Mostrando postagens com marcador Portugal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Portugal. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 13 de maio de 2015

A poesia de Matilde Campilho



Descobrir um novo poeta é descobrir um novo dialeto que traduz a realidade do mundo. Todo poeta tem o seu idioma próprio, uma forma toda peculiar de retratar, de descrever de forma inusitada o que é banal, o que é sublime, o que é importante, o que é profundo. Cada poeta usa traços e linhas e sombras e nuances para desenhar com palavras o que tantas vezes tentamos fazer sem sucesso.

Matilde Campilho poderia ser facilmente confundida com uma brasileira. A bela morena morou no Rio de Janeiro e passaria por carioca, não fosse o inconfundível – e charmoso – sotaque português. De cabelos longos e pele bronzeada, Matilde é uma jovem escritora, uma jovem poetisa que desponta no cenário das letras.

Participou do recente colóquio Minha língua, minha pátria, organizado pelo jornal português Público em conjunto com a Livraria Cultura. Matilde estará presente também na Flip deste ano.

Jóquei é seu primeiro livro, publicado no Brasil pela Editora 34. Não se surpreenda com os poemas em inglês, alguns poucos, misturados com um punhado de textos em prosa. A poesia conduz leva-nos a passear por Lisboa, pelo Rio de Janeiro e por cidades que poderiam ser tanto no Brasil, ou Portugal, ou qualquer lugar onde um caminhante atento observa tudo ao seu redor.


Há leveza na poesia de Matilde Campilho que parece escrever a poesia que todos gostaríamos de escrever. Trata-se de um elogio, antes que me entendam mal, a simplicidade é mais difícil de ser atingida do que pode parecer e a caixa torácica deve retumbar quando as palavras deitadas sobre o papel agradam à escritora. O leitor da poesia de Matilde descobre sua fascinação pelos números, pela ciência, onde parece indicar um discreto deslumbramento sobre os mistérios invísiveis do universo, transformando o DNA em poesia.





segunda-feira, 14 de julho de 2014

Margens do Tejo

Luar no Tejo
instagram @rbueloni

Caía a tarde, sol adormecido, lua surgindo no oriente, refletida pelas águas crispadas do Tejo. Ah, o Tejo. Reencontro-o depois de quase dezoito anos em cenário inesquecível de começo de noite, lua cheia, céu limpo, calor ameno de verão lisboeta. Paro na margem e contemplo-o com a memória repleta de imagens. A Ponte Vasco da Gama iluminada e na outra margem avisto Montijo. O silêncio quebrado apenas pelas pequenas ondas do rio a baterem na murta de pedra que ladeia a margem. Respiro fundo e sinto o cheiro levemente salgado da maré que avança sobre o rio, o maior de todos os rios, mas não tão grande quanto o rio que passa na minha aldeia.

Os versos de Camões parecem se materializar no vasto rio. Poderia sentar-me num banco e dialogar com Fernando Pessoa e seus heterônimos, ouvindo cada um deles declamar poemas sobre a beleza do Tejo. A presença do poeta é palpável, quase física. E os versos se sucedem em minha mente. Como é belo o Tejo, cantaria! 

O Tejo é o símbolo maior de Portugal, a terrinha mãe, a pátria primeira. Talvez meu sangue português tenha entrado em ebulição ao notar o rio, aguçando o lado emocional e nostálgico, ainda que não tenha mais parentes além mar. 

Ali fiquei a admirar o Tejo transformado em tela impressionista do lindo luar, suas águas salpicadas de um  cinza iluminado, suas pequenas ondas tingidas com a luz da noite, seus ruídos a embalar o início da noite.

Em clima de saudade, despedi-me dele, trazendo na bagagem alguns fados como trilha sonora para acalentar a nostalgia e as boas lembranças do grande Portugal.