terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

A Magia da Palavra


Um escritor, ao deitar as palavras sobre a folha branca, perde o controle de sua obra. As palavras ganham vida própria, desde que lidas. Os efeitos e consequências daquelas letrinhas agrupadas de forma ordenada são imprevisíveis. Podem destruir, podem provocar ódio e rebeliões, podem incitar a intolerância. Mas podem também aproximar as pessoas, unir, apaziguar e fazer sorrir. A palavra é uma arma poderosa e mágica.


Na semana passada, na 3a feira de carnaval, estava eu olhando algumas livrarias virtuais sem grandes pretensões. Queria ver o que havia disponível de Machado de Assis. Passei por outros escritores brasileiros, alguns estrangeiros. Escolhi 1 livro jurídico que estava em promoção. Escolhi 1 outro de um autor espanhol e para aproveitar o embalo, continuei nos autores brasileiros. Chamou-me a atenção uma determinada obra que acrescentei ao "carrinho de comopras". Uma série de atos banais, rotineiros. Mal sabia eu que havia comprado um livro mágico.


Na 5a feira, dia útil, e para alguns o primeiro dia do ano, tive algumas notícias desagradáveis no âmbito profissional. Estava chateado. Em casa à noite, deparei-me com uma caixa de papelão. Os livros haviam chegado. Abri primeiro o último livro que havia comprado. É um diário. Livro grosso, mas com passagens curtas que contavam os dias ao longo de 7 anos da vida do escritor. Passei de página em página, lendo alguns trechos, pulando outros. Alguns trechos começaram a chamar minha atenção. Até que um, em especial, fisgou meu olhar. Linhas ingênuas sobre um almoço de final de ano em 1984.


Comentei este trecho no dia seguinte e ouvi um dos "causos" mais hilários que já tinha ouvido. Gargalhei sozinho em voz alta. Acharam que estava ficando louco aqui no escritório. Mas a mágica estava feita! Aquelas linhas e aquele "causo" mudaram meu humor, meu ânimo, meu dia.

Talvez tenha sido coincidência. Talvez obra do acaso. Talvez uma ajuda providencial.


Confesso que fiquei abismado. Pode parecer pura besteira, mas aquelas linhas escritas há 23 anos atrás, narrando um simples almoço, trouxeram-me momentos de sonoro riso. De riso profundo e alegre. Algo me guiou até aquele livro, até aquela página, até aquelas linhas. E fez-se a magia da palavra que sutilmente transformou um dia.


Não mencionei o livro, ainda, pois acho a magia da palavra é muito pessoal. Depende do momento, do leitor, do ânimo. Um livro sempre poderá ser mágico. Basta prestarmos atenção.


A obra é "Diário da Noite Iluminada", de Josué Montello.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Uma nota curta

Li esta frase de Machado de Assis inserida no início de uma obra de Josué Montello. Achei-a genial, como tudo que brotava da pena de Machado de Assis.

Escreveu em Páginas Recolhidas:

"Ou lê o livro até o fim, ou fecha-o de uma vez; abri-lo e fechá-lo, fechá-lo e abri-lo, é mau, porque traz sempre a necessidade de reler o capítulo anterior para ligar o sentido, e livros relidos são livros eternos."
Nada mais verdadeiro!

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Getulio: uma revista ousada

Recebi o exemplar número 1 da Revista Getúlio, editada pela Fundação Getulio Vargas, e mais especificamente pela Direito GV. O publisher e editor Leandro Silveira Pereira encabeça mais esta etapa do projeto da Escola de Direito da GV.

Acompanho o projeto da Escola de Direito desde seus alicerces e leciono, como professor convidado, no GVLaw, curso de educação continuada da Escola de Direito em São Paulo. Apesar de crítico - talvez mais cético do que crítico - em relação ao projeto, vejo com admiração o que se tem feito no campo do Direito pela FGV e sua Escola de Direito. De fato, a proposta é inovadora e o projeto também.

Mas voltemos à revista, senão a divagação se torna muito extensa. Diz o editor:

"Esta revista surge na esteira de um projeto maior, dentro da Fundação Getulio Vargas, resultado de muitas reflexões. A fundação nasceu com a preocupação de formar quadros, produzir conhecimento, para auxiliar o desenvolvimento do país. "

De fato o primeiro número da revista segue a proposta deste ousado projeto. Destaco 2 artigos que me chamaram a atenção. O primeiro deles intitulado "Machado de Assis e o Direito", por Luisa Destri, que traz uma entrevista com o Professor de Literatura Brasileira da USP, Valentim Facioli. A entrevista trata das críticas de Machado de Assis ao moroso processo brasileiro (já era moroso no final do século XIX) e de uma abordagem jurídica de Dom Casmurro, tema este que pretendo retomar em um futuro post.

O segundo artigo, escrito por Carlos Guilherme Mota, historiador e professor titular de História Contemporânea da FFLCH da Universidade de São Paulo, intitulado "Os Livros que Fizeram Minha Cabeça", revela a importância dos livros na formação intelectual de um professor, pesquisador, ou simplesmente, de um indivíduo. Outro bom tema para um post exclusivo, principalmente quando se constata que um aluno de 5o. ano de um curso de direito raramente leu os autores clássicos e importantes na formação do pensamento jurídico.

Um breve trecho do artigo que trata de uma obra clássica e essencial na formação humanística de qualquer aluno ou pesquisador na área de ciências humanas:
"Um livro que marcou e ainda diz muito é Os Donos do Poder, em que Raymundo Faoro estuda a formação do patronato político brasileiro desde suas raízes ibéricas no século XIV, e como constituiu essa carapaça jurídico-política asfixiante atual (o livro foi escrito em 1958, ampliado e reeditado em 1973). Considero-o obrigatório, fundamental, incontornável."
As sugestões para a boa formação humanística são muitas. É triste, para não dizer lamentável, como os alunos dos cursos de direito hoje em dia pouco conhecem das obras clássicas. Neste ponto, a Escola de Direito da GV merece aplausos. A importância dada, pelo programa, às obras clássicas, buscando uma análise interdisciplinar é única no país.
A Revista Getulio vem contribuir de forma ousada a este projeto e contêm artigos de reflexão e diferentes, que fogem do lugar comum. É uma revista que se propõe a pensar o Direito de forma mais abrangente.
Boa sorte e sucesso aos editores e à equipe da Revista Getulio!

Dias de muito sol

Nestes últimos dias, de muito sol e calor, céu límpido e cores vivas, cruzei com um trecho na obra de Josué Montello que tão bem descreve o que temos vivenciado.

Extraído do Diário da Noite Iluminada (Rio de Janeiro : Ed. Nova Fronteira, 1994, p. 139), onde descreve os anos de 1977 a 1985, trago a passagem do dia 5 de janeiro de 1980 para apreciação de todos.

"Em dia assim, de muita luz, de pássaros cantando, de vibração contínua, sem uma nuvem no céu imensamente azul, deixem-me que recorde aqui este reparo da condessa de Noailles: hoje, nos jardins da cidade, as flores brincam com o sol."

A luz brinca com as cores, com as quaresmeiras e acácias floridas espalhadas pela cidade, com rostos alegres e descontraídos que contrastam um pouco com a sisudez de São Paulo. Os dias são um convite a atividades externas, a desfrutar dos parques e caminhadas, ou simplesmente jogar um pouco de conversa fora com amigos.

Aproveitem o resto de final de semana, afinal, neste ganhamos 1 hora a mais!

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Mudando de estação

Mudemos de estação. Da noite para o dia, com um pouco de poesia. Fez-se a luz, com um raio de sol, com um olhar, com uma palavra amiga. Veio a inspiração no almoço solitário e aqui reproduzo.

FAGULHA

Queima em brasa acesa
A chama que dança internamente
Ruborizada de calor
Iluminando minhas entranhas
Transbordando pelo meu olhar
Contagiado pelo teu ser

Não há noite que esconda esta luz
Não há água a que este fogo sucumbe
Não há vento que assopre e apague
Não há silêncio que emudeça o crepitar

Pulsa o coração
Incandescente
Aceso
Vibrante
Pulsa todo o meu corpo
Incendiado por uma fagulha

Debalde lutei
Entreguei-me por inteiro
Ao sentimento irresistível
Alma contaminada

Por uma faísca de amor
(RLBF)

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Um trecho de Tolstói

Não sou crítico literário, mas apenas um leitor que se delicia com literatura e procura um melhor conhecimento do ser humano através dos livros. Trago aqui um trecho de A Morte de Ivan Ilitch, de Tolstói, que comentei brevemente no post anterior. Este trecho é só um aperitivo para que o leitor se interesse pela obra.
"A maioria dos assuntos de conversa entre marido e mulher, sobretudo a educação dos filhos, levava a questões sobre as quais havia lembrança de dissensões, e a cada momento podiam deflagra-se brigas. Sobravam apenas uns raros períodos de paixão, que às vezes assaltavam os esposos, mas que duravam pouco. Eram ilhotas, às quais eles atracavam por algum tempo, mas depois novamente se lançavam ao mar da hostilidade oculta, que se manifestava no afastamento entre eles. Esse afastamento poderia magoar Ivan Ilitch, se ele não julgasse que tudo devia ser realmente assim, mas ele já considerava esta situação não só normal como também o objetivo da sua atuação na família. O seu objetivo consistia em livrar-se cada vez mais dessas contrariedades e dar-lhes um caráter de inocuidade e decência; e alcançava-o passando cada vez menos tempo com a família, e, quando não conseguia evitá-lo, procurava garantir a sua situação com a presença de pessoas estranhas. (...)"
(Tradução de Boris Schnaiderman. São Paulo : Ed. 34, 2006, p. 26)

A amargura deste relato, a distância e a solidão permeiam toda a vida de Ivan Ilitch. Tudo isto se desenvolve com amigos de aparência e culmina com uma doença que o levará à morte.

Poderíamos dizer até que espiritualmente, Ivan Ilitch já morreu. Antes que a vida deixasse seu corpo, já era um morto, entregue e abandonado, sem forças para lutar e reencontrar a alegria. Encontra uma companhia sincera em de seus criados, que o acompanha nas noites e no sofrimento. Alguém que o ouve, que lhe tenta amenizar o sofrimento. Os outros "amigos" não tem mais interesse em conviver com Ivan Ilitch. E ao saberem de sua morte, começam a confabular sobre qual deles irá assumir o cargo público de Ivan Ilitch.

Tolstói traça uma realidade sombria, onde não há espaço para amizade sincera, para um amor vibrante, mas somente interesses e egoísmo.

Tempus breve est!



Autores russos causam uma certa reserva entre leitores por serem geralmente densos, complexos e pesados. No final de outubro do ano passado, procurava um romance curto para ler, pois sabia que com a maior parte do tempo dedicada ao meu projeto de tese no doutorado, o tempo para leituras não jurídicas seria pequeno.


Deparei-me com A Morte de Ivan Ilitch, de Lev Tolstói. São 70 páginas na edição da Editora 34. Como de costume, folheei o livro na Martins Fontes da Av. Paulista. Abri o livro a esmo e li um ou dois parágrafos. Como tem acontecido ultimamente com certa frequência, abro os livros em trechos que me dizem algo e com os quais me identifico. Parece que há uma mão invisível a guiar-me até o livro e a abri-lo no trecho que tocará minha alma e me conduzirá à reflexão.


Resolvi mergulhar neste mundo novo da literatura russa. Gostei muito do livro. Li depois comentários e elogios à obra. Luiz Gastão Leães, em seus Exercícios de Memória, lançado em dezembro, a denomina de uma das "três mais belas pequenas novelas que conheço".


Tolstói era fascinado com o tema da morte. Na parte final de sua vida, em clara e profunda crise existencial, retirou-se para um convento. Pouco depois, faleceu, a 20 de novembro de 1910.


A breve novela conduz o leitor à reflexão sobre a morte, a doença, a dor e à conduta humana ao redor do ser que desfalece. São poucas linhas, mas muitos os momentos e frases que nos levam a meditar. O livro caiu-me como uma luva. Afastava-me do direito e forçou-me a enfrentar certas realidades. Realidades das quais muitas vezes tendemos a fugir, a não encarar de frente. Tirou-me de um período de deriva, de navegação sem rumo. Um daqueles vales emocionais em que nos percebemos muitas vezes.

A brevidade da vida deve mover-nos a agir. Agir, porém, pode exigir espera e que se dê tempo ao tempo. A perspectiva pode nos dar coragem para agir com mais contundência ou apaziguar um ânimo desenfreado e equivocado. Esperar pode significar aguardar o momento certo para dizer certas coisas, ou esperar um encontro ao invés de dizer as coisas apenas através de uma carta. O olho no olho pode ser mais difícil, pode enrubescer o interlocutor, mas é mais sincero. Através do olhar, revelamos os recantos interiores e a sinceridade do sentimento.


Muitas vezes um livro discretamente nos mostra uma luz no final do túnel, dissipa a névoa que baixou ao nosso redor sem percebermos e faz brilhar a luz do sol num novo dia.

A obra de Tolstoi não é mórbida, nem depressiva. É um convite à reflexão e à ação. O tempo é breve (Tempus breve est)!

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Mangueira e a Língua Portuguesa

A Mangueira trouxe para a Av. Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, um enredo que tratou da Língua Portuguesa. Já era madrugada de 2a. feira quando a escola adentrou a Avenida, pelo menos foi neste horário que a Rede Globo passou o desfile.

O carnavalesco da escola justificou a escolha de enredo ao afirmar que é preciso incentivar a leitura entre os jovens do nosso país. Era um enredo para mostrar a evolução da língua e da importância e da beleza de ler.

Porém....a transmissão da Globo deixou a desejar. Gastou-se muito tempo falando de Beth Carvalho e se ela iria ou não sair em um carro alegórico e pouco tempo sobre o enredo. Perdeu-se uma grande chance de levar ao público a discussão sobre a leitura, a língua, os escritores. Culpa da Mangueira? Penso que não. A culpa foi da Globo e de uma transmissão que se alonga nas primeiras alas e passa por cima das últimas alas e carros.

Os jornais de São Paulo, tanto o Estado como a Folha, trouxeram notas muito simpáticas sobre o enredo e a participação de imortais da Academia Brasileira de Letras no desfile. Os jornais souberam valorizar o desfile e o enredo da Mangueira para aproveitar o tema e enfatizar a importância da leitura.

A Globo perdeu uma boa oportunidade para fazer propaganda cultural e mostrar como um desfile de carnaval reflete a cultura do povo.

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Morte e vida



Chegou o carnaval. Nada como ficar em São Paulo. A cidade fica vazia, sem trânsito e sem transtornos. Pode ser aproveitada e curtida com tranquilidade, sem enfrentar horas nas estradas. Ontem ainda aproveitei as liquidações e os preços baixos para fazer compras sem tumulto. Nos últimos anos, tenho optado por ficar em São Paulo. Não me arrependo. Resultado da maturidade. Digo isto com muita serenidade e um certo fascínio. Quando tinha meus vinte anos, parecia que era preciso gozar a vida sem perder tempo, sugar a seiva da juventude. O tempo passa, não há como evitar.

Adentrando na fase dos 30, descobri como é bom amadurecer e redescobrir os prazeres da vida sem aquela ânsia da juventude. Não digo que me acomodei. Pelo contrário, acho que passamos a ser mais seletivos, mais pacientes, mais sonhadores. Os sonhos se tornam mais factíveis e alcançáveis. Henry David Thoreau, escritor norte-americano, dizia que os sonhos são como castelos feitos de nuvem, e que é preciso colocar as bases para que não desapareçam como as nuvens.

A maturidade nos mostra um pouco isto. Podemos avaliar e reavaliar as coisas. Corrigir erros, pois ainda dá tempo. Não ter medo de ficar só, pois sempre haverá um amigo a nos apoiar. Sugar a seiva da maturidade pode ser passar uma tarde com a avó ou com os pais e simplesmente fazer companhia. Muitas vezes as palavras não são necessárias.

Quando era criança - e ainda hoje -, adorava ficar ao lado de pessoas mais velhas. Lembro-me, saudoso, de tardes ao lado de minha tia bisavó, a Tia Ema. Ficava no quintal da casa da minha bisavó, que faleceu em 1977, conversando e ouvindo as estórias dela. Tia Ema faleceu pouco depois, não me lembro ao certo, acho que em 1980. Foi talvez a primeira vez, que como criança, entendi o que era a morte e o que era perder alguém. Minha mãe me deu a notícia, estava na chácara em São Roque e chorei. Um daqueles eventos que me marcaram.

A morte é uma realidade e a nossa única certeza. Todos morreremos. O brasileiro tem uma certa reserva em tratar do assunto ou discutir o assunto. Eu vejo diferente. Refletir sobre a morte nos dá vida. Sim, vida.

Se alguém lhe dissesse que sua vida vai acabar em 1 mês, o que faria? Provavelemente várias coisas e dentre elas estariam incluídas alguns pedidos de desculpas, algumas declarações de afeto e carinho, algumas loucuras. Seria a última chance para mostrar e dizer o que tem que dizer.

O ritmo da vida moderna não nos permite parar e pensar, parar e falar, ou simplesmente falar. Há coisas que se não falarmos, irão silenciar para sempre. A morte pode nos dar a coragem para falar e fazer o que não temos coragem. Reparar erros e pedir desculpas, construir pontes derrubadas, ou simplesmente sorrir para aquela pessoa que você cruza diariamente no seu caminho e mal sabe o nome dela. Diga um bom dia e sorria. Talvez ela não esteja no seu caminho amanhã.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Leitura de Carnaval

Comprei dois livros para me acompanhar neste carnaval. Minhas opções:

- Contos Fluminenses, de Machado de Assis. Uma bela edição da Martins Fontes (2006) que integra a Coleção Contistas e Cronistas do Brasil. Folheando o volume chamou-me atenção o conto "Confissões de uma viúva moça". Há uma excelente introdução e notas. Gosto destes extras que permitem ao leitor compreender melhor o autor, o contexto e a origem do texto. A leitura se torna muito mais enriquecedora.


- As Coisas do Alto, de Vinicius de Moraes. Poemas em edição da Companhia das Letras (2003). Leitura para ser degustada com calma e regar os lindos finais de tarde, ao por do sol. Deixo uma pitada de Vinicius.

INTROSPECÇÃO
Nuvens lentas passavam
Quando eu olhei o céu.
Eu senti na minha alma a dor do céu
Que nunca poderá ser sempre calmo.


Quando eu olhei a árvore perdida
Não vi nem ninhos nem pássaros.
Eu senti na minha alma a dor da árvore
Esgalhada e sozinha
Sem pássaros cantando nos seus ninhos.


Quando eu olhei minha alma
Vi a treva.
Eu senti no céu e na árvore perdida
A dor da treva que vive na minha alma.

Carnaval em São Paulo



Um lindo dia de sol, céu azul. Assim começa o carnaval em São Paulo. Clima fresco de final de verão com as cores da cidade e sem pressa para contemplar e degustar esta cidade.

Um ótimo dia para aproveitar os parques, museus ou simplesmente caminhar pelas ruas. Ir até R. Oscar Freire, com suas calçadas renovadas, ver vitrines e gente bonita e uma pausa para um café na Cristallo. Ou então, andar pela Av. Paulista.

A Avenida Paulista ganha ares muito diferentes em feriados e fins de semana. Por ser plana, pode-se caminhar com tranqüilidade. Os engravatados e apressados trabalhadores são substituídos por pessoas descontraídas. Não chega a ser uma orla de Copacabana, mas tem ótimas opções.

Por razões que desconheço, passei toda minha vida profissional ao redor da Avenida Paulista. Desde os tempos de estagiário, onde trabalhava num casarão na Rua Martiniano de Carvalho, que infelizmente deu lugar a um edifício residencial de luxo, vivo a maior parte do meu dia por aqui. Apenas no trecho entre a Praça Oswaldo Cruz e a Av. Brigadeiro Luis Antônio, pode-se visitar 3 centros culturais e 2 ótimas livrarias.

Gosto muito da Livraria Martins Fontes (Av. Paulista, 509 - loja 17. Tel. 3266-4603). Ela fica dentro de uma galeria na esquina da Paulista com Rua Manoel da Nóbrega. A seleção de livros é ótima, inclusive importados. Pode-se folhear um livro sem ser importunado e vou com freqüência na hora do almoço dar uma fuçada. Sempre encontra-se coisas boas. E depois, não deixe de ir ao mezanino tomar um excelente café ou capuccino. A foto que ilustra este post é do café no mezanino.

Para quem fica em São Paulo e gosta de ler, fica aqui a nossa dica.

Bom carnaval a todos. Mas mesmo sendo carnaval, os posts não vão parar. Isto aqui já virou um vício.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Pensamento Digital

Tecnologia pode ser um tema árido, mas é fundamental nos dias de hoje. Para aqueles que querem informação atualizada, mas de forma inteligível, aqui vai uma dica. É o blog Pensamento Digital, editado por Evaldo Indig Alves. Entrou no ar recentemente e merece uma visita.

O link é: http://blog.evaldoalves.com/

Boa leitura!