não é a cara dos EUA. A língua oficial é o espanhol e há um enxame cada vez maior de brasileiros arruaceiros, aqueles que estão fazendo a primeira viagem de avião na vida e resolvem que tem que comprar tudo nos outlets, inclusive geladeira.

Morei 6 anos nos EUA, sendo 2 em Miami e fui com muita freqüência à cidade. Não estou sendo preconceituoso, mas há um certo protocolo para determinadas atividades, assim como há regras para comer, para tratar uma autoridade, para se vestir para um jantar ou uma festa de casamento.  Avião não é ônibus!

Tudo bem, você dirá, a culpa é das companhias aéreas. Concordo que elas têm grande parcela de culpa ao aglutinar os passageiros em assentos que mais parecem feitos para sessões de tortura do que para viagens intercontinentais, ao servir uma comida borrachuda e sem gosto, e por aí vai.

Isto porém não justifica a falta de educação dos brazucas. Depois desta última viagem conclui que o melhor é evitar passar por Miami, salvo se a cidade for o destino final. Desta vez fui por Dallas e encontrei um aeroporto enorme e excelente, além de que o tempo de voo é suficiente para dormir um pouco mais. Os colegas passageiros também são mais simpáticos e menos desesperados por comprar tudo que veem pela frente ou reclinar o encosto do assento antes da decolagem.

A nova realidade de renda do brasileiro e o dólar barato incentivam as viagens internacionais, o que é muito positivo, mas obrigam os viajantes mais educados a exercitarem a virtude da paciência durante a viagem e na volta à pátria amada, por que afinal, nossos aeroportos estão mais parecidos é com rodoviárias. Pelo visto, para a Infraero e para o governo, avião é um ônibus voador.


terça-feira, 30 de outubro de 2007

Deixou de ser notícia


Dizem que brasileiro tem memória curta. Talvez a imprensa tenha sua parcela de culpa. Talvez todos nós tenhamos nossa parcela de culpa. Porém, no que me concerne, não vou deixar o assunto morrer e ficar esquecido. Vou falar de novo do caos aéreo. Não, meus caros, ele ainda não acabou e as coisas não se normalizaram. Apenas deixaram de ser notícia.


Semana passada fui à Brasília. Na 5a. feira, demorei exatos 55 minutos para conseguir fazer o check-in na Gol. Uma verdadeira confusão, uma fila gigantesca e muito pouca informação. Vôo saiu com 1 hora de atraso, o que parece razoável.


A volta tinha nos reservado a melhor parte da comédia. Chegamos no aeroporto às 17 horas, para fazer o check-in e embarcar no vôo 1209, às 19:25 com destino a Congonhas. Éramos 4 advogados cansados depois de um longo dia de seminário e palestras. Fomos informados que o vôo partiria às 20:30. Interessante que o vôo imediatamente depois do nosso para São Paulo foi embarcado antes do nosso.


Todos embarcados, começa o espetáculo. O comandante informa que devido ao "sequenciamento de vôos no espaço aéreo de São Paulo, somos a quarta aeronove na fila de decolagem, com previsão para saída em 10 minutos". Esta informação nos foi passada por volta das 21 horas, ou seja, já estávamos no avião há mais de 40 minutos.


Nova informação do comandante: "Somos a próxima aeronave no sequenciamento."


E agora, senhores leitores, o clímax do primeiro ato: "Recebemos informação da torre que devido ao excesso de aeronaves no espaço aéreo de São Paulo, todas as decolagens para São Paulo estão suspensas até ordem posterior. O espaço aéreo de São Paulo está fechado." Gritaria geral, celulares sendo sacados pelos passageiros e os comissários distribuindo copinhos de água, lembre-se estamos na Gol.


Por volta de 21:45 - ou seja, com a iminência do fechamento de Congonhas às 23 horas -, novo recado do comandante. "Informamos que a torre autorizou nossa decolagem, porém iremos para Guarulhos." Decolamos às 22 horas de Brasília e chegamos em Guarulhos às 23:30. Comentei com o passageiro do meu lado: "Agora mais 30 minutos para que o avião encontre uma posição de desembarque." Ele riu. Não foram 30 minutos, foram 45 minutos parados na pista esperando para o desembarque.


Só que o avião atracou na área de desembarque internacional, o que impedia que saíssemos pelo finger. Mais 20 minutos aguardando que a Infraero providenciasse uma escadinha para o desembarque. Em resumo, saímos do aeroporto por volta da meia-noite e trinta. Um tumulto de passageiros procurando um táxi ou um ônibus para deixar o aeroporto.


A moral da história é muito clara: o caos aéreo não acabou. As autoridades continuam perdidas e a imprensa já cansou de informar sobre assuntos repetidos. E tudo vai ficar como dantes, e tudo será esquecido. Triste país!

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Notícia requentada

Slot é um blog especializado em aviação e notícias sobre as empresas aéreas editado por Marcelo Ambrósio. Como hoje vou a Brasília, já estou preparado para ter muita paciência e enfrentar o caos aéreo que continua. Não sou eu quem está dizendo, está tudo no Slot.

Esta semana a culpa pelos atrasos foi do tempo, da Fórmula 1 e blá, blá, blá. E agora o Ministro Nelson Jobim diz que a culpa é da ANAC.

Ué, então não mudou nada? Não vou me cansar nunca de me indignar diante da incompetência das autoridades brasileiras.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Santo Ipod!

Hoje senti na pele como anda o Aeroporto de Congonhas, num dia com chuva: um inferno! Como se o paulistano ainda precisasse desta.

O drama começou pelo estacionamento. O novo edifício garagem inaugurado há pouco mais de um ano estava lotado! Sim, lotado. Demorei exatos 35 minutos para estacionar o carro.

Aí veio o vôo! Claro, atrasado. Tomei café, comi um pão de queijo, fui na livraria, vi os repórteres se aglomerando....e nada do vôo ser confirmado. A previsão era para as 13:35. O embarque ocorreu às 14:00 e o avião só decolou às 14:45. Ficamos 45 minutos dentro do avião parado no solo. Uma delícia!

Isto tudo mostra como falta planejamento neste país. Acreditem o estacionamento de Congonhas já está saturado. O negócio é voltar a usar táxi para o aeroporto.

E de resto, bom, preparem um kit. Eu já tenho o meu: um bom livro e meu Ipod. Revista não adianta. Você corre o risco de ler a revista toda antes de chamarem seu vôo. Como diz uma amiga minha, "tadim" de quem precisa viajar de avião. E quem perde com isto é o país!